Motores Universais: Como Funcionam os Motores Reais (máquinas eléctricas 18/…)
Motores Universais
Também não deve haver casa sem pelo menos uma dezena de motores deste tipo. Eles estarão onde é desejável ter algo compacto e que rode rapidamente (processadores de alimentos, moinho de café, aparador de pêlos do nariz eléctrico) ou precisa de velocidade variável (máquina de costura, berbequim).
Vantagens
– Rodará à velocidade que pretender, incluindo realmente depressa.
– Muita potência num espaço pequeno
Desvantagens
– Horrível
– As faíscas do motor causam rádio interferências, ozono e barulho
Um motor universal possui um campo rasgado (no estator) e uma armadura com rasgos (no rotor). Não pode usar um íman permanente para criar o campo estatórico porque precisa de inverter a sua polaridade magnética a cada meio ciclo da tensão de alimentação. A tensão, ao ser alimentada para as escovas do comutador também mudará de polaridade a cada semi-ciclo, e, na realidade está simplesmente em série com a bobina de campo.
O exemplar que mostramos abaixo funcionou durante 30 anos numa máquina de costura.
Repare que as escovas à direita na extremidade do eixo. Olhando para o motor, ele é quase indistinguível (*) de um motor DC. Na realidade, ele funcionará alegremente em DC. Contudo, ao contrário de um motor de íman permanente, um motor universal rodará sempre na mesma direcção, seja qual for a maneira de ligá-lo à fonte de alimentação DC, isto é, mesmo que troque a polaridade da tensão de alimentação, ele rodará no mesmo sentido. Sabendo este facto simples pode permitir até que ganhe umas apostas envolvendo pequenas somas de dinheiro.
Este motor tem apenas dois pólos, e, por isso, não apresenta um grande torque no arranque. É por isso que, por vezes, necessita de forçar, no início, a roda grande das máquinas de costura, de forma a que ela arranque e embale.
(*) Os leitores mais astutos repararão que, ao contrário de um motor DC convencional, este apresenta um estator laminado. Os mais astutos de todos também compreenderão porquê.
Fevereiro 4, 2011 No Comments
Para hoje, uma canção pop perfeita
Janeiro 31, 2011 No Comments
Motores de Indução: Como Funcionam os Motores Reais (máquinas eléctricas 17/…)
Em artigos anteriores estudámos a teoria subjacente ao funcionamento dos vários tipos de motores de corrente contínua (DC) e alternada (AC). Seguidamente vamos debruçar-nos sobre o funcionamento dos motores reais que, obviamente, incorporam a teoria estudada mas contêm, por outro lado, particularidades necessárias ao seu bom desempenho, robustez, fiabilidade e outras características práticas importantes.
Motores de Indução
Não existe, nos dias de hoje, nenhum lar onde este tipo de motores não esteja presente. Poderá encontrar um motor de indução na sua ventoinha, frigideira eléctrica, aspirador, máquina de lavar a roupa, máquina de lavar loiça, secador de roupa, e a pequena bomba que faz a circulação de água no aquário dos seus peixes, de forma a que esta não fique verde e os seus peixes não fiquem de barriga para o ar. E haverá grandes possibilidades de ter também um no aparelho de ar condicionado – a não ser que seja um daqueles de última geração.
Vantagens
– Barato
– Silencioso
– Duradouro
– Não cria interferências
Desvantagens
– Roda a velocidade constante (50Hz a dividir por metade do número de pólos)
– Não pode rodar a velocidades superiores a 1500 rpm (motor de 4 pólos)
– Absorve uma grande corrente no arranque, ou é ineficiente, ou ambos
– É volumoso e desajeitado para a potência que consegue desenvolver
– Abaixo mostramos um exemplar de uma ventoinha
Na realidade os eixos e os extremos do motor já foram removidos. (Em retrospectiva, eu deveria ter usado algo mais delicado do que um machado para desmontar a ventoinha.) Podemos puxar o rotor para fora e isto é aquilo com que ficamos. Há quatro bobinas, e elas estão simplesmente ligadas em série.
Bem, não é assim tão simples – a corrente vem pelo fio branco, então a primeira bobina (acima à direita) é enrolada no sentido dos ponteiros do relógio, a próxima (abaixo à direita) no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, a de baixo à esquerda novamente no sentido dos ponteiros do relógio, a de cima à esquerda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, e depois sai pelo outro fio branco. Imagine pois um semiciclo positivo da corrente, com esta na realidade a entrar naquele primeiro fio. A primeira bobina produz um pólo norte na frente (visto de frente), a segunda um pólo sul na frente, etc.: N-S-N-S
Meio ciclo da alimentação depois (10ms) a corrente inverte, bem como o sentido magnético dos pólos, que são agora: S-N-S-N. O rotor é um condutor eléctrico, e, assim, tenta seguir esse campo. Para fazer isso tem de rodar 90 graus. Então o rotor demora dois ciclos completos da corrente (40 ms) para fazer uma rotação completa, e assim a sua velocidade é de 1500 rpm. Pelo menos, será se conseguir acompanhar o campo girante. Mas não o consegue bem, e de facto é porque ele escorrega um pouco que se consegue desenvolver o torque. Então, ele roda um pouco mais lentamente que as 1500 rpm (tipicamente 1440 rpm) dependendo de quanto torque é chamado a produzir.
De notar que o motor, como descrito até aqui, pode rodar em qualquer dos sentidos. Este tipo de motor precisa pois de alguma “inteligência” interna para assegurar que apenas vai rodar na direcção certa. Isso é conseguido, neste motor, pelo uso de pólos sombreados.
Repare na bobina no topo da figura. Veja que existe um pequeno pólo adicional (um conjunto de lâminas de ferro) à esquerda do pólo principal. Ele é excitado pela mesma bobina do pólo principal, mas está “encoberto” desse pólo por uma tira grossa de cobre que envolve as lâminas e actua como um pequena espira eléctrica. A corrente induzida nesta tira pelo campo magnético gera uma mudança de fase de forma a que o pólo encoberto pode gerar uma componente pequena do campo magnético nos ângulos exactos em relação ao campo principal, e com a fase correcta para assegurar que a ventoinha roda no sentido correcto (de outra forma a ventoinha sugaria em vez de soprar).
Então, na realidade o motor de indução está já a usar indução, e ainda nem chegámos ao rotor!
Vamos então agora olhar para o rotor. Ele é realmente frustrante – não se parece nada com a “gaiola de esquilo” citada no seu nome. Onde é que é suposto estar o esquilo?
O que acontece é que o rotor é na realidade feito de uma pilha de lâminas em forma de disco de ferro macio. É verdade – é sólido. Isso concentra o campo magnético (gerado pelas bobinas) na região em que fará melhor o seu trabalho (as barras condutoras do rotor).
Pode ver os extremos das barras que seguem ao longo do eixo do rotor, mas elas estão num ângulo de talvez 30º em relação ao eixo. O que se passa aqui? Mau dia na fábrica? Há fortes hipóteses que tenha sido projectado dessa maneira para reduzir o torque. Se as barras estivessem paralelas ao eixo, o torque aumentaria e cairia à medida que cada barra passasse debaixo das bobinas. Inclinando as barras, o torque é mantido mais uniforme à medida que o rotor roda.
Vamos ver agora um tipo diferente de motor de indução.
Este veio de um telescópio astronómico. Fazia parte de um transportador de filme fotográfico, e era necessário que fosse capaz de andar para a frente e para trás. Logo tem duas bobinas separadas, e quatro fios de ligação para o exterior. Uma das bobinas é alimentada directamente da alimentação (ou “linha”); a outra é alimentada através de um condensador que disponibiliza o necessário desfasamento de 90º. Trocar as bobinas ou inverter as ligações numa das bobinas e o motor irá andar na outra direcção.
Não há surpresas quando o desmontamos, mas mesmo assim repare no padrão diferente de bobinagem em relação ao motor anterior. Tem mais pólos, e assim rodará mais lentamente.
De novo, o rotor é sólido, e não conseguimos ver o que está lá dentro. A placa de alumínio no extremo do rotor foi estampado e transformado numa série de pequenas alhetas de forma a fazer uma ventoinha de refrescamento. (Isto não era necessário com o nosso primeiro motor – ele mantinha-se fresco ele próprio pelo expediente simples de estar colocado no meio de, bem… uma ventoinha.)
Como os telescópios astronómicos já não usam filme, podemos cortar o rotor ao meio e ver se há algum esquilo lá dentro.
Nada de esquilo, mas um magnífico conjunto de barras de alumínio condutor, tal como vem nos livros. Se pensar nas barras do rotor como formando (via os seus anéis extremos) uma bobina de uma espira de um secundário de um transformador, sendo o seu primário (as bobinas de cada pólo) tem algumas 50 a 100 espiras, é claro que a corrente através das barras do rotor pode ser bastante elevada – valores aproximados de 100 amperes para um motor de 240 watt de potência. Isto explica a necessidade de barras realmente chunky.
Uma desvantagem do motor de pólo encoberto é que o torque de arranque é muito mais baixo. Isso não importa muito para uma coisa como uma ventoinha, onde a carga estacionária é próxima de zero. Para outras aplicações, como uma máquina de lavar, por exemplo, isso seria um desastre. Esses motores utilizam então um condensador para gerar a requerida mudança de fase para as bobinas em quadratura, como neste exemplo.
Os motores de indução podem ainda apresentar-se noutras formas, mas as duas descritas acima são as mais comuns no que se refere a utilizações domésticas.
Para roncos a sério, contudo, é preciso um motor trifásico de indução. Isso tira vantagem do facto de que a potência trifásica comercial é disponibilizado por três condutores, cada um dos quais transporta uma onda sinusoidal de 50 Hz desfasada de 120º das outras duas. Um motor trifásico simplesmente coloca três bobinas em intervalos de 120º à volta da carcaça, e assim um campo magnético girante é criado automaticamente. Os motores de indução trifásicos são os “cavalos de trabalho” da indústria, com grandes unidades que chegam a ter mais de um megawatt de potência.
Os comboios do novo Millenium de Sidney utilizam motores de indução trifásicos, cada qual de 226 kW, deixando assim de lado os tradicionais motores DC usados nos anteriores modelos Tangara. Contudo, como a potência produzida pelo comboio é de 1500 volts DC, cada comboio Millenium tem de ter um inversor para criar as três fases AC para alimentar os seus motores.
Janeiro 27, 2011 3 Comments



















