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Rui Moreira – A Cenoura de Consolação

2. ::12.08.2008:: Rui Moreira – “A Cenoura de Consolação”

Não percamos a esperança. Ainda há pessoas (não professores, de sala de aula) que não perderam o discernimento e não se deixaram intoxicar pela propaganda ignóbil do governo.

Eu, confesso, embora ainda não saiba como vai ser, tenho matado a cabeça para arranjar maneira de escapar à presença na palhaçada do dia da entrega dos diplomas, sem ser grandemente penalizado na avaliação. Alguém tem alguma ideia?

Os sublinhados são meus (embora me apetecesse sublinhar o artigo todo, o que quase fiz). Então aquela do “ensino-vaselina” é para entrar, de caras, no vocabulário escolar. Vou ver se não me esqueço de a aplicar regularmente.

A Cenoura de Consolação, por Rui Moreira, Presidente da Associação Comercial do Porto, in Público 11.08.2208

A decisão de atribuir, anualmente, no Dia do Diploma, um prémio monetário aos melhores alunos do secundário, é uma daquelas notícias em que o nonsense dos governantes consegue ofuscar o do Inimigo Público.

Não, não se trata de reeditar o Quadro de Honra, em que a distinção era o justo prémio, nem a dispensa aos exames do liceu, que nos permitia entrar de férias mais cedo, no tempo da “outra senhora”. Também não se oferece uma bolsa ou viagem de estudo, nem sequer um computador, porque o Magalhães virá de borla e para todos. É dinheirinho vivo, quinhentos euros por premiado, para comprar um I-Phone ou gastar no que lhe aprouver.

É extraordinário que este ministério, que fomenta o facilitismo para melhorar notas e as estatísticas, que adopta e “ensino-vaselina” (lol) para agilizar e embaratecer a passagem do aluno pela escola, que tem fobia do elitismo, que desautoriza os professores face a pais e alunos e prefere avaliar os docentes a examinar os estudantes, que contemporiza com a indisciplina, tenha o topete de criar este prémio, que em nada contribui para a cultura de mérito, que deveria incutir às crianças, desde cedo, o sentido de responsabilidade, afirmando o estudo como um bom investimento e o conhecimento como um instrumento essencial para a realização e felicidade futuras. Não serve, sequer, como prémio de consolação para os melhores e mais esforçados, obrigados a marcar passo pela política oficial, que não permite organizar as turmas em função do mérito relativo dos alunos, nem que os professores penalizem os que não estão interessados em aprender. Será que algum bom estudante, empenhado em conseguir notas para entrar na universidade pública e gratuita, vai estudar mais por 500 euros? Alguém acredita que, por isso, um aluno mau e indisciplinado vai passar a ser bom? E se são os mais fracos que precisam de ajuda para não ficar para trás, não seria este dinheiro mais útil para viabilizar aulas adicionais de recuperação?

A ideia do dinheiro como isco é como a da cenoura que se pendura à frente do burro. Um truque de quem, com a consciência pesada por pouco fazer pelos piores, e por nada ter feito pelos melhores, os trata como se fossem asnos.

São, afinal, meras alvíssaras, que servem para que a ministra descubra, e depois exiba em dia próprio, os parcos sucessos. E, claro, esconda e omita os insucessos criados pelo jacobinismo do sistema educativo, pelo igualitarismo que nivela por baixo, pela destruição metódica da autoridade do docente pela ideia de que a avaliação punitiva é socialmente discriminatória e reprodutora de exclusão.

Tudo isto acontece a um ano das eleições. O Governo não melhorou a escola, mas vai distribuir dinheiro e computadores. O que seria demagógico, à direita, é inteligente e inovador quando vem da esquerda. Lembram-se do escândalo que foi quando, há anos, um candidato ofereceu varinhas mágicas e electrodomésticos aos eleitores? Mudam-se os tempos e as sensibilidades, e agora ninguém reclama. Mas, há coisas que nunca mudam e, por acaso, esse tal político até ganhou as eleições…

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