{"id":9952,"date":"2022-07-25T04:30:38","date_gmt":"2022-07-25T11:30:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9952"},"modified":"2022-07-25T04:30:38","modified_gmt":"2022-07-25T11:30:38","slug":"philip-glass-bob-wilson-philip-glass-em-lisboa-um-dia-na-opera-opera-descobrimentos-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/07\/25\/philip-glass-bob-wilson-philip-glass-em-lisboa-um-dia-na-opera-opera-descobrimentos-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Philip Glass, Bob Wilson &#8211; &#8220;Philip Glass Em Lisboa &#8211; Um dia Na \u00d3pera&#8221; (\u00f3pera | descobrimentos | artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO SEXTA-FEIRA, 28 SETEMBRO 1990 >> Cultura<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Philip Glass em Lisboa<\/p>\n<p>Um dia na \u00d3pera<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Philip Glass e Bob Wilson encontram-se desde h\u00e1 duas semanas no nosso pa\u00eds, a preparar uma \u00f3pera dedicada aos Descobrimentos portugueses. Dentro de dois anos ser\u00e1 de novo a conquista de mares nunca antes navegados.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/philpGlass-259x300.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9953\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/philpGlass-259x300.jpg 259w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/philpGlass-86x100.jpg 86w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/philpGlass.jpg 448w\" sizes=\"auto, (max-width: 259px) 100vw, 259px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>\u201cThrough the Eye of the Raven\u201d \u00e9 o t\u00edtulo escolhido para a obra composta por Philip Glass, encenada por Bob Wilson e com \u201clibretto\u201d de Lu\u00edsa Costa Gomes, inspirada nos Descobrimentos portugueses e com estreia mundial marcada para 28 de junho de 1992, no Teatro Nacional de S. Carlos.<br \/>\n\tEm encontro informal com a imprensa, num dos camarins do teatro e em plena atividade de ensaios, o compositor americano, autor de outras obras importantes no mesmo dom\u00ednio, como \u201cEinstein on the Beach\u201d, \u201cSatyagraha\u201d e \u201cAkhnaten\u201d e o seu colaborador de longa data Bob Wilson, levantaram algumas pontas do v\u00e9u. A \u00f3pera ser\u00e1 inovadora a v\u00e1rios n\u00edveis: m\u00fasica (Philip Glass ainda n\u00e3o escreveu uma \u00fanica nota, mas tudo est\u00e1 previsto at\u00e9 ao d\u00e9cimo de segundo&#8230;), coreografia e texto funcionar\u00e3o como entidades aut\u00f3nomas, cujo sentido global caber\u00e1 em grande parte \u00e0 intui\u00e7\u00e3o do auditor unificar e apreender. Haver\u00e1 momentos em que, aparentemente, \u201ca m\u00fasica, o texto e as movimenta\u00e7\u00f5es sobre o palco n\u00e3o ter\u00e3o nada a ver umas com as outras\u201d. A vanguarda \u00e9 assim mesmo.<br \/>\n\tNa pr\u00e1tica, a estrutura final vai sendo progressivamente constru\u00edda, partindo de um trabalho em regime de \u201cWorkshop\u201d, por ambos considerado como \u201cideal\u201d, com o aspeto criativo fruto de uma colabora\u00e7\u00e3o constante entre a totalidade das partes envolvidas. Bob Wilson chega ao ponto de afirmar \u201cser poss\u00edvel compor uma \u00f3pera a partir do vestu\u00e1rio ou da ilumina\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d. Mas acalmem-se os mais tradicionalistas que, neste caso e ainda segundo Wilson, \u201ca \u00f3pera \u00e9, do ponto de vista formal, extremamente tradicional, dividida em cinco atos, com uma abertura e um pr\u00f3logo, para al\u00e9m de v\u00e1rias \u2018Knee plays\u2019, esp\u00e9cie de interl\u00fadios musicais fazendo a liga\u00e7\u00e3o entre as partes principais\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ditosa p\u00e1tria minha amada&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\tNo cap\u00edtulo da encena\u00e7\u00e3o Bob Wilson promete algumas surpresas espetaculares: Vasco da Gama, o Rei e a Rainha, um escritor, uma freira, tr\u00eas cientistas, Miss Universo e outras personagens sa\u00eddas da Hist\u00f3ria e da imagina\u00e7\u00e3o dos autores, v\u00e3o fazer mil tropelias, em locais t\u00e3o diversos como o mar (incluindo uma deslumbrante cidade de cristal oculta nas suas profundezas), o espa\u00e7o c\u00f3smico, \u201cburacos negros\u201d por todo o lado, a selva brasileira, os exotismos do Oriente, na Corte de D. Manuel, e outros, menos facilmente catalog\u00e1veis. Haver\u00e1 terr\u00edveis naufr\u00e1gios, terramotos, monstros de toda a esp\u00e9cie (alguns nascidos de del\u00edrios de Jorge Lu\u00eds Borges), cabe\u00e7as de c\u00e3o e patas de elefante, avi\u00f5es e foguet\u00f5es, um telesc\u00f3pio gigantesco girando amea\u00e7ador sobre a cabe\u00e7a dos atores, uma \u201ctroupe\u201d de dan\u00e7arinos japoneses, viagens para al\u00e9m da morte, enfim, como diz Glass \u2013 \u201cn\u00e3o se pretende dar uma li\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria, trata-se antes de uma abordagem po\u00e9tica, de car\u00e1ter universalista, em que Passado, Presente e Futuro se confundem numa nova Realidade. Quem quiser receber li\u00e7\u00f5es deve procurar nos comp\u00eandios&#8230;\u201d.<br \/>\n\tLu\u00edsa Costa Gomes, autora do \u201clibretto\u201d (que incluir\u00e1 excertos de \u201cOs Lus\u00edadas\u201d e da \u201cPeregrina\u00e7\u00e3o\u201d de Fern\u00e3o Mendes Pinto) \u00e9 de opini\u00e3o que o tom geral d\u00e1 uma \u201cvis\u00e3o extremamente elogiosa, destacando o seu papel pioneiro, na transi\u00e7\u00e3o da mentalidade e imagin\u00e1rio medievais para os renascentistas, dos Descobrimentos portugueses\u201d, designa\u00e7\u00e3o geral para uma gesta que, para si, se reveste inevitavelmente de um car\u00e1ter simb\u00f3lico, procurando na parte que lhe compete, evitar o \u201ckitsch\u201d e que os textos (inteiramente falados e cantados em portugu\u00eas) reflitam essa mesma preocupa\u00e7\u00e3o, para tal recorrendo a uma linguagem frequentemente metaf\u00f3rica, a come\u00e7ar pelo corvo mencionado no t\u00edtulo, numa alus\u00e3o \u00e0s aves que equilibram a nau lisboeta. Viagens pelo mundo e pela alma humana adentro. Terra de Preste Jo\u00e3o, a Ilha dos Amores&#8230; \u201cGostava que a frase final, entoada pelo coro, fosse muito simples \u2013 \u2018esta \u00e9 a ditosa p\u00e1tria minha amada\u2019 \u2013 \u2018mais nada\u201d.<\/p>\n<p><strong>&#8230; \u00e0 conquista do mundo<\/strong><\/p>\n<p>\tQuanto \u00e0 partitura de \u201cThrough the Eye of the Raven\u201d (encomendada especialmente pela Comiss\u00e3o dos Descobrimentos) ser\u00e1 exclusivamente para orquestra e coro, este \u00faltimo aparecendo em cena somente na apoteose final do quinto e derradeiro ato. Nada foi ainda escrito mas ideias parece que n\u00e3o faltam a Philip Glass, um dos \u201cpapas\u201d da m\u00fasica minimalista dos anos Sessenta, que hoje recusa a conota\u00e7\u00e3o exclusiva com a escola que ajudou a construir e presentemente considerada ultrapassada, chegando ao ponto de afirmar que \u2013 \u201cse tivesse hoje 20 anos jamais faria m\u00fasica minimal\u201d.<br \/>\n\tPara j\u00e1 adiantou que o terceiro ato ser\u00e1 uma dan\u00e7a coreografada por um japon\u00eas (\u00fanica sem a responsabilidade direta de Bob Wilson) e a totalidade do trabalho composicional realizada previamente ao piano.<br \/>\n\tTeoria terminada, foram mostrados e explicados por Bob Wilson, v\u00e1rios esbo\u00e7os referentes aos \u201cd\u00e9cors\u201d de cada um dos cinco atos, uns em branco (para as cenas mais despojadas&#8230;) outro com uma mancha negra (o promont\u00f3rio de Sagres&#8230;) ou uns rabiscos confusos (a selva amaz\u00f3nica&#8230;). Elucidados e siderados pelo aparato visual do futuro evento, passou-se para o grande audit\u00f3rio, para uma demonstra\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica provis\u00f3ria do primeiro ato, sem m\u00fasica e com Lu\u00edsa Costa Gomes soletrando o texto palavra por palavra. Nada a ver com o \u201cBarbeiro de Sevilha\u201d. Quando se ligar o som, que se desiludam os amantes do \u201cBel Canto\u201d&#8230;<br \/>\n\tA dois anos da sua apresenta\u00e7\u00e3o oficial, \u201cThrough the Eye of the Raven\u201d, provoca desde j\u00e1 interesse por parte dos meios culturais estrangeiros (fala-se inclusive num poss\u00edvel \u201csponsor\u201d americano, para suportar os elevados custos da produ\u00e7\u00e3o), na apresenta\u00e7\u00e3o local da \u00f3pera, nomeadamente os japoneses, aos quais a problem\u00e1tica dos Descobrimentos diz obviamente respeito. Para al\u00e9m dos americanos, tamb\u00e9m os alem\u00e3es se mostram interessados. Em Espanha, o \u201cOlhar do Corvo\u201d passar\u00e1 na Expo-92. Philip Glass e Bob Wilson n\u00e3o fazem a coisa por menos: \u201cCom este trabalho tencionamos conquistar o mundo da \u00f3pera\u201d. Daqui a sensivelmente dois anos se ver\u00e1&#8230; Para j\u00e1 a certeza de que, em termos oper\u00e1ticos, depois destes descobrimentos, nada ficar\u00e1 como dantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO SEXTA-FEIRA, 28 SETEMBRO 1990 >> Cultura Philip Glass em Lisboa Um dia na \u00d3pera Philip Glass e Bob Wilson encontram-se desde h\u00e1 duas semanas no nosso pa\u00eds, a preparar uma \u00f3pera dedicada aos Descobrimentos portugueses. Dentro de dois anos ser\u00e1 de novo a conquista de mares nunca antes navegados. \u201cThrough the Eye of the [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[851,369,81,812,753],"tags":[3376,3377,3378,1373],"class_list":["post-9952","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1990","category-avant-gard","category-contemporanea","category-minimal","category-opera-rock","tag-bob-wilson","tag-descobrimentos","tag-opera","tag-philip-glass"],"views":559,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9952"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9952\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9954,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9952\/revisions\/9954"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}