{"id":9940,"date":"2022-07-20T09:00:26","date_gmt":"2022-07-20T16:00:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9940"},"modified":"2022-07-20T09:00:26","modified_gmt":"2022-07-20T16:00:26","slug":"fernando-magalhaes-no-forum-sons-intervencao-47-texto-sem-cortes-dos-biosphere-fm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/07\/20\/fernando-magalhaes-no-forum-sons-intervencao-47-texto-sem-cortes-dos-biosphere-fm\/","title":{"rendered":"Fernando Magalh\u00e3es no &#8220;F\u00f3rum Sons&#8221; &#8211; Interven\u00e7\u00e3o #47 &#8211; &#8220;Texto, sem cortes, dos Biosphere&#8230; (FM)&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>#46 &#8211; &#8220;Texto, sem cortes, dos Biosphere&#8230; (FM)&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernando Magalh\u00e3es<\/strong><br \/>\n30.11.2001 150346<\/p>\n<p>Para quem eventualmente estiver interessado em ler na \u00edntegra o meu texto de hoje no Y sobre os Biosphere, aqui est\u00e1 ele, sem os cortes que tornaram demasiado abruptas determinadas passagens&#8230; <\/p>\n<p>Nada de fundamental mudou, mas para o M\u00e1rio, pode ser importante&#8230; \ud83d\ude42<\/p>\n<p>H\u00e1 vida no espa\u00e7o <\/p>\n<p>A estreia nacional, no Porto, do projecto Biosphere, do noruegu\u00eas, Geir Jenssen, poder\u00e1 constituir um dos mais espectaculares concertos deste ano em Portugal. Imbu\u00edda de uma forte carga cinematogr\u00e1fica, a m\u00fasica electr\u00f3nica de Biosphere conjuga \u2014 a partir de uma depura\u00e7\u00e3o da \u201cambient tecno\u201d de que Jenssen foi percursor \u2014 a imensid\u00e3o dos grandes espa\u00e7os \u00e1rticos e o brilho hipn\u00f3tico de pequenas estrelas vivas. O novo \u00e1lbum, \u201cCirque\u201d, abrir-se-\u00e1 numa dimens\u00e3o multim\u00e9dia, para ver, ouvir e sonhar. Como um planet\u00e1rio. <\/p>\n<p>1 &#8211; ORIGEM <\/p>\n<p>Biosfera. \u201cA fina camada da superf\u00edcie da terra e do mar que cont\u00e9m a massa total dos organismos vivos existentes no planeta, que processam e reciclam a energia e os nutrientes dispon\u00edveis no meio ambiente\u201d (in \u201cEnciclopedia Britannica\u201d). Em 1990, ao tomar conhecimento do projecto \u201cBiosphere 2 Space Station Project\u201d \u2014 uma gigantesca c\u00fapula de vidro fechada instalada no deserto do Arizona \u2014 o m\u00fasico noruegu\u00eas Geir Jenssen adaptou esta designa\u00e7\u00e3o ao seu pr\u00f3prio projecto musical. Na esta\u00e7\u00e3o \u201cBiospehere 2\u201d testava-se a viabilidade da manuten\u00e7\u00e3o, no espa\u00e7o, de uma col\u00f3nia terrestre auto-suficiente. Na c\u00fapula \u201cBiosphere 2\u201d habitaram v\u00e1rias fam\u00edlias em completo isolamento do mundo exterior, durante v\u00e1rios anos. Da mesma forma, a m\u00fasica de Biosphere evoca a solid\u00e3o dos grandes espa\u00e7os polares e recria a biodiversidade de organismos s\u00f3nicos em permanante muta\u00e7\u00e3o. A sua serenidade adv\u00e9m de uma vis\u00e3o distanciada do planeta, observado a partir do espa\u00e7o. M\u00fasica gen\u00e9tica que lan\u00e7a a semente das estrelas no h\u00famus do solo da Terra. <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>2 &#8211; AMBIENTE <\/p>\n<p>Nos anos 80, Geir Jenssen integrou o grupo Bel Canto, respons\u00e1vel por dois \u00e1lbuns editados na editora belga Crammed Discs, um dos quais, \u201cWhite-out Conditions\u201d, \u00e9 considerado um cl\u00e1ssico da chamada \u201cpop atmosf\u00e9rica\u201d. Atmosfera que viria a revelar-se ainda demasiado densa para a respira\u00e7\u00e3o e desejo de sil\u00eancio do m\u00fasico noruegu\u00eas. O passo seguinte d\u00e1 pelo nome de Bleep. A electr\u00f3nica liberta-se do formato da can\u00e7\u00e3o pop e passa a desenvolver-se atrav\u00e9s das pulsa\u00e7\u00f5es da tecno ambiental, de que Geir Jenssen foi um dos percursores. \u00c9 j\u00e1 como Biosphere que Jenssen grava os cl\u00e1ssicos \u201cMicrogravity\u201d e \u201cPatashnik\u201d, este \u00faltimo verdadeiro indutor de sonhos para a gera\u00e7\u00e3o do \u201cchill-out\u201d. Transe boreal cuja s\u00edntese se encontra no cume gelado de \u201cEn trance\u201d, tema paradigma da \u201cambient tecno\u201d. Mas quando \u201cNovelty waves\u201d, retirado de \u201cPatashnik\u201d, \u00e9 usado como an\u00fancio da Levi, Geir Jenssen percebe que era chegada a altura de partir de novo. Viagem que culminaria nas paisagens de \u201carctic sound\u201d de \u201cSubstrata\u201d e da obra-prima \u201cCirque\u201d. <\/p>\n<p>3 &#8211; ESPA\u00c7O <\/p>\n<p>Depois de Bruxelas e Oslo, Geir Jenssen estabelece a sua resid\u00eancia fixa em Tromso, cidade norueguesa situada 400 milhas a Norte do C\u00edrculo Polar \u00c1rtico. A\u00ed, longe do caos urbano, a atmosfera \u00e9 mais l\u00edmpida e o c\u00e9u parece estar mais pr\u00f3ximo. Biosphere \u00e9 um telesc\u00f3pio apontado ao negro do firmamento, emiss\u00e3o gal\u00e1ctica, pesquisa de sinais de vida extraterrestres, mas tamb\u00e9m col\u00f3nia de organismos microsc\u00f3picos em agita\u00e7\u00e3o at\u00f3mica sob o manto do \u201cgroove\u201d electr\u00f3nico. \u201cTrabalho devagar\u201d, declarou Geir Jenssen em 1994. O espa\u00e7o resolve-se no tempo e na dist\u00e2ncia, que o noruegu\u00eas considera essencial para a cria\u00e7\u00e3o musical. <\/p>\n<p>4 &#8211; CINEMA <\/p>\n<p>Geir Jenssen afirma que toda a m\u00fasica que o entusiasma tem a capacidade de provocar vis\u00f5es na sua mente. Afinal o mesmo est\u00edmulo que o cinema. N\u00e3o admira pois a rela\u00e7\u00e3o estreita entre som e imagem que existe dentro da pr\u00f3pria estrutura Biosphere, extensiva ao exterior, na composi\u00e7\u00e3o de bioelectroentidades Biosphere para filmes. Como o cl\u00e1ssico do cinema mudo sovi\u00e9tico, \u201cThe Man with the Movie Camera\u201d, 1929, de Dziga Vertov, com o tema \u201cThe silent orchestra\u201d, ou \u201cKill by Inches\u201d, 1999, de Doniol-Valcroze, bem como a totalidade da banda sonora de \u201cInsomnia\u201d, 1997, de Erik Skjoldbj\u00e6rg. \u00c9 ainda Jenssen quem aconselha o ouvinte a construir as suas pr\u00f3prias narrativas e vis\u00f5es. <\/p>\n<p>5 &#8211; ILUMINA\u00c7\u00c3O <\/p>\n<p>\u201cCirque\u201d, editado no ano passado, \u00e9 o culminar de um trabalho de depura\u00e7\u00e3o que em definitivo abandonou o macro-impacto auditivo da tecno. Da embalagem &#8211; um digipak luxuriosamente povoado de paisagens e texturas org\u00e2nicas que por si s\u00f3 iniciam a projec\u00e7\u00e3o do filme interior \u2014 ao conte\u00fado musical, \u00e9 todo um universo de abstrac\u00e7\u00f5es, temperaturas, ventos, topografias mentais e alucina\u00e7\u00f5es que se desenrola num espectro que vai da busca de auto-descoberta e des paisagens glaciares sem fim ao beat minimal. Cristais de gelo, fauna e flora subliminares, contraponto glaciar e estratosf\u00e9rico da selva tropical nocturna dos Can de \u201cFuture Days\u201d. \u201cCirque\u201d seviu-se como inspira\u00e7\u00e3o do livro \u201cInto the Wild\u201d, de Jon Krakauer, cr\u00f3nica de viagens de Chris McCandless que, ap\u00f3s anos de viagens solit\u00e1rias pela Am\u00e9rica do Norte, em busca da auto-descoberta e da ilumina\u00e7\u00e3o, terminou a sua demanda nas paisagens desoladas do Alasca, onde o seu corpo acabou por ser encontrado morto, junto com uma nota de SOS. <\/p>\n<p>6 &#8211; CRISTAIS <\/p>\n<p>Al\u00e9m das obras j\u00e1 citadas, Geir Jenssen\/Biosphere tem a sua assinatura impressa numa quantidade de outros \u00e1lbuns, entre encomendas, compila\u00e7\u00f5es ou simples remisturas. De entre eles destacam-se \u201cNordheim Transformed\u201d, uma recria\u00e7\u00e3o da m\u00fasica do compositor de m\u00fasica electr\u00f3nica noruegu\u00eas dos anos 70, Arne Nordheim, elaborada em colabora\u00e7\u00e3o com Deathprod, no selo Rune Gramophon, os dois volumes de \u201cThe Fires of Ork\u201d, de parceria com o alem\u00e3o mentor da editora Fax, Pete Namlook, e \u201cSubstrata 2\u201d, lan\u00e7ado j\u00e1 este ano, outro digipak com embalagem de luxo, onde cabe a vers\u00e3o remasterizada de \u201cSubstrata\u201d, considerado um dos melhores \u00e1lbuns de sempre de \u201cambient tecno\u201d. Tamb\u00e9m deste ano, \u201cLight\u201d re\u00fane pela primeira vez a totalidade dos nove temas compostos para a banda sonora de \u201cThe man with the Movie Camera\u201d. <\/p>\n<p>Fernando Magalh\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>#46 &#8211; &#8220;Texto, sem cortes, dos Biosphere&#8230; (FM)&#8221; Fernando Magalh\u00e3es 30.11.2001 150346 Para quem eventualmente estiver interessado em ler na \u00edntegra o meu texto de hoje no Y sobre os Biosphere, aqui est\u00e1 ele, sem os cortes que tornaram demasiado abruptas determinadas passagens&#8230; Nada de fundamental mudou, mas para o M\u00e1rio, pode ser importante&#8230; \ud83d\ude42 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40,851,601,266,7,14,3270,159],"tags":[100,777],"class_list":["post-9940","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambient","category-artigos-1990","category-clicks-cuts","category-electro","category-electronica","category-experimental","category-forum-sons","category-tecno","tag-biosphere","tag-geir-jenssen"],"views":631,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9940","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9940"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9940\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9941,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9940\/revisions\/9941"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}