{"id":9916,"date":"2022-07-14T07:03:14","date_gmt":"2022-07-14T14:03:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9916"},"modified":"2022-07-14T07:03:14","modified_gmt":"2022-07-14T14:03:14","slug":"roger-waters-pink-floyd-outra-vez-o-muro-podre-de-maduro-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/07\/14\/roger-waters-pink-floyd-outra-vez-o-muro-podre-de-maduro-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Roger Waters | Pink Floyd &#8211; &#8220;Outra Vez O Muro, Podre De Maduro&#8221; (artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 12 SETEMBRO 1990 >> Videodiscos >> Na Capa<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>OUTRA VEZ O MURO, PODRE DE MADURO<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>O muro nunca mais acaba de cair. Agora \u00e9 a vez da feira de Berlim, com Roger Waters vendendo os seus bonecos em saldo de fim-de-esta\u00e7\u00e3o. Vai um tijolo e um porquinho?<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/wall-300x229.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"229\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9917\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/wall-300x229.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/wall-768x585.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/wall-624x475.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/wall-100x76.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/wall.jpg 789w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Woodstock, Wight, Reading, Knebworth, Glastonbury, Veneza, Cannes, Figueira da Foz, Fantasporto, Bienais de Berlim, Nova-Iorque, Odivelas, Agro-Pecu\u00e1rio de Santar\u00e9m, RTP da Can\u00e7\u00e3o \u2013 diferentes acontecimentos sustentando a designa\u00e7\u00e3o comum de \u201cfestival\u201d. De m\u00fasica, cinema, pintura, vacas e couves ou, simplesmente, lixo. Uns s\u00e3o culturais, outras nem tanto. N\u00e3o querendo entrar aqui em pol\u00e9micas se \u201cvacas e couves\u201d s\u00e3o ou n\u00e3o cultura, que tal a \u201ccultura da batata\u201d? A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pac\u00edfica. Muito menos as suas implica\u00e7\u00f5es, art\u00edsticas ou alimentares. As opini\u00f5es dividem-se, a confus\u00e3o impera. A no\u00e7\u00e3o de \u201clixo\u201d \u00e9 ainda mais amb\u00edgua. Bem coberto com camadas de verniz, judiciosamente aplicadas em delicadas opera\u00e7\u00f5es cosm\u00e9ticas, e bem condimentado com s\u00e1bia dose de \u201cpopstars\u201d, passa com frequ\u00eancia por ser cultura art\u00edstica.<\/p>\n<p><strong>Produtos de Festival<\/strong><\/p>\n<p>\tO \u201cfestival\u201d apresenta algumas caracter\u00edsticas que o distinguem de qualquer outro tipo de atividade. Trata-se sempre de uma \u201cmostra\u201d de qualquer coisa, uma cole\u00e7\u00e3o de \u201cprodutos\u201d. (Um filme, uma can\u00e7\u00e3o, um quadro, um pepino, para al\u00e9m do valor simb\u00f3lico como \u201cobras de arte\u201d \u2013 e, se d\u00favidas h\u00e1 quanto ao pepino, recorde-se o quadro de Arcimboldo \u2013, s\u00e3o tamb\u00e9m produtos, que se mostram, compram e vendem, objetos de com\u00e9rcio.) Neles, apresenta-se \u201ctrabalho feito\u201d, em certames de maior ou menor proje\u00e7\u00e3o e import\u00e2ncia, consoante a qualidade das mercadorias, a aplica\u00e7\u00e3o do verniz, ou as estrat\u00e9gias de \u201cmarketing\u201d.<br \/>\n\tVem esta prosa a prop\u00f3sito da recente edi\u00e7\u00e3o do duplo \u00e1lbum com a grava\u00e7\u00e3o ao vivo do espet\u00e1culo \u201cThe Wall\u201d, que os Pink Floyd deram, no outro dia, em Berlim. Foi um festival ou n\u00e3o foi? E, em caso afirmativo, que import\u00e2ncia teve? Admitindo que os Floyd s\u00e3o cultura, o que \u00e9 que se mostrou e se viu nessa noite de muitas luzes, tijolos e porcos insufl\u00e1veis? Consinta-se na import\u00e2ncia sociol\u00f3gica e medi\u00e1tica do acontecimento, na data e local espec\u00edficos em que se realizou: milhares de pessoas reunidas em frente do muro (ou do recetor de televis\u00e3o), celebrando n\u00e3o se sabe ainda bem o qu\u00ea, para al\u00e9m do ato simb\u00f3lico da \u201cqueda\u201d.<\/p>\n<p><strong>Prendinhas<\/strong><\/p>\n<p>\tMas, se o espet\u00e1culo de Berlim se justificava, o disco, editado \u201ca posteriori\u201d, parece funcionar apenas como uma esp\u00e9cie de \u201csouvenir\u201d (para aqueles que estiveram presentes na futura capital da Alemanha unificada) ou substituto (para os outros) do evento real, do mesmo modo que as \u201cT-shirts\u201d ou as embalagens com um tijolo, pretensamente arrancados do \u201cmuro\u201d, vendidas aos turistas. Vestu\u00e1rio, discos e tijolos, transformados em \u00edcones de um acontecimento que, para al\u00e9m do significado intr\u00ednseco, se deslocou para o dom\u00ednio, sempre pass\u00edvel de rentabiliza\u00e7\u00e3o, das imagens e da pluralidade e dispers\u00e3o dos sentidos.<br \/>\n\tPode, por exemplo, \u00e0 laia de passatempo, comparar-se faixa a faixa, o original de Roger Waters e os Pink Floyd, de 1979, com as novas interpreta\u00e7\u00f5es dos mesmos temas, levadas a cabo pelos numerosos convidados chamados a participar na encena\u00e7\u00e3o p\u00fablica da paranoia do autor. E, nesta compara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o restam d\u00favidas de que Bryan Adams, The Band, Tim Curry, Thomas Dolby, Marianne Faithfull, Albert Finney, Cyndi Lauper, Ute Lemper, Joni Mitchell, Van Morrison, Sinead O\u2019Connor, Scorpions, a orquestra, as bandas e os coros envolvidos (j\u00e1 n\u00e3o falando do pr\u00f3prio Waters, com menos voz e quase nenhuma energia, e restantes Floyd), por muito que se empenhassem, n\u00e3o se revelaram \u00e0 altura de fazer esquecer a unidade e for\u00e7a do primeiro disco.<\/p>\n<p><strong>Boas Inten\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>\tClaro que se pode ver a coisa de outra maneira: atendendo \u00e0 sobreposi\u00e7\u00e3o das tem\u00e1ticas abrangidas pelo conceito \u201cqueda do muro\u201d, a obra de Roger Waters acabou por ganhar, onze anos depois, uma carga significante e uma prem\u00eancia que, na altura, refletia \u201capenas\u201d as viv\u00eancias pessoais do compositor. Assim, \u201cThe Wall \u2013 Live in Berlin\u201d seria uma esp\u00e9cie de confirma\u00e7\u00e3o, reatualiza\u00e7\u00e3o do individual, projetado num imagin\u00e1rio coletivo, contempor\u00e2neo e politizado.<br \/>\n\tSabe-se, por\u00e9m, que as ideias e inten\u00e7\u00f5es n\u00e3o valem (e sobretudo n\u00e3o vendem&#8230;) por si s\u00f3s. A pureza e sinceridade que pudessem existir na recupera\u00e7\u00e3o de uma obra que sintomaticamente foi a derradeira dos Pink Floyd, como nome relevante da pop atual, perderam-se no espet\u00e1culo de circo e no aparato c\u00e9nico de que se revestiu e em que se perdeu o espet\u00e1culo de Berlim. Mas foram os bonecos, os nomes dos convidados, as dimens\u00f5es do muro a fingir, os helic\u00f3pteros e o fogo-de-artif\u00edcio que levaram todos aqueles milhares at\u00e9 \u00e0s portas de Bradenburgo. Juntava-se o \u00fatil ao agrad\u00e1vel: uma boa causa (recolha de fundos para o \u201cMemorial Fund for Disaster Relief\u201d) e a relev\u00e2ncia cultural do acontecimento aliavam-se a uma gigantesca opera\u00e7\u00e3o promocional de que agora se come\u00e7am a recolher os dividendos.<\/p>\n<p><strong>O Muro em S\u00e9rie<\/strong><\/p>\n<p>\tN\u00e3o nos admiremos se a seguir aparecer novo disco, \u201cThe Wall \u2013 The Final Rendition\u201d ou \u201cThe Complete Wall\u201d, por exemplo, incluindo as presta\u00e7\u00f5es dos grupos que foram entretendo a multid\u00e3o ao longo da tarde de 21 de julho passado. Ou ent\u00e3o outro, contendo toda a informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica relativa \u00e0s dimens\u00f5es do palco, feitura dos tijolos e pot\u00eancia das luzes. E porque n\u00e3o gravar Leonard Cheshire em dueto com Waters, sobre um fundo de ru\u00eddos de guerra? Ou a vers\u00e3o instrumental de \u201cThe Wall\u201d, ou \u201cThe Wall in rap\u201d, talvez \u201cAcid House Wall\u201d\u2026 Tanto ainda por fazer, senhores editores!&#8230;<br \/>\n\t\u201cThe Wall \u2013 Live in Berlin\u201d resume-se deste modo a uma feira de bonecos de borracha ou de carne e osso, personificados nas figuras disformes encarnadas por Ute Lemper ou Thomas Dolby, em que a m\u00fasica se reduz a uma r\u00e9plica quase fiel do disco de est\u00fadio, aumentada pelo ru\u00eddo da multid\u00e3o. Como se o tom \u00e9pico pretendido residisse na acumula\u00e7\u00e3o de adere\u00e7os e no aumento desmesurado das escalas. Seja como for, o \u201cobjeto\u201d chegou, para se acomodar ao lado do restante entulho que enche as prateleiras das lojas. Por exemplo, entre uma Torre Eiffel cinzeiro e um galo de Barcelos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 12 SETEMBRO 1990 >> Videodiscos >> Na Capa OUTRA VEZ O MURO, PODRE DE MADURO O muro nunca mais acaba de cair. Agora \u00e9 a vez da feira de Berlim, com Roger Waters vendendo os seus bonecos em saldo de fim-de-esta\u00e7\u00e3o. Vai um tijolo e um porquinho? 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