{"id":9906,"date":"2022-07-12T03:47:32","date_gmt":"2022-07-12T10:47:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9906"},"modified":"2022-07-12T03:47:32","modified_gmt":"2022-07-12T10:47:32","slug":"battlefield-band-o-campo-de-batalha-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/07\/12\/battlefield-band-o-campo-de-batalha-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Battlefield Band &#8211; &#8220;O Campo De Batalha&#8221; (artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 29 AGOSTO 1990 >> Videodiscos >> Folk<\/p>\n<p><strong>O CAMPO DE BATALHA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Da Esc\u00f3cia, pa\u00eds de lendas e nevoeiros, a m\u00fasica m\u00e1gica dos Battlefield Band. O amor pelas lonjuras ancestrais recriado no presente e projetado no futuro. A gaita de foles e o sintetizador. A tradi\u00e7\u00e3o, o cruzamento fe\u00e9rico da cidade industrial com o verde e a \u00e1gua da floresta.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/battlefieldband-300x291.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"291\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9907\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/battlefieldband-300x291.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/battlefieldband-100x97.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/battlefieldband.jpg 425w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Gravaram, at\u00e9 \u00e0 data, doze \u00e1lbuns, alguns deles pe\u00e7as indispens\u00e1veis numa cole\u00e7\u00e3o folk digna desse nome. Combinam a interpreta\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es e dan\u00e7as tradicionais com composi\u00e7\u00f5es escritas pelos membros do grupo. Respeitando o esp\u00edrito original, iluminando a corrente que liga a terra ao c\u00e9u.<br \/>\n\tS\u00f3 os amantes deste especial tipo de m\u00fasica saber\u00e3o talvez apreciar, sentir astralmente, as vibra\u00e7\u00f5es que se desprendem das sonoridades tradicionais. Irmanados na congrega\u00e7\u00e3o do Grande Templo, as portas do tempo revelando e escondendo o secreto centro. Fogo, ar, \u00e1gua, terra. Quatro entradas e mais uma, oculta, para o pa\u00eds dos sortil\u00e9gios. A m\u00fasica fala-nos da eternidade. A tradi\u00e7\u00e3o aponta-nos o cora\u00e7\u00e3o \u00edgneo, sil\u00eancio pulsante donde nasce o movimento. Em cima, esculpindo as formas do que h\u00e1-de ser. Em baixo, nos p\u00e9s que pulam e batem no barro, nas folhas e no h\u00famus, bailando ao ritmo das esta\u00e7\u00f5es, dos astros e das humanas paix\u00f5es.<br \/>\n\tOs novos bardos catalisam o polo positivo do poder, raio for\u00e7ando a transi\u00e7\u00e3o entre duas \u00e9pocas. For\u00e7a ascensional, percorrendo os quatro eixos do mundo, enquadrando o corpo e a consci\u00eancia no eixo vertical e superior. A cruz centrando a rosa. Flor de luz.<\/p>\n<p><strong>Em Casa<\/strong><\/p>\n<p>\tOs Battlefield Band n\u00e3o ser\u00e3o t\u00e3o esot\u00e9ricos. Neste caso, as palavras servem como orientadoras da sensibilidade. N\u00e3o se ouve m\u00fasica folk da mesma maneira que a pop ou o rock. Aprendizagem \u00e9 inicia\u00e7\u00e3o. A banda escocesa, uma boa escola.<br \/>\n\tA fase inicial da sua discografia, que vai de 1976 a 1979, constitu\u00edda pelos tr\u00eas primeiros \u00e1lbuns, intitulados simplesmente \u201cBattlefield Band\u201d 1, 2 e 3, e por \u201cAt the Front\u201d e \u201cStand Easy\u201d, n\u00e3o se encontra, por enquanto, dispon\u00edvel entre n\u00f3s. A colet\u00e2nea \u201cThe Story So Far\u201d re\u00fane material deste per\u00edodo, bem como de EP e cassetes da banda. \u00c9 a fase da procura de uma via pessoal, a explora\u00e7\u00e3o de combina\u00e7\u00f5es instrumentais inusitadas que se tornariam num dos seus polos mais interessantes e inovadores. Sali\u00eancia para algumas vocaliza\u00e7\u00f5es femininas, a partir da\u00ed completamente ausentes dos processos musicais dos Battlefield Band.<br \/>\n\t\u201cHome Is Where The Van Is\u201d assinala a grande explos\u00e3o. Ged Foley (que viria a formar os House Band), bandolim, guitarra, gaita de foles de Northumbrian e voz; Brian McNeill, violino, viola de arco, \u201cbouzouki\u201d, \u201ccittern\u201d, concertina, sanfona e voz; Alan Reid, teclados (\u00f3rg\u00e3o, piano, sintetizador) e voz; e Duncan MacGillivray, gaita de foles das terras altas, \u201ctin whistle\u201d, guitarra, harm\u00f3nica e voz, d\u00e3o corpo e alma a uma m\u00fasica verdadeiramente excitante, alternando temas do cancioneiro com composi\u00e7\u00f5es originais de McNeill e Reid. \u00c9 o primeiro \u00e1lbum gravado para a editora Temple, de Robin Morton, que d\u00e1 uma ajuda num dos temas, tocando \u201cbodhran\u201d (correspondente brit\u00e2nica do adufe).<\/p>\n<p><strong>Computando a tradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\t\u201cThere\u2019s a Buzz\u201d, outro disco fora de s\u00e9rie, est\u00e1 ao mesmo n\u00edvel que o anterior. Robin Morton volta a participar, tocando trompete em \u201cSir Sidney Smith\u2019s March\u201d. Dougie Pincock, dos Kentigern, ainda na condi\u00e7\u00e3o de artista convidado, toca flauta em \u201cShining Clear\u201d, tema baseado num poema de Robert Louis Stevenson. Em \u201cThe Battle of Waterloo\u201d fazem jus ao nome que para si escolheram, com Duncan MacGillivray e Dougie Pincock competindo nas gaitas-de-foles.<br \/>\n\tO computador de ritmos faz a sua apari\u00e7\u00e3o em for\u00e7a no \u00e1lbum seguinte, \u201cAnthem For The Common Man\u201d, talvez o disco mais fraco, a tecnologia ainda n\u00e3o assimilada de molde a n\u00e3o perturbar a coer\u00eancia est\u00e9tica do projeto. Ainda assim o disco vale por pe\u00e7as como \u201cI Am the Common Man\u201d ou \u201cThe Yew Tree\u201d, em que os Battlefield fazem quest\u00e3o de nos presentear com extraordin\u00e1rias presta\u00e7\u00f5es vocais. MacGillivray \u00e9 entretanto substitu\u00eddo por Dougie Pincock, na gaita-de-foles, e Ged Foley d\u00e1 lugar a Alistair Russell. A mesma via \u00e9 prosseguida em \u201cOn The Rise\u201d, com a vantagem de os ritmos computorizados encontrarem o seu justo lugar na hierarquia instrumental, funcionando de maneira mais discreta e contribuindo assim para um maior equil\u00edbrio entre as componentes ac\u00fastica e eletr\u00f3nica. Mesmo assim, os puristas d\u00e3o saltos ao escutar \u201cBad Moon Rising\u201d, dos Creedence Clearwater Revival, transformado em jiga.<\/p>\n<p><strong>Hotel Celta Universal<\/strong><\/p>\n<p>\t\u201cCeltic Hotel\u201d constitui novo marco de exce\u00e7\u00e3o. O leque instrumental alarga-se ainda mais, com a introdu\u00e7\u00e3o do saxofone e do \u201cmandocello\u201d. Os Battlefield Band assumem-se definitivamente como uma das for\u00e7as criativas a ter em conta no desenvolvimento da folk escocesa, numa perspetiva semelhante \u00e0 de Alan Stivell em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica e tradi\u00e7\u00e3o bret\u00e3s. O som torna-se mais universal, e abre-se, em \u201cMuineira Sul Sacrato Della Chiesa\u201d, a essa outra fonte inesgot\u00e1vel da cultura e imagin\u00e1rio celtas que \u00e9 a Galiza e \u00e0 Bretanha, em \u201cE Kostez An Henbont\u201d, um \u201cdro\u201d (cad\u00eancia r\u00edtmica utilizada com frequ\u00eancia nesta regi\u00e3o). Brian McNeill confirma, em \u201cThe Rovin\u2019 Dies Hard\u201d, o estatuto de compositor \u00e0 altura para contribuir com novas can\u00e7\u00f5es para o patrim\u00f3nio cultural popular escoc\u00eas, numa balada que relata o confronto entre a nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos e o passado e legado hist\u00f3ricos que lhes est\u00e3o na origem.<br \/>\n\t\u201cHomeground\u201d, o mais recente trabalho da banda, \u00e9 o \u00fanico gravado ao vivo, at\u00e9 \u00e0 data. Ao lado de irrepreens\u00edveis interpreta\u00e7\u00f5es de temas de \u00e1lbuns anteriores, surge um \u201cmedley\u201d impens\u00e1vel que junta, no mesmo saco e a um ritmo diab\u00f3lico, jigas, \u201creels\u201d, rock \u2018n\u2019 roll, os Beatles de \u201cWith a Little Help from my Friends\u201d e mesmo algumas brincadeiras rap. A divers\u00e3o total, o puro gozo de tocar ao vivo, a alegria de uma m\u00fasica que n\u00e3o se esgota em discursos de academismos enfadonhos.<br \/>\n\tAssinalem-se ainda, a par da discografia do grupo, os discos a solo de Brian McNeill, \u201cMonksgate\u201d e \u201cUnstrung Hero\u201d, bem como a colabora\u00e7\u00e3o, em dois volumes, dos Battlefield Band com a harpista Alison Kinnaird, no projeto \u201cMusic in Trust\u201d, com a m\u00fasica composta para o programa televisivo do mesmo nome. S\u00e9rie de document\u00e1rios sobre zonas e edif\u00edcios de interesse hist\u00f3rico-cultural, em que o vigor e a complexidade formal do quarteto se casam na perfei\u00e7\u00e3o com o tom mais sereno e introspetivo de Alison Kinnaird, que cintila nos fulgores e vibra\u00e7\u00f5es das cordas da \u201cclarsach\u201d (designa\u00e7\u00e3o local para a harpa escocesa).<br \/>\n\tA maior parte dos discos gravados para a Temple s\u00e3o distribu\u00eddos no nosso pa\u00eds pela Mundo da Can\u00e7\u00e3o, sediada no Porto, que tem desenvolvido um merit\u00f3rio trabalho de divulga\u00e7\u00e3o das propostas mais atuais do movimento folk brit\u00e2nico.<br \/>\n\tPedra a pedra se vai construindo o templo. Portugal est\u00e1 prestes a ocupar nele o lugar que, por divino direito, lhe pertence. Saibamos ser a alma, vis\u00e3o e respira\u00e7\u00e3o de um mundo a arder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 29 AGOSTO 1990 >> Videodiscos >> Folk O CAMPO DE BATALHA Da Esc\u00f3cia, pa\u00eds de lendas e nevoeiros, a m\u00fasica m\u00e1gica dos Battlefield Band. O amor pelas lonjuras ancestrais recriado no presente e projetado no futuro. A gaita de foles e o sintetizador. 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