{"id":9881,"date":"2022-07-04T04:11:54","date_gmt":"2022-07-04T11:11:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9881"},"modified":"2022-07-04T04:11:54","modified_gmt":"2022-07-04T11:11:54","slug":"varios-wes-montgomery-terje-rypdal-john-abercombie-pat-metheny-lugares-distantes-dossier-ecm-discoteca-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/07\/04\/varios-wes-montgomery-terje-rypdal-john-abercombie-pat-metheny-lugares-distantes-dossier-ecm-discoteca-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios (Wes Montgomery, Terje Rypdal, John Abercombie, Pat Metheny) &#8211; &#8220;Lugares Distantes&#8221; (Dossier | ECM | Discoteca | artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 15 AGOSTO 1990 >> Videodiscos >> Pop<\/p>\n<p><strong>A DISCOTECA<\/strong><\/p>\n<p><strong>LUGARES DISTANTES<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>S\u00e3o tr\u00eas guitarristas e gravam normalmente para a ECM. Por muito que os seus caminhos por ali se tenham cruzado, cada qual parte para novas aventuras \u2013 para chegar a outras m\u00fasicas, outras paragens, em que o jazz \u00e9 apenas um pretexto.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lugdistantes-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9882\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lugdistantes-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lugdistantes-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lugdistantes-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lugdistantes.jpg 511w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Noruegu\u00eas, 42 anos, admirador do lend\u00e1rio Wes Montgomery, um imenso e insuspeito curr\u00edculo feito de incurs\u00f5es por territ\u00f3rios afastados e aparentemente inconcili\u00e1veis: o jazz, a m\u00fasica contempor\u00e2nea, o classicismo rom\u00e2ntico, mesmo o rock de tonalidades \u201chard\u201d. Na ECM encontra-se grande parte destes trabalhos. O duplo \u201cOdyssey\u201d deu-lhe fama de contemplativo, propenso \u00e0 introspe\u00e7\u00e3o e a um esteticismo marcado pelas imensid\u00f5es geladas do pa\u00eds dos fiordes. \u201cAfter the Rain\u201d parecia dar raz\u00e3o \u00e0queles que persistiam em ver nele apenas o guitarrista de sonoridade \u201cString ensemble\u201d, por vezes mesmo comparada \u00e0 de Mike Oldfield, compositor de harmonias e melodias sustentadas por um lirismo pouco dado a fraturas r\u00edtmicas e tem\u00e1ticas. \u00c1lbuns como \u201cWave\u201d (com o trompete de Palle Mikkelborg) e aqueles que recentemente gravou com o grupo The Chasers obrigaram \u00e0 reformula\u00e7\u00e3o destes conceitos.<\/p>\n<p><strong>O fogo do esp\u00edrito<\/strong><\/p>\n<p>\t\u201cUndisonus\/Ineo\u201d (ECM, distri. Dargil) insere-se na vertente cl\u00e1ssica do m\u00fasico, que aqui n\u00e3o participa como int\u00e9rprete. Nada de guitarra, portanto. Duas composi\u00e7\u00f5es, como o gen\u00e9rico refere. \u201cUndisonus\u201d (op.23), em tr\u00eas andamentos, para violino e orquestra, composta entre 1979 e 1981. Terje T\u00f8nnsen, o instrumentista solista, acompanhado pela Orquestra Filarm\u00f3nica de Londres, dirigida por Christian Egsen. \u201cIneo\u201d (op.29), dividida em quatro andamentos: \u201cIneo\u201d, \u201cLux\u201d, \u201cMemini\u201d e \u201cAdeo\u201d, para as vozes corais do Grex Vocalis e a orquestra de c\u00e2mara The Rainbow Orchestra, dirigida pelo mesmo maestro.<br \/>\n\tTerje Rypdal \u00e9 um compositor prol\u00edfico. S\u00f3 em \u201copus\u201d j\u00e1 vai em 48, o \u00faltimo dos quais intitulado \u201cThe Big Bang\u201d. O disco agora em an\u00e1lise confirma as suas capacidades neste campo, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica aberta aos grandes espa\u00e7os e possuidora de uma intensidade dram\u00e1tica por vezes pr\u00f3xima da pung\u00eancia mahleriana. Aparentemente serena na forma, avan\u00e7a em crescendo de tens\u00e3o, atrav\u00e9s do emprego espec\u00edfico das cordas (nomeadamente os violoncelos e o baixo) e dos sopros, como massas sonoras poderosas, correspondentes ao telurismo da natureza. Pairando sobre o turbilh\u00e3o elemental, o violino angustia-se, foge, investe, sussurra e grita, voz humana questionando o infinito. M\u00fasica do fogo (o violino), da \u00e1gua (nos reflexos e cintila\u00e7\u00f5es da harpa fluindo como um rio) e da terra. M\u00fasica do homem e do mundo primordial.<br \/>\n\tDo outro lado, \u201cIneo\u201d, a ascese, o fogo transformado em esp\u00edrito, elevando-se para as alturas libertadoras, at\u00e9 chegar ao c\u00e9u. Sublima\u00e7\u00e3o das puls\u00f5es do corpo na voz coletiva da humanidade inteira. Maior conten\u00e7\u00e3o no volume, um j\u00fabilo subtil. Demanda de Deus. Na grande arte inventa-se o destino, deposto aos p\u00e9s da eternidade.<br \/>\n\t\u201cUndisonus\/Ineo\u201d transporta o misticismo de anteriores obras at\u00e9 \u00e0s dimens\u00f5es da religiosidade pura, que, na mesma editora, s\u00f3 encontra paralelo no total despojamento da trilogia \u201cTabula Rasa\/Arbos\/Passio\u201d de Arv\u00f8 Part. Ambos perseguem o sublime.<\/p>\n<p><strong>Academismo<\/strong><\/p>\n<p>\tJohn Abercrombie mant\u00e9m-se fiel a uma sonoridade que fez escola na ECM. Em \u201cAnimato\u201d apresenta na companhia de Vince Mendoza (nos sintetizadores e compositor da maior parte dos temas) e de Jon Christensen (na bateria e percuss\u00f5es). Reconhece-se a t\u00e9cnica irrepreens\u00edvel, o bom gosto dos arranjos, mas n\u00e3o se confunda o belo com o bonito. Beleza, encontramo-la no disco de Rypdal, cores e sons agrad\u00e1veis ao ouvido, no de Abercrombie. Falta-lhe o g\u00e9nio que torna irrelevantes todos os academismos. \u201cAnimato\u201d \u00e9 um disco acad\u00e9mico, quando opta pela seguran\u00e7a de um estilo mantido a n\u00edveis qualitativos aceit\u00e1veis mas incapaz de reservar j\u00e1 qualquer surpresa ou transgress\u00e3o. O que se torna irrelevante para os indefect\u00edveis da editora.<\/p>\n<p><strong>As virtudes do trio<\/strong><\/p>\n<p>\t\u201cQuestion and Answer\u201d (Recycle, distri. WEA) \u00e9 uma grata surpresa. Pat Metheny parece ter recuperado bem das inenarr\u00e1veis concess\u00f5es feitas ao comercialismo mais baixo, com que se distinguiu no ano passado no execr\u00e1vel \u201cOpen Letter\u201d. Neste novo disco, chamou dois m\u00fasicos fabulosos: o baixista Dave Holland e o baterista Ray Haynes. A grava\u00e7\u00e3o processou-se como se de uma \u201cjam session\u201d se tratasse \u2013 oito horas no est\u00fadio, sem ideias preconcebidas, apenas o prazer de tocar, de ouvir e responder. E o deleite de quem assiste e frui a imensa riqueza de pormenores, de solu\u00e7\u00f5es t\u00edmbricas e harm\u00f3nicas que o trio desenvolve ao longo de nove temas, em que o jogo de grupo prevalece sobre as a\u00e7\u00f5es individuais. Pat Metheny revela aqui at\u00e9 que ponto soube assimilar as influ\u00eancias que se lhe reconhecem \u2013 Wes Montgomery, sempre, Jim Hall, Gary Burton, Ornette Coleman, Miles Davis, dando-lhes um cunho pessoal inconfund\u00edvel. Inesquec\u00edvel a abordagem do tema de Miles que abre o disco, \u201cSolar\u201d, bem como de \u201cLaw Years\u201d, de Ornette. S\u00f3 escutando se torna poss\u00edvel distinguir a gama infinita de solu\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas de Haynes que, sem nunca repetir uma frase, uma acentua\u00e7\u00e3o, mant\u00e9m, contudo, a solidez necess\u00e1ria ao desenvolvimento harmonioso do todo. Quanto a Dave Holland, basta referir que a sua presta\u00e7\u00e3o \u00e9 um cont\u00ednuo solo, inesgot\u00e1vel no duplo papel de suporte e estimulador dos outros instrumentos, fluxo assombroso de ideias que se interligam e constantemente se renovam. Aqui se reitera a opini\u00e3o de que Pat Metheny, sendo embora um compositor apenas competente, se transfigura quando integrado em forma\u00e7\u00f5es instrumentais, ou em contextos formais suscet\u00edveis de o colocarem em situa\u00e7\u00f5es de intera\u00e7\u00e3o musical deslocadas do seu \u201capproach\u201d habitual. Seja nas pe\u00e7as de Reich, ou na companhia de Sonny Rollins e Ornette, \u00e9 sempre em situa\u00e7\u00f5es de di\u00e1logo e confronto que as suas capacidades se revelam ao mais alto grau.<br \/>\n\t\u201cQuestion and Answer\u201d vem repor as velhas quest\u00f5es sobre o papel determinante da interpreta\u00e7\u00e3o sobre a composi\u00e7\u00e3o. Sendo esta, em \u00faltima an\u00e1lise, sempre improvisa\u00e7\u00e3o. Criatividade solta no instante, com Metheny, sempre partilhada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 15 AGOSTO 1990 >> Videodiscos >> Pop A DISCOTECA LUGARES DISTANTES S\u00e3o tr\u00eas guitarristas e gravam normalmente para a ECM. Por muito que os seus caminhos por ali se tenham cruzado, cada qual parte para novas aventuras \u2013 para chegar a outras m\u00fasicas, outras paragens, em que o jazz \u00e9 apenas um pretexto. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[851,855,3163,3162,50,12,280,246],"tags":[2995,3344,888,256,3343],"class_list":["post-9881","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1990","category-criticas-1990","category-discoteca","category-dossiers-1990","category-instrumental","category-jazz","category-jazz-rock","category-new-age","tag-ecm","tag-john-abercombie","tag-pat-metheny","tag-terje-rypdal","tag-wes-montgomery"],"views":666,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9881"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9881\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9883,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9881\/revisions\/9883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}