{"id":9851,"date":"2022-06-28T05:18:14","date_gmt":"2022-06-28T12:18:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9851"},"modified":"2022-06-28T05:18:14","modified_gmt":"2022-06-28T12:18:14","slug":"varios-musica-da-terra-folk-dossier","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/06\/28\/varios-musica-da-terra-folk-dossier\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;M\u00fasica Da Terra&#8221; (folk | dossier)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 8 AGOSTO 1990 >> Videodiscos >> Folk<\/p>\n<p><strong>A DISCOTECA<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>M\u00daSICA DA TERRA<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Rock, pop, o estardalha\u00e7o, a r\u00e1dio sempre aos guinchos, as banalidades semanais, acabam por cansar. Saturam-se os ouvidos, esgota-se a paci\u00eancia e procura-se avidamente o refrig\u00e9rio. Vasculham-se os arquivos e de repente, coberto de poeira, encontramos o r\u00f3tulo j\u00e1 esquecido: \u201cFolk\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/boysofthelough-300x294.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"294\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9852\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/boysofthelough-300x294.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/boysofthelough-100x98.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/boysofthelough.jpg 597w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>Sorrimos e recordamos, nost\u00e1lgicos, os anos passados. Era na passagem de uma d\u00e9cada para a seguinte. H\u00e1 vinte anos, mais ou menos. Vivia-se a \u00e9poca da m\u00fasica progressiva. Considerava-se progressiva toda a m\u00fasica que inclu\u00edsse flautas, c\u00edtaras, Mellotron e o obrigat\u00f3rio \u201cMoog synthesizer\u201d. O rock atravessava um momento de descr\u00e9dito. Na Inglaterra, um grupo de jovens a quem os ritmos urbanos n\u00e3o diziam grande coisa, resolveu olhar para o passado e reviver a tradi\u00e7\u00e3o da sua terra. De fora, chamaram ao movimento \u201cfolk revival\u201d. Fairport Convention, Steeleye Span, Trees, Tudor Lodge hesitavam entre o folclore e o rock, logo, praticavam \u201cfolk rock\u201d. Foram aceites como mais um bando de malucos, que outro nome se podia dar a quem se preocupava com os costumes dos \u201cvelhotes\u201d, coisas antigas, n\u00e9voas e lendas ancestrais? O movimento foi moda e, como todas as modas, passou. Esgotado o tempo a que tinha direito, a corrente fluiu, subterr\u00e2nea. Na nova d\u00e9cada em que entr\u00e1mos, de novo a c\u00edclica explos\u00e3o. Por c\u00e1 chegam constantemente novos discos e aumenta a legi\u00e3o dos \u201cmaluquinhos da folk\u201d. A N\u00e9bula foi pioneira, no cap\u00edtulo das importa\u00e7\u00f5es. Seguiram-se-lhe a VGM, a Mundo da Can\u00e7\u00e3o, do Porto, a cooperativa Etnia, de Caminha, e agora tamb\u00e9m a Contraverso entra na corrida, dispondo j\u00e1 em stock de preciosidades do cat\u00e1logo \u201cTopic\u201d, dos mais antigos e prestigiados das Ilhas Brit\u00e2nicas.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>Sons rurais<\/strong><\/p>\n<p>\tMartin Carthy, conhecem-no os mais sabedores destas antiguidades musicais, dos Steeleye Span, onde cantava e tocava guitarra. Mas talvez se desconhe\u00e7a que gravou in\u00fameros \u00e1lbuns a solo ou acompanhado pelo violinista, ex-l\u00edbris dos Fairport Convention, Dave Swarbrick. \u201cSecond Album\u201d, \u201cBut Two Came by\u201d e \u201cPrince Heathen\u201d, estes com a participa\u00e7\u00e3o do homem do arco que consegue tocar em quinta velocidade com o cigarro aceso ao canto da boca, sem se atrapalhar, e \u201cByker Hill\u201d, \u201cCrown of Horn\u201d, \u201cOut of the Cut\u201d e \u201cRight of Passage\u201d, de Carthy a solo, os dois \u00faltimos anteriormente j\u00e1 importados pela N\u00e9bula. A voz de entoa\u00e7\u00f5es ligeiramente nasaladas como conv\u00e9m neste tipo de m\u00fasica e a mestria guitarr\u00edstica do ex-Steeleye Span encontram na versatilidade e virtuosismo de Swarbrick o contraponto ideal na interpreta\u00e7\u00e3o de um report\u00f3rio constitu\u00eddo principalmente por baladas do cancioneiro rural ingl\u00eas ou (em menor escala) da tradi\u00e7\u00e3o medieval palaciana. Recente e abordando a mat\u00e9ria de forma original, o quinteto Brass Monkey, de que faz parte e que integra tamb\u00e9m John Kirkpatrick, utiliza instrumentos de sopro no desenvolvimento das jigas e \u201creels\u201d tradicionais. Se soubessem, os colegas do jazz corariam, pela heresia do gesto, pela profana\u00e7\u00e3o do saxofone sagrado, nascido com o destino tra\u00e7ado \u2013 espelhar e cantar a alma negra atrav\u00e9s de uma m\u00fasica que, por direito e origem, lhe pertence.<br \/>\n\tKirkpatrick, especialista da anglo-concertina e do acorde\u00e3o de bot\u00f5es, fez parte dos Albion Band e colabora desde longa data com a cantora Sue Harris, que tamb\u00e9m toca obo\u00e9 e salt\u00e9rio. Imprescind\u00edveis s\u00e3o os \u00e1lbuns \u201cFacing the Music\u201d (s\u00f3 de instrumentais), \u201cShreds &#038; Patches\u201d e \u201cStolen Ground\u201d, outras tantas corridas por montes e vales no tempo que medeia entre a magia do meio-dia e o piar do mocho no campan\u00e1rio da igreja, prenunciando a meia-noite.<\/p>\n<p><strong>Nos lagos<\/strong><\/p>\n<p>\tRobin Dransfield, outrora metade do duo formado com o seu irm\u00e3o Barry, \u00e9 outro vocalista de ineg\u00e1veis talentos, acrescidos aos de arranjador e int\u00e9rprete. Provam-no as can\u00e7\u00f5es de \u201cTidewave\u201d, antigas, sentidas, vibrantes nas cordas da guitarra esquecida do presente, no poder evocativo de uma sanfona trazida do reino da Fran\u00e7a. Pe\u00e7a indispens\u00e1vel na cole\u00e7\u00e3o de um apreciador que se preze.<br \/>\n\tMais ocidental, a Irlanda assombra pelo mist\u00e9rio de castelos perdidos no meio de escuras florestas, das rochas com hist\u00f3rias para contar, do mar infinito de cujo fundo emergem lendas de sereias e pescadores unidos por inconfess\u00e1veis la\u00e7os. E de muitos lagos, sem \u201cNessies\u201d, mas encantados por elfos, duendes e fadas, seres que a imagina\u00e7\u00e3o tece e por isso s\u00e3o reais. Os Boys of the Lough, ao lado dos Chieftains, afirmam-se como um dos mais antigos e conceituados mestres do \u201cirish folk\u201d e o violinista Aly Bain, um dos seus nomes lend\u00e1rios. \u201cIn the Tradition\u201d e \u201cOpen Road\u201d s\u00e3o a um tempo conservadores e inovadores no modo como interpretam o folclore irland\u00eas, recorrendo exclusivamente \u00e0 instrumenta\u00e7\u00e3o tradicional e \u00e0 cl\u00e1ssica combina\u00e7\u00e3o violino\/\u201dtin whistle\u201d\/flauta, para criar sequ\u00eancias respeitadoras dos c\u00e2nones, na altern\u00e2ncia entre as dan\u00e7as e as baladas vocalizadas. Mais tarde entraria em cena a gaita-de-foles de Christy O\u2019Leary, enriquecendo ainda mais o som dos Boys.<\/p>\n<p><strong>Tradi\u00e7\u00e3o presente<\/strong><\/p>\n<p>\tOs House Band n\u00e3o ser\u00e3o t\u00e3o ortodoxos, mas talvez at\u00e9 por isso a sua m\u00fasica revela-se ainda mais excitante. Os \u00e1lbuns \u201cPacific\u201d e \u201cWord of Mouth\u201d divergem na aprecia\u00e7\u00e3o das tem\u00e1ticas originais, no primeiro caso vogando na serenidade dos \u201cairs\u201d interpretados pelo tin whistle e pela flauta, no segundo soltando-se em extrovers\u00f5es instrumentais e vocais em que a gaita-de-foles e a bombarda fazem a festa. Refira-se por \u00faltimo \u201cFire in the Glen\u201d, do trio composto por Andy Stewart, Phil Cunningham (dos Silly Wizard) e Manus Lunny, semelhante aos Planxty nas vocaliza\u00e7\u00f5es do primeiro, despreconceituado na utiliza\u00e7\u00e3o do sintetizador e dos teclados eletr\u00f3nicos apostados em construir uma m\u00fasica que, embora mais sofisticada, n\u00e3o perde de vista as origens que lhe est\u00e3o na base.<br \/>\n\tA audi\u00e7\u00e3o de qualquer destes discos constitui uma oportunidade \u00fanica para todos aqueles interessados em conhecer as diferentes vias e ramifica\u00e7\u00f5es de um g\u00e9nero que constantemente se renova e enriquece, apostado, pelo esp\u00edrito, o sal e a pedra, na edifica\u00e7\u00e3o do templo dos celtas, de paredes s\u00f3lidas, totalmente transparentes. Como um prisma de cristal refractando a luz branca nas sete cores do arco-\u00edris.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 8 AGOSTO 1990 >> Videodiscos >> Folk A DISCOTECA M\u00daSICA DA TERRA Rock, pop, o estardalha\u00e7o, a r\u00e1dio sempre aos guinchos, as banalidades semanais, acabam por cansar. Saturam-se os ouvidos, esgota-se a paci\u00eancia e procura-se avidamente o refrig\u00e9rio. Vasculham-se os arquivos e de repente, coberto de poeira, encontramos o r\u00f3tulo j\u00e1 esquecido: \u201cFolk\u201d. 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