{"id":9836,"date":"2022-06-26T07:11:10","date_gmt":"2022-06-26T14:11:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9836"},"modified":"2022-06-26T07:11:10","modified_gmt":"2022-06-26T14:11:10","slug":"klaus-shulze-sinfonias-electronicas-artigo-de-opiniao-a-discoteca-dossier","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/06\/26\/klaus-shulze-sinfonias-electronicas-artigo-de-opiniao-a-discoteca-dossier\/","title":{"rendered":"Klaus Shulze &#8211; &#8220;Sinfonias Electr\u00f3nicas&#8221; (artigo de opini\u00e3o | a discoteca | dossier)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 1 AGOSTO 1990 >> Videodiscos >> Pop<\/p>\n<p><strong>A DISCOTECA<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>SINFONIAS ELETR\u00d3NICAS<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Chamam-lhe o papa da m\u00fasica eletr\u00f3nica. Come\u00e7ou por tocar bateria num grupo de rock. Depois descobriu umas m\u00e1quinas em que bastava ligar o interruptor para sair m\u00fasica. Acabara de inventar a \u201cKosmische Musik\u201d. Ainda hoje n\u00e3o desistiu de ser o novo Wagner.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/sinfoniasEletronicas-231x300.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9837\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/sinfoniasEletronicas-231x300.jpg 231w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/sinfoniasEletronicas-77x100.jpg 77w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/sinfoniasEletronicas.jpg 407w\" sizes=\"auto, (max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>Em finais da d\u00e9cada de 60, decorria do escaldo do \u201cfogo\u201d ateado pela gera\u00e7\u00e3o da paz e do amor. Na Europa e nos Estados Unidos, os \u201chippies\u201d principiavam a tirar os enfeites e a meter as violas no saco. A ingenuidade era substitu\u00edda pelas grandes conceptualiza\u00e7\u00f5es intelectuais. Era a \u00e9poca da m\u00fasica progressiva que desprezava as singelas can\u00e7\u00f5es pop do passado para s\u00f3 se satisfazer com longas \u201csu\u00edtes\u201d instrumentais de pelo menos vinte minutos de dura\u00e7\u00e3o. A ambi\u00e7\u00e3o era fazer frente aos compositores cl\u00e1ssicos, compondo obras de grande envergadura, cheias de pompa e circunst\u00e2ncia.<br \/>\n\tNa Alemanha, sociedade altamente industrializada e, al\u00e9m disso, cujos membros s\u00e3o totalmente destitu\u00eddos de sentido de humor, a ideia ganhou ra\u00edzes, deslocando-se, contudo, a \u00eanfase tem\u00e1tica para um contexto mais desumanizado e recorrendo-se a meios exclusivamente eletr\u00f3nicos na tentativa de criar uma m\u00fasica grandiosa e de resson\u00e2ncias c\u00f3smicas.<\/p>\n<p><strong>Berlim Planante<\/strong><\/p>\n<p>\tO mote fora dado pelos Pink Floyd do per\u00edodo compreendido entre \u201cUmmagumma\u201d e \u201cMeddle\u201d. Tratava-se de isolar a componente abstrata e eletr\u00f3nica, acentuando a sua dimens\u00e3o intemporal. A nova tecnologia eletr\u00f3nica dos sintetizadores Moog, ARP e VCS3 permitia materializar as fantasias emergentes, avan\u00e7ando com novas sonoridades que, como resposta, exigiam do m\u00fasico e do auditor um novo tipo de sensibilidade.<br \/>\n\tEm Berlim, o n\u00facleo determinante da eclos\u00e3o do movimento gravava os primeiros discos nas editoras pioneiras Ohm e Cosmic Music, logo seguidas pela Brain. Os seus her\u00f3is eram Nietzsche e os poetas e compositores do Romantismo: Holderlin, Novalis, Rilke, Schubert e principalmente Wagner. Nova oportunidade para relan\u00e7ar a cultura germ\u00e2nica, desta vez em dire\u00e7\u00e3o ao infinito. Os seus seguidores davam pelos nomes de Popol Vuh, Cluster, Wallenstein, Ashra, Guru Guru, Grobschnitt e Neu.<br \/>\n\tKlaus Schulze, depois de uma breve passagem pelo rock, passou a integrar duas das bandas m\u00edticas do \u201cboom\u201d berlinense: os Tangerine Dream, ao lado de Edgar Froese e Chris Franke, e os Ash Ra Tempel, de Manuel Gottsching. O primeiro \u00e1lbum dos T. Dream chamava-se \u201cElectronic Meditation\u201d, t\u00edtulo emblem\u00e1tico do mundo em que se movimentava a nova gera\u00e7\u00e3o. As vibra\u00e7\u00f5es eletr\u00f3nicas juntavam-se \u00e0s mentais, ecoando em concertos realizados no interior de igrejas, numa comunh\u00e3o extasiada com o universo.<br \/>\nNovo Wagner<\/p>\n<p>\tEm 1972 grava para a Brain o seu primeiro \u00e1lbum a solo, \u201cIrrlicht\u201d, com um tema de cada lado, como de resto viria a acontecer ao longo de quase toda a sua discografia. Disco planante, naipes sintetizados preenchendo totalmente o palco sonoro. Homenagem a Franz Schubert em \u201cExil Sils Maria\u201d. \u201cCyborg\u201d, duplo de 1973, enuncia os m\u00e9todos e obsess\u00f5es que nunca mais o abandonariam: o primado da harmonia sobre o ritmo e a melodia, esta reduzida ao desenhar de arabescos modais, quase sempre improvisados e delineados pela m\u00e3o direita do int\u00e9rprete. V\u00eam estes preciosismos t\u00e9cnicos a prop\u00f3sito das manifestas limita\u00e7\u00f5es de Schulze enquanto teclista convencional. A sua arte revela-se principalmente no gosto pelas combina\u00e7\u00f5es t\u00edmbricas e na utiliza\u00e7\u00e3o dos sintetizadores como intermedi\u00e1rios de conce\u00e7\u00f5es formais essencialmente sinf\u00f3nicas.<br \/>\n\tOs \u00e1lbuns a partir de \u201cPicture Music\u201d viriam a ser distribu\u00eddos no resto da Europa pela Virgin, na altura apostada da divulga\u00e7\u00e3o das novas propostas afastadas das correntes pop e rock. \u201cPicture Music\u201d e \u201cBlack Dance\u201d d\u00e3o a conhecer o m\u00fasico num dos seus momentos menos inspirados. Com \u201cTimewind\u201d (1975) assina a primeira obra-prima. \u00c1lbum wagneriano, na grandiosidade e profundidade dos arranjos, no dramatismo, na abordagem totalit\u00e1ria da massa sonora e at\u00e9 nos t\u00edtulos, \u201cBayreuth Return\u201d e \u201cWahnfried 1883\u201d, refer\u00eancias diretas ao grande mestre alem\u00e3o. Richard Wahnfried, pseud\u00f3nimo sob o qual grava esporadicamente, revela at\u00e9 que ponto Schulze se considera o continuador e herdeiro espiritual do autor do \u201cAnel dos Nibelungos\u201d.<\/p>\n<p><strong>O Crep\u00fasculo dos Deuses<\/strong><\/p>\n<p>\t\u201cMoondawn\u201d (1976) repete a f\u00f3rmula do disco anterior, revelando, todavia, um maior apuro t\u00e9cnico na utiliza\u00e7\u00e3o do sequenciador. Como convidado especial na percuss\u00e3o, Harald Gro\u00dfkopf, dos Wallenstein, chamado sempre que eram necess\u00e1rios os tambores \u201creais\u201d. \u201cMirage\u201d \u00e9 outro dos pontos altos da carreira discogr\u00e1fica de Schulze, o segundo lado, \u201cCrystal Lake\u201d, cintila\u00e7\u00e3o hipn\u00f3tica indutora de sonhos e viagens interiores.<br \/>\n\tColabora no projeto \u201cGo\u201d, ao lado de Stomu Yamashta e Steve Winwood, iniciando-se como compositor de bandas sonoras em \u201cBody Love\u201d. \u201cX\u201d, d\u00e9cimo da discografia, \u00e9 a sua obra-chave, cujos t\u00edtulos s\u00e3o dedicat\u00f3rias a alguns dos seus her\u00f3is: Friedrich Nietzsche, Georg Tackl, Frank Herbert, Friedmann Bach, Ludwig II da Baviera e Heinrich von Kleist. A m\u00fasica de Klaus Schulze eleva-se aqui ao m\u00e1ximo expoente, numa sinfonia a quatro movimentos, digna de ombrear com as dos seus her\u00f3is. \u201cDune\u201d (1979) sonoriza os mundos irreais de Frank Herbert e \u201cDig it\u201d marca a entrada no universo dos d\u00edgitos. Preocupa-se com os labirintos da personalidade e da psican\u00e1lise em \u201cTrancefer\u201d (1981) e no duplo \u201cAudentity\u201d (1983), este manifesto derradeiro de uma m\u00fasica entretanto esgotada na repeti\u00e7\u00e3o de f\u00f3rmulas que n\u00e3o souberam evoluir. \u201cDziekuje Poland\u201d (gravado ao vivo na Pol\u00f3nia), \u201cAngst\u201d, \u201cInter-Face\u201d, \u201cDreams\u201d e os recentes \u201cEn=Trance\u201d e, j\u00e1 deste ano, \u201cMediterranean Pads\u201d giram em c\u00edrculos avan\u00e7ando para lado nenhum. Interessante a sua \u201cBabel\u201d, composta e tocada a meias com Andreas Gosser.<br \/>\n\tKlaus Schulze suscita grandes \u00f3dios e incondicionais amores. Construiu uma obra \u00fanica e original no campo, hoje inflacionado, da m\u00fasica eletr\u00f3nica. Influenciou um n\u00famero incont\u00e1vel de outros praticantes. A Hist\u00f3ria decidir\u00e1 qual o lugar a que tem direito no pante\u00e3o dos her\u00f3is.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 1 AGOSTO 1990 >> Videodiscos >> Pop A DISCOTECA SINFONIAS ELETR\u00d3NICAS Chamam-lhe o papa da m\u00fasica eletr\u00f3nica. Come\u00e7ou por tocar bateria num grupo de rock. Depois descobriu umas m\u00e1quinas em que bastava ligar o interruptor para sair m\u00fasica. Acabara de inventar a \u201cKosmische Musik\u201d. Ainda hoje n\u00e3o desistiu de ser o novo Wagner. 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