{"id":9820,"date":"2022-06-22T11:01:52","date_gmt":"2022-06-22T18:01:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9820"},"modified":"2022-06-22T11:01:52","modified_gmt":"2022-06-22T18:01:52","slug":"varios-a-aprendizagem-do-silencio-artigo-de-opiniao-musica-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/06\/22\/varios-a-aprendizagem-do-silencio-artigo-de-opiniao-musica-ambiente\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;A Aprendizagem Do Sil\u00eancio&#8221; (artigo de opini\u00e3o | m\u00fasica ambiente)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 1 AGOSTO 1990 >> Videodiscos >> Na Capa<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>A APRENDIZAGEM DO SIL\u00caNCIO<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aprendizagemSilencio.jpg\" alt=\"\" width=\"312\" height=\"449\" class=\"alignnone size-full wp-image-9821\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aprendizagemSilencio.jpg 312w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aprendizagemSilencio-208x300.jpg 208w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aprendizagemSilencio-69x100.jpg 69w\" sizes=\"auto, (max-width: 312px) 100vw, 312px\" \/><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Entre o sil\u00eancio e a totalidade dos sons dispon\u00edveis no universo, as permuta\u00e7\u00f5es s\u00e3o infinitas. Os jovens fartaram-se de dan\u00e7ar e agora s\u00f3 querem levitar e passar para esferas mais altas. Brian Eno \u00e9 que tinha raz\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>O sil\u00eancio nasce do recolhimento, da pacifica\u00e7\u00e3o dos sentidos e da mente. Experi\u00eancia religiosa, insepar\u00e1vel do conceito \u201cm\u00fasica ambiental\u201d, cujo objetivo, de acordo com o sentido etimol\u00f3gico da palavra \u201creligi\u00e3o\u201d, \u00e9 religar \u2013 o homem a si mesmo, \u00e0 Natureza e ao transcendente. Ao contr\u00e1rio do rock que explode, dispersando, a nova m\u00fasica implode, concentra, num movimento de \u201ca-tens\u00e3o\u201d.<br \/>\n\tOficialmente, foi Brian Eno o inventor do termo e da atitude, quando, por acidente, numa ocasi\u00e3o em que se encontrava imobilizado num leito de hospital, reparou que certas sonoridades musicais, se escutadas a baixos n\u00edveis de volume, tendiam a harmonizar-se com os sons ambiente, criando uma holografia sonora, por vezes erradamente designada como \u201cm\u00fasica de fundo\u201d.<br \/>\n\tOs antecedentes remontam, contudo, \u00e0 escola \u201cplanante\u201d alem\u00e3 (Klaus Schulze, Tangerine Dream, Manuel Gottsching, Cluster, Deuter, Popol Vuh pegaram em baterias e sintetizadores e sequenciadores e transformaram o lado eletr\u00f3nico dos Floyd em pal\u00e1cios majestosos onde se desenrolaram os sonhos c\u00f3smicos da gera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-hippie), \u00e0s teorias de La Monte Young firmadas no seu \u201cTheatre of Eternal Music\u201d, ao Zen e \u00e0 m\u00fasica religiosa ritual (indiana, tibetana). Por outras palavras: \u00eaxtase sem \u201cEcstasy\u201d.<br \/>\n\tParece que a Ambient House \u00e9 o \u00faltimo grito na peri\u00f3dica reciclagem dos produtos lan\u00e7ados pela ind\u00fastria e pelos \u201cmedia\u201d, visando a tamb\u00e9m c\u00edclica manipula\u00e7\u00e3o do gosto das massas consumidoras. O tiro foi disparado pelos KLF, com o \u00e1lbum \u201cChill Out\u201d, vers\u00e3o \u201chouse\u201d dos Pink Floyd de \u201cMeddle\u201d (na m\u00fasica) e \u201cAtom Heart Mother\u201d (na capa). De repente, surgiram por todo o lado novas bandas a tocar m\u00fasica ambiental, citando como her\u00f3is nomes ainda h\u00e1 bem pouco atirados para a lama, como os Floyd, Klaus Schulze e Eno, indiscriminadamente etiquetados com o r\u00f3tulo depreciativo de \u201cNew Age\u201d. As pessoas, diz-se, fartaram-se de dan\u00e7ar e querem \u00e9 sopas e descanso. Nas grandes metr\u00f3poles abrem clubes em que os frequentadores em vez de dan\u00e7arem, ouvem (pasme-se) apenas a m\u00fasica. Fala-se da Natureza, do Sol, de passarinhos e do mar.<\/p>\n<p><strong>A Idade de Aqu\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>\t\u00c9 certo que, por detr\u00e1s da confus\u00e3o e das opera\u00e7\u00f5es de \u201cmarketing\u201d, h\u00e1 raz\u00f5es c\u00f3smicas concretas. Entr\u00e1mos na era de Aqu\u00e1rio, e quer queiramos quer n\u00e3o, as cabecinhas come\u00e7am a receber as vibra\u00e7\u00f5es transmitidas da grande esta\u00e7\u00e3o emissora central, situada, quem sabe, no cora\u00e7\u00e3o do Sol, como cantavam os Pink Floyd em \u201cSte the Controls for the Heart of the Sun\u201d.<br \/>\n\tNingu\u00e9m reparou, ocupados que estavam todos com o frenesim da dan\u00e7a e da \u201ctechno\u201d qualquer coisa, que dezenas de m\u00fasicos, espalhados pelo mundo, que nunca se preocuparam com as voltas do tempo e das modas, h\u00e1 muito vinham construindo os alicerces de que hoje os novos se servem para edificar \u00e0 pressa as \u201cnovas\u201d teorias de misticismos requentados.<\/p>\n<p><strong>Bons ambientes<\/strong><\/p>\n<p>\tSistematizemos ent\u00e3o as principais correntes \u201cambientais\u201d, de teor mais ou menos contemplativo e compartimentadas por editoras:<br \/>\n\t<strong>ECM<\/strong> \u2013 Inven\u00e7\u00e3o do produtor Manfred Eischer. Sons puros, cheios de reverbera\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00f5es impec\u00e1veis. Embora voltada para o jazz, cedeu parte do seu espa\u00e7o \u00e0s contempla\u00e7\u00f5es de Stephan Micus (que gravou um disco na catedral de Ulm, utilizando o som de pedras percutidas e o eco do templo, noutros discos servindo-se de instrumentos ex\u00f3ticos e de vasos afinados), Terje Rypdal (\u201cOdyssey\u201d, \u201cAfter the Rain\u201d) e Jan Garbarek (\u201cDis\u201d, \u201cEventyr\u201d \u2013 com harpas e\u00f3licas, \u201cThe Legend of the Seven Stones\u201c).<br \/>\n\t<strong>Celestial Harmonies<\/strong> \u2013 De resson\u00e2ncias cl\u00e1ssicas eruditas. Os seus artistas aliam o rigor conceptual a uma atitude geralmente m\u00edstica. O Oriente \u00e9 a principal fonte inspiradora. Peter Michael Hamel (te\u00f3rico e autor de obras fundamentais na explora\u00e7\u00e3o dos teclados num contexto religioso, como \u201cThe Voice of Silence\u201d ou \u201cNada\u201d), o argentino Roberto E. Detr\u00e9e (construtor de uma \u201cArchitectura Celestis\u201d soando a cristais vibrando no \u00e9ter) e Paul Horn (que toca a sua flauta nos espa\u00e7os sagrados de v\u00e1rios templos do globo, como em \u201cInside the Cathedral\u201d ou \u201cInside the Taj Mahal\u201d) s\u00e3o algumas das refer\u00eancias importantes deste cat\u00e1logo.<br \/>\n\t<strong>Recommended<\/strong> \u2013 Aqui se congregam as experi\u00eancias mais interessantes e originais neste dom\u00ednio, segundo uma corrente est\u00e9tica que recorre \u00e0 pluralidade de fontes sonoras e tradi\u00e7\u00f5es universais para criar s\u00ednteses inimagin\u00e1veis. Os seus expoentes s\u00e3o Charles W. Vrtacek (\u201cLearn to be Silent\u201d, \u201cWhen Heaven Comes to Town\u201d), Steve Moore (\u201cA Quiet Gathering\u201d) e Philip Perkins (\u201cHall of Flowers\/The Flame of Ambition\u201d), mestres na arte da colagem e da utiliza\u00e7\u00e3o heterodoxa do \u201csampler\u201d. Men\u00e7\u00e3o especial para a escola italiana, de certo modo j\u00e1 afastada do conceito \u201cambiental\u201d, partindo para fus\u00f5es que desembocam em territ\u00f3rios pr\u00f3ximos da \u201cworld music\u201d (\u201cWater Messages on Desert Sand\u201d e \u201cUrban and Tribal Portraits\u201d, obras geniais da dupla Roberto Musci-Giovanni Venosta), ou da m\u00fasica eletr\u00f3nica \u201cconvencional\u201d (Piero Milesi, Ricardo Sinigaglia). Do lado do pesadelo, os Biota destroem todas as no\u00e7\u00f5es e conven\u00e7\u00f5es, esculpindo formas distorcidas em \u201cVagabones &#038; Rockabones\u201d.<br \/>\n\t<strong>E.G.<\/strong> \u2013 Alberga no seu seio o inventor do g\u00e9nero, Brian Eno. Todos os seus discos, a partir do seminal \u201cDiscreet Music\u201d, incluindo \u201cMusic for Films\u201d, \u201cOn Land\u201d e \u201cApollo Atmospheres &#038; Soundtraks\u201d, s\u00e3o b\u00edblias para a nova gera\u00e7\u00e3o de \u201cambientais\u201d. Da matriz Eno, destacam-se o pianista do sil\u00eancio, Harold Budd (\u201cThe Pavillion of Dreams\u201d, \u201cThe Plateaux of Mirror\u201d, \u201cLonely Thunder\u201d) e o ex\u00f3tico Laraaji e as suas mantras hipn\u00f3ticas no salt\u00e9rio eletrificado em \u201cDay of Radiance\u201d. Jon Hassell reina nas suas m\u00fasicas do \u201cquarto mundo\u201d. \u201cThe Sinking of Titanic\u201d, de Gavin Bryars, alarga o g\u00e9nero at\u00e9 \u00e0s dimens\u00f5es da trag\u00e9dia. O trio Budd-Hassell-Bryars gravou, embora para a Sub Rosa, um dos cl\u00e1ssicos do movimento, o vol. 2 da s\u00e9rie Myths (\u201cLa Nouvelle Serenit\u00e9\u201d), que inclui dez minutos de grava\u00e7\u00f5es de sons ambientais como sinos, p\u00e1ssaros e c\u00e2nticos religiosos.<br \/>\n\tRefer\u00eancia ainda para alguns nomes sortidos: Benjamin Lew-Steven Brown (\u201cA Propos d\u2019un Paysage\u201d), O Yuki Conjugate (\u201cInto Dark Water\u201d), Virginia Astley (\u201cFrom Gardens where we Feel Secure\u201d), Robert Rich (\u201cNumena\u201d), Jeff Greinke (\u201cTimbral Planes\u201d).<br \/>\n\tEscolham-se os ambientes e parta-se \u00e0 descoberta do admir\u00e1vel mundo novo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 1 AGOSTO 1990 >> Videodiscos >> Na Capa A APRENDIZAGEM DO SIL\u00caNCIO Entre o sil\u00eancio e a totalidade dos sons dispon\u00edveis no universo, as permuta\u00e7\u00f5es s\u00e3o infinitas. 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