{"id":9766,"date":"2022-06-07T06:46:04","date_gmt":"2022-06-07T13:46:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9766"},"modified":"2022-06-07T06:46:04","modified_gmt":"2022-06-07T13:46:04","slug":"roger-waters-tijolo-a-tijolo-concerto-antevisao-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/06\/07\/roger-waters-tijolo-a-tijolo-concerto-antevisao-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Roger Waters &#8211; &#8220;Tijolo a Tijolo&#8221; (concerto | antevis\u00e3o | artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 18 JULHO 1990 >> Videodiscos >> Na Capa<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>TIJOLO A TIJOLO<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/tijolo.jpg\" alt=\"\" width=\"586\" height=\"742\" class=\"alignnone size-full wp-image-9767\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/tijolo.jpg 586w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/tijolo-237x300.jpg 237w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/tijolo-79x100.jpg 79w\" sizes=\"auto, (max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>A loucura tem sido boa conselheira dos Pink Floyd. Pela forma\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica, respons\u00e1vel pelo nascimento e bom nome do psicadelismo dos anos 60, passaram pelo menos dois dos seus cultores: Syd Barrett, esquizofr\u00e9nico com carimbo cl\u00ednico, e Roger Waters, psic\u00f3tico controlado que soube fazer render o peixe, isto \u00e9, a paranoia, ao pre\u00e7o de ocasi\u00e3o e com a ind\u00fastria a apoiar.<br \/>\n\tSyd \u00e9 lenda. Perdeu-se na viol\u00eancia dos seus sonhos e alucina\u00e7\u00f5es. Escrevia pequenas hist\u00f3rias sob a forma de can\u00e7\u00f5es. Quando entrava no est\u00fadio, o seu eterno estado sonamb\u00falico transformava-se em del\u00edrio criativo. Compunha pequenas obras-primas. Cantava e tocava guitarra como se estivesse sozinho no Universo. Jogava com ningu\u00e9m ao domin\u00f3, numa casa inglesa, daquelas escuras e antigas, cheias de fantasmas. Sempre em dias de chuva. Jogava enquanto esperava. A chuva nunca parou e a princesa que chegou n\u00e3o era a prometida. Espalhou as pe\u00e7as pelo ch\u00e3o e levou-o para o arm\u00e1rio dos pap\u00f5es. Deixou testemunho das suas vis\u00f5es em \u201cThe Piper at the Gates of Dawn\u201d. 1967, ano de todos os sonhos, para Syd, o in\u00edcio do pesadelo. Nunca mais veremos Emily tocar.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>Viagens espaciais<\/strong><\/p>\n<p>\tA partir do ano seguinte, o seu amigo Roger Waters inverte o sentido da viagem. Das estrelas na cabe\u00e7a do gnomo Barrett para os grandes espa\u00e7os c\u00f3smicos exteriores. Toma os comandos e aponta a nave para o cora\u00e7\u00e3o do Sol (\u201cSet the Controls for the Heart of the Sun\u201d). \u201cInterstellar Overdrive\u201d estendida at\u00e9 \u00e0s dimens\u00f5es \u00e9picas do absoluto. A sua maior ambi\u00e7\u00e3o era compor a banda sonora do \u201c2001\u201d, de Kubrick. Ficou-se pelos tons \u201chippies\u201d de Antonioni em \u201cZabriskie Point\u201d, perdido nas selvas luxuriantes da \u201cLa Vall\u00e9e\u201d, de Barbet Schroeder.<br \/>\n\tO tom \u00e9pico e desmesurado que a m\u00fasica dos Pink Floyd demandava foi encontrado afinal na M\u00e3e Terra. \u201cAtom Heart Mother\u201d (1970), viagem infinita por lado nenhum, acompanhada de orquestra e coros, em longa su\u00edte que depurava at\u00e9 \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o as premissas enunciadas no comp\u00eandio psicad\u00e9lico. Para tr\u00e1s ficavam \u201cA Saucerful of Secrets\u201d (1968) e a obra-prima incompreendida \u201cUmmagumma\u201d (1969), duplo \u00e1lbum magistral, dos poucos verdadeiramente experimentais da \u00e9poca. No segundo disco, cada um dos quatro Floyd mostrou at\u00e9 que ponto a loucura se pode estruturar em obra de arte. Um dos temas chamava-se \u201cSeveral Species of Small Furry Animals Gathering Together in a Cave and Grooving with a Pict\u201d. Nunca antes no rock a natureza tinha cantado t\u00e3o estranhamente como aqui.<br \/>\n\t\u201cMeddle\u201d (1971) prolongava o segundo lado da \u201cAtom Heart Mother\u201d. M\u00fasica de sol, mar e lonjura. Os Floys espraiavam-se indolentes pelas vastid\u00f5es aqu\u00e1ticas de um sonho momentaneamente aquietado. Os pingos de \u201cEchoes\u201d reverberando num adeus pacificado \u00e0 d\u00e9cada finada. Com \u201cThe Dark Side of the Moon\u201d (1973), a m\u00e1quina dos d\u00f3lares come\u00e7ou a faturar. \u201cWelcome to the Machine\u201d \u2013 os filhos pr\u00f3digos regressavam ao lar, acolhidos de bra\u00e7os abertos pela ind\u00fastria maternal. \u201cDark Side of the Moon\u201d permanece at\u00e9 hoje nos tops americanos. Waters \u00e9 emparedado. Tijolo a tijolo, o muro come\u00e7a a ser erguido. Em \u201cWish You Were Here\u201d (1975), olha-se para tr\u00e1s, em busca de Barrett. \u201cShine on you Crazy Diamond\u201d. Mas o diamante n\u00e3o voltar\u00e1 a brilhar. Os Pink Floyd perdem-se no caminho. \u201cAnimals\u201d (1977) \u00e9 um fracasso a todos os n\u00edveis. A banda, um mero grupo de suporte de Roger Waters.<\/p>\n<p><strong>A grande explos\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\tA explos\u00e3o redentora d\u00e1-se finalmente no \u00faltimo ano da d\u00e9cada. \u00c9 o grande exorcismo de Waters, que finalmente se assume como alma exclusiva dos Floyd. Libertam-se medos e paranoias durante anos acumulados. A hist\u00f3ria de \u201cThe Wall\u201d \u00e9 a biografia do m\u00fasico. Grito revoltado contra o universo inteiro. A constru\u00e7\u00e3o do muro levada a cabo nesse instante prec\u00e1rio que decorre entre o nascimento e a morte. A m\u00e3e, os professores, as namoradas, os outros todos e o \u201coutro\u201d que \u00e9 ele pr\u00f3prio s\u00e3o monstros agressivos que fazem da vida um inferno e uma guerra em que todos s\u00e3o \u201co inimigo\u201d. Roger Waters vingava Syd Barrett. Onde este so\u00e7obrou, vergado ao peso da loucura, aquele vence, ao atirar os seus dejetos \u00e0 cara do mundo. \u201cThe Wall\u201d \u00e9 finalmente o apontar de dedo a todas as mentiras do universo rock. Alan Parker passou-o para celuloide. Bob Geldof encarnou a figura do m\u00e1rtir. Quase todos dizem mal. Salva-se a fabulosa anima\u00e7\u00e3o que d\u00e1 vida \u00e0s delirantes figuras desenhadas na capa do disco, da autoria de Gerald Scarfe.<br \/>\n\tEsque\u00e7am-se os cap\u00edtulos mais recentes da odisseia Waters, \u201cThe Final Cut\u201d (1983) e \u201cThe Pros and Cons of Hitch Hiking\u201d (1984), assim como dos Pink Floyd sem ele em \u201cA Momentary Lapse of Reason\u201d (1987). O importante vai ser estar em Berlim no pr\u00f3ximo dia 21 ou assistir a tudo pela televis\u00e3o. Para ficarmos a saber como se constr\u00f3i um muro. E se o destr\u00f3i.<\/p>\n<p><strong>N\u00daMEROS<\/strong><\/p>\n<p>\tO palco \u00e9 o maior alguma vez constru\u00eddo (onde \u00e9 que j\u00e1 se ouviu isto?) \u2013 168 m de comprimento, 25 de altura. Vai levar um m\u00eas a erguer e duas semanas a destruir. 50 cami\u00f5es transportam-no at\u00e9 ao local do concerto. Os bonecos insufl\u00e1veis ultrapassam os dos Stones: s\u00e3o do tamanho de edif\u00edcios de seis andares. O \u201cprofessor\u201d mede 12 m com uma amplitude de bra\u00e7os de 31 m. O \u201cporco\u201d alcan\u00e7a os 15 m. Cada boneco \u00e9 comandado atrav\u00e9s de uma grua de 45 m e controlado por 20 pessoas. No muro que ser\u00e1 erguido ao longo do espet\u00e1culo, ser\u00e3o utilizados 2500 tijolos especiais, cada um medindo 1,5 m x 75 cm e pesando 9 Kg. S\u00e3o 50 os obreiros. Ao todo ser\u00e3o 600 pessoas a trabalhar para esta produ\u00e7\u00e3o. A energia necess\u00e1ria para p\u00f4r tudo a funcionar \u2013 5 megawatts, 1,7 dos quais fornecidos pela (ainda) Alemanha do Leste e o resto por geradores pr\u00f3prios. Um gigantesco ecr\u00e3 circular com 16 m de di\u00e2metro rodeado por 36 \u201cVari lites\u201d constituir\u00e1, na ocasi\u00e3o, a maior estrutura observ\u00e1vel nos arredores da Porta de Brademburgo. Est\u00e3o previstos um total de 46 min. de proje\u00e7\u00f5es de \u201cdesenhos animados\u201d. Os c\u00e9us de Berlim v\u00e3o ser iluminados por 12 holofotes sincronizados. Tudo junto vai poder ser presenciado \u201cin loco\u201d por cerca de 150.000 pessoas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 18 JULHO 1990 >> Videodiscos >> Na Capa TIJOLO A TIJOLO A loucura tem sido boa conselheira dos Pink Floyd. 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