{"id":9710,"date":"2022-05-24T08:00:36","date_gmt":"2022-05-24T15:00:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9710"},"modified":"2022-05-24T08:00:36","modified_gmt":"2022-05-24T15:00:36","slug":"cabaret-voltaire-cabaret-da-morte-a-discoteca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/05\/24\/cabaret-voltaire-cabaret-da-morte-a-discoteca\/","title":{"rendered":"Cabaret Voltaire &#8211; &#8220;Cabaret Da Morte&#8221; (a discoteca)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 27 JUNHO 1990 >> Videodiscos >> Pop<\/p>\n<p><strong>A DISCOTECA<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>CABARET DA MORTE<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Os Cabaret Voltaire, outrora preocupados com a utiliza\u00e7\u00e3o subversiva e amea\u00e7adora da eletr\u00f3nica como \u201cmind surgery\u201d, manipula\u00e7\u00e3o da mente, cria\u00e7\u00e3o de fantasmas sint\u00e9ticos, gravaram agora \u201cGroovy Laidback and Nasty\u201d, \u00e1lbum rendido a um comercialismo de pl\u00e1stico e \u00e0 dan\u00e7a como exerc\u00edcio sonamb\u00falico e imbecil. \u00c9 pena.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/cabaretVoltaire-300x228.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"228\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9711\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/cabaretVoltaire-300x228.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/cabaretVoltaire-768x583.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/cabaretVoltaire-624x474.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/cabaretVoltaire-100x76.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/cabaretVoltaire.jpg 781w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>Para todos aqueles que t\u00eam seguido com aten\u00e7\u00e3o e alguma devo\u00e7\u00e3o as estrat\u00e9gias amb\u00edguas da dupla Stephen Mallinder\/Richard H. Kirk, respons\u00e1vel por n\u00e3o poucos momentos realmente arrepiantes de eletricidade em forma de m\u00fasica ao servi\u00e7o das artes do dem\u00f3nio, \u00e9 doloroso assistir \u00e0 decad\u00eancia de uma banda que da originalidade e radicalismo iniciais reteve apenas os espasmos e automatismos agora esvaziados de sentido. Sejamos ent\u00e3o um pouco saudosistas, voltando atr\u00e1s e recapitulando os dias de perigo e gl\u00f3ria de um grupo de terroristas s\u00f3nicos que certa vez se lembrou das granadas \u201cdada\u201d, lan\u00e7adas de um caf\u00e9 a que chamaram \u201cCabaret Voltaire\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ind\u00fastrias Pesadas<\/strong><\/p>\n<p>\tSheffield, Inglaterra, ind\u00fastrias pesadas, 1973 \u2013 ber\u00e7o onde foram criadas aberra\u00e7\u00f5es monstruosas, h\u00edbridos violentos e vingativos que, anos mais tarde, viriam a impor novas regras aos desorientados \u201cpunks\u201d, confusos entre os alfinetes e um niilismo ideol\u00f3gico e musical, cedo esgotado no vazio de alternativas. A chamada \u201cm\u00fasica industrial\u201d resolvia o dilema. Depois da viol\u00eancia e da destrui\u00e7\u00e3o gratuita, a viol\u00eancia maior da despersonaliza\u00e7\u00e3o e dos totalitarismos infernais. M\u00e1quinas gigantescas e trituradoras a reduzir o humano \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de escravo, numa nova sociedade met\u00e1lica, inteligente e implac\u00e1vel. E o reino dos senhores, super-homens (o \u201cEmpire State Human\u201d dos Human League), m\u00e1quinas tamb\u00e9m, para quem Nietzsche era afinal apenas um pobre louco humano que at\u00e9 chorava, comovido, abra\u00e7ado aos seus irm\u00e3os cavalos. Os Cabaret Voltaire e os Human League personificavam esta atitude, utilizando armas diferentes para alvejar um mesmo alvo \u2013 a cria\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica desmesurada ao servi\u00e7o de filosofias e prop\u00f3sitos sombrios e politicamente inconfess\u00e1veis. Os Cabaret Voltaire permaneceram mais tempo no inferno.<\/p>\n<p><strong>Fascina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\t\u201cMix-up\u201d de 1979 abriu as hostilidades, correspondendo \u00e0 fase experimental de toda a discografia gravada para a Rough Trade. Montagens e desmontagens de ru\u00eddos e vozes parasit\u00e1rias. Fitas magn\u00e9ticas estragadas, repetindo-se infinitamente, e sequenciadores com o freio nos dentes fazem da audi\u00e7\u00e3o deste disco uma aventura no reino da escurid\u00e3o e do horror. Em \u201cHeaven and Hell\u201d uma voz grita em simult\u00e2neo as duas palavras; dor e prazer confundidos na vertigem do tempo, acelerado at\u00e9 \u00e0 imobilidade. Vis\u00e3o terr\u00edfica da realidade, transformada em instante fotogr\u00e1fico. Rel\u00e2mpago de medo.<br \/>\n\tDepois de um \u00e1lbum ao vivo, \u201cLive at the Y.M.C.A., 1979\u201d, a obra-chave \u201cThe Voice of America\u201d. Manifesto impressionante da est\u00e9tica do p\u00e2nico (mais tarde cultivada por grupos como os Coil ou Clock DVA) e da manipula\u00e7\u00e3o subliminar do inconsciente. \u201cKneel to the Boss\u201d, \u201cNews from Nowhere\u201d ou \u201cMessages Received\u201d s\u00e3o t\u00edtulos elucidativos das inten\u00e7\u00f5es de Kirk, Mallinder e dezenas de homens-sombra, apostados na substitui\u00e7\u00e3o dos alicerces e s\u00edmbolos da sociedade ocidental crist\u00e3 por outros de sinal contr\u00e1rio.<br \/>\n\tEm \u201cRed Mecca\u201d (1981), o monstro despe a m\u00e1scara. O nome do diabo \u00e9 finalmente proferido. \u201cSpread the Virus\u201d. Fanfarra apocal\u00edptica e tenebrosa. O ritmo desumano e inexor\u00e1vel da agonia e das trevas finalmente libertas. M\u00fasica da morte. Para tr\u00e1s ficavam a eleg\u00e2ncia e beleza dos computadores dos Kraftwerk e a sedu\u00e7\u00e3o long\u00ednqua e numenal da missa negra celebrada por Bowie em \u201cLow\u201d.<br \/>\n\t\u201cThree Mantras\u201d \u00e9 um obscuro exemplar de m\u00fasica eletr\u00f3nica ritual e \u201c2&#215;45\u201d (1982) investe pela primeira vez num \u201cfunky\u201d de tons orientais, apelando \u00e0 dan\u00e7a como ve\u00edculo privilegiado de divulga\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Em 1983, dois discos \u2013 \u201cHai!\u201d, gravado ao vivo no Jap\u00e3o, e \u201cThe Crackdown\u201d (primeiro, gravado para a Some Bizarre\/Virgin, com honras de edi\u00e7\u00e3o nacional e j\u00e1 sem Chris Watson, que viria a formar o obscuro Hafler Trio), fracasso art\u00edstico rotundo, fruto de uma mal contida e mais mal dirigida \u00e2nsia comercial. Nem com \u201cFascination\u201d (incurs\u00e3o descarada no territ\u00f3rio dos Human League) ou a capa de Neville Brody, os Cabaret Voltaire lograram alcan\u00e7ar o \u00eaxito entretanto atingido pela Human League, j\u00e1 ent\u00e3o rainha de discoteca pela m\u00e3o da sua \u201cpop star\u201d Philip Oakey.<\/p>\n<p><strong>Vis\u00e3o Dupla ou Falta de Vis\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\t\u201cJohnny Yesno\u201d (1982), banda sonora de um v\u00eddeo da \u201cDoublevision\u201d, produzido e realizado por Peter Care, e \u201cMicro-Phonies\u201d (1984) s\u00e3o duas tentativas relativamente bem sucedidas de retorno \u00e0 linha dura, no segundo o sampler servindo de brinquedo nas t\u00e9cnicas de \u201cscratching\u201d e \u201ccut-up\u201d em que Kirk e Mallinder se tinham tornado mestres. Ganhava-se em sofistica\u00e7\u00e3o sonora o que se perdia em inspira\u00e7\u00e3o. \u201cThe Covenant, the Sword and the Arm of the Lord\u201d (1985, t\u00edtulo de uma seita americana neo-nazi) consegue vencer onde outros discos so\u00e7obraram \u2013 aliando o experimentalismo tornado imagem de marca a uma acessibilidade capaz de alguns cometimentos em termos comerciais. \u201cCode\u201d (1987) e sobretudo o recente \u201cGroovy, etc.\u201d (gravados para a Emi-Parlophone) n\u00e3o oferecem quaisquer d\u00favidas quanto ao esgotamento do fil\u00e3o. Este \u00faltimo uma aut\u00eantica farsa, com a voz de Mallinder a tentar a todo o custo parecer-se com a de Green Gartside, dos Scritti Politti, engani\u00e7ando-se ingl\u00f3ria e ridiculamente sobre um fundo r\u00edtmico \u201chouse\u201d oportunista. Como boas recorda\u00e7\u00f5es da \u00e9poca \u00e1urea de todas as perversidades restam ainda \u201cEight Crepuscule Tracks\u201d, gravado para a editora belga Les Disques du Cr\u00e9puscule, e o maxi duplo \u201cDrinking Gasoline\u201d. O Cabaret original fechou as suas portas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 27 JUNHO 1990 >> Videodiscos >> Pop A DISCOTECA CABARET DA MORTE Os Cabaret Voltaire, outrora preocupados com a utiliza\u00e7\u00e3o subversiva e amea\u00e7adora da eletr\u00f3nica como \u201cmind surgery\u201d, manipula\u00e7\u00e3o da mente, cria\u00e7\u00e3o de fantasmas sint\u00e9ticos, gravaram agora \u201cGroovy Laidback and Nasty\u201d, \u00e1lbum rendido a um comercialismo de pl\u00e1stico e \u00e0 dan\u00e7a como exerc\u00edcio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[851,3163,3162,7,14,83,107,105],"tags":[2297,3283,3284,3282],"class_list":["post-9710","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1990","category-discoteca","category-dossiers-1990","category-electronica","category-experimental","category-industrial","category-new-wave","category-post-punk","tag-cabaret-voltaire","tag-richard-h-kirk","tag-sheffield","tag-stephen-mallinder"],"views":530,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9710","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9710"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9710\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9712,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9710\/revisions\/9712"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}