{"id":9696,"date":"2022-05-20T05:01:53","date_gmt":"2022-05-20T12:01:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9696"},"modified":"2022-05-20T05:01:53","modified_gmt":"2022-05-20T12:01:53","slug":"antonio-manuel-ribeiro-antonio-manuel-ribeiro-e-os-gigantes-do-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/05\/20\/antonio-manuel-ribeiro-antonio-manuel-ribeiro-e-os-gigantes-do-nada\/","title":{"rendered":"Ant\u00f3nio Manuel Ribeiro &#8211; &#8220;Ant\u00f3nio Manuel Ribeiro E Os Gigantes Do Nada&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 13 JUNHO 1990 >> Videodiscos >> Na Capa<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>ANT\u00d3NIO MANUEL RIBEIRO E OS GIGANTES DO NADA<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio Manuel Ribeiro recusa a imagem do her\u00f3i e m\u00e1rtir incompreendido, sobrevivente de uma hist\u00f3ria atribulada e sem garantias de final feliz \u2013 a do rock portugu\u00eas. N\u00e3o se considera corrompido pelo sistema e promete gravar can\u00e7\u00f5es dos UHF acompanhados de orquestra sinf\u00f3nica.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/AMRibeiro-241x300.jpg\" alt=\"\" width=\"241\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9697\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/AMRibeiro-241x300.jpg 241w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/AMRibeiro-80x100.jpg 80w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/AMRibeiro.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 241px) 100vw, 241px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><strong>\tP\u00daBLICO \u2013 A sua imagem como m\u00fasico de rock \u00e9 a do m\u00e1rtir incompreendido, uma esp\u00e9cie de Jim Morrison portugu\u00eas&#8230;<\/strong><br \/>\n\tAnt\u00f3nio Manuel Ribeiro \u2013 Tenho muito pouca vontade de ser m\u00e1rtir. Sou de facto sobrevivente, mas n\u00e3o me identifico com qualquer tipo de movimento. A minha posi\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente individualista. Muitas vezes meti-me em lutas e, quando olhei para tr\u00e1s, via que era um general sem tropas. J\u00e1 percebi as teias manhosas em que se enreda grande parte da m\u00fasica portuguesa. N\u00e3o estou metido em nada. N\u00e3o tenho nada a ver com isto.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 Ultimamente tem dado a imagem de homem bem instalado na vida. Casou, d\u00e1 entrevistas \u00e0 \u201cNova Gente\u201d&#8230; \u00c9 poss\u00edvel conciliar esta imagem com aquela de rebeldia geralmente associada aos UHF?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 Os UHF foram, s\u00e3o e ser\u00e3o uma banda de rock duro, enquanto acharmos que \u00e9 assim que deve ser. N\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com entrevistas na \u201cNova Gente\u201d. Considero isso apenas o cumprir das marca\u00e7\u00f5es normais que a editora faz. Aceito-as como parte do meu trabalho, mais nada e muitas vezes nem tenho controlo sobre as coisas que se passam, mas tamb\u00e9m n\u00e3o me preocupo. J\u00e1 houve uma fase em que fui ing\u00e9nuo. Tinha a vontade de me explicar, mas cada vez que isso acontecia gozavam comigo. Essa fase passou.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 Os UHF consideram-se uma banda da oposi\u00e7\u00e3o. Por outro lado s\u00e3o das que mais vende. Luta contra o sistema mas aceita as vantagens e o lucro que este lhe proporciona&#8230; Os Xutos e Pontap\u00e9s andam a publicitar a Sumol&#8230;<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 Nunca far\u00edamos an\u00fancios a um refrigerante. Far\u00edamos sempre a uma marca de \u201cwhisky\u201d&#8230; Agora a s\u00e9rio, cada um de n\u00f3s vive daquilo que ganha. N\u00e3o estamos corrompidos. Continuamos o mesmo tipo de pessoas. Por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa editora, n\u00e3o somos oposi\u00e7\u00e3o mas assumimos uma posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 O cinismo \u00e9 necess\u00e1rio?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 Sou muito c\u00ednico, sobretudo a negociar. Quando me sento \u00e0 mesa para negociar qualquer tipo de contrato tenho de levar a \u00e1gua ao meu moinho. Tenho sempre que levar a minha avante.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 O intimismo das letras pode ser uma fuga poss\u00edvel?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 \u00c9 verdade. Mas vou dizer outra coisa: \u201cNoites Negras de Azul\u201d e \u201cLugares Incertos\u201d, ambos de 88, eram \u00e1lbuns que falavam sobretudo do amor, eram intimistas. Agora que casei j\u00e1 n\u00e3o falo do amor. \u00c9 um bocado a minha filosofia de vida. Gosto de andar ao contr\u00e1rio. Gosto pouco de andar em rebanhos, de pensamento, de atitudes ou de vestu\u00e1rio&#8230; Como j\u00e1 disse, sou um individualista.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 Que vai envelhecendo&#8230; Ser\u00e1 como o Mick Jagger, aos 50 anos ainda a tocar rock?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 N\u00e3o estou preocupado com isso. N\u00e3o vou abandonar. Depois de uma grava\u00e7\u00e3o fico vazio, em ressaca, como se tivesse parido. Outras vezes fico mesmo farto&#8230; Mas gosto disto.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 Os UHF t\u00eam permanecido quase sempre na crista da onda. Qual o segredo?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 Digamos que t\u00eam andado sempre por l\u00e1 perto. Penso que temos feito um trabalho coerente. Se algu\u00e9m n\u00e3o gosta, deite fora, aceitamos isso. Mas \u00e0s vezes sinto o descalabro \u00e0 minha volta. Somos gigantes do nada. As pessoas contam mentiras na imprensa. Tamb\u00e9m j\u00e1 o fiz. Hoje n\u00e3o estou interessado em faz\u00ea-lo. N\u00e3o \u00e9 nada bom para a m\u00fasica portuguesa. Estamos todos a viver de bal\u00f5es de oxig\u00e9nio, fora os UHF e mais tr\u00eas ou quatro bandas que recusam essa infla\u00e7\u00e3o de mentiras.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 Que tipo de mentiras?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 N\u00e3o quero entrar em pormenores. Digress\u00f5es no estrangeiro que s\u00e3o falsas, \u201ccachets\u201d inflacionados e depois negociados com 30 por cento de desconto. Digress\u00f5es neste pa\u00eds n\u00e3o h\u00e1. Nunca houve. O que h\u00e1 s\u00e3o contrata\u00e7\u00f5es que v\u00e3o sendo aceites.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 N\u00e3o t\u00eam projetos para o estrangeiro?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 Temos, claro. N\u00e3o quero falar de concertos dos meus colegas no estrangeiro, mas tenho que dizer que foram quase sempre desastrosos. Os UHF s\u00e3o sinceros ao ponto de admitir j\u00e1 ter perdido dinheiro em atua\u00e7\u00f5es no estrangeiro. Tocamos em salas cheias&#8230; de emigrantes. Em Paris estavam 5 franceses entre 1500 pessoas. Fomos a Paris tocar para o Minho e Alentejo.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 Porque \u00e9 que isso acontece?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 Porque em Paris existem outras 50 salas id\u00eanticas com concertos, \u00e0 mesma hora. S\u00e3o outros meios. Para qu\u00ea fazer como colegas meus, que dizem que fizeram espet\u00e1culos incr\u00edveis aqui e ali, em salas de 200 lugares?&#8230;<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 Como situa os UHF perante a concorr\u00eancia?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 Somos mal vistos. A maior parte das vezes, as pessoas, n\u00e3o digo que virem a cara, mas levam um certo tempo para nos enfrentar. Nos bares, na noite, nos concertos. Temos sido sempre colocados num gueto. N\u00e3o \u00e9 que queiramos passar por v\u00edtimas. Temos uma rela\u00e7\u00e3o mais \u00edntima e pr\u00f3xima do nosso p\u00fablico que a maior parte dos outros artistas portugueses da mesma \u00e1rea, que inflacionam uma certa pose e depois \u00e9 tudo mentira.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 E a vossa rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 As pessoas criaram uma imagem deturpada de n\u00f3s. A imagem de rebeldia foi, confesso, vendida por mim. Hoje diz-se que estamos mais calmos. N\u00e3o estamos. H\u00e1 dias viemos de um concerto, and\u00e1mos 400 quil\u00f3metros e fomos para a p\u00e2ndega em Lisboa. Cheg\u00e1mos a casa \u00e0s cinco da manh\u00e3, virados do avesso. Os UHF t\u00eam um ouvido popular. Conseguem perceber o gosto do p\u00fablico. \u00c9 isso que queremos: compor can\u00e7\u00f5es que todos possam trautear. H\u00e1 por a\u00ed projetos musicais engra\u00e7ados mas totalmente afastados do p\u00fablico. N\u00e3o vendem. N\u00e3o ponho de parte a hip\u00f3tese do rock portugu\u00eas pura e simplesmente acabar. Acaba-se esta porcaria toda. As editoras andam de cabelos no ar sem saber o que fazer. Se calhar n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 Alguma vez pensou em trabalhar fora da \u00e1rea espec\u00edfica do rock?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 Gostaria de gravar um disco com can\u00e7\u00f5es dos UHF pouco conhecidas, trabalhadas com orquestra de modo a dar-lhes um cunho totalmente diferente.<br \/>\n<strong>\tP. \u2013 Que \u00e9 para si o rock?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 \u00c9 uma quest\u00e3o f\u00edsica&#8230; O apelo \u00e0 dan\u00e7a. Permite a agressividade, a agress\u00e3o. Perten\u00e7o a uma gera\u00e7\u00e3o de agress\u00e3o. Tinha 20 anos em 74. Antes dessa data e mesmo depois, s\u00f3 havia baladeiros. Ganhei avers\u00e3o a esse tipo de m\u00fasica. Paz, amor e uma viola. \u201cHippismos\u201d retardados. O Maio de 68 consumido fora de horas. Quando come\u00e7\u00e1mos, todos esses sujeitos estavam contra n\u00f3s. Lembro-me de, uma vez, um digno cantor da nossa pra\u00e7a afirmar publicamente que os UHF n\u00e3o tinham direito cultural de ir \u00e0 festa do \u201cAvante. O rock, nessa altura, tinha toda a raz\u00e3o de ser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 13 JUNHO 1990 >> Videodiscos >> Na Capa ANT\u00d3NIO MANUEL RIBEIRO E OS GIGANTES DO NADA Ant\u00f3nio Manuel Ribeiro recusa a imagem do her\u00f3i e m\u00e1rtir incompreendido, sobrevivente de uma hist\u00f3ria atribulada e sem garantias de final feliz \u2013 a do rock portugu\u00eas. 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