{"id":9676,"date":"2022-05-12T08:06:52","date_gmt":"2022-05-12T15:06:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9676"},"modified":"2022-05-12T08:06:52","modified_gmt":"2022-05-12T15:06:52","slug":"rolling-stones-a-decada-ao-contrario-artigo-de-opiniao-historia-do-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/05\/12\/rolling-stones-a-decada-ao-contrario-artigo-de-opiniao-historia-do-rock\/","title":{"rendered":"Rolling Stones &#8211; &#8220;A D\u00e9cada Ao Contr\u00e1rio&#8221; (artigo de opini\u00e3o | hist\u00f3ria do rock)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO SEXTA-FEIRA, 8 JUNHO 1990 >> Cultura<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>A d\u00e9cada ao contr\u00e1rio<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nNO IN\u00cdCIO eram apenas uma entre muitas bandas brancas a brincar ao \u201crhythm\u2018n\u2019blues\u201d. Depois foram crescendo at\u00e9 se tornarem na maior banda de \u201crock and roll\u201d do mundo. Hoje s\u00e3o um fantasma sorvedor de divisas e recorda\u00e7\u00f5es de rebeldia.<br \/>\n\tMick Jagger e Keith Richards andaram juntos na mesma escola prim\u00e1ria. Perderam-se de vista. Anos mais tarde encontraram-se num comboio. Dois rapazinhos ansiosos por dar nas vistas, ambos apreciadores do \u201crhythm\u2018n\u2019blues\u201d. Corria o ano de 1960, primeiro de uma d\u00e9cada que viria a dar que falar. Brian Jones conhece Jagger numa das suas visitas a Londres. No \u201cKorner\u2019s Club\u201d, onde este atuava com Long John Baldry. O destino juntava o trio m\u00e1gico Jagger\/Richards\/Jones, mal sabendo a confus\u00e3o que iria causar. Em 63, Charlie Watts e Bill Wyman completam a lend\u00e1ria forma\u00e7\u00e3o. Escolhido o nome (baseado na can\u00e7\u00e3o \u201cRollin\u2019 Stones\u201d, de Muddy Waters) s\u00f3 faltava dar o sinal de partida.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>Os blues<\/strong><\/p>\n<p>\tAs primeiras grava\u00e7\u00f5es de est\u00fadio s\u00e3o \u201cSoon Forgotten\u201d, \u201cClose Together\u201d e \u201cYou Can\u2019t Judge A Book (By Looking At The Cover)\u201d. Nenhuma editora lhes pega. Tornava-se necess\u00e1rio criar urgentemente uma imagem. Sobretudo que vendesse. Andrew Oldham (que j\u00e1 trabalhara com os Beatles), na altura com apenas 19 anos, encontrou-a. Se os \u201cfabulous four\u201d eram os meninos bonitos da pop, havia que lhes arranjar advers\u00e1rio \u00e0 altura. Os Stones eram o ideal para representar o papel de maus.<br \/>\n\tFinalmente, em junho de 63 a Decca edita o single \u201cCome On\u201d, vers\u00e3o do tema original de Chuck Berry, com um dos versos alterado n\u00e3o fosse ferir a sensibilidade dos homens da r\u00e1dio. Pervers\u00e3o ou n\u00e3o, os Stones agarram num original dos rivais Lennon\/McCartney e editam-no sob a forma de um \u201cR&#038;B\u201d. \u00c9 o cl\u00e1ssico \u201cI Wanna Be Your Man\u201d e torna-se o primeiro hit da banda. Gra\u00e7as aos Beatles&#8230;<\/p>\n<p><strong>A imagem<\/strong><\/p>\n<p>\tEnquanto os de Liverpool provocam gritinhos hist\u00e9ricos e desmaios, Jagger e os outros desencadeiam s\u00fabitas e assustadoras descargas de adrenalina e agressividade. Fans para o hospital, destrui\u00e7\u00f5es v\u00e1rias e um cheirinho a droga, faziam ent\u00e3o parte da imagem de marca do grupo. Pior ainda, usavam cabelos ainda mais compridos do que os Beatles. \u00c0s vezes chegavam mesmo ao ponto de n\u00e3o usar gravata. Eram provoca\u00e7\u00f5es a mais. Brian Jones, esse ent\u00e3o, abusava, sobretudo da droga. Mas perdoavam-lhe facilmente \u2013 era fino, engra\u00e7ado e al\u00e9m do mais inofensivo \u2013 Jones era um dandy, um aristocrata mais preocupado em destruir-se do modo mais elegante poss\u00edvel. Conseguiu-o, sem muito esfor\u00e7o, em apenas cinco anos. Com Brian Jones os Stones gravaram sete \u00e1lbuns. Ap\u00f3s a sua morte, Mick Jagger tinha o caminho livre \u00e0 sua frente.<br \/>\n\t\u201cThe Rolling Stones\u201d (64) e \u201cThe Rolling Stones no.2\u201d (65, o mesmo de \u201cSatisfaction\u201d) s\u00e3o inspiradas rendi\u00e7\u00f5es do som negro dos blues, acrescentado do frenesim t\u00edpico do \u201crock\u2018n\u2019roll\u201d. O som vai progressivamente endurecendo \u00e0 mesma velocidade que a viol\u00eancia suscitada nos fans. Aumentam as hist\u00f3rias e os esc\u00e2ndalos. Os adultos tremem enquanto os jovens deliram. \u201c(I Can\u2019t Get No) Satisfaction\u201d \u00e9 n\u00famero um em ambos os lados do Atl\u00e2ntico e torna-se hino de uma gera\u00e7\u00e3o frustrada e \u00e0 beira da grande explos\u00e3o. \u201cOut Of Our Hands\u201d (65, com temas \u201csoul\u201d) e \u201cAftermath\u201d (66, o 1\u00ba \u00e1lbum exclusivamente assinado pela dupla Jagger\/Richards) fecham a fase inicial da banda.<br \/>\n\tA explos\u00e3o eclode afinal pacificamente. Com flores no cabelo, flores na camisa, flores no c\u00e9rebro acionado a LSD. Os Stones s\u00e3o apanhados de surpresa mas recomp\u00f5em-se depressa. Ao mesmo tempo que hippies anestesiados atingem o nirvana lis\u00e9rgico e a contempla\u00e7\u00e3o das grandes verdades c\u00f3smicas, o quinteto terr\u00edvel lan\u00e7a \u201c19th Nervous Breakdown\u201d e \u201cPaint It Black\u201d. A compila\u00e7\u00e3o \u201cFlowers\u201d e o single \u201cWe Love You\u201d s\u00e3o, pelo menos no t\u00edtulo, ced\u00eancias provis\u00f3rias ao \u201cFlower Power\u201d. O golpe de miseric\u00f3rdia (depois do \u00e1lbum pop \u201cBetween The Buttons\u201d, de 67) d\u00e1-se com \u201cTheir Satanic Majesties Request\u201d.<br \/>\n\tEm plena \u00e9poca de propaga\u00e7\u00e3o de valores positivos, como a paz e o amor, os Stones invertem o processo, utilizando as mesmas armas. Por detr\u00e1s das imagens coloridas e em 3D da capa e de can\u00e7\u00f5es psicad\u00e9licas como \u201cShe\u2019s A Rainbow\u201d ou \u201c2000 Light Years From Home\u201d, revela-se o lado negro e diab\u00f3lico oculto na sombra das alucina\u00e7\u00f5es. \u201cTheir Satanic Majesties Request\u201d \u00e9 a genial invers\u00e3o, o negativo de \u201cSgt. Peppers\u201d e do esp\u00edrito da \u00e9poca. S\u00edmbolo da raiz demon\u00edaca subjacente a toda a m\u00fasica rock, por mais que a queiram disfar\u00e7ar com os trajos grotescos da boa consci\u00eancia e das boas inten\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\tAnos mais tarde, dezembro de 69, \u00faltimo de uma era, em Altamont, durante a atua\u00e7\u00e3o dos Stones, uma jovem negra, Meredith Hunter, \u00e9 assassinada pelos Hell\u2019s Angels. A d\u00e9cada dos sonhos terminava, com os Rolling Stones em pesadelo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO SEXTA-FEIRA, 8 JUNHO 1990 >> Cultura A d\u00e9cada ao contr\u00e1rio NO IN\u00cdCIO eram apenas uma entre muitas bandas brancas a brincar ao \u201crhythm\u2018n\u2019blues\u201d. Depois foram crescendo at\u00e9 se tornarem na maior banda de \u201crock and roll\u201d do mundo. Hoje s\u00e3o um fantasma sorvedor de divisas e recorda\u00e7\u00f5es de rebeldia. 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