{"id":9633,"date":"2022-04-22T08:03:40","date_gmt":"2022-04-22T15:03:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9633"},"modified":"2022-04-22T08:03:40","modified_gmt":"2022-04-22T15:03:40","slug":"hector-zazou-a-medida-do-genio-a-discoteca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/04\/22\/hector-zazou-a-medida-do-genio-a-discoteca\/","title":{"rendered":"Hector Zazou &#8211; &#8220;\u00c0 Medida Do G\u00e9nio&#8221; (a discoteca)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 16 MAIO 1990 >> Videodiscos >> Pop<br \/>\ncenter><br \/>\n<strong>A DISCOTECA<\/p>\n<p>\u00c0 MEDIDA DO G\u00c9NIO<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>O argelino Hector Zazou, natural de Sidi Bel Abb\u00e9s e marselh\u00eas nas horas vagas, apresenta, no pr\u00f3ximo s\u00e1bado em Lisboa, a sua mais recente bizarria, \u201cLes Nouvelles Polyphonies Corses\u201d, fus\u00e3o eletr\u00f3nica neobarroca das polifonias vocais daquela regi\u00e3o com classicismo subversivo e manipula\u00e7\u00f5es digitais.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/mtm20-296x300.jpg\" alt=\"\" width=\"296\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9634\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/mtm20-296x300.jpg 296w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/mtm20-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/mtm20.jpg 490w\" sizes=\"auto, (max-width: 296px) 100vw, 296px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Zazou come\u00e7ou por tornar-se notado pelo tamanho um pouco exagerado dos ap\u00eandices auditivos, tamb\u00e9m conhecidos por \u201corelhas\u201d. Para disfar\u00e7ar tal exagero, dedicou-se \u00e0 m\u00fasica, diga-se desde j\u00e1 que com \u00f3timos resultados, sendo hoje considerado um dos expoentes da nova m\u00fasica europeia, aliando um conhecimento profundo da tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica a uma vis\u00e3o descentrada e pluralista das correntes atuais. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil encontrar nos anais recentes da hist\u00f3ria dos sons algu\u00e9m que se movimente com tamanha mestria e \u00e0-vontade em terrenos t\u00e3o d\u00edspares como a m\u00fasica africana, o \u201cfunky\u201d, a eletr\u00f3nica planante ou \u201cpastiches\u201d sint\u00e9ticos do romantismo ocidental. A sua obra reflete na perfei\u00e7\u00e3o um percurso acidentado mas sempre coerente, de constante pesquisa e derrube de tabus est\u00e9ticos mais renitentes.<\/p>\n<p><strong>Barricadas<\/strong><\/p>\n<p>\t\u201cBarricades\u201d designa a forma\u00e7\u00e3o de perto de vinte m\u00fasicos com que se iniciou nas lides musicais e, simultaneamente, o primeiro longa-dura\u00e7\u00e3o do duo ZNR, juntamente com Joseph Racaille. \u201cBarricades 3\u201d, o disco, \u00e9 uma misteriosa congrega\u00e7\u00e3o de sil\u00eancios e rendilhados pian\u00edsticos, homenagem a Satie, Poulenc, Debussy e Ravel, mestres do piano long\u00ednquo e lunar, estilha\u00e7ados por solos convulsivos de saxofone e sintetizadores humor\u00edsticos e circenses. Os ZNR gravaram um segundo \u00e1lbum, \u201cTrait\u00e9 de M\u00e9canique Populaire\u201d (1977), ironicamente uma recolha de pequenas pe\u00e7as de m\u00fasica de c\u00e2mara, subtis miniaturas na veia mais esot\u00e9rica e subliminarmente esquizofr\u00e9nica de Erik Satie.<br \/>\n\tDe subliminar nada h\u00e1 no \u00e1lbum \u201cLa Perversita\u201d, este sim declaradamente esquiz\u00f3ide, fruto do contacto americano com as experi\u00eancias demenciais dos Suicide e os repetitivismos obsessivos de Philip Glass. O \u00e1lbum, produzido pelos lun\u00e1ticos da \u201cBazooka\u201d, \u00e9 um reposit\u00f3rio de sons \u201cdisco\u201d minimalistas e textos pornogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p><strong>Preto e Branco<\/strong><\/p>\n<p>\tO ritmo passa a ser uma constante na fase seguinte, atrav\u00e9s de uma associa\u00e7\u00e3o com o cantor zairense Boni Bikaye. \u201cNoir Et Blanc\u201d, de 1983, \u00e9 o fruto primeiro desta associa\u00e7\u00e3o, s\u00edntese magistral do batuque e do canto africanos, filtrados e tratados pelo computador, dan\u00e7\u00e1vel e inteligente. Fred Frith e Marc Hollander deixaram-se contagiar, trocando o intelectualismo conceptual pela alegria primitiva e exaltante do transe r\u00edtmico. O mini \u201cMr. Manager\u201d e o recente \u201cGuilty\u201d apontam mais descaradamente para as pistas de dan\u00e7a, sem no entanto perder de vista uma complexidade formal que faz parecer simples o que \u00e9 complicado, apoiada em not\u00e1veis e arrojadas t\u00e9cnicas de grava\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tMas \u00e9 com a entrada para a editora belga Made To Measure que Zazou integra definitivamente a elite dos novos compositores europeus. \u201cReivax Au Bongo\u201d, feito \u00e0 medida para uma fotonovela imagin\u00e1ria, \u00e9 a obra m\u00e1xima da dupla Zazou-Bikaye. O primeiro lado parodia e recria aquilo que poder\u00edamos definir como uma esp\u00e9cie de psicadelismo pop africano, com Boni na pele de \u201cpopstar\u201d e Hector divertid\u00edssimo a trocar as voltas \u00e0 l\u00f3gica e truques do g\u00e9nero. Ainda mais inesperado \u00e9 o segundo lado: quatro pe\u00e7as de c\u00e2ntico gregoriano hereticamente feminino e eletronicamente sintetizado.<\/p>\n<p><strong>Geografias<\/strong><\/p>\n<p>\t\u201cG\u00e9ographies\u201d, de 84, \u00e9 mais s\u00e9rio na forma aparente mas totalmente subversor dos c\u00f3digos habituais. M\u00fasica h\u00edbrida e amb\u00edgua, falsamente cl\u00e1ssica, flutuando num universo l\u00edrico movedi\u00e7o e rico de sugest\u00f5es on\u00edricas (t\u00edtulos de faixas como \u201cMotel du Sud\u201d ou \u201cDenise \u00e0 Venise\u201d s\u00e3o todo um programa de f\u00e9rias na regi\u00e3o dos sonhos), perme\u00e1vel a todos os parasitismos, \u00e0 beira da dissolu\u00e7\u00e3o e de dif\u00edcil mas com compensadora audi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\t\u201cG\u00e9ologies\u201d (89) culmina este processo, sendo, por for\u00e7a da habitua\u00e7\u00e3o e continua\u00e7\u00e3o dos pressupostos anteriores, mais facilmente apreens\u00edvel. A fascina\u00e7\u00e3o que Zazou nutre pela voz humana atinge o auge nestes dois discos, paradoxalmente, no tema final, com a utiliza\u00e7\u00e3o da voz \u201csamplada\u201d de Bikaye, e cujo resultado se aproxima muito da perfei\u00e7\u00e3o. Com as novas polifonias corsas, teremos oportunidade de verificar em que ponto se encontra esta aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 16 MAIO 1990 >> Videodiscos >> Pop center> A DISCOTECA \u00c0 MEDIDA DO G\u00c9NIO O argelino Hector Zazou, natural de Sidi Bel Abb\u00e9s e marselh\u00eas nas horas vagas, apresenta, no pr\u00f3ximo s\u00e1bado em Lisboa, a sua mais recente bizarria, \u201cLes Nouvelles Polyphonies Corses\u201d, fus\u00e3o eletr\u00f3nica neobarroca das polifonias vocais daquela regi\u00e3o com classicismo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[187,851,369,841,3163,413,179,14,107,44,105,10,68],"tags":[525,2709],"class_list":["post-9633","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ao-vivo","category-artigos-1990","category-avant-gard","category-concertos","category-discoteca","category-em-portugal","category-etno","category-experimental","category-new-wave","category-pop","category-post-punk","category-rock","category-world","tag-hector-zazou","tag-made-to-measure"],"views":868,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9633"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9633\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9635,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9633\/revisions\/9635"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}