{"id":9626,"date":"2022-04-19T09:02:07","date_gmt":"2022-04-19T16:02:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9626"},"modified":"2022-04-19T09:02:07","modified_gmt":"2022-04-19T16:02:07","slug":"varios-nova-tradicao-a-discoteca-world-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/04\/19\/varios-nova-tradicao-a-discoteca-world-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;Nova Tradi\u00e7\u00e3o&#8221; (a discoteca | world | artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 9 MAIO 1990 >> Videodiscos >> Pop<\/p>\n<p><strong>A DISCOTECA<\/p>\n<p><center>NOVA TRADI\u00c7\u00c3O<\/center><\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>A m\u00fasica folk parece ter vindo para ficar. Depois do trabalho de sapa empreendido pelos N\u00e9bula, respons\u00e1vel pela importa\u00e7\u00e3o de algumas p\u00e9rolas dos cat\u00e1logos Topic e Plant Life, chegou a vez de novas editoras apostarem nas sonoridades tradicionais de origem celta.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ossian-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"150\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9627\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ossian-300x150.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ossian-768x383.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ossian-624x311.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ossian-100x50.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ossian.jpg 792w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Embora com as inerentes caracter\u00edsticas comuns, a m\u00fasica popular tradicional de raiz celta \u00e9 bastante rica e diversificada, consoante a regi\u00e3o espec\u00edfica donde prov\u00e9m. Assim, Reino Unido e Irlanda, Fran\u00e7a, Espanha e Portugal, s\u00e3o as fontes donde incessantemente jorra e flui a torrente secular dos sons tradicionais, permanentemente recuperados e reformulados em novos contextos pelas gera\u00e7\u00f5es mais jovens. Dentro de cada pa\u00eds a m\u00fasica difere de regi\u00e3o para regi\u00e3o, de acordo com a especificidade das culturas respetivas. Entre Tr\u00e1s-os-Montes e o Alentejo, a Galiza e a Andaluzia, a Bretanha e a Proven\u00e7a, existe todo um manancial riqu\u00edssimo de sons e hist\u00f3rias ancestrais, de instrumentos e modos de os tocar, aberto a m\u00faltiplas perspetivas necessariamente ancoradas ao veio original.<br \/>\n\tO denominado \u201cfolk revival\u201d arrancou em for\u00e7a em Inglaterra, nos finais da d\u00e9cada de 60, gra\u00e7as ao esfor\u00e7o e originalidade pioneiros de grupos como Fairport Convention e Steeleye Span, que tiveram a ousadia de acrescentar a eletricidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o. Na Irlanda, os Chieftains, Planxty e Bothy Band foram os primeiros expoentes do movimento. Em Fran\u00e7a, os Malicorne e o bardo bret\u00e3o Alan Stivell cedo invadiram o resto da Europa com a sua vis\u00e3o especial\u00edssima das origens, seguidos de imediato pelo aparecimento de disc\u00edpulos como M\u00e9lusine, La Chiffonnie ou Maluzerne, entre uma infinidade de novos nomes.<\/p>\n<p><strong>Ib\u00e9ria<\/strong><\/p>\n<p>\tNa Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica s\u00f3 mais tarde o fen\u00f3meno atingiu a import\u00e2ncia e popularidade de que goza no presente. O GAC (Grupo de Ac\u00e7\u00e3o Cultural) foi o respons\u00e1vel pelo nascimento do principal grupo portugu\u00eas de recolha e adapta\u00e7\u00e3o do nosso cancioneiro, a Ronda dos Quatro Caminhos, de V\u00edtor Reino, agora nos Maio Mo\u00e7o, cujo recente \u201cCantigas de Marear\u201d, dedicado aos Descobrimentos portugueses, passou injustamente despercebido. Em Espanha, os galegos Milladoiro pegaram nas sanfonas e \u201cgaitas\u201d do bocado de Portugal que nos falta e gravaram obras bel\u00edssimas como \u201cO Berro Seco\u201d ou \u201cGalicia de Maeloc\u201d.<br \/>\n\tA nova editora Etnia, sediada em Caminha, parece apostada na divulga\u00e7\u00e3o da m\u00fasica tradicional dos nossos vizinhos, tendo lan\u00e7ado para j\u00e1 o fenomenal \u201cEl Paso De La Estantigua\u201d dos La Musgana (que tocaram h\u00e1 bem pouco tempo em Lisboa, sem ningu\u00e9m dar por isso), uma inspirada recria\u00e7\u00e3o do folclore de Castela, Andaluzia e Ast\u00farias, recorrendo a instrumentos como o albogue ou o rabel, de nomes t\u00e3o belos como as sonoridades que produzem. Rosa Zaragoza \u00e9 outro dos nomes importantes da folk espanhola, tendo para j\u00e1 gravado dois discos, \u201cCan\u00e7ons de Bressol del Mediterrani\u201d, recolha de m\u00fasicas de embalar de zonas do Mediterr\u00e2neo como a \u00e1rabe, a grega ou a da Occit\u00e2nia, e outro dedicado \u00e0 m\u00fasica sefardita dos judeus espanh\u00f3is do Sul do pa\u00eds. Da Galiza chegaram alguns discos de Amancio Prada, entre os quais a obra-prima \u201cCaravel de Caravelles\u201d.<\/p>\n<p><strong>Brit\u00e2nia<\/strong><\/p>\n<p>\tA Esc\u00f3cia, para al\u00e9m da Irlanda, \u00e9 outro fil\u00e3o inesgot\u00e1vel da alma musical celta. Depois da Mundo da Can\u00e7\u00e3o, do Porto, espalhar pelas discotecas da capital obras de nomes fundamentais, como Battlefield Band ou o da harpista Alison Kinnaird, \u00e9 a vez da VGM se lan\u00e7ar na descoberta das sonoridades ancestrais do pa\u00eds dos castelos e fantasmas, atrav\u00e9s de distribui\u00e7\u00e3o dos cat\u00e1logos Iona e Springthyme. No primeiro avulta o grupo Ossian, int\u00e9rprete de \u00e1lbuns importantes como \u201cSt. Kilda Wedding\u201d ou \u201cLight On A Distant Shore\u201d, al\u00e9m de discos a solo de alguns dos seus membros, como Billy Jackson (\u201cThe Wellpark Suite\u201d, \u201cHeart Music\u201d e \u201cThe Misty Mountain\u201d) e George Jackson (\u201cCairistiona\u201d, auxiliado pela voz maravilhosa de Maggie MacInnes). Da Springthyme assinalem-se a inovadora t\u00e9cnica harp\u00edstica de Savourna Stevenson, em \u201cTicked Pink\u201d, o tradicionalismo militante dos Mirk, em \u201cTak A Dram Afore Ye Go\u201d, em que n\u00e3o se co\u00edbem de utilizar uma gaita-de-foles eletrificada, e o disco do grupo feminino Sprangeen, prova evidente de que afinal as fadas sempre existem.<br \/>\n\tProvado fica tamb\u00e9m que h\u00e1 um mercado nacional para este g\u00e9nero de m\u00fasica. Numa \u00e9poca em que o caos vai progressivamente confundindo e baralhando os esp\u00edritos, talvez fa\u00e7a sentido que olhemos por fim para o ber\u00e7o comum e para a Terra que nos deu origem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 9 MAIO 1990 >> Videodiscos >> Pop A DISCOTECA NOVA TRADI\u00c7\u00c3O A m\u00fasica folk parece ter vindo para ficar. 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