{"id":9621,"date":"2022-04-17T06:18:56","date_gmt":"2022-04-17T13:18:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9621"},"modified":"2022-04-17T06:18:56","modified_gmt":"2022-04-17T13:18:56","slug":"tom-verlaine-verlaine-tocou-so-e-mal-acompanhado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/04\/17\/tom-verlaine-verlaine-tocou-so-e-mal-acompanhado\/","title":{"rendered":"Tom Verlaine &#8211; &#8220;Verlaine tocou s\u00f3 e mal acompanhado&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>P\u00daBLICO SEGUNDA-FEIRA, 7 MAIO 1990 >> Cultura<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Verlaine tocou s\u00f3 e mal acompanhado<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nTOM VERLAINE tocou guitarra e cantou sozinho, s\u00e1bado \u00e0 noite, na sala, \u00e0 cunha, do Alvalade, em mais uma iniciativa integrada na Semana Acad\u00e9mica de Lisboa. Interpretou can\u00e7\u00f5es do recente \u00e1lbum \u201cThe Wonder\u201d. Os fan\u00e1ticos gostaram. Os outros exasperaram-se afirmando ter pago gato por lebre.<br \/>\n\tAlguns dias antes do concerto corria o boato de que John Cale, que recentemente tocou em Portugal, acompanhado apenas ao piano, ter-se-\u00e1 encontrado com Verlaine e dito qualquer coisa como: \u201cOs gajos (os portugueses) gostam de tudo. Levas s\u00f3 a guitarra, como eu fiz com o piano, que eles gostam na mesma\u201d. Dito e feito. Tom trouxe a guitarra. A segunda asser\u00e7\u00e3o de Cale \u00e9 que se mostrou menos correta. O p\u00fablico, na sua maioria, sentiu-se defraudado e protestou. A quase dois contos o bilhete deveria ter dado direito a mais. Pelo menos tr\u00eas ou quatro instrumentos a, v\u00e1 l\u00e1, 600 paus cada&#8230;<\/p>\n<p><strong>Viola do Saco<\/strong><\/p>\n<p>\tMas nem tudo foi mau nesta primeira presta\u00e7\u00e3o ao vivo no nosso pa\u00eds do antigo l\u00edder dos Television. O palco, s\u00f3bria e eficazmente iluminado, em tons de vermelho e roxo, decorado com algumas folhas de palmeira dando um toque de exotismo ao quadro, criava um ambiente misterioso e intimista. O som esteve perfeito, permitindo distinguir cada nota da guitarra e inflex\u00e3o da voz. Quem quis acompanhar as aventuras narradas nas letras das can\u00e7\u00f5es do rom\u00e2ntico Verlaine, n\u00e3o teve raz\u00f5es de queixa. At\u00e9 o que n\u00e3o foi dito se conseguia ouvir. O pior foi que, \u00e0 medida que o \u201cespet\u00e1culo\u201d ia decorrendo, a voz (excelente) de Verlaine e o som cristalino da guitarra ac\u00fastica, n\u00e3o se revelaram suficientes para o interesse da assist\u00eancia. As pessoas n\u00e3o estavam preparadas para ouvir hist\u00f3rias, contadas por um t\u00edmido trovador de guitarra em punho e pose distante. Depois do festival de som e carne de Kid Creole &#038; The Coconuts e do rock australiano dos The Church, o choque foi demasiado brutal.<\/p>\n<p><strong>Chachada<\/strong><\/p>\n<p>\tCome\u00e7aram os assobios e apupos e a debandada para o bar quando n\u00e3o o abandono puro e simples do recinto. A partir de certa altura, as can\u00e7\u00f5es passaram enfadonhamente a soar todas de modo semelhante, demonstrando que o formato de apresenta\u00e7\u00e3o escolhido n\u00e3o \u00e9 o mais aconselh\u00e1vel para este tipo de sala. A pr\u00f3pria voz de Verlaine, por muito boa que seja, tornou-se irritante, por for\u00e7a das mesmas inflex\u00f5es e do tom \u201csoft\u201d mantido durante todo o concerto, sendo \u00f3bvia a necessidade de um mais consistente apoio instrumental, \u00e0 semelhan\u00e7a ali\u00e1s do que acontece no disco. \u00c0 guitarra apeteceu met\u00ea-la no saco.<br \/>\n\t\u201cChachada\u201d, \u201cseca\u201d ou mesmo \u201co tipo merece levar uma li\u00e7\u00e3o\u201d foram algumas express\u00f5es escutadas durante deambula\u00e7\u00f5es pelo recinto, exprimindo os sentimentos mais profundos dos presentes, reveladores do desespero e, nalguns casos, \u00f3dio surdo, que lhes corro\u00eda a alma. Intimamente dei-lhes raz\u00e3o. N\u00e3o se faz uma maldade destas a quem esperava uma segunda vers\u00e3o dos Television ou uma reprodu\u00e7\u00e3o t\u00e3o fiel quanto poss\u00edvel da exuber\u00e2ncia de \u201cThe Wonder\u201d. Quem ficou a ganhar foi a organiza\u00e7\u00e3o que deve ter feito uns bons contitos \u00e0 custa da simplicidade de meios. Para um pr\u00f3ximo concerto sugere-se o \u201cplayback\u201d, sempre fica mais barato&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO SEGUNDA-FEIRA, 7 MAIO 1990 >> Cultura Verlaine tocou s\u00f3 e mal acompanhado TOM VERLAINE tocou guitarra e cantou sozinho, s\u00e1bado \u00e0 noite, na sala, \u00e0 cunha, do Alvalade, em mais uma iniciativa integrada na Semana Acad\u00e9mica de Lisboa. Interpretou can\u00e7\u00f5es do recente \u00e1lbum \u201cThe Wonder\u201d. Os fan\u00e1ticos gostaram. 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