{"id":9586,"date":"2022-04-04T11:41:35","date_gmt":"2022-04-04T18:41:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9586"},"modified":"2022-04-04T11:41:35","modified_gmt":"2022-04-04T18:41:35","slug":"varios-festival-de-bourges-ate-o-canario-canta-a-marselhesa-festivais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/04\/04\/varios-festival-de-bourges-ate-o-canario-canta-a-marselhesa-festivais\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;Festival de Bourges  &#8211; At\u00e9 O Can\u00e1rio Canta A &#8216;Marselhesa'&#8221; (festivais)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>P\u00daBLICO DOMINGO, 15 ABRIL 1990 >> Cultura<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Festival de Bourges<\/p>\n<p>At\u00e9 o can\u00e1rio canta a \u201cMarselhesa\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n\u00c1FRICA EL\u00c9TRICA, ciganos jugoslavos, trompas de ca\u00e7a, percussionistas embu\u00e7ados, rock texano, espanhol e portugu\u00eas, formaram um conjunto de concorrentes pouco habitual neste tipo de concursos. Sexta-feira Santa, dia 13, Ray Lema, Dadadang e os Brave Combo foram os tr\u00eas primeiros no p\u00f3dio de Printemps.<br \/>\n\tA chuva chegou a Bourges, mas a cidade aquece de entusiasmo. A m\u00fasica instalou-se definitivamente no seu quotidiano. Nas discotecas (poucas) praticamente s\u00f3 se vendem discos dos artistas do festival. N\u00e3o h\u00e1 loja que n\u00e3o ostente na montra qualquer refer\u00eancia ao acontecimento. \u00c9 tal a loucura pela m\u00fasica que at\u00e9 no \u201cbistrot\u201d onde almocei havia um p\u00e1ssaro que cantava a \u201cMarselhesa\u201d.<\/p>\n<p><strong>Lema de sucesso<\/strong><\/p>\n<p>\tDa programa\u00e7\u00e3o de sexta-feira constava uma esp\u00e9cie de mini-gala de m\u00fasicas do mundo. Ray Lema, chamado \u00e0 \u00faltima hora para substituir Kid Creole and the Coconuts, fez quest\u00e3o de presentear o numeroso p\u00fablico presente com um super concerto. Sete m\u00fasicos e duas bailarinas funcionaram sobre o palco com a precis\u00e3o e intensidade de uma m\u00e1quina perfeitamente afinada, fazendo uma demonstra\u00e7\u00e3o exemplar de como as sonoridades africanas se podem casar harmonicamente com as t\u00e9cnicas ocidentais. Foi uma hora de emo\u00e7\u00e3o e virtuosismo suportados por um espetacular jogo de luzes. O baterista e o percussionista ofereceram um b\u00f3nus suplementar, alinhando uma sequ\u00eancia de solos de cortar a respira\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tAinda as luzes n\u00e3o se tinham acendido e j\u00e1 a assist\u00eancia era surpreendida pela orquestra cigana jugoslava \u201cBesir\u201d, liderada por Jova Stojiljkovic, tocando e desfilando por v\u00e1rios pontos da sala at\u00e9 se ficar finalmente no meio da plateia. Um tambor, tr\u00eas trompetes e cinco trompas embrenharam-se por sons algures entre a Ar\u00e1bia e a t\u00edpica m\u00fasica eslava cigana.<\/p>\n<p><strong>Trompas e batuque<\/strong><\/p>\n<p>\tDepois dos Besir, trompas de ca\u00e7a soaram do alto de um andaime junto ao teto, sopradas por dez m\u00fasicos trajados a preceito. Frank Na dirigia as opera\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo que tamb\u00e9m soprava.<br \/>\n\tE de repente, o espanto com a entrada triunfal na sala das percuss\u00f5es apocal\u00edpticas dos italianos Dadadang. Vestidos de branco, envergando m\u00e1scaras antinucleares, encheram o Pal\u00e1cio dos Congressos com um rufar dos tambores assustador. Os Dadadang s\u00e3o o equivalente dos Urban Sax, com percuss\u00f5es em vez de saxofones. Os quinze m\u00fasicos que integram o coletivo evolu\u00edram igualmente ao longo de v\u00e1rios pontos do recinto, marchando em passo maquinal para um p\u00fablico completamente fascinado. O batuque urbano dos Dadadang ora amea\u00e7ava fazer desabar as estruturas do edif\u00edcio, ora se desdobrava em subtis polirritmias. Inesquec\u00edvel e emocionante a presen\u00e7a destas personagens, a um tempo hiper-reais e fantasm\u00e1ticas, tocaram uma pe\u00e7a banhados por luz negra, empunhando baquetas fluorescentes e movimentando-se ao ritmo das perturbadoras coreografias.<br \/>\n\tDepois de terem, na v\u00e9spera, inquietado os pacatos habitantes da cidade, estes humanoides da era nuclear bateram, desta feita ainda com mais for\u00e7a, na cabe\u00e7a do pessoal festivaleiro.<\/p>\n<p><strong>Salada de gringos<\/strong><\/p>\n<p>\tDepois dos tambores, uma curta interven\u00e7\u00e3o a solo de Pierre Bastien. De novo a trompa, agora acompanhada de percuss\u00f5es sint\u00e9ticas pr\u00e9-gravadas, num registo entre John Surman e Jon Hassell, fazendo a passagem para os texanos Brave Combo.<br \/>\n\tOs americanos entraram a matar para mais um excecional concerto. O conceito de Tex-Mex com que se auto-definem \u00e9 insuficiente para abarcar a diversidade de estilos de que se valem. Os Brave Combo tocam um rock h\u00edbrido, onde cabem sem esfor\u00e7o m\u00fasica \u00e1rabe, polcas, tangos, o \u201cDan\u00fabio Azul\u201d, Jim Morrison, Frank Sinatra, Mike Oldfield ou o gen\u00e9rico musical da \u201cMiss\u00e3o Imposs\u00edvel\u201d.<br \/>\n\tUtilizando uma instrumenta\u00e7\u00e3o variada com saxofone, clarinete, flauta, teclas, acorde\u00e3o e tuba, para al\u00e9m das guitarras e bateria, este gringos bem-humorados deram uma li\u00e7\u00e3o na arte de ser ecl\u00e9tico sem perder a identidade pr\u00f3pria. Bravo para os Brave Combo.<\/p>\n<p><strong>Lan\u00e7a em Fran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>\tNa sala do pavilh\u00e3o, uns metros mais acima, estava tudo preparado para uma noite de rock latino. Abriram os espanh\u00f3is La Busqueda. Rock com pouco \u201csalero\u201d e um trompetista procurando abrilhantar can\u00e7\u00f5es apenas competentes. Al\u00e9m disso, por melhor que seja a m\u00fasica, mal aparece uma voz a cantar em espanhol, fica logo o caldo entornado. Ser\u00e1 preconceito? Talvez seja, mas ap\u00f3s mais de cinco horas consecutivas de m\u00fasica, h\u00e1 a natural tend\u00eancia para se ficar um tudo nada mais suscet\u00edvel.<br \/>\n\tA banda seguinte chamava-se Xutos e Pontap\u00e9s e, segundo o programa, era portuguesa. Arrancaram cheios de garra, levando at\u00e9 ao fim um rock dur\u00edssimo, alt\u00edssimo e, por vezes, \u00e0 beira do \u201cfeed-back\u201d. O grupo apostou, mais do que nunca, na linha dura. A aposta, pelo menos aqui em Bourges, foi ganha. O p\u00fablico saltou e vibrou com os Xutos e, no final, pediu mais. Os franceses \u201cNoir D\u00e9sir\u201d cumpriram o seu papel fechando o espet\u00e1culo com um rock vulgar.<br \/>\n\tOs Xutos e Pontap\u00e9s deram, de tarde, no Pal\u00e1cio dos Congressos, uma confer\u00eancia de imprensa, em conjunto com os espanh\u00f3is \u201cLa Busqueda\u201d e os franceses \u201cNoir D\u00e9sir\u201d. O porta-voz foi Tim, respondendo \u00e0s perguntas e ao interesse pela banda manifestado pelos jornalistas presentes, na maioria espanh\u00f3is e franceses.<br \/>\n\tEntretanto, a Polygram Internacional parece empenhada em promover os Xutos no estrangeiro, come\u00e7ando pela Fran\u00e7a onde foi j\u00e1 editado na segunda-feira passada, com o selo Phonogram, o \u00e1lbum \u201c88\u201d, reintitulado \u201c90\u201d para o efeito.<br \/>\n\tDepois do Printemps de Bourges, a banda regressa a Portugal para apresentar, a 5 de maio, em Barcelos, o novo \u00e1lbum \u201cGritos Mudos\u201d. A 9 do mesmo m\u00eas est\u00e1 confirmada uma atua\u00e7\u00e3o na 1\u00aa Bienal Europeia de Rock, que ter\u00e1 lugar na cidade de Toulouse. Na revista \u201cActuel\u201d deste m\u00eas j\u00e1 saiu a not\u00edcia. A Fran\u00e7a \u00e9, decididamente, a segunda p\u00e1tria dos Xutos e Pontap\u00e9s.<br \/>\n\tA partir da meia noite come\u00e7ou a segunda jornada, dedicada ao cinema publicit\u00e1rio, prevendo-se a exibi\u00e7\u00e3o de cerca de 500 filmes, numa maratona que durou at\u00e9 de manh\u00e3, com pequeno-almo\u00e7o inclu\u00eddo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO DOMINGO, 15 ABRIL 1990 >> Cultura Festival de Bourges At\u00e9 o can\u00e1rio canta a \u201cMarselhesa\u201d \u00c1FRICA EL\u00c9TRICA, ciganos jugoslavos, trompas de ca\u00e7a, percussionistas embu\u00e7ados, rock texano, espanhol e portugu\u00eas, formaram um conjunto de concorrentes pouco habitual neste tipo de concursos. 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