{"id":9582,"date":"2022-04-02T08:04:42","date_gmt":"2022-04-02T15:04:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9582"},"modified":"2022-04-02T08:04:42","modified_gmt":"2022-04-02T15:04:42","slug":"varios-de-11-a-16-bourges-e-a-capital-francesa-do-espetaculo-riso-ritmo-e-ecletismo-festivais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/04\/02\/varios-de-11-a-16-bourges-e-a-capital-francesa-do-espetaculo-riso-ritmo-e-ecletismo-festivais\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;De 11 A 16, Bourges \u00c9 A Capital Francesa Do Espet\u00e1culo &#8211;  Riso, Ritmo E Ecletismo&#8221; (festivais)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO S\u00c1BADO, 14 ABRIL 1990 >> Cultura<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>De 11 a 16, Bourges \u00e9 a capital francesa do espet\u00e1culo<\/p>\n<p>Riso, ritmo e ecletismo<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Bourges est\u00e1 uma confus\u00e3o. Desde quarta-feira que as ruas da cidade foram invadidas pela fauna t\u00edpica destas ocasi\u00f5es. \u201cPunks\u201d, \u201chippies\u201d e exemplares menos catalog\u00e1veis enchem tudo o que \u00e9 s\u00edtio de cor, barulho e sabe-se l\u00e1 que mais. Se n\u00e3o fosse assim n\u00e3o era festival.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/bourges-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9583\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/bourges-300x192.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/bourges-768x490.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/bourges-624x398.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/bourges-100x64.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/bourges.jpg 791w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Na edi\u00e7\u00e3o deste ano do \u201cPrintemps de Bourges\u201d \u2013 a decorrer do dia 11 at\u00e9 dia 16 \u2013, os palcos foram estrategicamente espalhados por v\u00e1rios pontos da zona antiga da cidade, desde monumentos como o \u201cCastelo de \u00c1gua\u201d ou a pr\u00f3pria catedral, at\u00e9 recintos de constru\u00e7\u00e3o moderna como o novo Pal\u00e1cio dos Congressos. Existe ainda uma nova zona franca para o pessoal p\u00e9-descal\u00e7o, estilo Feira da Ladra ou Pra\u00e7a de Espanha,  cheia de tendinhas de comes e bebes e de fam\u00edlias inteiras andrajosas, com guitarras e criancinhas aos montes espalhadas pelo ch\u00e3o, como se Woodstock n\u00e3o tivesse acontecido j\u00e1 h\u00e1 mais de vinte anos. Numa tenda maior, como as de circo, fica a chamada \u201czona aberta\u201d, onde pode tocar quem quiser.<\/p>\n<p><strong>M\u00fasica a pique<\/strong><\/p>\n<p>\tDas atividades paralelas \u00e0 programa\u00e7\u00e3o normal, constava uma proposta inusitada, no \u201cCastelo de \u00c1gua\u201d, a meio da tarde. Na ocasi\u00e3o, o velho edif\u00edcio foi utilizado para um espet\u00e1culo em princ\u00edpio multim\u00e9dia, mas que afinal se ficou com unim\u00e9dia, girando \u00e0 volta do afundamento do Titanic. As velhas paredes de tijolo, forradas com fotografias \u201cpostal ilustrado\u201d de objetos recuperados do fat\u00eddico naufr\u00e1gio, mais uma estatueta e um sino de nevoeiro pertencentes ao pr\u00f3prio navio, eram os \u00fanicos adere\u00e7os existentes para al\u00e9m da m\u00fasica. Esta, claro, foi composta por Gavin Bryars na obra \u201cThe Sinking of the Titanic\u201d e, na ocasi\u00e3o, tocada pela \u201censemble\u201d de Bryars, nas caves do castelo.<br \/>\n\tO p\u00fablico vagueava l\u00e1 em cima, \u00e0s voltas, por entre as colunas e a humidade da constru\u00e7\u00e3o circular, recebendo o som atrav\u00e9s de altifalantes. A ideia era, \u00e0 partida, excelente, mas na pr\u00e1tica n\u00e3o resultou. O som era mau, e para al\u00e9m do ambiente evocativo do lugar, nada mais havia para fazer sen\u00e3o olhar para a cara do vizinho. Ningu\u00e9m protestou, pudera, a entrada era gr\u00e1tis.<\/p>\n<p><strong>\u201cRap\u201d, tira, p\u00f5e e deixa<\/strong><\/p>\n<p>\tA escolha seguinte era \u00f3bvia: \u201cTackhead\u201d e \u201cPublic Enemy\u201d no Pal\u00e1cio dos Congressos. Os primeiros celebraram durante cerca de vinte minutos, um ritual de ru\u00eddo, um \u201crap\u201d demon\u00edaco feito de pilhagens sonoras e \u201csamples\u201d desenfreados e neur\u00f3ticos, com o \u201cDeejay\u201d de servi\u00e7o operando prod\u00edgios de \u201cscratching\u201d na mesa do gira-discos, e dois dan\u00e7arinos espetaculares, acrob\u00e1ticos e perfeitamente sincronizados.<br \/>\n\tNo intervalo (que durou quase uma hora \u2013 ainda se queixam os portugueses) subiram ao palco, riram-se, mostraram-se, fotografaram a assist\u00eancia e deram aut\u00f3grafos. Os rapazes ainda s\u00e3o novos e v\u00ea-se que apreciam a fama. Sempre foram entretendo os presentes durante a espera.<br \/>\n\tFinalmente, os \u201cPublic Enemy\u201d dignaram-se subir ao palco para mais uma dose de \u201cRap\u201d bem aviada. O esquema era semelhante ao dos Tackhead: gira-discos, dois vocalistas e algumas figuras de cena. O p\u00fablico sabia ao que vinha e gostou.<\/p>\n<p><strong>Brincadeiras s\u00e9rias<\/strong><\/p>\n<p>\tO grupo Sttellla \u00e9 uma dupla indescrit\u00edvel. De um lado um indiv\u00edduo com cara de Wim Mertens, vestindo-se sucessivamente de leopardo, \u201cmarjorette\u201d ou simplesmente em cuecas, tocava guitarra e sintetizador, contando piadas realmente c\u00f3micas e com apartes perfeitamente hilariantes.<br \/>\n\tDo outro, a sua \u201cpartenaire\u201d, vestida como dona-de-casa, peruca aos carac\u00f3is com lacinho ao alto, malinha de m\u00e3o e sacos de pl\u00e1stico, cantava e dan\u00e7ava como uma dom\u00e9stica em dia de \u201cUm, Dois, Tr\u00eas\u2026\u201d.<br \/>\n\tA m\u00fasica \u00e9 um \u201ccocktail\u201d impens\u00e1vel onde se misturam, sem preocupa\u00e7\u00f5es de dec\u00eancia ou coer\u00eancia, os B-52\u2019s, minimalismo Suicide, Gianni Morandi e Madalena Igl\u00e9sias. Can\u00e7\u00f5es foleiras, tangos, experimentalismo a fingir e letras desopilantemente imbecis (\u201cAttention Odile aux Crocodiles dans le Nile\u201d) deliciaram a assist\u00eancia e, melhor ainda, fizeram-na rir.<br \/>\n\tNo Pavilh\u00e3o, podia verificar-se at\u00e9 que ponto a m\u00fasica do p\u00f3s-moderno Hector Zazou (autor de \u00e1lbuns fabulosos como \u201cReivax au Bongo\u201d, \u201cG\u00e9ographies e \u201cGeologies\u201d) resulta em palco. A nova banda de Zazou d\u00e1 pelo nome de \u201cLes Nouvelles Polyphonies Corses\u201d e \u00e9 constitu\u00edda por quatro instrumentistas, entre os quais o pr\u00f3prio Hector e um quarteto vocal misto.<br \/>\n\tA combina\u00e7\u00e3o de eletr\u00f3nica, sopros e percuss\u00f5es com as espantosas polifonias vocais, inspiradas no canto corso, criam uma atmosfera grandiosa, uma m\u00fasica inclassific\u00e1vel entre o romantismo, a tecnologia e a tradi\u00e7\u00e3o. De referir que uma das vocalistas \u00e9 Patrizia Poli, a tal rapariga com voz igual \u00e0 de Anamar.<br \/>\n\tQuinta-feira confirmou, pois, o ecletismo e pluralidade de propostas desta edi\u00e7\u00e3o de \u201cPrintemps\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO S\u00c1BADO, 14 ABRIL 1990 >> Cultura De 11 a 16, Bourges \u00e9 a capital francesa do espet\u00e1culo Riso, ritmo e ecletismo Bourges est\u00e1 uma confus\u00e3o. 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