{"id":9566,"date":"2022-03-27T13:05:55","date_gmt":"2022-03-27T20:05:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9566"},"modified":"2022-03-27T13:05:55","modified_gmt":"2022-03-27T20:05:55","slug":"fred-frith-fred-frith-guitarra-toca-baixinho-perfil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/03\/27\/fred-frith-fred-frith-guitarra-toca-baixinho-perfil\/","title":{"rendered":"Fred Frith &#8211; &#8220;Fred Frith: Guitarra Toca Baixinho&#8221; (perfil)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 4 ABRIL 1990 >> Cultura<\/p>\n<p><strong>Perfil<br \/>\n<center><br \/>\nFred Frith: guitarra toca baixinho<\/center><\/strong><\/p>\n<p><strong>Fa\u00e7a-se justi\u00e7a. Fred Frith \u00e9 uma figura t\u00e3o ou mais importante que John Zorn. Na passagem dos Naked City por Lisboa os holofotes incidiram sobretudo no saxofonista maluco. N\u00e3o que Frith se importasse muito, mas \u00e9 sempre bom repor a verdade dos factos.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/FredFrith-196x300.jpg\" alt=\"\" width=\"196\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9567\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/FredFrith-196x300.jpg 196w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/FredFrith-65x100.jpg 65w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/FredFrith.jpg 418w\" sizes=\"auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Na confer\u00eancia de imprensa realizada algumas horas antes do concerto dos Naked City, num bar l\u00e1 para os lados do Cais do Sodr\u00e9, Fred Frith fez as despesas da conversa. Mesmo quando as perguntas eram dirigidas a Zorn, este, numa atitude de muito respeitinho, remetia-as imediatamente para o companheiro, como quem diz: \u201cEle \u00e9 que sabe, \u00e9 ele quem l\u00ea os livros\u201d.<br \/>\n\tDurante o concerto foi engra\u00e7ado verificar o contraste de atitudes e posturas em palco dos diversos m\u00fasicos. Wayne Horvitz, compenetrado e sem tempo para carregar nos bot\u00f5es do sintetizador, Joey Baron, rindo como um pateta alegre, manifestava a grande alegria que sentia por tocar ao lado dos seus \u00eddolos. Quanto a Bill Frisell, sisudo e deslocado, n\u00e3o se percebia muito bem o que estava ali a fazer. John Zorn, em estado de constante frenesim, disparava a velocidades supers\u00f3nicas as suas micro-metragens sonoras.<\/p>\n<p><strong>Discurso do m\u00e9todo<\/strong><\/p>\n<p>\tNo meio de tudo isto, imp\u00e1vido e sereno, Fred Frith, sorriso nos l\u00e1bios, fazia deslizar suavemente os acordes do seu baixo por entre os estertores dos restantes m\u00fasicos. \u201c\u00c9 preciso que haja algu\u00e9m que se mantenha sereno para p\u00f4r as coisas em ordem\u201d, dizia-nos Frith, de regresso ao hotel.<br \/>\n\tLonge v\u00e3o os tempos em que o guitarrista e compositor de bandas como os Henry Cow, Art Bears ou Skeleton Crew, se divertia a atirar objetos para cima da guitarra: \u201cO humor est\u00e1 sempre presente na minha m\u00fasica. Por vezes o p\u00fablico n\u00e3o se apercebe do que acontece sobre o palco. As pessoas encaram os concertos com ideias pr\u00e9-concebidas. Uma piada ou um gesto mais teatral ajudam a descontra\u00ed-las. O dif\u00edcil \u00e9 mant\u00ea-las numa constante tens\u00e3o entre o relaxamento e a concentra\u00e7\u00e3o.\u201d Fred Frith n\u00e3o gosta que o considerem m\u00fasico de Jazz. Ali\u00e1s, n\u00e3o gosta que lhe chamem coisa nenhuma. Quando lhe perguntam se d\u00e1 mais import\u00e2ncia \u00e0 composi\u00e7\u00e3o ou \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o, responde que improvisar \u00e9 apenas uma maneira diferente de comp\u00f4r. \u201cS\u00f3 bastante tarde compreendi o verdadeiro sentido da improvisa\u00e7\u00e3o. Nos tempos dos Henry Cow, improvisava de acordo com esquemas previamente preparados. Muitas vezes a coisa n\u00e3o resultava. Finalmente atingi o ponto em que conseguia comp\u00f4r m\u00fasica no pr\u00f3prio instante em que tocava.\u201d<\/p>\n<p><strong>M\u00fasica planet\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>\tTem em comum com John Zorn, o gosto pela assimila\u00e7\u00e3o de todas as m\u00fasicas do planeta. Mas enquanto o saxofonista funciona em termos de an\u00e1lise, de separa\u00e7\u00e3o e colagem sucessiva de pe\u00e7as musicais aut\u00f3nomas, numa sequ\u00eancia alinhada segundo as regras da compress\u00e3o e velocidades m\u00e1ximas, Frith atua por s\u00ednteses. Em \u201cGravity\u201d, por exemplo, utilizou fitas pr\u00e9-gravadas com m\u00fasica \u00e9tnica de diversas origens, integrando-as e trabalhando-as com os instrumentos e t\u00e9cnicas de est\u00fadio. \u201cGravity\u201d e o \u00e1lbum seguinte, \u201cSpeechless\u201d, respetivamente de 80 e 81, foram apelidados por Frith de \u201cm\u00fasica de dan\u00e7a\u201d. N\u00e3o \u00e9 para se tomar \u00e0 letra, claro. Nestes discos Frith recorre a membros de bandas europeias importantes, como os suecos Samla Mammas Manna ou os franceses Etron Fou Leloublan. Embora residindo atualmente em Nova Iorque, nunca perdeu o contacto com a cena continental. \u201cA diferen\u00e7a fundamental entre os m\u00fasicos e bandas europeias e americanas, digamos mais vanguardistas, \u00e9 o facto dos primeiros partirem da tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, na linha da \u2018M\u00fasica progressiva\u2019 da d\u00e9cada de setenta. Na Am\u00e9rica h\u00e1 uma maior quantidade de novos m\u00fasicos e ideias, permitindo talvez uma maior diversidade. Curiosamente, por\u00e9m, s\u00e3o cada vez mais os m\u00fasicos norte-americanos e canadianos que recorrem a estrat\u00e9gias id\u00eanticas \u00e0s utilizadas do outro lado do Atl\u00e2ntico\u201d. De resto, h\u00e1 muito que Frith se relaciona com os m\u00fasicos canadianos, ligados \u00e0 seminal editora \u201cAmbiances Magn\u00e9tiques\u201d, onde pontificam os guitarristas Ren\u00e9 Lussier e Andr\u00e9 Duchesne, o saxofonista e flautista Jean Derome e o multi-instrumentista exc\u00eantrico Robert Lepage. Lussier e Derome que integram, ao lado de Frith, o baterista Charles Hayward e a harpista Zeena Parkins, o coletivo Keep the Dog.<\/p>\n<p><strong>Passos de perfei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\tA import\u00e2ncia e o ecletismo do m\u00fasico est\u00e3o bem patentes na s\u00e9rie de \u00e1lbuns fenomenais que foi assinando, ao longo de uma carreira iniciada com o long\u00ednquo \u201cThe Henry Cow Legend\u201d e cuja etapa a solo mais recente \u00e9 \u201cThe Top of his Head\u201d, gravado para o selo belga Made to Measure. Pelo meio ficam dezenas de participa\u00e7\u00f5es, como produtor ou m\u00fasico convidado, em discos de Brian Eno, Robert Wyatt, Golden Palominos, Residents, Negativland, Violent Femmes ou Swans. Gravou a solo ou acompanhado inspiradas brincadeiras como \u201cCheap at Half the Price\u201d e \u201cLive, Love, Larf and Loaf\u201d, este ao lado de John French, Henry Kaiser e Richard Thompson. A sua influ\u00eancia estende-se praticamente a todas as \u00e1reas, desde o Rock ao Jazz ou a aventuras menos facilmente catalog\u00e1veis. O bailado tamb\u00e9m n\u00e3o lhe escapou, ficando para a posteridade o duplo \u201cThe Technology of Tears\u201d, brilhante exerc\u00edcio de acopla\u00e7\u00e3o de todos os g\u00e9neros musicais dispon\u00edveis. \u201cThe Top of his Head\u201d, banda sonora de um filme de Peter Mettler, \u00e9 composto de pequenas pe\u00e7as, bizarras e ambientais, e uma can\u00e7\u00e3o escrita e interpretada pela nova estrela pop Jane Siberry. Fred Frith prepara atualmente um trabalho de colabora\u00e7\u00e3o com o baixista franc\u00eas Ferdinand Richard. Enquanto John Zorn tenta deseperadamente tocar uma vers\u00e3o completa da tetralogia de Wagner \u201cO Anel dos Nibelungos\u201d, com a dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas segundos, Frith prossegue placidamente o seu caminho para al\u00e9m da perfei\u00e7\u00e3o. Quando lhe perguntei, \u00e0 despedida, por que raz\u00e3o n\u00e3o integrava a banda de super guitarristas, Les Quatre Guitaristes de L\u2019Apocalypso-Bar, respondeu simplesmente: \u201cN\u00e3o precisavam de mim\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 4 ABRIL 1990 >> Cultura Perfil Fred Frith: guitarra toca baixinho Fa\u00e7a-se justi\u00e7a. Fred Frith \u00e9 uma figura t\u00e3o ou mais importante que John Zorn. Na passagem dos Naked City por Lisboa os holofotes incidiram sobretudo no saxofonista maluco. 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