{"id":9551,"date":"2022-03-18T05:48:47","date_gmt":"2022-03-18T12:48:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9551"},"modified":"2022-03-18T05:48:47","modified_gmt":"2022-03-18T12:48:47","slug":"john-zorn-john-zorn-hoje-em-lisboa-gosto-de-fado-blues-e-punk","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/03\/18\/john-zorn-john-zorn-hoje-em-lisboa-gosto-de-fado-blues-e-punk\/","title":{"rendered":"John Zorn &#8211; &#8220;John Zorn hoje em Lisboa: &#8216;Gosto de fado, blues e punk'&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>P\u00daBLICO SEXTA-FEIRA, 30 MAR\u00c7O 1990 >> Cultura<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>John Zorn hoje em Lisboa: \u201cGosto de fado, blues e punk\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>John Zorn e os Naked City d\u00e3o hoje \u00e0 noite no Forum Picoas, em Lisboa, um concerto \u00fanico. Os Naked City integram, al\u00e9m de Zorn, Fred Frith (baixo), Bill Frisell (guitarra), Wayne Horvitz (piano e eletr\u00f3nica) e Joey Baron, todos eles nomes importantes da m\u00fasica alternativa nova-iorquina. O P\u00daBLICO entrevistou Zorn para, entre outras coisas, o ouvir dizer que gosta de fado e punk em doses iguais.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/JZorn-246x300.jpg\" alt=\"\" width=\"246\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9552\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/JZorn-246x300.jpg 246w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/JZorn-82x100.jpg 82w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/JZorn.jpg 446w\" sizes=\"auto, (max-width: 246px) 100vw, 246px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><strong>P\u00daBLICO- Qual o papel desempenhado pela Knitting Factory, na divulga\u00e7\u00e3o da nova m\u00fasica americana?<\/strong><br \/>\n\tJohn Zorn- Ajudou uma s\u00e9rie de novos m\u00fasicos, dando-lhes uma oportunidade e um lugar onde pudessem tocar. N\u00e3o iria t\u00e3o longe, afirmando que foi importante para a m\u00fasica americana em geral, mas apenas para a cena musical nova-iorquina.<br \/>\n<strong>\tP.- Ser\u00e1 l\u00edcito considerar a sua m\u00fasica uma esp\u00e9cie de banda sonora da cidade de Nova Iorque, como que filtrando a sua atmosfera?<\/strong><br \/>\n\tR.- O cora\u00e7\u00e3o daquilo que fa\u00e7o localiza-se indubitavelmente em Nova Iorque.<br \/>\n<strong>\tP.- O que pensa do trabalho de John Lurie com os Lounge Lizards, tamb\u00e9m eles nomes emblem\u00e1ticos da m\u00fasica nova-iorquina?<\/strong><br \/>\n\tR.- Bem, sou amigo de John Lurie e gosto da sua m\u00fasica mas n\u00e3o me compete julgar o seu trabalho. Deixo isso aos cr\u00edticos.<br \/>\n<strong>\tP.- As gravuras que aparecem na capa do disco, especialmente as do CD s\u00e3o deveras doentias.<\/strong><br \/>\n\tR.- Sem d\u00favida. A editora quis proibi-las mas ameacei que a abandonaria caso isso acontecesse por isso acabaram por ceder.<br \/>\n<strong>\tP.- Sei que \u00e9 apreciador de filmes de terror. Estar\u00e1 a tentar criar como que uma m\u00fasica de terror?<\/strong><br \/>\n\tR. \u2013 De modo nenhum. O que acontece \u00e9 que procuro sempre relacionar as tem\u00e1ticas dos discos como todo o tipo de imagens a elas associadas. Foi ali\u00e1s o que fiz em \u00e1lbuns anteriores. \u201cThe Big Gundown\u201d, por exemplo trata de \u201cWesterns\u201d, da\u00ed a escolha do t\u00edtulo. \u201cSpillane\u201d narra a vida de um detetive e \u00e9 um detetive que aparece retratado na capa. Em \u201cNaked City\u201d procuro uma aproxima\u00e7\u00e3o ao \u201cFilme Negro\u201d atrav\u00e9s do \u201cHardcore\u201d e da \u201cThrash music\u201d. Qualquer destas refer\u00eancias est\u00e1 conotada com diversas formas de viol\u00eancia. A m\u00fasica, os t\u00edtulos das faixas e a capa refletem naturalmente essa mesma viol\u00eancia.<br \/>\n<strong>\tP.- O que significa o \u201cExtreme Noise Terror\u201d e \u201cThe Japanese-US-UK Hard Core Triangle\u201d mencionados na contracapa do disco?<\/strong><br \/>\n\tR.- Extreme Noise Terror \u00e9 apenas o nome de uma banda londrina. Quanto ao tal tri\u00e2ngulo penso que \u00e9 nestes tr\u00eas lugares que se produz atualmente a melhor m\u00fasica Punk \u201cHardcore\u201d.<br \/>\n<strong>\tP.- Por alturas de \u201cSpillane\u201d afirmava que \u201ca era do compositor considerado como uma entidade aut\u00f3noma tinha terminado\u201d. Pode especificar essa afirma\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\tR.- Estava errado! Disse isso h\u00e1 quatro anos atr\u00e1s e atualmente estou em completo desacordo. De resto estou sempre em desacordo comigo mesmo.<br \/>\n<strong>\tP.- Costuma utilizar na sua m\u00fasica linguagens como o Jazz tradicional, o \u201cFree Jazz\u201d ou os \u201cBlues\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\n\tR.- N\u00e3o me considero de modo algum um m\u00fasico de Jazz. Convir\u00e1 aqui esclarecer um ponto que julgo ser importante. Costumo ouvir toda a esp\u00e9cie de m\u00fasicas: Jazz, cl\u00e1ssica ou \u00e9tnica. Conhe\u00e7o e aprecio o Fado, tal como os \u201cBlues\u201d ou o Punk \u201cHardcore\u201d. Todos estes g\u00e9neros influenciam de algum modo a minha m\u00fasica. O que se passa \u00e9 que n\u00e3o consigo optar por qualquer deles em particular. Neste aspeto pode dizer-se que a minha m\u00fasica n\u00e3o tem ra\u00edzes espec\u00edficas, englobando-os a todos. Creio ser um caso \u00fanico e sem precedentes no s\u00e9c. XX.<br \/>\n<strong>\tP.- Como consegue juntar tantos nomes importantes como Frith, Lindsay, Marclay, Fier, Previte, Quine e por a\u00ed fora, num \u00fanico disco?<\/strong><br \/>\n\tR.- S\u00e3o todos meus amigos. A grava\u00e7\u00e3o de um disco \u00e9 sempre uma ocasi\u00e3o especial e tenho tido a sorte de conseguir interess\u00e1-los pelos meus projetos.<br \/>\n<strong>\tP.- Fred Frith, um dos maiores guitarristas atuais, como baixista, n\u00e3o deixa de ser estranho&#8230;<\/strong><br \/>\n\tR.- Precisava de um baixista e Frith, para al\u00e9m de grande amigo toca baixo excelentemente, imprimindo um cunho Rock \u00e0 nossa m\u00fasica. Com outro baixista haveria talvez a tenta\u00e7\u00e3o f\u00e1cil de desatarmos todos a tocar Jazz. Frith impede que tal aconte\u00e7a. Tamb\u00e9m consegue tocar bem e depressa os compassos e tempos esquisitos que costumo utilizar, sem nunca perder o balan\u00e7o r\u00edtmico, o que \u00e9 \u00f3timo para a coes\u00e3o da banda.<br \/>\n<strong>\tP.- A maior parte da sua obra consiste numa cont\u00ednua desconstru\u00e7\u00e3o\/reestrutura\u00e7\u00e3o das formas musicais tradicionais. Qual a finalidade deste processo?<\/strong><br \/>\n\tR.- Criar uma nova linguagem, um universo pr\u00f3prio. Agarrar em todas as minhas influ\u00eancias e trabalh\u00e1-las de um modo pessoal.<br \/>\n<strong>\tP.- Em que consiste esse trabalho?<\/strong><br \/>\n\tR.- Uso m\u00e9todos semelhantes \u00e0s t\u00e9cnicas de corte e colagem utilizadas por William Burroughs. Come\u00e7o por pegar numa determinada pe\u00e7a \u00e0 qual junto progressivamente outras, formando como que um \u201cpuzzle\u201d, com uma l\u00f3gica linear pr\u00f3pria.<br \/>\n<strong>\tP.- Um \u201cpuzzle\u201d complexo que os membros da banda tocam ao vivo&#8230;<\/strong><br \/>\n\tR.- Ainda ontem, numa sess\u00e3o de est\u00fadio, os Naked City tocaram uma nova composi\u00e7\u00e3o, \u201cPiece Bricks\u201d, na qual cada compasso corresponde a um diferente estilo de m\u00fasica. Um compasso de \u201cThrash\u201d, outro de \u201cCountry and Western\u201d, outro de \u201cRhythm\u2019n\u2019blues\u201d, Jazz, \u201cfusion\u201d, Funk, num total de 45 (!) g\u00e9neros diferentes, tocados no espa\u00e7o de UM minuto (!!!).<br \/>\n<strong>\tP.- Poder\u00e1 aplicar-se a designa\u00e7\u00e3o de \u201cMicrom\u00fasica de c\u00e2mara\u201d \u00e0 generalidade da sua obra?<\/strong><br \/>\n\tR.- O termo sugere-me Anton Webern. De qualquer modo n\u00e3o imagino a minha m\u00fasica tocada em \u201cc\u00e2maras\u201d&#8230;<br \/>\n<strong>\tP.- Qual ser\u00e1 a sua etapa derradeira? O sil\u00eancio ou o Caos?<\/strong><br \/>\n\tR.- A morte.<br \/>\n<strong>\tP.- Como situa o \u00e1lbum \u201cNaked City\u201d?<\/strong><br \/>\n\tR.- \u00c9 o culminar de tudo o que tenho feito at\u00e9 agora. Encaro cada disco como se fosse o \u00faltimo da minha vida. Agora que gravei \u201cNaked City\u201d, j\u00e1 posso morrer feliz. Digo sempre o mesmo em rela\u00e7\u00e3o a todos os meus discos. \u00c9 uma esp\u00e9cie de apoteose. Como se fosse o fim do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO SEXTA-FEIRA, 30 MAR\u00c7O 1990 >> Cultura John Zorn hoje em Lisboa: \u201cGosto de fado, blues e punk\u201d John Zorn e os Naked City d\u00e3o hoje \u00e0 noite no Forum Picoas, em Lisboa, um concerto \u00fanico. 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