{"id":9548,"date":"2022-03-17T09:57:27","date_gmt":"2022-03-17T16:57:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9548"},"modified":"2022-03-17T09:57:27","modified_gmt":"2022-03-17T16:57:27","slug":"varios-o-cinema-cosmico-cinema-a-videoteca-dossier-alemaes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/03\/17\/varios-o-cinema-cosmico-cinema-a-videoteca-dossier-alemaes\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;O Cinema C\u00f3smico&#8221; (cinema | a videoteca | dossier | alem\u00e3es)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 28 MAR\u00c7O 1990 >> Videodiscos >> Pop<br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>A VIDEOTECA<\/p>\n<p>O CINEMA C\u00d3SMICO<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>A alucina\u00e7\u00e3o e os sonhos, produzidos pela escola alem\u00e3 da Kosmische Musik, na transi\u00e7\u00e3o dos anos 60 para a d\u00e9cada seguinte, transformaram-se quase todos em doses sopor\u00edficas de pseudo-contempla\u00e7\u00e3o New Age. O LSD foi trocado pelo Valium, o c\u00e9rebro pelo umbigo, o sonho pelo sono. Alguns dos nomes importantes encontraram a porta de salva\u00e7\u00e3o no cinema. Os filmes interiores foram substitu\u00eddos pelos de celuloide. O Cosmos, al\u00e9m de tudo, tamb\u00e9m podia ser rent\u00e1vel.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cinemaCosmico-231x300.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9549\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cinemaCosmico-231x300.jpg 231w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cinemaCosmico-77x100.jpg 77w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cinemaCosmico.jpg 497w\" sizes=\"auto, (max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>O exemplo foi dado, desde logo, por dois dos \u201cprogenitores\u201d, oficialmente reconhecidos, do movimento, o m\u00edstico minimalista Terry Riley e os psicad\u00e9licos Pink Floyd. O primeiro comp\u00f4s m\u00fasica para o obscuro \u201cHappy Endings\u201d e \u201cNo Man\u2019s Land\u201d, de Alain Tanner, exemplo deplor\u00e1vel de minimalismo embonecado para turista ouvir. Quanto aos Floyd, tornaram-se famosas bandas sonoras como as de \u201cZabriskie Point\u201d, de Antonioni, ou \u201cLa Val\u00e9e\u201d, na mais pura veia \u201chippie\u201d. Os alem\u00e3es tomaram-lhe o gosto e, a partir do exemplo dos \u201cpaizinhos\u201d, foi um v\u00ea-se-te-avias. Dos que n\u00e3o perderam o tino, destacam-se tr\u00eas grandes bandas, todas elas ainda no ativo e a fazer das suas: Can, Tangerine Dream e Popol Vuh.<\/p>\n<p><strong>Filmes hipn\u00f3ticos<\/strong><\/p>\n<p>\tEnquanto a maioria das bandas planantes da \u00e9poca s\u00f3 tardiamente e na fase decadente se preocupou em fazer m\u00fasica para filmes, de acordo com o falso argumento de que \u00e9 mais f\u00e1cil compor por medida, os Can deram logo de in\u00edcio a entender que consideravam a m\u00fasica e o cinema insepar\u00e1veis. O \u00e1lbum de estreia, de 1970, intitula-se \u201cMonster Movie\u201d e, no mesmo ano, foi editado \u201cSoundtracks\u201d, que reunia temas de bandas sonoras como \u201cDeadlock\u201d, de Lamont Johnson, e \u201cDeep End\u201d, de Jerzy Skolimowski. \u201cMovies\u201d \u00e9 tamb\u00e9m o t\u00edtulo sintom\u00e1tico da obra-prima do baixista dos Holger Czukay. O longo tema \u201cHollywood Symphony\u201d merece ser apelidado de \u201cm\u00fasica imag\u00e9tica\u201d, a r\u00edtmica hipn\u00f3tica t\u00edpica dos Can, que sustenta uma sequ\u00eancia de colagens ac\u00fasticas, efetuadas como se de uma montagem cinematogr\u00e1fica se tratasse.<br \/>\n\tNo caso particular do teclista Irmin Schmidt, cuja fase inicial tem a designa\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de \u201cFilmmuzik\u201d, dividida por diversos volumes, \u00e9 j\u00e1 patente a total submiss\u00e3o da feitura musical aos imperativos do argumento. Os quatro volumes da s\u00e9rie valem essencialmente como demonstra\u00e7\u00e3o da faceta mais rom\u00e2ntica e pian\u00edstica de Schmidt, que parece ter seduzido cineastas como Hajo Gies (\u201cRuhe Sanft, Bruno\u201d), Klaus Emmerich (\u201cLeben Gundlings Friedrich Von Preussen Lessings Schlaf Traum Schrei\u201d \u2013 t\u00edtulo curto, este&#8230;), Reinhard Hauff (\u201cDer Mann Auf Der Mauer\u201d) ou Herbert Wolfertz (\u201cEs Ist Nicht Aller Tage Abend\u201d). Mais f\u00e1cil \u00e9 \u201cFlight to Berlin\u201d de Christopher Petit, o mesmo do \u201cCult Movie\u201d, \u201cRadio On\u201d, por sinal com m\u00fasica, via r\u00e1dio, dos Kraftwerk e de Robert Fripp. Os Can cumpriam assim a preceito a sua miss\u00e3o de cin\u00e9filos, compondo excelentes bandas sonoras para filmes talvez nem sempre \u00e0 sua altura.<\/p>\n<p><strong>Tangerinas de servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>\tOs Tangerine Dream, tal como o grego Vangelis, s\u00e3o s\u00f3cios vital\u00edcios do clube dos \u201ccompositores de m\u00fasica para filmes\u201d. Tr\u00eas em cada duas bandas sonoras trazem a sua assinatura. Os Dream, depois de um per\u00edodo \u00e1ureo, encerrado com os comp\u00eandios de m\u00fasica eletr\u00f3nica \u201cPhaedra\u201d e \u201cRubycon\u201d, passaram os \u00faltimos quinze anos entretidos com ninharias, decidindo a dada altura que o neg\u00f3cio das \u201cfitas\u201d era capaz de ser bem mais rent\u00e1vel que o das \u201cm\u00fasicas vanguardistas\u201d. Depois de \u201cThe Sorcerer\u201d, de William Friedkin, nunca mais pararam, tornando-se funcion\u00e1rios, em servi\u00e7o permanente, das reparti\u00e7\u00f5es da S\u00e9tima Arte.<br \/>\n\tA maioria dos filmes em que colaboraram s\u00e3o med\u00edocres e os seus realizadores ainda mais. Algu\u00e9m j\u00e1 ouviu falar de Mike Gray, William Tannen, Kathryn Bigelow (!) ou Phil Joanou (!!), todos realizadores encartados? Os Tangerine Dream j\u00e1 e \u00e9 deles a m\u00fasica dos filmes \u201cWavelength\u201d, \u201cFlashpoint\u201d, \u201cNear Dark\u201d e \u201cThree o\u2019clock High\u201d. Mais conhecidos s\u00e3o \u201cThief\u201d, de Michael Mann, \u201cFirestarter\u201d, de Frank Capra Jr., \u201cRisky Business\u201d, de Paul Brickman, e \u201cShy People\u201d, de Andrei Konchalovsky. Com os Tangerine Dream \u00e9 caso para dizer que os Cosmos inicial foi encolhendo at\u00e9 atingir as dimens\u00f5es de uma fita da s\u00e9rie Z.<\/p>\n<p><strong>O piano de Herzog<\/strong><\/p>\n<p>\tCom os Popol Vuh d\u00e1-se o inverso do vai-a-todas dos Tangerine Dream, tendo a banda do pianista Florian Fricke colaborado exclusivamente com o realizador Werner Herzog.<br \/>\n\tOs Popol Vuh come\u00e7aram por alinhar ao lado dos exploradores eletr\u00f3nicos, sendo Florian Fricke um dos pioneiros na utiliza\u00e7\u00e3o do sintetizador Moog, em discos como o cl\u00e1ssico \u201cIn Der Garten Pharaos\u201d. Cedo, por\u00e9m, Fricke enveredou por outras vias e trocou de vez a eletr\u00f3nica pelo piano e por sonoridades mais intimistas, dando voz \u00e0s suas preocupa\u00e7\u00f5es religiosas. O sil\u00eancio e o progressivo despojamento formal da m\u00fasica dos Popol Vuh, bem patentes em obras magn\u00edficas como \u201cHosianna Mantra\u201d, \u201cDas Hohelied Salomos\u201d ou os mais recentes \u201cTantric Songs\u201d e \u201cSpirit of Peace\u201d, s\u00f3 encontram paralelo na fase atual de Terry Riley (as mesmas conce\u00e7\u00f5es e id\u00eantica abordagem pian\u00edstica no duplo \u201cThe Harp of New Albion\u201d) e no m\u00fasico e te\u00f3rico alem\u00e3o Peter Michael Hamel.<br \/>\n\tA associa\u00e7\u00e3o com Herzog come\u00e7ou com \u201cAguirre\u201d e tem prosseguido com regularidade em obras como \u201cCoeur de Verre\u201d, \u201cNosferatu\u201d, \u201cFitzcarraldo\u201d e \u201cCobra Verde\u201d. Hoje, os nomes de Fricke e Herzog s\u00e3o por assim dizer insepar\u00e1veis, funcionando a m\u00fasica e as imagens como um todo, o que infelizmente, noutros casos, nem sempre acontece.<br \/>\n\tUma \u00faltima refer\u00eancia para um filme, sem di\u00e1logos, em que a m\u00fasica ocupa o lugar principal no desenvolvimento dram\u00e1tico. Trata-se de \u201cLe Berceau de Cristal\u201d, realizado por um senhor chamado Philippe Garrel, que afirma fazer filmes para n\u00e3o se suicidar. A m\u00fasica foi composta por Manuel Gottsching (outro nome importante da escola eletr\u00f3nica alem\u00e3) e tem como \u00fanica personagem a cantora Nico, deusa da Lua. Nico, que tamb\u00e9m comp\u00f4s m\u00fasica para um filme, \u201cLa Cicatrice Int\u00e9rieure\u201d; Nico morreu e poucos deram por isso. Em \u201cLe Berceau de Cristal\u201d a \u00fanica voz \u00e9 a da deusa, lendo um poema. O filme termina com o som de um disparo de pistola.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICO QUARTA-FEIRA, 28 MAR\u00c7O 1990 >> Videodiscos >> Pop A VIDEOTECA O CINEMA C\u00d3SMICO A alucina\u00e7\u00e3o e os sonhos, produzidos pela escola alem\u00e3 da Kosmische Musik, na transi\u00e7\u00e3o dos anos 60 para a d\u00e9cada seguinte, transformaram-se quase todos em doses sopor\u00edficas de pseudo-contempla\u00e7\u00e3o New Age. 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