{"id":9432,"date":"2022-01-18T08:09:15","date_gmt":"2022-01-18T15:09:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9432"},"modified":"2022-01-18T08:09:15","modified_gmt":"2022-01-18T15:09:15","slug":"rui-veloso-a-comissao-dos-descobrimentos-virou-nos-as-costas-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2022\/01\/18\/rui-veloso-a-comissao-dos-descobrimentos-virou-nos-as-costas-entrevista\/","title":{"rendered":"Rui Veloso &#8211; &#8220;A Comiss\u00e3o Dos Descobrimentos Virou-nos As Costas&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>pop rock >> quarta-feira, 15.12.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>\u201cA COMISS\u00c3O DOS DESCOBRIMENTOS VIROU-NOS AS COSTAS\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Com a publica\u00e7\u00e3o de \u201cFora de Moda\u201d e \u201cGuardador de Margens\u201d, fica a partir de agora dispon\u00edvel em compacto a discografia completa de Rui Veloso. Entre lamentos, receios e acusa\u00e7\u00f5es, o \u201cpai do rock portugu\u00eas\u201d pretende para j\u00e1 esquecer o \u201cAuto da Pimenta\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ruiVeloso-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9433\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ruiVeloso-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ruiVeloso-67x100.jpg 67w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ruiVeloso.jpg 506w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Da nossa entrevista com Rui Veloso ressalta a ideia de que o m\u00fasico portuense n\u00e3o conseguiu at\u00e9 agora a ssumir o controlo da sua obra e do seu pr\u00f3prio destino como artista. Insatisfeito por natureza, continua \u00e0 procura do som e das condi\u00e7\u00f5es ideais.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 O que o levou a remisturar os temas \u201cFora de Moda\u201d e \u201cGuardador de Margens\u201d?<\/strong><br \/>\nRUI VELOSO \u2013 Estes discos tiveram uma grava\u00e7\u00e3o muito confusa. Havia pianos em mono, muito amadorismo, ningu\u00e9m percebeu muito bem o que se estava a fazer. Sempre fui um bocado cobaia dos t\u00e9cnicos novos. E foi numa altura em que andava mal comigo mesmo. Uma balda.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Nunca conseguiu ter um m\u00ednimo de controlo?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Nem pensar. A \u00fanica vez em que julguei que isso era poss\u00edvel foi quando fui misturar o \u201cMaubere\u201d a Miami, com o Nuno Bettencourt e os gajos dos Extreme.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u00c9 uma cr\u00edtica subtil aos profissionais de est\u00fadio portugueses?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o \u00e9 subtil, \u00e9 directa.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Onde \u00e9 que eles falham?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Na experi\u00eancia, no conhecimento, na humildade, na vontade de querer saber mais. Normalmente, os t\u00e9cnicos de c\u00e1, os engenheiros, querem logo ser produtores, armados em vedetas\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 N\u00e3o deixa de ser estrangu\u00e9m com o seu estatuto n\u00e3o consiga impor condi\u00e7\u00f5es\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Deixo-me convencer. Por exemplo: o som de \u201cMingos e os Samurais\u201d e do \u201cAuto da Pimenta\u201d \u00e9 demasiado \u201csoft\u201d. N\u00e3o queria que fosse assim. Preferia um som mais duro, emq eu a bateria soasse de facto como uma bateria e n\u00e3o como uma coisinha qualquer que estivesse para ali. O \u201cMingos e os Samurais\u201d foi gravado em condi\u00e7\u00f5es inenarr\u00e1veis, um dos canais da mesa (ou os dois) s\u00f3 funcionava \u00e0 murra\u00e7a [risos]. Ca\u00eda p\u00f3 l\u00e1 para dentro \u2013 uma vez o pessoal enrolou umas \u201cjoanas\u201d e no fim os gajos da limpeza, ao verem as sementes de erva, diziam que aquilo at\u00e9 alpista tinha l\u00e1 dentro.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Em que ponto se encontra o seu diferendo com o Carlos T\u00ea?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Ele \u00e9 capaz de ter tido alguma raz\u00e3o em coisas como as minhas liga\u00e7\u00f5es, entre aspas, pol\u00edticas, que foram muito empoladas, os espect\u00e1culos que fiz patra o PSD. Muita gente fez disso cavalo-de-batalha. O Carlos tamb\u00e9m n\u00e3o concordou.<br \/>\nDepois, a minha vida era um bocado nocturna e bo\u00e9mia de mais e ele j\u00e1 n\u00e3o era um tipo mais certinho do que eu. Eu gostava era de beber uns copos\u2026 \u00c9 a vida, um gajo anda sozinho e\u2026 \u00e9 a borga! Entretanto, casei e deixei-me de bo\u00e9mias.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Gravou de seguida dois \u00e1lbuns duplos, \u201cMingos e os Samurais\u201d e \u201cAuto da Pimenta\u201d\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Dois duplos seguidos foi de loucura, uma coisa que n\u00e3o se deve fazer, anticomercial.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Ent\u00e3o porque raz\u00e3o aceitou fazer o \u201cAuto da Pimenta\u201d? Por dinheiro?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Qual dinheiro? Fizemos esse disco porque eu e o T\u00ea ach\u00e1mos a ideia interessante e porque nos prometeram que ir\u00edamos fazer espect\u00e1culos com ele nas capitais de distrito e outro em Sevilha, com uma encena\u00e7\u00e3o engra\u00e7ada\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 O que n\u00e3o chegou a acontecer\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Claro que n\u00e3o, porque a Comiss\u00e3o dos Descobrimentos virou-nos completamente as costas. At\u00e9 uma certa altura, diziam que o disco era o m\u00e1ximo e de repente deixaram-nos cair. Uma coisa indecente, at\u00e9 porque tencion\u00e1vamos tocar na mesma o \u201cAuto da Pimenta\u201d, mas aproveitando o esteio do \u201cMingos e os Samurais\u201d, que na altura estava mais do que vivo, com espect\u00e1culos para oito, dez, 15 mil pessoas. Fui obrigado a interromper esses concertos, para os quais, na \u00e9poca, havia j\u00e1 qualquer coisa como cem pedidos.<br \/>\nEconomicamente, foi um desastre. Ganh\u00e1mos 1500 contos com a porcaria do \u201cAuto da Pimenta\u201d. O pessoal julga que ganh\u00e1mos um bal\u00fardio. Mentira!<br \/>\n<strong>P. \u2013 Porque raz\u00e3o a Comiss\u00e3o dos Descobrimentos \u201cdeixou cair\u201d o \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o fa\u00e7o a m\u00ednima ideia. Disseram que gostaram e que iam comprar e oferecer n\u00e3o sei quantos discos, mas foi tudo ao contr\u00e1rio. A editora parece que tamb\u00e9m se desinteressou um bocado do disco. N\u00e3o sei. Houve um epis\u00f3dio que mostra bem como pensam algumas pessoas da Comiss\u00e3o. Na ocasi\u00e3o de uma entrega oficial de um pr\u00e9mio qualquer a um artista africano, com a presen\u00e7a de ministros, tudo muito solene, o Vasco Gra\u00e7a Moura veio ter comigo para me perguntar se eu n\u00e3o me importava de ficar de p\u00e9 \u2013 porque era capaz de ter piada -, num dos lados do corredor a tocar guitarra, quando a comitiva passasse! Fiquei hirto, n\u00e3o queria acreditar. S\u00f3 faltava a caixa das esmolas\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Ainda est\u00e1 a recuperar do choque?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Ainda estou mais do que a recuperar, porque paguei do meu bolso os ensaios de sete m\u00fasicos e depois acabou por n\u00e3o se fazer o espect\u00e1culo. O \u00fanico que fiz foi o de Sevilha no qual a Comiss\u00e3o dos Descobrimentos andou a dizer com uma grande lata que eu ia apresentar exclusivamente o \u201cAuto da Pimenta\u201d. Toquei o que me apeteceu, at\u00e9 um \u201cblues\u201d. Cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que era imposs\u00edvel levar o \u201cAuto da Pimenta\u201d para a estrada. N\u00e3o tinha dinheiro para o fazer.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Tudo isso deveria ter sido negociado antes?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o ficou nada escrito. A Comiss\u00e3o chegou a ter ideias megal\u00f3manas para o espect\u00e1culo de Sevilha, coisas malucas, e eu preferia uma coisa mais simples. E agora tenho um problema entre m\u00e3os: \u00e9 que os estrangeiros gostam do \u201cAuto da Pimenta\u201d, os belgas, sui\u00e7os, holandeses, dinamarqueses, at\u00e9 os islandeses\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como \u00e9 que o disco chegou l\u00e1?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Foi editado em Fran\u00e7a, saiu tamb\u00e9m na Sui\u00e7a. Na Sui\u00e7a, mostraram aos holandeses\u2026 Neste momento \u00e9 um problema, porque h\u00e1 uma crise ineg\u00e1vel e isso reflecte-se na falta de trabalho.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Isso significa que t\u00e3o cedo n\u00e3o se vai livrar do \u201cAuto da Pimenta\u201d?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Mais frustrado fiquei porque uma das minhas ideias era fazer o \u201cAuto da Pimenta\u201d ao vivo, mas como deve ser, e n\u00e3o o consegui. Neste momento n\u00e3o sei\u2026 acho que vou apenas tirar algumas m\u00fasicas. N\u00e3o gostaria que a Comiss\u00e3o dos Descobrimentos viesse agora a beneficiar de uma coisa pelual n\u00e3o fez nada, a n\u00e3o ser pura e simplesmente gastar dinheiro, n\u00e3o sei bem em qu\u00ea.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vendas do disco no estrangeiro, n\u00e3o se interessa em saber pormenores? N\u00e3o pode perguntar \u00e0 editora?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Interessa-me, preocupo-me, e at\u00e9 estou um bocado assustado, mas esque\u00e7o-me de perguntar\u2026<br \/>\n<strong>P. Est\u00e1 arrependido de ter gravado o \u201cAuto da Pimenta\u201d?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Se soubesse ent\u00e3o o que sei hoje, nunca o teria gravado naquela altura [1991]. A Comiss\u00e3o indicou-me um prazo para tocar em Sevilha e para acabar o disco, para o promover e tal. Tudo mentira. Na volta, agora \u00e9 que devia estar a fazer o \u201cAuto da Pimenta\u201d, se calhar at\u00e9 com o Davy Spillane. Sempre tive a mania das \u201cuillean pipes\u201d, mas ele pediu 1500 contos s\u00f3 para tocar numa m\u00fasica\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Em definitivo, n\u00e3o quer ser uma estrela do \u201crock and rol\u201d?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 uma quest\u00e3o insuport\u00e1vel. Prefiro contactar com as pessoas individualmente, beber uns copos com elas. Tenho avers\u00e3o aos est\u00e1dios, \u00e9 uma coisa impessoal, n\u00e3o se v\u00ea ningu\u00e9m. J\u00e1 recebi convites para o fazer e n\u00e3o aceitei. E dava-me um bal\u00fardio de dinheiro.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Se pudesse viver doutra maneira, deixava a m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Gostava \u2013 se conseguisse assumir outra postura \u2013 de ser arquitecto, uma coisa que tivesse a ver com expressar algo que vai c\u00e1 dentro, as confus\u00f5es que v\u00e3o na cabe\u00e7a.<br \/>\n<strong>P. \u2013 A m\u00fasica n\u00e3o d\u00e1 para fazer isso?<\/strong><br \/>\nR. \u2013D\u00e1, \u00e0s vezes. Mas noutras ando tr\u00eas ou quatro meses sem conseguir fazer nada. \u00c9 uma grande chatice. Tenho a sensa\u00e7\u00e3o que se apagou a luz. Depois consigo. \u00c9 aquilo do \u201cyin\u201d e do \u201cyang\u201d, o negativo e o positivo.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Em que fase se encontra neste momento?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Em baixo. Ando um bocado angustiado. N\u00e3o trabalho em continuidade h\u00e1 muito tempo, n\u00e3o tenho feito m\u00fasicas. Tamb\u00e9m ando assim por ver aquelas imagens na televis\u00e3o, a mis\u00e9ria dos outros, pela qual \u00e9 preciso fazer qualquer coisa. \u00c0s vezes angustio-me por nada.<br \/>\n<strong>P. \u2013 De todas as suas can\u00e7\u00f5es, qual \u00e9 a sua preferida?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u201cN\u00e3o h\u00e1 estrelas no c\u00e9u\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira, 15.12.1993 \u201cA COMISS\u00c3O DOS DESCOBRIMENTOS VIROU-NOS AS COSTAS\u201d Com a publica\u00e7\u00e3o de \u201cFora de Moda\u201d e \u201cGuardador de Margens\u201d, fica a partir de agora dispon\u00edvel em compacto a discografia completa de Rui Veloso. Entre lamentos, receios e acusa\u00e7\u00f5es, o \u201cpai do rock portugu\u00eas\u201d pretende para j\u00e1 esquecer o \u201cAuto da Pimenta\u201d. 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