{"id":9324,"date":"2021-12-07T10:15:50","date_gmt":"2021-12-07T17:15:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9324"},"modified":"2021-12-07T10:15:50","modified_gmt":"2021-12-07T17:15:50","slug":"wim-mertens-wim-mertens-em-lisboa-brancura-wim-concerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2021\/12\/07\/wim-mertens-wim-mertens-em-lisboa-brancura-wim-concerto\/","title":{"rendered":"Wim Mertens &#8211; &#8220;Wim Mertens Em Lisboa &#8211; Brancura Wim&#8221; (concerto)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> domingo, 31.10.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Wim Mertens Em Lisboa<br \/>\nBrancura Wim<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nOS PASSARINHOS, t\u00e3o pequenos, fazem os ninhos com mil cuidados, j\u00e1 dizia o poeta. Wim Mertens, qual ave canora de penugem delicada, fez o seu ninho nos nossos cora\u00e7\u00f5es. E p\u00f4s l\u00e1 dentro ovinhos brancos, com melodias l\u00e1 dentro, t\u00e3o brancas como os ovos, t\u00e3o fr\u00e1geis como a voz do cantor. Foi um concerto mimoso, o de Wim Mertens na noite de sexta-feira \u2013 repetiu no s\u00e1bado -, no Teatro S. Luiz, em Lisboa.<br \/>\nSentado ao piano, o p\u00e9 esquerdo pendurado num balan\u00e7o constante para a frente e para tr\u00e1s a marcar o ritmo dos sentimentos, o compositor belga que os deuses acolheram no seu rega\u00e7o (di-lo ele pr\u00f3prio, por outras palavras) e que um dia escreveu \u201cminimalismo\u201d em europeu, deslizou pela parte mais rom\u00e2ntica e instrospectiva do seu report\u00f3rio, cativando os presentes (muitos, deram para quase encher a sala) com formosas melodias, muito do agrado de todos.<br \/>\nA voz fez-se notar sobremaneira. Aquela voz lisa, branca, macia e aguda que parece sair de um disco de 33 rota\u00e7\u00f5es tocado a 45. Uma esp\u00e9cie j\u00e1 n\u00e3o de \u201cbel canto\u201d mas de \u201cgel canto\u201d, tal \u00e9 o brilho e a lisura. Diga-se que Wim Mertens n\u00e3o se fez rogado, usando com parcim\u00f3nia os cord\u00e9is vocais que Deus lhe deu. Para nossa alegria e, passados alguns minutos, nosso constrangimento.<br \/>\nClaro que existe uma complexidade quase indecifr\u00e1vel neste canto dos anjos, n\u00e3o fazendo sequer sentido referir que, na apar\u00eancia, a voz se limitou a uma pontua\u00e7\u00e3o timidamente contrapont\u00edstica do fraseado do piano, o qual, por seu lado, se refugiou, com uma regularidade metron\u00f3mica, na sobreposi\u00e7\u00e3o de \u201cclusters\u201d, que esbo\u00e7avam, mais do que desenhavam a tra\u00e7o firme, o esqueleto mel\u00f3dico dos temas.<br \/>\nAos poucos, e nos melhores momentos (aqueles, poucos, em que Mertens dispensou os floreados da voz), instalou-se na sala um ambiente de melancolia que, nas notas mais h\u00famidas (e j\u00e1 agora, mais humildes, como aconteceu em \u201cHumility\u201d, do \u00e1lbum \u201cAfter Virtue\u201d) e nevoentas, evocou os universos on\u00edricos de dois outros artistas belgas contempor\u00e2neos: Jean Ray, com a tristeza amea\u00e7adora dos portos, casas e \u00e1guas-furtadas pardacentas que matizam os seus contos (reunidos nas duas \u00fanicas e bizarras antologias do autor: \u201cAs 25 Melhores Hist\u00f3rias Negras e Fant\u00e1sticas\u201d, ed. Arc\u00e1dia, e \u201cBesti\u00e1rio Fant\u00e1stico\u201d, ed. Morais); e Harry Kumel, cineasta de cuja imagina\u00e7\u00e3o doentia brotou essa obra-prima do cinema fant\u00e1stico chamada \u201cMalpertuis\u201d, baseada n\u00e3o por coincid\u00eancia, num romance de Jean Ray.<br \/>\nO pior \u00e9 que mal Wim Mertens voltava a abrir a boca o sortil\u00e9gio quebrava-se. N\u00e3o causou assim espanto que, a meio do concerto, j\u00e1 o \u201chall\u201d e o bar do S. Luiz se encontrassem pejados de gente, mais interessada em beber um copo do que em adormecer no embalo das vocaliza\u00e7\u00f5es. Coisa aborrecida para algu\u00e9m t\u00e3o importante como Mertens que um dia comp\u00f4s o excelente \u201cMaximizing the Audience\u201d\u2026<br \/>\nDepois de o ouvirmos agora, e a tanta do\u00e7ura e brancura, apetece ir a correr para casa ouvir os discos de Tom Waits. Ou ver \u201cGarganta Funda\u201d\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> domingo, 31.10.1993 Wim Mertens Em Lisboa Brancura Wim OS PASSARINHOS, t\u00e3o pequenos, fazem os ninhos com mil cuidados, j\u00e1 dizia o poeta. Wim Mertens, qual ave canora de penugem delicada, fez o seu ninho nos nossos cora\u00e7\u00f5es. 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