{"id":9278,"date":"2021-11-09T08:25:07","date_gmt":"2021-11-09T15:25:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9278"},"modified":"2021-11-09T08:25:07","modified_gmt":"2021-11-09T15:25:07","slug":"riccardo-tesi-tocava-musica-etrusca-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2021\/11\/09\/riccardo-tesi-tocava-musica-etrusca-entrevista\/","title":{"rendered":"Riccardo Tesi &#8211; &#8220;Tocava M\u00fasica Etrusca!&#8230;&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>pop rock >> quarta-feira, 06.10.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>\u201cTOCAVA M\u00daSICA ETRUSCA!&#8230;\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>\u00c9 um dos grandes int\u00e9rpretes de acorde\u00e3o diat\u00f3nico da actualidade. Da Tosc\u00e2nia aberta \u00c0 influ\u00eancia dos sons do resto do mundo. \u201cIl Ballo della Lepre\u201d e \u201cV\u00e9randa\u201d d\u00e3o uma ideia at\u00e9 onde pode ir o acorde\u00e3o de Riccardo Tesi. O novo projecto, com John Kirkpatrick e Kepa Junkera, vai ainda mais al\u00e9m. Chama-se \u201cTrans Europe Diatonique\u201d e est\u00e1 a\u00ed a rebentar.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=9279\" rel=\"attachment wp-att-9279\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/riccardoTesi.jpg\" alt=\"\" width=\"614\" height=\"465\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9279\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/riccardoTesi.jpg 614w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/riccardoTesi-300x227.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/riccardoTesi-100x76.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Riccardo Tesi actuou recentemente em Portugal, numa digress\u00e3o pelo Alentejo integrada no festival \u201cSete S\u00f3is, Sete Luas\u201d. O P\u00daBLICO falou com ele em Montemo-o-Novo. De m\u00fasica italiana, de m\u00fasica do mundo. E, claro, do acorde\u00e3o.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 Nos seus discos utiliza instrumentos pouco usuais na m\u00fasica de raiz tradicional, como o vibrafone ou os metais\u2026<\/strong><br \/>\nRICCARDO TESI \u2013 Perten\u00e7o ao meio da m\u00fasica tradicional, porque tocava num grupo de m\u00fasica tradicional, com um instrumento tradicional, o acorde\u00e3o diat\u00f3nico, mas, de facto, hoje em dia n\u00e3o toco m\u00fasica tradicional. Toco a minha m\u00fasica, que reflecte todas as influ\u00eancias que me interessam. Claro que existe uma base muito forte de m\u00fasica tradicional, mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma influ\u00eancia do jazz. Em simult\u00e2neo h\u00e1 a can\u00e7\u00e3o e tudo o que me toca a n\u00edvel musical num sentido muitolato, do cl\u00e1ssico ao jazz, ao rock\u2026 por que n\u00e3o?<br \/>\n<strong>P. \u2013 A express\u00e3o \u201cworld music\u201d aplica-se \u00e0 sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Sim, antes havia \u201cfolk\u201d, \u201cnew age\u201d, \u201cnouvelle musique acoustique\u201d, etc. Tudo termos que t\u00eam como fun\u00e7\u00e3o vender a m\u00fasica e como tal s\u00e3o bem-vindos, porque n\u00f3s temos necessidade de vender a nossa m\u00fasica. Como o p\u00fablico n\u00e3o tem uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, precisa desses \u201cr\u00f3tulos\u201d\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Mas a sua m\u00fasica tem uma identifica\u00e7\u00e3o muito forte com a It\u00e1lia, presente nos \u201csaltarelos\u201d e \u201cTarantellas\u201d. Como se processa a articula\u00e7\u00e3o entre essas duas facetas?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 O meu objectivo \u00e9 fazer uma m\u00fasica um pouco como no caminho que Bela Bartok percorreu na m\u00fasica cl\u00e1ssica, que j\u00e1 n\u00e3o seja tradicional mas que mantenha ra\u00edzes italianas. N\u00e3o me interessa fazer m\u00fasica c\u00e9ltica. Gosto muito de a ouvir, mas n\u00e3o \u00e9 a minha m\u00fasica. Desenvolvi as minhas ra\u00edzes, procurei-as na minha terra, \u00e9 isso que \u00e9 importante\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 No estrangeiro fala-se precisamente da m\u00fasica de Piemonte, regi\u00e3o c\u00e9ltica de It\u00e1lia, e de grupos como Ciapa Rusa e Baraban. Por que rz\u00e3o a m\u00fasica do Centro e do Sul est\u00e1 menos divulgada?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Isso foi outro \u201cr\u00f3tulo\u201d\u2026 teve um significado comercial. Utilizou-se, num determinado momento, o termo \u201cc\u00e9ltica\u201d para definir a m\u00fasica do Norte de It\u00e1lia. \u00c9 verdade que essa m\u00fasica sofreu influ\u00eancias c\u00e9lticas. Eu, por vezes, na provoca\u00e7\u00e3o, dizia que tocava m\u00fasica etrusca, porque na minha terra estiveram os etruscos!&#8230; Quando se fala de m\u00fasica tradicional italiana, existe uma grande clivagem, universos muito diferentes: h\u00e1 a m\u00fasica do Norte e do Centro-Norte da It\u00e1lia, que \u00e9 uma m\u00fasica que possui regras ao estilo europeu \u2013 tem\u00e1tica; no Centro, onde vivo, existe uma regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o e no Sul, na Sardenha, temos uma m\u00fasica de tipo mediterr\u00e2nico, muito livre, sem estar subordinada a um tema, como a \u201ctarantela\u201d, que nunca acaba da mesma maneira e integra muita improvisa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>P. \u2013 A ideia de universalidade, est\u00e1 presente num \u00e1lbum como \u201cTrans Europe Diatonique\u201d [ver caixa]\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Por um lado, procurei sempre as ra\u00edzes italianas, por outro evitei sempre, consciente ou inconscientmenete, fechar-me num estilo. Uma coisa muito importante para mim \u00e9 o encontro. A prova \u00e9 que comecei com m\u00fasicos da minha terra, a Tosc\u00e2nia; logo a seguir criei o grupo Ritmia com m\u00fasicos sardenhos; depois gravei um disco intitulado \u201cAnita, Anita\u201d, com m\u00fasicos occitanos, produzido pelos Ciapa Rusa. Fiz \u201cV\u00e9randa\u201d, com um bandolinista franc\u00eas [Patrick Vaillant]\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como conheceu John Kirkpatrick, outro dos \u201cgrandes\u201d do acorde\u00e3o diat\u00f3nico, que faz parte consigo do projecto Trans Europe Diatonique?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Foi o meu mestre. Quando comecei a tocar j\u00e1 tinha todos os seus discos. Quando veio a minha casa pela primeira vez, senti uma grande emo\u00e7\u00e3o! Um dia, em It\u00e1lia, propuseram-me organizar um espect\u00e1culo s\u00f3 de acorde\u00e3o e perguntaram-me quem \u00e9 que eu escolhia. Respondi: John Kickpatrick. O espect\u00e1culo correu t\u00e3o bem que pens\u00e1mos em formar um trio para tocarmos juntos. Primeiro com Marc Perrone, que viria a ser substitu\u00eddo por Kepa Junjera, que, ao n\u00edvel t\u00e9cnico, considero ser o melhor do mundo.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O entendimento musical entre os tr\u00eas \u00e9 perfeito\u2026<\/strong><br \/>\nR. &#8211; \u2026 Apesar de tocarmos todos instrumentos muito semelhantes, cada um tem uma forma t\u00e3o pessoal de o fazer que \u00e9 poss\u00edvel identifica-la. Trabalh\u00e1mos juntos nas m\u00fasicas e \u00e9 isso que me interessa, o encontro. Dentro deste mesmo esp\u00edrito, montei tamb\u00e9m um espect\u00e1culo com um tocador de \u201cvaliha\u201d \u2013 uma esp\u00e9cie de harpa feita de bambu e cordas. Simultaneamente, resultado de uma necessidade de regressar \u00e0s origens, formei um trio com Ettore Bonnaf\u00e9, que toca jazz em Floren\u00e7a, e Maurizio Geri, guitarrista com um percurso semelhante ao meu, entre a m\u00fasica tradicional e o jazz. Funcionamos tamb\u00e9m em sexteto, com mais instrumentistas, e neste caso o grupo chama-se Banditaliana \u2013 designa\u00e7\u00e3o para banda italiana mas tamb\u00e9m para \u201cbandido\u201d [em franc\u00eas, \u201cbandit\u201d]!<br \/>\n<strong>P. \u2013 Houve um tempo para o renascimento da harpa, da gaita-de-foles, da sanfona\u2026 Chegou a vez do acorde\u00e3o?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Eu e Roberto Tombesi, dos Calicanto, acab\u00e1mos de publicar um livro [L\u2019organetto diat\u00f3nico\u201d, ed. Berben] sobre o acorde\u00e3o diat\u00f3nico. Fizemos o livro de forma pedag\u00f3gica, com pautas escritas de forma leg\u00edvel para as pessoas que n\u00e3o sabem m\u00fasica e uma cassete onde participam, al\u00e9m de mim, o Beppe Greppe [Ciapa Rusa], Vincenzo Cagliotti [Baraban], Mario Salvi e Roberto Tombesi, entre outros, que n\u00e3o sendo m\u00fasicos tradicionais de nascen\u00e7a, s\u00e3o contudo pessoas que se interessaram pela m\u00fasica tradicional, que a estudaram e se dedicaram a este instrumento. O objectivo \u00e9 dar uma perspectiva global da situa\u00e7\u00e3o do acorde\u00e3o diat\u00f3nico em It\u00e1lia. Isto tudo ao n\u00edvel do \u201cfolk revival\u201d, porque ao n\u00edvel da m\u00fasica tradicional genu\u00edna trata-se de um universo completamente diferente. Este livro fala da tradi\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m da parte criativa, ou seja, dos m\u00fasicos que, como eu, v\u00e3o buscar o acorde\u00e3o \u00e0 m\u00fasica tradicional mas que o tocam em contextos diferentes. O acorde\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um instrumento tradicional da mesma maneira, por exemplo, que a gaita-de-foles, que \u00e9 fabricada na pr\u00f3pria comunidade onde \u00e9 utilizada. Foi o primeiro instrumento de produ\u00e7\u00e3o industrial que apareceu, sendo posteriormente adoptado pela comunidade internacional, embora n\u00e3o sendo origin\u00e1rio dela. Por isso, em todos os locais onde foi introduzido \u00e9 tocado de formas diferentes. Nesta perspectiva, se nos considerarmos como uma comunidade rec\u00e9m-formada, poderemos tocar o acorde\u00e3o de uma forma completamente nova. \u00c9 isso que eu sei fazer.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Em Portugal, o acorde\u00e3o goza de uma certa m\u00e1 fama, sendo geralmente conotado com a m\u00fasica \u201cfolcl\u00f3rica\u201d, no sentido depreciativo do termo. Acontece o mesmo em It\u00e1lia?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 A chegada do acorde\u00e3o permitiu que a m\u00fasica tradicional sobrevivesse. O verbo \u201ctradire\u201d, que significa simultaneamente transmitir e trair, traduz bem a fun\u00e7\u00e3o do acorde\u00e3o, que por um lado modificou a m\u00fasica e, por outro, permitiu a sua sobreviv\u00eancia. \u00c9 verdade que o acorde\u00e3o tem uma m\u00e1 imagem, porque as pessoas n\u00e3o o associam \u00e0 verdadeira m\u00fasica tradicional, mas sim aos bailes populares de mau gosto, mas foi gra\u00e7as a m\u00fasicos que desenvolveram o acorde\u00e3o tamb\u00e9m como instrumento de jazz que essa imagem se tem alterado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira, 06.10.1993 \u201cTOCAVA M\u00daSICA ETRUSCA!&#8230;\u201d \u00c9 um dos grandes int\u00e9rpretes de acorde\u00e3o diat\u00f3nico da actualidade. Da Tosc\u00e2nia aberta \u00c0 influ\u00eancia dos sons do resto do mundo. \u201cIl Ballo della Lepre\u201d e \u201cV\u00e9randa\u201d d\u00e3o uma ideia at\u00e9 onde pode ir o acorde\u00e3o de Riccardo Tesi. 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