{"id":9198,"date":"2021-10-04T02:40:28","date_gmt":"2021-10-04T09:40:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9198"},"modified":"2021-10-04T02:40:28","modified_gmt":"2021-10-04T09:40:28","slug":"jorge-palma-em-publico-m-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2021\/10\/04\/jorge-palma-em-publico-m-entrevista\/","title":{"rendered":"Jorge Palma &#8211; &#8220;Em P\u00fablico &#8211; M&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>pop rock >> quarta-feira, 15.09.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>JORGE PALMA *<br \/>\nEM P\u00daBLICO<br \/>\nM<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=9199\" rel=\"attachment wp-att-9199\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/jplma.jpg\" alt=\"\" width=\"585\" height=\"488\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9199\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/jplma.jpg 585w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/jplma-300x250.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/jplma-100x83.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p><strong>&#8211; Viajante das m\u00fasicas, de lugares, de si pr\u00f3prio. Aceita a defini\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nViajante um bocado for\u00e7ado, neste momento\u2026 Um gajo vai arrecadando coisas e \u00e0s tantas d\u00e1 por si com coisas a mais, uma tralha que nunca mais acaba!<br \/>\n<strong>&#8211; No princ\u00edpio n\u00e3o era assim\u2026<\/strong><br \/>\nNo princ\u00edpio era um saco e chegava\u2026 mas um gajo vai arrecadando coisas\u2026 responsabilidades\u2026 o esp\u00edrito do viajante, por\u00e9, feliz ou infelizmente, n\u00e3o morre e um gajo v\u00ea-se perante uma imagem de si pr\u00f3prio que n\u00e3o \u00e9 a ideal. \u00c0s tantas, com as responsabilidades, d\u00e1 por si a dizer: \u201cMas eu n\u00e3o posso viajar assim!\u201d<br \/>\n<strong>&#8211; Quer dizer que era um n\u00f3mada e que agora se viu for\u00e7ado a ser sedent\u00e1rio?<\/strong><br \/>\n\u00c9 isso. E n\u00e3o posso ignorar factos concretos como por exemplo o meu puto. Neste momento seria um disparate, na minha maneira de ver\u2026 N\u00e3o posso ir para \u00c1frica ou para outro s\u00edtio qualquer e lev\u00e1-lo comigo. O gajo precisa de estar na escola e criar ra\u00edzes e amigos\u2026<br \/>\n<strong>&#8211; N\u00e3o quer que saia ao pai, \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\n[Risos]. N\u00e3o me importava que sa\u00edsse a mim, mas eu sou um sobrevivente, fiz toda a esp\u00e9cie de asneiras e sobrevivi! Mas como \u00e9 que eu posso fazer em rela\u00e7\u00e3o ao meu puto? Tento protege-lo, quero que ele seja feliz\u2026 Mas como \u00e9 que um gajo como eu lhe diz para fazer isto ou aquilo? Ele j\u00e1 me responde: \u201cEnt\u00e3o e tu?\u201d<br \/>\n<strong>&#8211; Disse que sobreviveu. Sobre \u201co fio da navalha\u201d, utilizando a express\u00e3o de Somerset Maugham?<\/strong><br \/>\nSim, confesso que tenho l\u00e1 o livro mas ainda n\u00e3o o li, como muitos outros\u2026 \u00c9 o \u201cliving on the edge\u201d. Conheces o v\u00eddeo dos Metallica? O gajo est\u00e1 a tocar guitarra em cima de uma linha de comboio, no momento preciso em que o comboio vai passar, o gajo d\u00e1 um \u00fanico passo em frente e sai fora da linha. O comboio passa e continua tudo na mesma, ningu\u00e9m deu por nada. Isso \u00e9 \u201ctiming\u201d que eu acho que tenho tido\u2026<br \/>\n<strong>&#8211; Nessa vida de viagens que levou, lembra-se de uma que o tenha marcado, pela positiva ou pela negativa?<\/strong><br \/>\nTenho saudades de uma viagem em que vim \u00e0 boleia da Dinamarca. Comecei com um gajo sueco que tocava contrabaixo comigo. O gajo desistiu ao fim de uma hora, foi apanhar o comboio. Viajar com um contrabaixo \u00e9 complicado\u2026 Fiz duas vezes essa viagem. Na primeira cheguei onde queria, uma aldeia onde vivia a namorada do meu bandolim. Cheguei de Alfa-Romeo, com o n\u00famero de telefone da \u00faltima senhora que me tinha dado boleia e por quem eu estava apaixonado. Devor\u00e1mos o supermercado l\u00e1 da terra, que era dos pais da namorada do meu amigo. Da outra vez demorei tr\u00eas dias para atravessar a Alemanha. Foi na altura dos Bader-Meinhoff, dormi na auto-estrada, sem saco-cama, sem nada, com a guitarra ao lado, \u00e0 chuva e a ouvir tiros. Disse para comigo: \u201cO melhor \u00e9 n\u00e3o me mexer daqui!\u201d Acordei, sozinho, ao fim de quatro ou cinco horas de sono, e pensei: \u201cEstou vivo. Agora, o melhor \u00e9 ir pela B\u00e9lgica [risos]. O que \u00e9 que paga isto, p\u00e1?\u201d<br \/>\n<strong>&#8211; A prop\u00f3sito de viagens, de uma vez por todas, o seu \u00e1lbum \u201cViagens na Palma da M\u00e3o\u201d \u00e9 ou n\u00e3o uma refer\u00eancia expl\u00edcita ao \u00e1cido?<\/strong><br \/>\nCoincide. Eu andava no segundo ano de Engenharia, na Faculdade de Ci\u00eancias e a coisa foi perdendo o interesse, completamente. Cada vez mais e mais estava envolvido em esquemas de orquestra\u00e7\u00f5es e comecei a ganhar dinheiro com a m\u00fasica. Era puto, tinha 22 anos, e quando arranjava coragem para ir \u00e0s aulas pr\u00e1ticas (\u00e0s te\u00f3ricas n\u00e3o era preciso!), havia greves e confus\u00f5es, o pessoal aos gritos a insultar os professores. Por isso, \u201cciao\u201d, acabou.<br \/>\nFui para a Dinamarca e, altamente influenciado pelo rock sinf\u00f3nico dos Genesis, Van Der Graaf, Yes, Soft Machine, fui ter com um gajo com quem tinha tentado encenar \u201cGodspell\u201d em Portugal, que tinha uma casa enorme e um piano de cauda onde eu constru\u00ed esse primeiro \u00e1lbum. Fi-lo em ingl\u00eas porque n\u00e3o sabia quando voltaria para Portugal e estava com uma \u201cfitada\u201d em Inglaterra. Depois, deu-se o 25 de Abril. Hesitei, voltei para Portugal. E quando volto gravo o primeiro \u00e1lbum \u2013 \u201cViagem na Palma da M\u00e3o\u201d. Antes do \u00e1cido. O \u00e1cido vem depois. Nessa altura era \u00f3pio e haxixe. Na Dinamarca tinha-se de tudo\u2026<br \/>\n<strong>&#8211; O \u00e1cido, o \u00f3pio e o haxixe influenciaram a sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nO que \u00e9 que eu teria sido se n\u00e3o fosse isso tudo? Era de certeza diferente, se calhar era um gajo muito mais atinado. Mais pontual, por exemplo\u2026<br \/>\n\u00c9 uma quest\u00e3o de esp\u00edrito \u2013 tu sabes que existe aquilo e queres experimentar e tem sido sempre esta a minha abordagem das coisas. Mas h\u00e1 coisas em que um gajo fica \u201cagarrado\u201d. Os copos, os cigarros\u2026 O xutos, a hero\u00edna\u2026<br \/>\n<strong>&#8211; Conseguiu livrar-se facilmente disso?<\/strong><br \/>\nFoi relativamente f\u00e1cil. Apesar de ter havido um ano em que \u201cenfiei\u201d de tudo, acho que n\u00e3o estava vocacionado para ali, n\u00e3o era o que me interessava. Mantive um distanciamento, apesar de saber que h\u00e1 aqui um problema\u2026 um gajo tem que se alienar um bocado, h\u00e1 uma for\u00e7a que falta \u00e0s vezes \u2013 ou pelo menos um gajo pensa que falta -, precisa de ir buscar est\u00edmulos\u2026<br \/>\n<strong>&#8211; Essa aliena\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel?<\/strong><br \/>\nAcho que ainda conseguia \u201climpar-me\u201d fisiologicamente se as condi\u00e7\u00f5es ideais existissem. S\u00f3 que elas n\u00e3o existem\u2026 De que \u00e9 que me serve fazer ioga ou comer macrobi\u00f3ticos, para depois levar com uma camioneta? Eu vivo aqui e por isso tenho que pactuar com o esquema vigente. N\u00e3o posso ser um ET na minha terra. Idealizo coisas, tomo conhecimento de coisas desagrad\u00e1veis, mas n\u00e3o me posso esquecer de que estou aqui, no Princ\u00edpe Real, num bar, e n\u00e3o vou beber \u00e1gua \u2013 vou beber \u201cwhisky\u201d ou cerveja e vou fumar cigarros. Porque eu j\u00e1 experimentei beber \u00e1gua e n\u00e3o fumar e depois comecei a olhar para os gajos e pensei: \u201cIsto est\u00e1 mal! [risos]? E \u201couvi\u201d sil\u00eancios g\u00e9lidos e disse: \u201cPorra, eu n\u00e3o quero esta merda!\u201d Eu quero o pessoal a beber e a divertir-se\u2026<br \/>\n<strong>&#8211; Por vezes d\u00e1 ideia de que existem dois Jorges Palmas: o do conservat\u00f3rio, perfeccionista, e outro com a voz completamente rebentada, da desbunda, sem controlo. Tem uma explica\u00e7\u00e3o para isso?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 uns tempos que n\u00e3o era convidado para tocar piano como um m\u00fasico de est\u00fadio e ontem fui tocar. Estive l\u00e1 tr\u00eas horas a tentar perceber o que \u00e9 que os gajos queriam que eu fizesse. N\u00e3o tenho escrito can\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos tempos, tenho escrito letras quando me pedem\u2026 Tenho estado a evitar um reencontro com uma realidade que \u00e9 a minha\u2026 Hoje vou ver os Xutos e n\u00e3o sei o que vai acontecer. Se eu tiver uma sess\u00e3o de est\u00fadio amanh\u00e3 ou qualquer coisa importante, \u00e9 melhor ir ver os Xutos e dormir uma hora ou duas. Se eu for para a cama n\u00e3o consigo dormir a pensar naquela merda. J\u00e1 l\u00e1 vai o tempo em que eu tomava \u201cdrunfos\u201d\u2026<br \/>\nTenho dificuldade em dormir porque estou a imaginar tudo e a viver tudo antecipadamente. Eu sei que sou muito desastrado e que muitas vezes estrago as coisas por t\u00ea-las antecipado, e depois quando l\u00e1 chego j\u00e1 n\u00e3o tenho a energia que tinha umas horas antes. N\u00e3o dormi, bebi demais e nem sequer \u00e9 uma perspectiva ego\u00edsta, \u00e9 a minha maneira poss\u00edvel de ser. Se acontecer alguma coisa comigo neste momento, esque\u00e7o-me do que vem a seguir. O importante \u00e9 o que est\u00e1 a acontecer agora. Sou um hedonista.<br \/>\n<strong>&#8211; Depois de \u201cS\u00f3\u201d, lan\u00e7ado em 1991, de can\u00e7\u00f5es antigas acompanhadas ao piano, tem algum novo trabalho em perspectiva?<\/strong><br \/>\nEstou a trabalhar numa esp\u00e9cie de complemento desse disco. Ter\u00e1 quatro guisttras el\u00e9ctricas, bateria, gravado ao vivo, sem artif\u00edcio nenhum. Eu sou o guitarrosta, fa\u00e7o os acordes e canto, outro \u00e9 o Z\u00e9 Pedro com a sua Gibson, o Flak tamb\u00e9m com uma Gibson, o Alex no baixo e o Kalu na bateria. O t\u00edtulo vai ser \u201cPalma\u2019s Gang ao vivo no Johnny Guitar\u201d.<br \/>\n<strong>&#8211; Fechemos o ciclo. \u00c9 um n\u00f3mada, um viajante, mas d\u00e1 a impress\u00e3o que Lisboa desempenha um papel muito importante na sua m\u00fasica. Se Lisboa fosse mulher, como a definiria?<\/strong><br \/>\nUma puta! [risos]. Uma puta morena\u2026<br \/>\n*Cantor, compositor, guitarrista, pianista, viajante, hedonista. O pr\u00f3ximo \u00e1lbum, com o t\u00edtulo \u201cPalma\u2019s Gang ao Vivo no Johnny Guitar\u201d, ser\u00e1 lan\u00e7ado em breve pela Polygram.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>pop rock >> quarta-feira, 15.09.1993 JORGE PALMA * EM P\u00daBLICO M &#8211; Viajante das m\u00fasicas, de lugares, de si pr\u00f3prio. Aceita a defini\u00e7\u00e3o? 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