{"id":9185,"date":"2021-09-28T11:17:08","date_gmt":"2021-09-28T18:17:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=9185"},"modified":"2021-09-28T11:17:08","modified_gmt":"2021-09-28T18:17:08","slug":"annette-peacock-annette-peacock-regressou-a-portugal-voz-de-gata-concertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2021\/09\/28\/annette-peacock-annette-peacock-regressou-a-portugal-voz-de-gata-concertos\/","title":{"rendered":"Annette Peacock &#8211; &#8220;Annette Peacock &#8211; Regressou A Portugal Voz De Gata&#8221; (concertos)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> domingo, 12.09.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Annette Peacock Regressou A Portugal<br \/>\nVoz De Gata<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Na sua segunda apresenta\u00e7\u00e3o em Portugal, Annette Peacock fez quest\u00e3o de afastar os preconceitos de uma cantora fria e distante do p\u00fablico. Partiu com os \u201cblues\u201d, viajou com a \u201cfunky\u201d e disse o que tinha a dizer na sua forma pessoal de fazer \u201crap\u201d. Uma voz de gata que seduz e fere quando e como quer.<\/strong><\/p>\n<p>Estavam l\u00e1 todos, na noite de sexta-feira, os do costume, os apreciadores e \u201cposeurs\u201d, frequentadores com passe vital\u00edcio destas coisas da \u201calternativa\u201d, das vanguardas, enfim das m\u00fasicas que fazem a diferen\u00e7a. Annette Peacock, a cantora norte-americana de voz como um semifrio, capaz de provocar paix\u00f5es para logo de seguida as apagar, gelo e degelo, serviu de pretexto. J\u00e1 c\u00e1 tinha estado h\u00e1 tr\u00eas anos. Agora voltou, mais descontra\u00edda, qual \u201ccat woman\u201d portadora de uma mensagem que por vezes se tornou dif\u00edcil de entender.<br \/>\nO teatro S. Luiz, em Lisboa, local bem mais apropriado para intimismos musicais que a Aula Magna, onde a cantora se apresentou na anterior visita ao nosso pa\u00eds, n\u00e3o estva a abarrotar mas pouco faltou. Na primeir aparte actuaram os portugueses Sensabor\u00f5es, perd\u00e3o, Fic\u00e7\u00f5es. Tocaram bem, muito afinados, muito atinados, muito \u201cjazz rock\u201d betinho, temas com princ\u00edpio meio e fim (por esta ordem), sem derrapagens, montes de melodia, com tudo no lugar, onde \u00e9 que n\u00f3s e eles \u00edamos\u2026? Intervalo.<br \/>\nPara a passagem de modelos da praxe. Pela \u201cpasserelle\u201d do \u201cfoyer\u201d passaram v\u00e1rias raparigas disfar\u00e7adas de Annette Peacock, com base nas fotografias ou nas imagens conservadas na mem\u00f3ria, em traje austero, negro, claro, gorro ou chap\u00e9u (faltou o v\u00e9u\u2026), armando um \u201clook\u201d frio e distante a condizer. A senhora pav\u00e3o, a verdadeira, trocou-lhes as voltas, surgindo em palco de \u201cjeans\u201d e camisa claros, luvas brancas e o ar de quem estava ali para se divertir. Foi de facto uma Annette Peacock diferente da cantora de pose hier\u00e1tica que assombrou a Aula Magna. V\u00ea-se que est\u00e1 mais madura, mais solta. Meneou as ancas, na procura do \u201cbeat\u201d exacto para cada can\u00e7\u00e3o, encenou com o corpo o gesto sensual, rodopiou sobre si pr\u00f3pria, num dos temas avan\u00e7ou at\u00e9 \u00e0 boca de cena, atrevendo-se a uma proximidade com o p\u00fablico que n\u00e3o lhe \u00e9 habitual.<br \/>\nAcompanhada por Michael Mondesir, no baixo, Eric Appapoulay, na guitarra, e Keith Le Blanc, na bateria, a cantora nova-iorquina interpretou temas de \u00e1lbuns como \u201cX-Dreams\u201d, \u201cThe Perfect Release\u201d, \u201cSkay Skating\u201d e \u201cAbstract Contact\u201d, al\u00e9m de uma can\u00e7\u00e3o nova apresentada na ocasi\u00e3o em estreia mundial. Num registo que come\u00e7ou por se deixar habitar pelas labaredas dos \u201cblues\u201d para aos poucos se instalar no territ\u00f3rio da palavra, que Peacock maneja com a concis\u00e3o e per\u00edcia de um m\u00e9dico legista, o concerto progrediu de forma descont\u00ednua, entre o gemido e o manifesto, o sussurro e o grito, nas baladas de amor (e o amor, em Peacock, \u00e9 sempre algo complexo que passa pelo c\u00e9rebro) ou nos \u201craps\u201d, declamados como um repto \u00e0 sociedade norte-americana, racionalizados ao extremo. \u201cThe succubus\u201d e \u201cElect yourself\u201d, que a cantora procurou recriar simulando a atmosfera de um \u201cdark club in New York\u201d.<br \/>\nCan\u00e7\u00f5es conhecidas como \u201cMemory is\u201d, \u201cHappy with my hand\u201d (na qual faz a apologia da masturba\u00e7\u00e3o), \u201cPride\u201d, \u201cMy mama never taught me how to cook\u201d, \u201cWe\u2019re adnate\u201d ou a derradeira \u201cThe real &#038; defined androgens\u201d (onde a voz, transformada pelo sintetizador, adquiriu tonalidades angelicais) apareceram transfiguradas por arranjos, quase sempre \u201cfunky\u201d, que j\u00e1 haviam sido explorados em \u201cThe Perfect Release\u201d, com os textos a funcionar como catalisador.<br \/>\nE aqui residiu o principal problema. N\u00e3o sendo f\u00e1cil o ingl\u00eas cantado (falado) por Peacock, ficaram perdidas pelo ar as frases que magoam e perturbam, sobrando o vulc\u00e3o e a circularidade de um som n\u00e3o muito vers\u00e1til que a artista utilizou na defini\u00e7\u00e3o de um universo talvez demasiado fechado sobre si pr\u00f3prio. Deixados de fora, fomos como crian\u00e7as que faltaram \u00e0 chamada. Na posse da chave, entr\u00e1mos num mundo sens\u00edvel ao toque virtual, infiltrado pelo medo e pela aliena\u00e7\u00e3o (\u201cthe age of the individual is over\u201d, escutou-se numa das can\u00e7\u00f5es). Um mundo de imagens em constante muta\u00e7\u00e3o que aos humanos mais n\u00e3oconcede, di-lo o t\u00edtulo do \u00e1lbum mais recente (\u201cAbstract Contact\u201d), sen\u00e3o um contacto abstracto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> domingo, 12.09.1993 Annette Peacock Regressou A Portugal Voz De Gata Na sua segunda apresenta\u00e7\u00e3o em Portugal, Annette Peacock fez quest\u00e3o de afastar os preconceitos de uma cantora fria e distante do p\u00fablico. 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