{"id":8976,"date":"2021-06-16T09:48:56","date_gmt":"2021-06-16T16:48:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8976"},"modified":"2021-06-16T09:48:56","modified_gmt":"2021-06-16T16:48:56","slug":"varios-solidariedade-junta-musicos-de-jazz-portugueses-vivos-e-de-boa-saude-jazz-portugueses-concerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2021\/06\/16\/varios-solidariedade-junta-musicos-de-jazz-portugueses-vivos-e-de-boa-saude-jazz-portugueses-concerto\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;Solidariedade Junta M\u00fasicos De Jazz Portugueses &#8211; &#8216;Vivos E De Boa Sa\u00fade'&#8221; (jazz | portugueses | concerto))"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> quarta-feira >> 21.04.1993<br \/>\n<center<\n<strong>Solidariedade Junta M\u00fasicos De Jazz Portugueses<br \/>\nVivos E De Boa Sa\u00fade<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Cerca de tr\u00eas dezenas de m\u00fasicos portugueses provaram na Aula Magna, em Lisboa, que o jazz \u00e9 linguagem universal mas tamb\u00e9m sin\u00f3nimo de diferen\u00e7a. Em concerto de solidariedade com os doentes mentais, no meio da qualidade das v\u00e1rias propostas musicais, o som acabou por ser o principal deficiente.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8977\" rel=\"attachment wp-att-8977\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jazz.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"732\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8977\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jazz.jpg 390w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jazz-160x300.jpg 160w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jazz-53x100.jpg 53w\" sizes=\"auto, (max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Sem quantidade n\u00e3o pode haver qualidade, disse Ant\u00f3nio Curvelo, um dos apresentadores do Concerto Jazz de Solidariedade com os Doentes Mentais, a prop\u00f3sito dos cerca de trinta m\u00fasicos de jazz portugueses que participaram na iniciativa. Sem um som e condi\u00e7\u00f5es \u00e0 altura \u00e9 mais dif\u00edcil, acrescentamos n\u00f3s. Os milhares de pagantes que na noite de segunda-feira encheram por completo a Aula Magna da reitoria da Universidade de Lisboa n\u00e3o se resignaram com o incomodativo zumbido de fundo que acompanhou todo o concerto. \u201cProblemas de terra\u201d, desculpou-se a representante da AEIPS \u2013 Associa\u00e7\u00e3o para o Estudo e Integra\u00e7\u00e3o Psicossocial. De terra ou da lua, tanto faz, as presta\u00e7\u00f5es dos m\u00fasicos sa\u00edram prejudicadas. Se bem que o concerto fosse de solidariedade com os doentes mentais n\u00e3o era necess\u00e1rio que o som fosse tamb\u00e9m deficiente. Ningu\u00e9m se conformou. Os Idefix preparavam-se para atacar o primeiro tema da noite mas os gritos da audi\u00eancia n\u00e3o deixavam \u2013 \u201cN\u00e3o comecem!\u201d, \u201cadiem o concerto!\u201d, \u201cOlha o ru\u00eddo!\u201d, \u201cN\u00e3o queremos barulho, queremos m\u00fasica!\u201d. Pudera, a cinco mil escudos o bilhete tem-se o direito de querer tudo e mais alguma coisa. S\u00f3 faltou o tradicional \u201c\u00d3 marreco, olha o sonoro!\u201d.<br \/>\nCom ou sem ru\u00eddo de fundo (avan\u00e7ou-se com) os Idefix deram in\u00edcio \u00e0 fun\u00e7\u00e3o. Dois longos temas, \u201cRandom Walk\u201d e \u201cTime lines\u201d n\u00e3o deram aso a grandes entusiasmos. Os Idefix t\u00eam para j\u00e1 um par de bons solistas, S\u00e9rgio Pel\u00e1gio, na guitarra, e Paulo Curado, nos saxofones soprano e tenor, e um projecto de fus\u00e3o que faz tangente com a \u201cdowtown\u201d de Nova Iorque e o jazz conceptual de grupos como Orthotonics, Doctor Nerve ou Uludag.<br \/>\nMaria Viana actuou a seguir. A int\u00e9rprete do \u00e1lbum acabado de editar \u201cA Viana\u201d mostrou que n\u00e3o chega armar a pose de cantora de jazz para se ser uma cantora de jazz. Claro que a provocante minissaia preta que trazia vestida ajudou um pouco. Mais que n\u00e3o seja para desviar as aten\u00e7\u00f5es. Sobrou-lhe em perna o que lhe faltou em voz. Um descalabro, com os \u201cscats\u201d de trazer por casa e os instrumentos de acompanhamento a tocar cada um para seu lado, numa salganhada sem alma nem sentido.<br \/>\nFechou a primeira parte do espect\u00e1culo o Quarteto (na ocasi\u00e3o, terceto, dada a aus\u00eancia do percussionista Jos\u00e9 Salgueiro) de Bernardo Sassetti, primeira banda a espalhar pela Aula Magna o sabor e o perfume do jazz de corpo inteiro. Sem grandes ousadias, \u00e9 certo, mas com seguran\u00e7a e a assimila\u00e7\u00e3o correcta das formas tradicionais. De encher o cora\u00e7\u00e3o e o ouvido, as conversas a dois mantidas entre o piano de Sassetti e o contrabaixo de Bernardo Moreira.<br \/>\nDepois do intervalo foi outra loi\u00e7a. Lu\u00eds Villas-Boas, o senhor jazz, fez a apresenta\u00e7\u00e3o, muito \u201ccool\u201d, do gripo de Carlos Martins, sendo de imediato mimoseado com um carinhoso \u201cmorte ao Villas!\u201d gritado da plateia, mantendo-se uma tradi\u00e7\u00e3o que remonta aos Festivais de Jazz de Cascais. Carlos Martins e o seu quinteto decidiram, e bem, dispensar a amplifica\u00e7\u00e3o assassina, optando por um \u201cset\u201d ac\u00fastico. Surpreenderam a progress\u00e3o da linguagem desenvolvida pelo grupo que encontrou no saxofone tenor do seu l\u00edder uma reserva inesgot\u00e1vel de for\u00e7a e de lirismo aos quais respondeu de forma categ\u00f3rica o trompete de Laurent Filipe, solista de grande categoria, na escola dos grandes Miles e Marsalis. Precioso o contraponto r\u00edtmico oferecidopelo contrabaixo de Carlos Barreto e a bateria de Manuel Barreiros. A surpresa veio do pianista Jo\u00e3o Paulo Silva, possuidor de um estilo rendilhado, pleno de conten\u00e7\u00e3o, sugestivo de cad\u00eancias e caminhos a desenvolver pelos restantes m\u00fasicos. Grande jazz.<\/p>\n<p><strong>Templ\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Maior e mais alto ainda foi o templo erigido pela dupla Maria Jo\u00e3o \/ M\u00e1rio Laginha. A cada encontro com a sua m\u00fasica, espanta a evolu\u00e7\u00e3o sem fim, o aprofundamento do discurso, a coes\u00e3o e entendimento perfeito entre ambos. S\u00e3o dois em um e um em dois. Caso rarao de simbiose de talentos e sensibilidades complementares que n\u00e3o param de crescer. Distingue-os a entrega e a aten\u00e7\u00e3o ao que flui de dentro. A compreens\u00e3o de que a m\u00fasica, no grau mais elevado, \u00e9 ascese.<br \/>\nMaria Jo\u00e3o manipula o espa\u00e7o e as suas linhas de energia, com o gesto de uma tocadora de harpa. Separa-se de si pr\u00f3pria e mira-se no reflexo. Alice do outro lado do espelho. Muda a cor da pele, no modo como encarna as vozes e os corpos brasileiros, africanos, astrais. Atravessa o rio, da margem do terror \u00e0 margem da ternura. Maria Jo\u00e3o canta como se nadasse na m\u00fasica. Organismo vivo. Perpetuum Mobile.<br \/>\nM\u00e1rio Laginha desempenha a fun\u00e7\u00e3o de construtor do templo em cujas colunas se anela o canto-hera. Diferentemente de Bernardo Sassetti e Jo\u00e3o Paulo, ambos excelenetes pianistas, que engendram narrativas aina regidas pelos c\u00e2nones do romantismo, Laginha \u00e9 pitag\u00f3rico, pedreiro-livre e livre pensador de geometrias fractais. Serve-se do piano para esculpir o sil\u00eancio, para pesquisar os intervalos, as notas no interior das notas, big-bangs microsc\u00f3picos, no centro da fragmenta\u00e7\u00e3o. Dizia Nietzsche que o caminho mais curto entre duas montanhas faz-se de cume a cume.<br \/>\nJunto ao sop\u00e9, para que conste: Maria Jo\u00e3o e M\u00e1rio Laginha deram vida aos temas \u201cO vox omnis\u201d, \u201cV\u00e1rias Dan\u00e7as\u201d, \u201cSaudosa Maloca\u201d e \u201cUm dia inteiro\u201d, a incluir no pr\u00f3ximo disco do duo, \u201cDan\u00e7as\u201d.<br \/>\nEncerraram este concerto de solidariedade com os doentes mentais os dezassete instrumentistas da Orquestra do Hot Clube de Portugal, sob a direc\u00e7\u00e3o de Pedro Moreira. Com eles o jazz regressou a casa e ao conforto das origens. Sem quantidade n\u00e3o pode haver qualidade. Sem as ra\u00edzes bem fixas no solo, a \u00e1rvore n\u00e3o pode estender os seus ramos para o c\u00e9u.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> quarta-feira >> 21.04.1993<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[187,1018,841,12,24],"tags":[2982,2981,596,2983,2450,2985,114,2984,115,23],"class_list":["post-8976","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ao-vivo","category-artigos-1993","category-concertos","category-jazz","category-portugueses","tag-antonio-curvelo","tag-aula-magna","tag-carlos-martins","tag-concerto-jazz-de-solidariedade-com-os-doentes-mentais","tag-idefix","tag-luis-villas-boas","tag-maria-joao","tag-maria-viana","tag-mario-laginha","tag-varios"],"views":954,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8976","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8976"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8978,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8976\/revisions\/8978"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}