{"id":8906,"date":"2021-05-04T11:57:07","date_gmt":"2021-05-04T18:57:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8906"},"modified":"2021-05-04T11:57:07","modified_gmt":"2021-05-04T18:57:07","slug":"varios-chieftains-baraban-chieftains-fecham-em-apoteose-o-festival-interceltico-eram-os-deuses-irlandeses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2021\/05\/04\/varios-chieftains-baraban-chieftains-fecham-em-apoteose-o-festival-interceltico-eram-os-deuses-irlandeses\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios (Chieftains, Barab\u00e0n, &#8230;) &#8211; &#8220;Chieftains Fecham Em Apoteose O Festival Interc\u00e9ltico &#8211; Eram Os Deuses Irlandeses?&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>cultura >> segunda-feira, 05.04.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Chieftains Fecham Em Apoteose O Festival Interc\u00e9ltico<br \/>\nEram Os Deuses Irlandeses?<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Os deuses eram de certeza irlandeses. E devem ter ensinado tudo o que sabiam das artes musicais aos Chieftains. A banda liderada por Paddy Moloney deu um espect\u00e1culo que perdurar\u00e1 na mem\u00f3ria da cidade do Porto. Como se fosse a coisa mais f\u00e1cil do mundo. Pouca sorte para os Barab\u00e0n, que na primeira parte rubricaram uma actua\u00e7\u00e3o brilhante, das melhores entre todas as edi\u00e7\u00f5es do festival. Mas os Chieftains abriram as portas do Olimpo.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8907\" rel=\"attachment wp-att-8907\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/inter.jpg\" alt=\"\" width=\"614\" height=\"435\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8907\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/inter.jpg 614w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/inter-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/inter-100x71.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>N\u00e3o vale a pena tentar descrever tudo o que se passou durante o espect\u00e1culo dos irlandeses Chieftains, no s\u00e1bado \u00e0 noite, terceiro e \u00faltimo dia do Festival Interc\u00e9ltico, no Teatro Rivoli. Prestes a celebrarem o 30\u00ba ano de carreira, atingiram a perfei\u00e7\u00e3o. Festa, seriedade, religiosidade, humor ora desbragado, ora subtil, solos assombrosos, combina\u00e7\u00f5es instrumentais inusitadas, ritmo impressionante, hist\u00f3rias, anedotas, di\u00e1logos com o p\u00fablico e em circuito interno, m\u00edmica, m\u00fasica, mais m\u00fasica, m\u00fasica divina, irlandesa do esp\u00edrito \u00e0s tripas, m\u00fasica de copos, m\u00fasica da China, da Galiza, da Am\u00e9rica, combinaram-se na propor\u00e7\u00e3o exacta por forma a criar um ritual de magia e comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. At\u00e9 quando Paddy Moloney come\u00e7ou por se dirigir \u00e0 assist\u00eancia, que mais uma vez voltou a esgotar a lota\u00e7\u00e3o, num ga\u00e9lico cerrado. Depois entrou-se no carrossel. No fim sobrou uma tontura, uma sensa\u00e7\u00e3o de deslumbramento, de se ter assistido a algo que dificilmente se voltar\u00e1 a repetir, embora com os Chiftains nunca se saiba!<br \/>\nEm noite de mil prod\u00edgios, n\u00e3o houve outra solu\u00e7\u00e3o sen\u00e3o a rendi\u00e7\u00e3o. Perante um \u201cHeartbreak Hotel\u201d de ir \u00e0s l\u00e1grimas ou da sucess\u00e3o de \u201creels\u201d, \u201cjigs\u201d e \u201chornpipes\u201d acelerados, e ainda mais acelerados. Como \u00e9 poss\u00edvel acelerar tanto e n\u00e3o perder o controlo da condu\u00e7\u00e3o? De repente uma travagem em \u201csouplesse\u201d, cascata de harpa despenhando-se de um tema do m\u00edtico Turlough O\u2019Carolan, por Derek Bell, que \u201camea\u00e7ou\u201d abandonar o palco, despeitado por o seu companheiro o colocar atr\u00e1s do harpista cego. Kevin O\u2019Conneff em canto \u201ca capella\u201d, intimista ou num brinde efusivo ao pessoal dos copos em \u201cHere\u2019s to the company\u201d, depois num gongo chin\u00eas (\u201cos chineses eram celtas? \u00c9 poss\u00edvel\u201d, atirou de imediato Paddy Moloney), mestre do \u201cbodhran\u201d, mostrou por que raz\u00e3o se imp\u00f4s como figura proeminente nos Chieftains. E Paddy Moloney, Sean Ke\u00e1ne e Matt Molloy, os magos das \u201cuillean pipes\u201d, violino e flauta, respectivamente. Dizer que tocaram como deuses n\u00e3o chega. Martin Fay, o segundo violinista, mais circunspecto, baluarte da vertente mais classicista do grupo, silenciou numa presta\u00e7\u00e3o de veludo de um tema de mestre \u2018O Riada, inclu\u00eddo na banda sonora de \u201cBarry Lyndon\u201d.<br \/>\nNuma sequ\u00eancia absolutamente inacredit\u00e1vel de solos de todos os m\u00fasicos, Paddy Moloney fingiu que se impacientava, olhou para o rel\u00f3gio, sem conseguir encetar o seu solo de \u201ctin whistle\u201d, meteu apartes delirantes e para c\u00famulo Derek Bell acabou ao piano em ritmo \u201cragtime\u201d. A celebra\u00e7\u00e3o incluiu ainda uma dan\u00e7arina, Denise Flannery, loura e esbelta, de partir cora\u00e7\u00f5es (a prop\u00f3sito, Derek Bell, com o seu ar de mestre escola engravatado, atirou-se a tudo o que vestia saias no Porto \u2013 um aut\u00eantico s\u00e1tiro) e sabe-se l\u00e1 que mais, que rodopiou pelo palco naquele estilo caracter\u00edstico da dan\u00e7a irlandesa, bra\u00e7os inertes tombados ao longo do corpo, pernas e p\u00e9s animados por asas sobrenaturais, embora j\u00e1 se tivesse visto, mesmo por c\u00e1, mais velocidade de resposta ao acompanhamento instrumental. N\u00e3o faltou a surpresa, com a entrada em cena do galego Carlos Nunes, (esteve presente o ano passado no Interc\u00e9ltico, com os Matto Congrio) em tr\u00eas temas onde cometeu verdadeiros prod\u00edgios na sua \u201cgaita\u201d, dialogando com agilidade quase insolente com as \u201cpipes\u201d de Moloney. J\u00e1 na \u201cjam session\u201d final, juntaram-se \u00e0 companhia Uxia, na pandeireta, e o bandolinista dos Jig, Alfredo Teixeira. O p\u00fablico rendeu-se, esmagado. Fez-se Hist\u00f3ria, no Interc\u00e9ltico.<\/p>\n<p><strong>Revela\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>E os Barab\u00e0n, afinal, s\u00e3o ou n\u00e3o bons? S\u00e3o \u00f3ptimos. Ao n\u00edvel dos La Ciapa Rusa. Excelentes executantes, partem de um profund\u00edssimo trabalho de investiga\u00e7\u00e3o e recolha de temas da Lombardia e do Piemonte, aos quais acrescentam a sofistica\u00e7\u00e3o de arranjos pr\u00f3ximos da est\u00e9tica renascentista e pr\u00e9-barroca. Impressionaram as polifonias vocais (\u201cla Merla\u201d, \u201cla Brunetta\u201d, um \u201cStornelli\u201d, \u201cLe pute egie\u201d, entre outras) e as vocaliza\u00e7\u00f5es a solo de Aurellio Citelli \u2013 sublimes em \u201cLena\u201d e \u201cLa fia rubada\u201d, este um dos temas mais belos do \u00faltimo \u00e1lbum da banda, \u201cNaquane\u201d \u2013 que se desdobrou nos teclados e sanfona. Giuliano Grasso e Guido Montaldo brilharam respectivamente no violino e no \u201cpiffero\u201d\/flautas. Paolo e Diego Ronzio constru\u00edram o suporte harm\u00f3nico e ambiental, em guitarra, gaita-de-foles, sopros e percuss\u00f5es v\u00e1rias.<br \/>\nAptos manipuladores da veia humor\u00edstica, os Barab\u00e0n souberam alternar a ortodoxia com o divertimento e a cr\u00edtica, por vezes verrinosa \u2013 \u201cSer\u00e1 que a mulher de Andreotti andava na vida?\u201d, comentaram a prop\u00f3sito de \u201cLa Brunetta\u201d, \u201cagora vamos tocar em instrumentos tradicionais italianos e (referindo-se ao sintetizador DX-7) num instrumento tradicional do Jap\u00e3o\u201d. Divertida e original, uma \u201cconversa\u201d a quatro ocarinas sobre fundo de realejo. J\u00e1 em tempo de \u201cencore\u201d, os Barab\u00e1n soltaram-se numa polka fulgurante que serviu para mostrar a t\u00e9cnica superlativa do violinista e uma deliciosa utiliza\u00e7\u00e3o de colheres, em percuss\u00e3o, por Guido Montaldi. Os Barab\u00e1n foram, como se esperava, a grande revela\u00e7\u00e3o do festival. Os Chieftains foram de outra gal\u00e1xia.<br \/>\nUma palavra de apre\u00e7o final para as duas principais entidades ligadas \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do Festival: a MC-Mundo da Can\u00e7\u00e3o e o Pelouro de Anima\u00e7\u00e3o da Cidade, da C\u00e2mara Municipal do Porto, que, \u00e0 semelhan\u00e7a das duas bandas da noite, foram exemplares. A partir de agora, o Interc\u00e9ltico tem o infinito \u00e0 sua frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> segunda-feira, 05.04.1993 Chieftains Fecham Em Apoteose O Festival Interc\u00e9ltico Eram Os Deuses Irlandeses? Os deuses eram de certeza irlandeses. E devem ter ensinado tudo o que sabiam das artes musicais aos Chieftains. A banda liderada por Paddy Moloney deu um espect\u00e1culo que perdurar\u00e1 na mem\u00f3ria da cidade do Porto. 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