{"id":8794,"date":"2021-03-16T11:42:34","date_gmt":"2021-03-16T18:42:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8794"},"modified":"2021-03-16T11:42:34","modified_gmt":"2021-03-16T18:42:34","slug":"june-tabor-june-tabor-em-lisboa-braga-e-porto-basso-profondo-concertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2021\/03\/16\/june-tabor-june-tabor-em-lisboa-braga-e-porto-basso-profondo-concertos\/","title":{"rendered":"June Tabor &#8211; &#8220;June Tabor, Em Lisboa, Braga E Porto &#8211; &#8216;Basso Profondo'&#8221; (concertos)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Cultura >> ter\u00e7a-feira >> 02.03.2019<\/p>\n<p><strong>June Tabor, Em Lisboa, Braga E Porto<br \/>\n\u201cBasso Profondo\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na sua terceira apresenta\u00e7\u00e3o em Portugal, as circunst\u00e2ncias estiveram por fim \u00e0 altura da cantora. June Tabor, mais do que desenrolar um report\u00f3rio, criou um ambiente. A sala do teatro S. Luiz encheu-se de sil\u00eancio para escutar a sua voz grave cantar can\u00e7\u00f5es de amor e desencanto.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8795\" rel=\"attachment wp-att-8795\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/jt.jpg\" alt=\"\" width=\"611\" height=\"586\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8795\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/jt.jpg 611w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/jt-300x288.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/jt-100x96.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 611px) 100vw, 611px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Sexta-feira \u00e0 noite, no velho recinto do Chiado, em Lisboa, aconteceu finalmente a consagra\u00e7\u00e3o de uma grande cantora, ap\u00f3s as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es com que foi recebida nas duas anteriores visitas ao nosso pa\u00eds, no mesmo ano, 1991, no Folk Tejo e na Festa do \u201cAvante!\u201d. O som esteve perfeito e a assist\u00eancia, que encheu pouco mais de metade da sala, soube sintonizar na frequ\u00eancia adequada. A voz e a m\u00fasica de June Tabor fizeram o resto. Decerto, tamb\u00e9m ontem em Braga. O Porto recebe a cantora esta noite, no Rivoli.<br \/>\nM\u00fasica que exige sil\u00eancio e concentra\u00e7\u00e3o absoluta, n\u00e3o admitindo transgress\u00f5es nem falhas de aten\u00e7\u00e3o. Semelhante \u00e0 superf\u00edcie de um lago, pode ser espelho e pode ser lente. Mas \u00e9 necess\u00e1rio que as \u00e1guas estejam calmas e planas se quisermos ver, al\u00e9m da imagem reflectida, o fundo.<br \/>\nA voz falou devagar, preocupada em tornar compreens\u00edvel cada palavra, cada hist\u00f3ria encerrada no cora\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es. Uma voz grave, sem m\u00e1cula nem rugosidades que, pela vibra\u00e7\u00e3o, irradia directamente do centro, com a profundidade de um or\u00e1culo. June Tabor foi sacerdotisa de um magist\u00e9rio iniciado h\u00e1 longos anos no templo das m\u00fasicas tradicionais e finalmente depurado em escolas e linguagens contempor\u00e2neas.<br \/>\nOficiou logo de in\u00edcio com a tradi\u00e7\u00e3o, em \u201cMonth of January\u201d, que deu o mote a todo o concerto: solenidade, conten\u00e7\u00e3o, centrados numa figura franzina, vestida de negro, de m\u00e3os ca\u00eddas ao longo do corpo em pose hier\u00e1tica. Esfinge. June Tabor lembra essa figura ocultadora e reveladora de segredos. Por detr\u00e1s da imobilidade, e atrav\u00e9s dela, arde uma chama, invis\u00edvel aos olhos de quem n\u00e3o souber romper o v\u00e9u das apar\u00eancias.<br \/>\nJune Tabor n\u00e3o cantou \u201cAll tomorrow\u2019s parties\u201d, o cl\u00e1ssico de Lou Reed e dos Velvet Underground que a voz de Nico imortalizou \u2013 esse lado de trag\u00e9dia que tamb\u00e9m habita em si, mas que na sua voz \u00e9 redimido. June Tabor dobrou o Cabo das Tormentas e optou pela serenidade da maioria dos temas que integram o seu disco mais recente, \u201cAngel Tiger\u201d: \u201cHard Love\u201d, \u201cAll our trades are gone\u201d, \u201cSudden Waves\u201d, \u201cThe doctor calls\u201d (de Ian Belfer, dos Oyster Band, cuja ambi\u00eancia sinistra comparou ao \u201cfilm noir\u201d), \u201cAll this useless beauty\u201d (Elvis Costello) e \u201c10 000 miles\u201d.<br \/>\nCada tema foi antecedido de uma curta explica\u00e7\u00e3o, dita em voz baixa de maneira a refor\u00e7ar o tom de intimismo que caracterizou o concerto. \u201cEsta \u00e9 uma hist\u00f3ria de amor que acaba mal\u201d. O estilo de hist\u00f3rias que disse gostar mais de cantar mas que ela pr\u00f3pria, com quase impercept\u00edvel ironia, desmistificou comentando v\u00e1rias vezes no final de cada can\u00e7\u00e3o: \u201cAfinal esta tem um final feliz! Estranho, n\u00e3o me estou a reconhecer!&#8230;\u201d. \u201cGame keepers\u201d, em interpreta\u00e7\u00e3o \u201ca capella\u201d, dedicou-a ao \u201chomem\u201d que ama, o seu c\u00e3o Flynn (em homenagem a Errol Flynn\u2026), inveterado bebedor de cerveja Guiness. O standard \u201cI\u2019ve got you under my skin2, de Cole Porter, dedicou-o igualmente ao amigo canino. Distancia\u00e7\u00e3o. Um sorriso de mil rostos, a sugerir enigmas.<br \/>\nMomentos alt\u00edssimos, viveram-se sobretudo nos duetos mantidos com o piano de Huw Warren, de longe o melhor instrumentista da noite: \u201cYou don\u2019t know\u201d e \u201cSudden waves\u201d. A Mark Emerson, violino e viola de arco, e Marl Lockheart, saxofones, foi deixado espa\u00e7o para brilharem no compasso emaranhado de um tradicional da Bulg\u00e1ria, \u201cRucenista\u201d, (deu para perceber que n\u00e3o s\u00e3o b\u00falgaros\u2026) e em duas polkas tradicionais igualmente mal aproveitadas. O segundo solou, esfor\u00e7ado, no sax tenor, em \u201cI\u2019ve got you under my skin\u201d, tema que serviu ao mesmo tempo para mostrar n\u00e3o ser este, em definitivo, o campo onde a voz da cantora se sente mais \u00e0 vontade.<br \/>\n\u201cDogs of Money\u201d, de Richard Thompson e os tradicionais \u201cMount and go\u201d e \u201c10 000 miles\u201d, subiram alto numa actua\u00e7\u00e3o que nunca chegou verdadeiramente a tocar a terra. \u201cRetreat\u201d, outra composi\u00e7\u00e3o de Richard Thompson, trouxe para o S. Luiz o espectro da diva desaparecida, Sandy Denny. Um \u00fanico \u201cencore\u201d, \u201cLight Dragon\u201d, encerrou o ciclo de luz. Com a chave do sil\u00eancio. No intervalo, algu\u00e9m da assist\u00eancia comentara: \u201cEsta mulher tem qualquer coisa de comovente!\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> ter\u00e7a-feira >> 02.03.2019 June Tabor, Em Lisboa, Braga E Porto \u201cBasso Profondo\u201d Na sua terceira apresenta\u00e7\u00e3o em Portugal, as circunst\u00e2ncias estiveram por fim \u00e0 altura da cantora. June Tabor, mais do que desenrolar um report\u00f3rio, criou um ambiente. A sala do teatro S. 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