{"id":8783,"date":"2021-03-11T04:36:59","date_gmt":"2021-03-11T11:36:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8783"},"modified":"2021-03-11T04:36:59","modified_gmt":"2021-03-11T11:36:59","slug":"van-morrison-van-morrison-actuou-em-lisboa-e-no-porto-ouvir-para-crer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2021\/03\/11\/van-morrison-van-morrison-actuou-em-lisboa-e-no-porto-ouvir-para-crer\/","title":{"rendered":"Van Morrison &#8211; &#8220;Van Morrison Actuou Em Lisboa E No Porto &#8211; Ouvir Para Crer&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>cultura >> domingo, 21.02.1993<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Van Morrison Actuou Em Lisboa E No Porto<br \/>\nOuvir Para Crer<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>\u00c9 baixo, embora nos discos a sua m\u00fasica se eleve \u00e0s alturas. Mas para muitos que pagaram para ver ao vivo Van Morrison, um dos monstros sagrados sobreviventes da d\u00e9cada de 60, o bilhete apenas deu direito a ouvir as can\u00e7\u00f5es. A m\u00fasica, que valeu pela vitalidade demonstrada pelo mestre, n\u00e3o desmereceu das \u201cGlorias\u201d do passado.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8784\" rel=\"attachment wp-att-8784\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/vm.jpg\" alt=\"\" width=\"613\" height=\"429\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8784\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/vm.jpg 613w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/vm-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/vm-100x70.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 613px) 100vw, 613px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>O Parque Eduardo VII foi at\u00e9 h\u00e1 bem pouco tempo um local apraz\u00edvel onde, aos domingos, as fam\u00edlias iam piquenicar e as crian\u00e7as se espraiavam em chilreios e brincadeiras pelos relvados em inclina\u00e7\u00e3o suave em direc\u00e7\u00e3o \u00e0s torres, ao fundo e ao alto, dominando a cidade at\u00e9 ao Tejo. De um dos lados do jardim, altaneiro, erguia-se o ent\u00e3o chamado Pavilh\u00e3o dos Desportos, posteriormente baptizado Pavilh\u00e3o Carlos Lopes, em homenagem ao campe\u00e3o portugu\u00eas. Eram coisas e locais palp\u00e1veis, que se  podiam ver e sentir.<br \/>\nO mesmo n\u00e3o se pode dizer de Van Morrison que, sexta-feira \u00e0 noite nesse mesmo pavilh\u00e3o, foi para muitos, jornalista inclu\u00eddo, o homem invis\u00edvel. Para arranjar um lugar, j\u00e1 n\u00e3o digo confort\u00e1vel, nem sequer sentado, mas pelo menos que permitisse ver alguma coisa do que se passava em palco, era preciso ter chegado ao recinto no m\u00ednimo com dois dias de anteced\u00eancia. Daqui se compreende que estava cheio como um ovo. \u00d3ptimo. O que j\u00e1 n\u00e3o se compreende muito bem \u00e9 que a organiza\u00e7\u00e3o, a R &#038; B Produ\u00e7\u00f5es, tenha despachado os jornalistas para a Geral, quer dizer, para a molhada. Para a pr\u00f3xima mandem-nos para o telhado, para a cave, sei l\u00e1, onde for mais desconfort\u00e1vel e que ofere\u00e7a piores condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<br \/>\nQuanto ao concerto, a julgar apenas pela m\u00fasica, foi o que seria de esperar numa sala que n\u00e3o re\u00fane quaisquer condi\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas, quanto menos ambiente. Mas Van Morrison, apesar de todas as contrariedades, safou-se bem. E n\u00e3o foram poucas, as contrariedades. O som, como seria de esperar, falhou. Quando a voz parava de cantar, o volume sonoro dos restantes instrumentos baixava misteriosamente, quase at\u00e9 \u00e0 inaubilidade. Assim, os diversos solos que pontuaram as can\u00e7\u00f5es do autor do lend\u00e1rio \u201cAstral Weeks\u201d perderam-se numa nuvem de murm\u00farios que n\u00e3o permitiram aferir da qualidade dos executantes. Mesmo assim deu para perceber que n\u00e3o s\u00e3o muito bons. Van Morrison, esse, continua em forma.<\/p>\n<p><strong>Acordar Do Transe<\/strong><\/p>\n<p>A primeira parte do concerto foi um bocado a atirar para o bocejo. Nela o cantor privilegiou a sua costela m\u00edstica, em cerca de uma hora de \u201cSoul gospel\u201d \u00e0 base de can\u00e7\u00f5es que mal se distinguiam umas das outras mas que invariavelmente falavam de uma \u201cpeaceful soul\u201d. Seriam \u201cHymns to the Silence\u201d se o barulho em redor n\u00e3o fosse tanto. Durante este per\u00edodo, digamos que de recolhimento, Van Morrison apenas saiu do transe religioso para acordar ao som de \u201cIn the Midnight Hour\u201d, um cl\u00e1ssico de Wilson Pickett. Intervalo para tentar encontrar um local com melhor vis\u00e3o para o artista. Em v\u00e3o. Ainda por cima, baixote como \u00e9, com o seu ar de gnomo anafado, s\u00f3 dava mesmo para v\u00ea-lo nas notas mais altas.<br \/>\nSegunda parte. In\u00edcio promissor com \u201cCyprus Avenue\u201d em toada de \u201cblues\u201d cheio de sentimento, com passagem para um tema \u201cjazzy\u201d que deu direito a um solo, curto, d\u00e9bil, de vibrafone. Houve solos (pareciam s\u00ea-lo, pelo menos) para cada um dos seis m\u00fasicos acompanhantes, apresenta\u00e7\u00e3o dos mesmos (n\u00e3o se percebeu nada) e um final em beleza com o homem todo empertigado a cantar \u201cNo guru, no method, no teacher\u201d.<br \/>\nA terceira e \u00faltima parte foi, de longe, a melhor. Van Morrison atacou em for\u00e7a outro cl\u00e1ssico, desta feita \u201cWhat\u2019d I say\u201d, de Ray Charles, prosseguiu com o hino \u201cGloria\u201d, cantado em coro pela assist\u00eancia em peso, seguido de \u201cIt\u2019s all over now\u201d, popularizado pelos Rolling Stones mas escrito por Shirley e Bob Womack, para finalmente terminar num \u201cslow\u201d, \u201cHave I told you lately\u201d, da sua autoria. O velhote, afinal, ainda continua cheio de genica.<br \/>\nPara os admiradores incondicionais do cantor, o concerto ter\u00e1 correspondido \u00e0s expectativas. Para os mais indiferentes, n\u00e3o chegou para aquecer. Para muitos, repete-se, nem sequer para ver. Ouvir para crer j\u00e1 n\u00e3o foi mau. O espect\u00e1culo foi reeditado ontem no Coliseu do Porto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>cultura >> domingo, 21.02.1993 Van Morrison Actuou Em Lisboa E No Porto Ouvir Para Crer \u00c9 baixo, embora nos discos a sua m\u00fasica se eleve \u00e0s alturas. 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