{"id":8659,"date":"2021-01-25T05:16:22","date_gmt":"2021-01-25T12:16:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8659"},"modified":"2021-01-25T05:16:22","modified_gmt":"2021-01-25T12:16:22","slug":"varios-tendencias-1992-contra-uma-europa-de-papel-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2021\/01\/25\/varios-tendencias-1992-contra-uma-europa-de-papel-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios- &#8220;Tend\u00eancias 1992 &#8211; Contra Uma Europa De Papel&#8221; (artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 30.12.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>TEND\u00caNCIAS 1992<br \/>\nCONTRA UMA EUROPA DE PAPEL<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>1992 assistiu \u00e0 explos\u00e3o definitiva da \u201cworld music\u201d como for\u00e7a motora da m\u00fasica popular. Multiplicaram-se as fus\u00f5es mais modernistas a par das ortodoxias mais renitentes. O termo \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d nunca, como no ano que passou, fez tanto sentido no l\u00e9xico musical doplaneta. Novos discos editados em catadupa, festivais realizados um pouco por todo o lado (a b\u00edblia \u201cFolk Roots\u201d dedicou-lhes, na edi\u00e7\u00e3o de Abril, um suplemento de 32 p\u00e1ginas) e reedi\u00e7\u00f5es em compacto de obras pioneiras transformaram este ano num man\u00e1 para quem, na m\u00fasica, procura, mais do que o brilho das superf\u00edcies, as ess\u00eancias que fazem \u00fanicas as coisas e lhes d\u00e3o sentido. \u201cWorld\u201d \u00e9 mundo, e o mundo \u00e9 imenso. Cinjamo-nos ent\u00e3o a parte dele \u2013 \u00e0 Europa, que os pol\u00edticos medem pela bitola da burocracia e julgam poder unir no papel pela via dos tratados.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8660\" rel=\"attachment wp-att-8660\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/1.jpg\" alt=\"\" width=\"434\" height=\"367\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8660\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/1.jpg 434w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/1-300x254.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/1-100x85.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 434px) 100vw, 434px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>O mundo celta continua a ser um dos centros. Dos mais fecundos, pelo menos. E celtas s\u00e3o irlandeses, escoceses, ingleses, galegos, bret\u00f5es, alguns italianos e portugueses. Os irlandeses davam cartas. Neste ano deram menos, ultrapassados pelos seus vizinhos da Esc\u00f3cia. Poucos discos marcantes, juntamente com uma certa vulgariza\u00e7\u00e3o, fizeram desviar as aten\u00e7\u00f5es para as terras altas do Norte.<br \/>\nAinda mais a norte, agitaram-se as vagas escandinavas, que j\u00e1 no ano passado, pela voz de Mari Boine Persen, tinham dado indica\u00e7\u00f5es de que este seria o ano de mar\u00e9 alta. Koinurit, com \u201cAskon Kolmrivinen\u201d, e Vartina, cuja sedu\u00e7\u00e3o feminina atingiu em cheio os sacerdotes da \u201cFolk Roots\u201d com \u201cAngelin Tyt\u00f6t\u201d, comandaram a horda \u201cviking\u201d. Seguidos de um pelot\u00e3o de nomes que conv\u00e9m aprender a pronunciar: Moller, Willemark &#038; Gudmundson, Arne M Solvberg &#038; Oyvind Lyslo, Seppo Sillanpaa, Tallari\u2026<br \/>\nDas regi\u00f5es do Piemonte e Lombardia, na It\u00e1lia, os celtas italianos ergueram-se a grande altitude. Os La Ciapa Rusa, que ao quinto \u00e1lbum, \u201cRetanavota\u201d, assinaram a quinta obra-prima, encontraram rivais \u00e0 altura nos lombardos Barab\u00e0n. Os primeiros j\u00e1 estiveram em Portugal por duas vezes, trazidos pela Etnia. Os segundos integram o programa do Interc\u00e9ltico do pr\u00f3ximo ano.<br \/>\nBret\u00f5es e galegos estiveram bem. Do Norte de Fran\u00e7a, confirmada a senilidade irrevers\u00edvel de Alan Stivell manifesta no novo \u00e1lbum \u201cThe Misto of Avalon\u201d, e o desvio fatal nos p\u00e2ntanos do rock, dos Gwendal, bandas como Bleizi Ruz, Ti Jaz ou Barzhaz encarregaram-se de defender a dignidade da velha-guarda. Mas o ceptro passou definitivamente para um trio de novas bandas cujas produ\u00e7\u00f5es discogr\u00e1ficas recentes ro\u00e7aram o brilhantismo: Storvan, Strobinell e Skolvan, estes \u00faltimos autores de um dos melhores \u00e1lbuns do ano, \u201cKerzh Ba \u2018n\u2019 Dans\u201d. No resto do hex\u00e1gono, com Gabriel Yacoub a descansar de \u201cBel\u201d, viveu-se \u00e0 sombra da Gasconha e dos feitos discogr\u00e1ficos dos Perlinpinpin Folc, em \u201cT\u00e9nar\u00e8ze\u201d, e Verd e Blu, em \u201cMusica de Gasconha\u201d.<br \/>\nDos Balc\u00e3s, ultrapassando a s\u00edndrome das vozes b\u00falgaras, chegou o humor dos Vasmalon (\u201cVasmalon II\u201d), a m\u00fasica cigana dos romenos Taraf de Haidouks (\u201cMusique Tzigane de Roumanie\u201d) e a experi\u00eancia com computadores de Marta Sebestyen (2Apocrypha\u201d), que deste modo ousou, numa escala mais radical, o que June Tabor apenas aflorara no seminal \u201cAshes and Diamonds\u201d. June Tabor, que gra\u00e7as ao bel\u00edssimo \u201cAngel Tiger\u201d assegurou o t\u00edtulo de melhor voz feminina do ano em Inglaterra, ofuscando o novo trabalho dos mestres Dave Swarbrick e Martin Carthy, \u201cSkin and Bone\u201d. Kathryn Tickell, o borrachinho das \u201cNorthumbrian pipes\u201d, foi a coqueluche dos festivais do ano, um pouco por toda a Europa. Ingalterra que nos \u00faltimos 12 meses se preocupou, em primeiro lugar, com a conserva\u00e7\u00e3o para a posteridade dos monumentos do passado.<br \/>\nExtensa, a lista de reedi\u00e7\u00f5es importantes em compacto, entre as quais cabe destacar a edi\u00e7\u00e3o aumentada de \u201cRise Up Like The Sun\u201d, dos Albion Band, e \u201cThe Transports\u201d, do malogrado Peter Bellamy, considerada a primeira \u00f3pera-folk, reunindo uma constela\u00e7\u00e3o de estrelas entre quais despontava uma tal June Tabor, e parte da discografia dos Incredible String Band (que por sinal integravam um bardo escoc\u00eas, Robin Williamson) \u2013 \u201cThe 5000 Spirits or the cayers of the Onion\u201d, \u201cWee Tam\u201d, \u201cThe Hangman\u2019s Beautiful Daughter\u201d e \u201cEarthspan\u201d \u2013 uma das bandas ac\u00fasticas marcantes dos anos 70. Enquanto o novel duo de virtuosos constitu\u00eddo por Chris Woods e Andy Cutting (ex-Blowzabella) \u00e9 nomeado \u201cpromessa do ano\u201d pela \u201cFolk Roots\u201d e se aguarda com ansiedade a estreia discogr\u00e1fica dos Scarp, de outro ex-Blowzabella, Nigel Eaton, o sanfonineiro louco.<br \/>\nFinalmente, a norte do Minho, a Galiza continuou a debater-se com o dilema de ser ou n\u00e3o irlandesa, \u201crocker\u201d ou \u201cnew-ager\u201d. Num ano sab\u00e1tico, em termos de novos discos, para os Milladoiro e Luar na Lubre, passando ao lado de equ\u00edvocos como Brath e Trisquel, coube aos \u201cr\u00fasticos\u201d Muxicas, com \u201cEscoitando Medra-la herba\u201d, mostrarem que muito est\u00e1 ainda por explorar na Galicia de Maeloc. Das lendas, s\u00f3 Emilio Cao gravou, escrevendo \u201cCartas Maritimas\u201d com a sua harpa. De Amancio Prada espera-se que repita o ouro de \u201cCaravel de Caravels\u201d. E de Pablo Quintana, que volte a pegar na sua sanfona.<br \/>\nUma refer\u00eancia final para as pequenas geografias. Depois da Sardenha e da maravilha que \u00e9 \u201cSonos\u201d, de Elena Ledda, dada a conhecer no ano passado, as aten\u00e7\u00f5es desviaram-se para o Pa\u00eds Basco, onde os seus lend\u00e1rios representantes, os Oskorri, assinaram o muito interessante e ex\u00f3tico \u201cHi Ere Dantzari\u201d.<\/p>\n<p><strong>Discografia<br \/>\nAltan \u201cHarvest Storm\u201d<br \/>\nLa Ciapa Rusa \u201cRetanavota\u201d<br \/>\nSkolvan \u201cKerzh Ba\u2019n\u2019Dans\u201d<br \/>\nJune Tabor \u201cAngel Tiger\u201d<br \/>\nVasmalon \u201cVasmalon II\u201d<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<strong>caixa<br \/>\nTRANSFER\u00caNCIA DE PODERES<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8661\" rel=\"attachment wp-att-8661\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2.jpg\" alt=\"\" width=\"272\" height=\"390\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8661\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2.jpg 272w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-209x300.jpg 209w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/2-70x100.jpg 70w\" sizes=\"auto, (max-width: 272px) 100vw, 272px\" \/><\/a><br \/>\n<center><\/p>\n<p>Da \u201cilha Esmeralda\u201d, como chamam \u00e1 Irlanda, poucos continuadores apareceram neste ano com a grandeza dos mitos dos anos setenta \u2013 Bothy Band, De Danann e Planxty. Dos tr\u00eas, permanecem vivos e de boa sa\u00fade os De Danann. Infelizmente, o novo \u201c1\/2 Set in Harlem\u201d n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 altura do resto da sua discografia. Os Chieftains, claro, continuam em for\u00e7a e em forma, mas neste caso a m\u00fasica da Irlanda serve cada vez mais de pretexto para exibirem listas de convidados provenientes de outras \u00e1reas musicais, exibi\u00e7\u00e3o que vai bem com o seu estatuto de \u201cbanda institucional\u201d.<br \/>\nEm 1992, foi a vez de apontarem para a \u201ccountry music\u201d, em \u201cAnother Country\u201d. Foi pena n\u00e3o ter chegado a tempo ao nosso pa\u00eds o ainda fresco \u201cThe Fair Hills of Ireland\u201d, dos Boys of the Lough\u201d. Assim, com Andy Irvine na m\u00e1 companhia de Davey Spillane, a dar uma ideia do que n\u00e3o \u00e9 a m\u00fasica da Bulg\u00e1ria em \u201cEast Wind\u201d, n\u00e3o foi dif\u00edcil aos Altan ocuparem o trono e puxarem lustro \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o no excelente \u201cHarvest Storm\u201d.<br \/>\nA Esc\u00f3cia, por seu lado foi campo de m\u00faltiplas experi\u00eancias que mantiveram acesa a fl\u00e2mula celta. Battlefield Band, Tannahill Weavers, Silly Wizard, Sileas, Catherine-Ann Mac-Phee, HannisMoore, Gordon Moonney, Savourna Stevenson e os Ceolbeg s\u00e3o projectos, uns mais antigos do que outros, em cont\u00ednuo desenvolvimento.<br \/>\nOs House Band destacaram-se, voltando a viajar, em \u201cStonetown\u201d, da Esc\u00f3cia at\u00e9 \u00e0 Bretanha a \u00e0 Bulg\u00e1ria, com alguns requebros de \u201ccajun\u201d pelo meio. Da superbanda de sonho, os Caln Alba \u2013 Brian McNeill (Battlefield Band), Davey Steele e Gary West (Ceolbeg), Dick Gaughan (uma das grandes e mais politizadas vozes da Esc\u00f3cia), Patsy Seddon e Mary McMaster (Sileas) e Dave Tulloch \u2013 espera-se tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 30.12.1992 TEND\u00caNCIAS 1992 CONTRA UMA EUROPA DE PAPEL 1992 assistiu \u00e0 explos\u00e3o definitiva da \u201cworld music\u201d como for\u00e7a motora da m\u00fasica popular. Multiplicaram-se as fus\u00f5es mais modernistas a par das ortodoxias mais renitentes. O termo \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d nunca, como no ano que passou, fez tanto sentido no l\u00e9xico musical doplaneta. 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