{"id":8576,"date":"2020-12-10T10:50:59","date_gmt":"2020-12-10T17:50:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8576"},"modified":"2020-12-10T10:50:59","modified_gmt":"2020-12-10T17:50:59","slug":"filipe-la-feria-e-joao-paulo-soares-varios-as-maiores-vozes-do-teatro-portugues-dossier-teatro-revista-compilacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/12\/10\/filipe-la-feria-e-joao-paulo-soares-varios-as-maiores-vozes-do-teatro-portugues-dossier-teatro-revista-compilacao\/","title":{"rendered":"Filipe La F\u00e9ria e Jo\u00e3o Paulo Soares + V\u00e1rios: &#8220;As Maiores Vozes Do Teatro Portugu\u00eas&#8221; (dossier \/ teatro \/ revista \/ compila\u00e7\u00e3o))"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 18.11.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>AS MAIORES VOZES DO TEATRO PORTUGU\u00caS<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Filipe La F\u00e9ria e Jo\u00e3o Paulo Soares n\u00e3o t\u00eam falsas mod\u00e9stias. Para eles, \u201cPassa por mim no Rossio\u201d \u00e9 mesmo um marco do teatro portugu\u00eas. E o disco acabado de ser lan\u00e7ado no mercado, uma \u201cpe\u00e7a rara\u201d que ficar\u00e1 para a eternidade. O \u00eaxito desta \u201cbanda sonora\u201d do teatro das nossas nostalgias est\u00e1, \u00e0 partida, assegurado.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8577\" rel=\"attachment wp-att-8577\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/1.jpg\" alt=\"\" width=\"485\" height=\"341\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8577\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/1.jpg 485w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/1-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/1-100x70.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 485px) 100vw, 485px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cPassa por Mim no Rossio\u201d foi um dos grandes \u00eaxitos de sempre do teatro portugu\u00eas. Quase dois anos em cena, filas de quil\u00f3metro, desde a madrugada, \u00e0 porta do D. Maria, na esperan\u00e7a de arranjar bilhete, foram sinais de um fen\u00f3meno tornado raro em Portugal \u2013 o sucesso popular. A revista portuguesa revista e actualizada por Filipe La F\u00e9ria jogou com as recorda\u00e7\u00f5es de uma Lisboa m\u00edtica e ganhou. De \u201cenfant terrible\u201d, La F\u00e9ria passou a \u201cmenino de ouro\u201d do patriarcado de Santana Lopes. Agora segue-se o disco, um duplo-\u00e1lbum composto, arranjado e organizado por Jo\u00e3o Paulo Soares e com textos escritos por La F\u00e9ria. Simone de Oliveira e Lu\u00eds Madureira s\u00e3o os principais cantores. A festa passa, assim, do palco para as colunas de uma aparelhagem. A magia n\u00e3o \u00e9 a mesma, mas o efeito de Pavlov permanece, talvez at\u00e9 mais eficaz. L\u00e1 est\u00e3o as vozes, bem simuladas, que aprendemos a venerar: Palmira Bastos, Am\u00e9lia Rey Cola\u00e7o, Beatriz Costa, Ribeirinho, Vasco Santana, Ant\u00f3nio Silva, Milu, Am\u00e1lia Rodrigues, Herm\u00ednia Silva, Laura Alves, Raul Solnado, Jos\u00e9 Viana e tantos outros que fizeram da revista portuguesa o espelho das \u00e2nsias e alegrias do z\u00e9-povinho. Passemos por eles. Sempre e em qualquer lugar.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8578\" rel=\"attachment wp-att-8578\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/2.jpg\" alt=\"\" width=\"623\" height=\"437\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8578\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/2.jpg 623w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/2-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/2-100x70.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 623px) 100vw, 623px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo Soares e Filpe La F\u00e9ria s\u00e3o os autores, respectivamente da m\u00fasica e dos textos, de \u201cPassa por Mim no Rossio\u201d, o \u00e1lbum duplo que ficar\u00e1 como testemunho sonoro da revista do mesmo nome. O P\u00daBLICO conversou com ambos, nos bastiadores do teatro Variedades, onde se ultimam os pormenores da \u201cGrande Noite\u201d encenada por La F\u00e9ria, s\u00e9rie sobre a revista portuguesa que a RTP apresentar\u00e1 a partir da noite de fim de ano. Antes ainda de \u201cMaldita Coca\u00edna\u201d, \u00f3pera-rock que o autor vai levar \u00e0 cena em 1993 no remodelado Politeama.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 O ambiente do disco reproduz bastante bem o tom festivo da pe\u00e7a\u2026<\/strong><br \/>\nJO\u00c3O PAULO SOARES \u2013 Foi gravado como se fosse um espect\u00e1culo ao vivo. Tem uma ambi\u00eancia de \u201cao vivo\u201d. Apesar de ser gravado em est\u00fadio, n\u00e3o tem qualquer tipo de frieza. Houve a inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o perder o calor do espect\u00e1culo.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como se processou a composi\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es? Partiu de temas antigos como base?<\/strong><br \/>\nJ.P.S. \u2013 O espect\u00e1culo \u00e9 uma viagem, uma hist\u00f3ria da revista que come\u00e7a no final do s\u00e9culo XIX. Houve uma recolha das can\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes e textos escritos propositadamente pelo Filipe La F\u00e9ria. Eu compus \u00e0 medida que as can\u00e7\u00f5es foram sendo englobadas numa determinada \u00e9poca. Digamos que compus ao estilo da \u00e9poca.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Os textos foram trabalhados da mesma maneira?<\/strong><br \/>\nFILIPE LA F\u00c9RIA \u2013 Foram recolhidos e adaptados. Tivemos o cuidado de resumir e dar \u00e0s pessoas que n\u00e3o viram o espect\u00e1culo uma vis\u00e3o global. Alguns textos foram encurtados e adaptados de maneira a formarem um todo.<br \/>\n<strong>P. \u2013 At\u00e9 que ponto o a\u00b4lbum vale pela m\u00fasica e n\u00e3o como objecto-fetiche da pe\u00e7a?<\/strong><br \/>\nF.L.F. \u2013 Acho que o disco vale por si s\u00f3. \u00c9 o registo de um espect\u00e1culo que se tornou hist\u00f3rico e numa refer\u00eancia, a partir de agora, de todo o teatro portugu\u00eas. Houve milhares e milhares de pessoas que n\u00e3o viram o \u201cPassa por Mim no Rossio\u201d. A pe\u00e7a esteve um ano e meio no Nacional, como podia ter estado dois, tr\u00eas ou quatro, tal como acontece em Londres. Neste caso, provocou uma enorme pol\u00e9mica por estar a ocupar um espa\u00e7o do Teatro Nacional que deveria ser para o teatro de report\u00f3rio. Isso foi a raz\u00e3o principal de, precipitadamente, se tirar de cena um espect\u00e1culo que esgotava e esgotaria ainda as lota\u00e7\u00f5es. Mas pronto, em Portugal as coisas s\u00e3o muito originais \u2013 O Teatro Nacional tem agora vinte ou trinta espectadores por noite, est\u00e1 tudo muito contente e feliz.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O \u00e1lbum n\u00e3o deveria ter sa\u00eddo h\u00e1 mais tempo, enquanto a pe\u00e7a estava ainda em cena?<\/strong><br \/>\nF.L.F. \u2013 Acho que este disco j\u00e1 podia ser de prata, de ouro, de platina, de cobre\u2026 Espero que na nossa pr\u00f3xima produ\u00e7\u00e3o, \u201cMaldita Coca\u00edna\u201d, no dia da estreia estejam o CD, o disco e a cassete \u00e0 venda.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Assim \u00e9 mais uma recorda\u00e7\u00e3o\u2026<\/strong><br \/>\nJ.P.S. \u2013 O disco \u00e9 um objecto completo que funciona por si pr\u00f3prio. Acho que n\u00e3o estou a ser imodesto se disser isto.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O disco reproduziu a totalidade da m\u00fasica do espect\u00e1culo?<\/strong><br \/>\nJ.P.S. \u2013 S\u00f3 metade. Ainda faltam bastantes coisas.<br \/>\nF.L.F. \u2013 Isso n\u00e3o \u00e9 muito comercial dizer\u2026 Este disco, antes de ser lan\u00e7ado, j\u00e1 \u00e9 uma pe\u00e7a rara porque, pela primeira vez, vai haver um registo das vozes dos maiores actores do teatro portugu\u00eas. Como sabe, devido ao inc\u00eandio da Valentim de Carvalho no Chiado, perderam-se muitos dos registos hist\u00f3ricos da revista: Vasco Santana, discos da Beatriz\u2026 todos os grandes nomes. Neste disco ficaram registadas as vozes j\u00e1 imoratais de Eunice Munoz, Ruy de Carvalho, Lurdes Norberto, Fernanda Borsatti, Varela Silva, S\u00e3o Jos\u00e9 Lapa, Maria Am\u00e9lia Matta, Manuel Coelho, Henriqueta Maya, Simone de Oliveira, s\u00e3o tantos\u2026<br \/>\nDaqui a 20 ou 30 anos, as pessoas v\u00e3o dizer deles o mesmo que eu dizia quando ouvia a minha av\u00f3 falar da Satanela e do Amarante. O melhor \u00e9 comprarem o disco j\u00e1 porque vale dinheiro e \u00e9 uma pe\u00e7a rara que vai ficar em casa!<br \/>\n<strong>P. \u2013 Qual o papel de Alexandre Soares na produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nJ.P.S. \u2013 Foi a pessoa que conseguiu reunir esfor\u00e7os, que deu o pontap\u00e9 de sa\u00edda nas negocia\u00e7\u00f5es e serviu de intermedi\u00e1rio com o David Ferreira. O Lu\u00eds Madureira tomou mais conta da parte art\u00edstica e da qualidade vocal em particular.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Em que ponto se encontra a \u00f3pera-rock \u201cMaldita Coca\u00edna\u201d?<\/strong><br \/>\nF.L.F. \u2013 Estamos s\u00f3 \u00e0 espera das obras do teatro Politeama. H\u00e1 uns pap\u00e9is do Tribunal de Contas que ainda n\u00e3o vieram e as obras ainda n\u00e3o se iniciaram. Por mim, \u00e9 um projecto que acalento com mais emo\u00e7\u00e3o. Com \u201cPassa por Mim no Rossio\u201d e a pr\u00f3xima s\u00e9rie de televis\u00e3o, A Grande Noite, espero fechar o ciclo da revista.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Nota-se em si a preocupa\u00e7\u00e3o de estar em todos os aspectos ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de um espect\u00e1culo, desde a parte art\u00edstica at\u00e9 \u00e0 promo\u00e7\u00e3o\u2026<\/strong><br \/>\nF.L.F. \u2013 Acho que sim. Hoje em dia tudo tem que ter o seu \u201cmarketing\u201d, n\u00e3o \u00e9? Ainda noutro dia fui escolhido por um grupo de alunas (isto \u00e9 uma coisa aned\u00f3tica) que est\u00e3o a estudar \u201cmarketing\u201d como a personalidade ideal para ilustrar a sua tese. Talvez seja um jeito natural em mim, porque nunca tirei nenhum curso de \u201cmarketing\u201d.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Afirmou uma vez que o apaixonavam as coisas ef\u00e9meras\u2026<\/strong><br \/>\nF.L.F \u2013 Em Portugal temos uma vis\u00e3o muito viciada, muito \u201cdemod\u00e9e\u201d, da arte. A arte n\u00e3o tem nada que modificar totalmente as pessoas. Se criar uma pequenina mancha no seu c\u00e9rebro j\u00e1 \u00e9 muito bom. Ou se lhes der felicidade, ou alegria. \u00c9 t\u00e3o dif\u00edcil, numa vida t\u00e3o triste como n\u00f3s temos, numa sociedade t\u00e3o opressiva, numa cidade t\u00e3o triste como Lisboa \u2013 que tem todos os v\u00edcios e defeitos das grandes cidades sem ter talvez as suas virtudes -, haver a festa, o lado festivo que temos obriga\u00e7\u00e3o de procurar na vida\u2026 Como se explica que o p\u00fablico esteja t\u00e3o esfomeado que v\u00e1 \u00e0s quatro horas da manh\u00e3 para uma bicha s\u00f3 para ver um espect\u00e1culo, como aconteceu com o \u201cPassa por Mim no Rossio\u201d? Como \u00e9 poss\u00edvel que n\u00f3s os intelectuais, os artistas, nos tenhamos fechado tanto em n\u00f3s pr\u00f3prios, at\u00e9 ao extremo ego\u00edsmo de n\u00e3o olharmos para o nosso semelhante?<br \/>\n<strong>P. \u2013 N\u00e3o receia que o p\u00fablico mais jovem n\u00e3o seja sens\u00edvel ao disco?<\/strong><br \/>\nF.L.F. \u2013 Voc\u00ea e eu ainda tivemos a felicidade de ouvir o Vasco Santana dizer: \u201c\u00d3 Evaristo, tens c\u00e1 disto?\u201d Isso foi tudo cortado. H\u00e1 tempos, estava aqui a ensaiar uns jovens que queriam entrar na \u201cGrande Noite\u201d e tive que lhes ensinar as marchas de Lisboa! Veja a vergonha: liga-se a televis\u00e3o e v\u00ea-se tudo a desfilar em Copacabana! Houve pessoas que convidei que n\u00e3o sabiam onde era o Parque Mayer! Embora seja preciso dizer que os jovens acorreram a ver \u201cPassa por Mim no Rossio\u201d.<br \/>\n<strong>P. \u2013 N\u00e3o ter\u00e3o vindo atra\u00eddos pelo \u201ckitsch\u201d, agora muito na moda? Hoje os putos s\u00e3o capazes de achar piada ouvir a Simone\u2026<\/strong><br \/>\nJ.P.S. \u2013 Eu n\u00e3o fui buscar o \u201ckitsch\u201d \u00e0 Simone. De todo. Aproveitei antes o seu lado f\u00edsico, visceral. A Simone \u00e9 uma mulher com uma for\u00e7a brutal a cantar. Os n\u00fameros musicais dela s\u00e3o os mais dif\u00edceis e equilibrados de todo o disco.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Simone de Oliveira ser\u00e1 ent\u00e3o uma presen\u00e7a aglutinadora no disco?<\/strong><br \/>\nJ.P.S. \u2013 A Simone de Oliveira funciona como Simone de Oliveira. O n\u00famero principal do espect\u00e1culo, \u201cCabar\u00e9\u201d, foi escrito de prop\u00f3sito para a Simone. Ele \u00e9 a Simone.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O \u00e1lbum surge numa altura em que est\u00e3o muito em voga os discos de vers\u00f5es de can\u00e7\u00f5es antigas. Por outro lado, n\u00e3o existe neste caso quelaquer esp\u00e9cie de reconvers\u00e3o. Os arranjos s\u00e3o o mais cl\u00e1ssico poss\u00edvel.<\/strong><br \/>\nF.L.F. \u2013 O Jo\u00e3o Paulo Soares teve o bom-gosto de n\u00e3o modernizar, no mau sentido, os temas. Deu-lhes sim um car\u00e1cter de \u00e9poca, mas que passou pelo interior dele.<br \/>\nJ.P.S. \u2013 N\u00e3o gosto nada das pessoas que aparecem por a\u00ed com grandes orquestras e tudo em ritmo de 2disco\u201d a cantar \u201dhits\u201d. Acho uma coisa arrepiante. Por outro lado, acho que n\u00e3o seria \u00fatil, s\u00f3 por quest\u00f5es de fidelidade, trazer uma t\u00edpica orquestra de revista do Parque Mayer que fosse m\u00e1. \u00c9 uma quest\u00e3o de bom-gosto.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8579\" rel=\"attachment wp-att-8579\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/3.jpg\" alt=\"\" width=\"381\" height=\"745\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8579\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/3.jpg 381w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/3-153x300.jpg 153w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/3-51x100.jpg 51w\" sizes=\"auto, (max-width: 381px) 100vw, 381px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>O PESO DO EF\u00c9MERO<br \/>\nV\u00c1RIOS<br \/>\nPassa Por Mim No Rossio<br \/>\n2xLP, MC, CD EMI-VC<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8580\" rel=\"attachment wp-att-8580\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/4.jpg\" alt=\"\" width=\"412\" height=\"202\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8580\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/4.jpg 412w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/4-300x147.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/4-100x49.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nComo encarar um objecto deste tipo? Como um \u201cbudget\u201d, uma lembran\u00e7a, um complemento da pe\u00e7a teatral? Ou, pelo contr\u00e1rio, como uma obra aut\u00f3noma com vida pr\u00f3pria, independente dos alicerces do teatro? \u201cPassa por Mim no Rossio\u201d, o disco, \u00e9 um pouco as duas coisas. Agora que a pe\u00e7a saiu de cena, o disco, um duplo com a chancela de Jo\u00e3o Paulo Soares na composi\u00e7\u00e3o, arranjso e orquestra\u00e7\u00e3o, e do pr\u00f3prio Filipe La F\u00e9ria, nos textos, funcionar\u00e1 para quem viu a revista como uma esp\u00e9cie de testemunho p\u00f3stumo, um eco remanescente do acontecimento original.<br \/>\nDepois, para quem, ao longo de meses e meses n\u00e3o esteve para se levantar \u00e0s cinco da manh\u00e3 para conseguir um hipot\u00e9tico ingresso no D. Maria II, o disco pode ser um substituto, um pr\u00e9mio de consola\u00e7\u00e3o de mais c\u00f3modo acesso. Faltam as imagens, a presen\u00e7a f\u00edsica dos actores e dos cen\u00e1rios, mas afinal as vozes e as can\u00e7\u00f5es continuam a exercer todo o seu fasc\u00ednio. Curiosamente, um dos aspectos de que \u201cPassa por Mim no Rossio\u201d se poderia ressentir \u2013 a falta de ambiente da representa\u00e7\u00e3o ao vivo \u2013 acaba por n\u00e3o se notar, pese embora tratar-se de uma grava\u00e7\u00e3o de est\u00fadio. Aplausos, aqui, para Jo\u00e3o Paulo Soares, cuja inspirada partitura conseguiu fazer esquecer o colorido e a excita\u00e7\u00e3o do espect\u00e1culo \u201cin loco\u201d. O compositor optou, e bem, por uma escrita ostensivamente \u201cpassadista\u201d, fugindo \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de moderniza\u00e7\u00e3o que poderia comprometer todo o projecto. Os textos de La F\u00e9ria acaompanham a m\u00fasica no mesmo processo.<br \/>\n\u201cPassa por Mim no Rossio\u201d alterna as can\u00e7\u00f5es com pequenos apontamentos de di\u00e1logos, temas popularuchos com momentos de forte carga dram\u00e1tica, estes \u00faltimos quase sempre invocados por Simone de Oliveira de quem Jo\u00e3o Paulo Soares soube aproveitar ao m\u00e1ximo as potencialidades. Onde outros poderiam ter cedido \u00e0 facilidade de valorizar o \u201ckitsch\u201d, o compositor ignorou as modas, preferindo antes firmar-se na tradi\u00e7\u00e3o. O recerso da medalha est\u00e1 em que o disco poder\u00e1 passar ao lado das prioridades de escuta das gera\u00e7\u00f5es mais novas, a quem os nomes dos grandes actores da revista portuguesa das d\u00e9cadas douradas de 30, 40, 50 e 60 pouco ou nada dir\u00e3o.<br \/>\nTrata-se ent\u00e3o de um disco destinado a alimentar a nostalgia dos mais velhos? Em parte sim. Ser\u00e1 essa, provavelmente, a faixa de consumidores mais alargada. Por outro lado tal facto poder\u00e1 ser compensado por um certo efeito \u201cperverso\u201d decorrente da simples exist\u00eancia do disco, a cujos autores n\u00e3o poder\u00e3o ser imputadas responsabilidades. \u00c9 que, se como j\u00e1 se disse, a redu\u00e7\u00e3o ao \u201ckitsch\u201d \u00e9 cuidadosamente evitada, nem por isso certa fatia de p\u00fablico deixar\u00e1 de ver nele o artefacto por excel\u00eancia do mau-gosto tornado objecto de luxo, ainda nates de qualquer audi\u00e7\u00e3o. Poder-se-\u00e1 inferir que os autores se estar\u00e3o nas tintas para isso e que apenas lhe importar\u00e1 que o disco atinja \u00edndices de \u00eaxito, sen\u00e3o maiores, pelo menos semelhantes aos da pe\u00e7a teatral. N\u00e3o \u00e9 um problema do foro art\u00edstico propriamente dito mas d\u00e1 que pensar.<br \/>\nEstamos afinal perante a ambiguidade total e h\u00e1 que reconhecer a Jo\u00e3o Paulo Soares e Filipe La F\u00e9ria o terem sabido fazer, na altura certa e com o sentido de oportunidade, uma jogada de mestre. Mas n\u00e3o era, no fim de contas, j\u00e1 \u201cPassa por Mim no Rossio\u201d, enquanto encena\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, esse jogo de remet~encias para ambiguidades de v\u00e1ria ordem. Entre o assumir-se como uma revista \u201c\u00e0 antiga portuguesa\u201d e, na pr\u00e1tica, como uma estiliza\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o a esbo\u00e7os e caricaturas de todos os ingredientes que no passado eram a ess\u00eancia dessa mesma revista? Eis o cerne da arte de La F\u00e9ria, esta capacidade de trocar as voltas e os olhos a quem anda e olha para onde os seus sonhos apontam. 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