{"id":8526,"date":"2020-11-15T11:52:13","date_gmt":"2020-11-15T18:52:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8526"},"modified":"2020-11-15T11:52:13","modified_gmt":"2020-11-15T18:52:13","slug":"zachary-richard-zachary-richard-lanca-novo-album-cajun-around-the-clock-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/11\/15\/zachary-richard-zachary-richard-lanca-novo-album-cajun-around-the-clock-entrevista\/","title":{"rendered":"Zachary Richard &#8211; &#8220;Zachary Richard Lan\u00e7a Novo \u00c1lbum &#8211; &#8216;Cajun Around The Clock'&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<p>Cultura >> Quarta-Feira, 14.10.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Zachary Richard Lan\u00e7a Novo \u00c1lbum<br \/>\n\u201cCajun Around The Clock\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>\u00c9 americano mas cantou durante anos em franc\u00eas. N\u00e3o admira, pois Zachary Richard, embora se declare m\u00fasico de rock, nunca renegou as suas ra\u00edzes \u201ccajun\u201d, essa mistura de country com as m\u00fasicas tradicionais europeias que os colonos franceses trouxeram para a Am\u00e9rica. O novo \u00e1lbum, \u201cSnake Bite Love\u201d, conta como algu\u00e9m se pode perder. De amores. Ou num p\u00e2ntano de Louisiana.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8527\" rel=\"attachment wp-att-8527\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zc.jpg\" alt=\"\" width=\"504\" height=\"745\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8527\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zc.jpg 504w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zc-203x300.jpg 203w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zc-68x100.jpg 68w\" sizes=\"auto, (max-width: 504px) 100vw, 504px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Poucos conhecer\u00e3o a m\u00fasica \u201ccajun\u201d \u2013 um h\u00edbrido com variantes como o \u201czydeco\u201d (dos negros e crioulos, popularizado por Clifton Chenier) ou a \u201ctex mex\u201d (tocada no oeste do Texas) \u2013 t\u00edpica do estado de Louisiana e da regi\u00e3o do Quebeque, no Canad\u00e1. O \u201ccajun\u201d, cantado inicialmente em franc\u00eas pelos colonos, foi incorporando, no Sul dos Estados Unidos, os \u201cblues\u201d, a \u201ccountry\u201d, a m\u00fasica africana e at\u00e9 certos sons das Cara\u00edbas. Zachary Richard foi mais longe e misturou o mist\u00e9rio dos p\u00e2ntanos e do \u201cvoodoo\u201d \u00e0 maior acessibilidade do rock. \u201cSnake Bite Love\u201d \u00e9 a mordidela da cobra. E de uma bela rapariga crioula.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 Na primeira fase da sua carreira cantou sempre em franc\u00eas. O que n\u00e3o acontece nos \u00e1lbuns mais recentes, incluindo o novo \u201cSnake Bite Love\u201d. Qual a raz\u00e3o da mudan\u00e7a?<br \/>\nZACHARY RICHARD \u2013 Para falar verdade comecei a cantar em ingl\u00eas, no meu primeiro \u00e1lbum, gravado me 1972, que nunca chegou a ser editado, na Am\u00e9rica. Cresci na Louisiana do Sul, os meus pais eram bilingues. Os meus av\u00f3s n\u00e3o falavam ingl\u00eas. Sinto-me \u00e0 vontade em ambas as l\u00ednguas. Quando fui pela primeira vez a Montr\u00e9al, em 1974, deparei com a for\u00e7a enorme que tinha a\u00ed a cultura francesa. Os franceses do Quebeque s\u00e3o muito nacionalistas. Tal facto seviu-me de inspira\u00e7\u00e3o, porque at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o tinha muita consci\u00eancia das minhas origens \u201ccajun\u201d. Na Louisiana as pessoas tendem a ignorar esta cultura. Associam \u201ccajun\u201d a ignor\u00e2ncia e pobreza. Tal deve-se \u00e0 invas\u00e3o da cultura americana, nos anos 40. Tudo isto inspirou-me a cantar em franc\u00eas.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O seu primeiro mercado foi, ali\u00e1s, a Fran\u00e7a\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Sim. Era muito excitante para mim. Era o in\u00edcio de uma aventura que durou 10 anos e durante a qual gravei oito \u00e1lbuns, que tiveram sucesso. Mas a meio dos anos 80 cheguei a um ponto em que senti que tinha de regressar a casa \u2013 \u00e0 Louisiana \u2013 o que fiz \u2013 e comecei a cantar e a tocar na costa do Golfo (do M\u00e9xico), na \u00e1rea de Houston, em ambas as l\u00ednguas. E a gravar em ingl\u00eas. Foi uma coisa natural. \u00c9 \u00f3bvio que quando se canta em ingl\u00eas \u00e9 poss\u00edvel chegar a uma audi\u00eancia e a um mercado maiores, mas essa n\u00e3o foi a principal motiva\u00e7\u00e3o. De facto, tenho uma maior tend\u00eancia para escrever can\u00e7\u00f5es em ingl\u00eas. Al\u00e9m de que esta \u00e9 a l\u00edngua do rock \u2018n\u2019 rol.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Mas concorda que a m\u00fasica \u201ccajun\u201d cantada em franc\u00eas tem outro sabor?&#8230;<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Absolutamente. O que acontece \u00e9 que n\u00e3o sou verdadeiramente um m\u00fasico \u201ccajun\u201d tradicional. O meu estilo est\u00e1 bastante mais pr\u00f3ximo do rock \u2018n\u2019 rol.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Quando se vem da Louisiana e se toca acorde\u00e3o as pessoas pensam logo em m\u00fasica tradicional. Mesmo quando comecei a tocar m\u00fasica \u201ccajun\u201d, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o 20 anos, o que pretendia era dar-lhe um cunho contempor\u00e2neo, mant\u00ea-la viva. A ideia era trazer elementos do \u201ccajun\u201d para um formato rock. Para mim o mais importante \u00e9 escrever can\u00e7\u00f5es e a cria\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica nova. Neil Young, Bob Dylan ou os Byrds s\u00e3o algumas das minhas influ\u00eancias, juntamente com o \u201ccajun\u201d, o estilo \u201czydeco\u201d e os \u201cblues\u201d da Louisiana.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Venenos<\/strong><\/p>\n<p><strong>P. \u2013 Em \u201cSnake Bite Love\u201d sente-se deveras o ambiente da Louisiana, em parte devido \u00e0s letras. Viveu mesmo todas as hist\u00f3rias que narra?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Tento escrever can\u00e7\u00f5es que digam qualquer coisa. Conto hist\u00f3rias e neste aspecto tenho a sorte de vir de um lugar onde abundam n\u00e3o s\u00f3 as hist\u00f3rias, como os contadores de hist\u00f3rias. A Louisiana \u00e9 f\u00e9rtil em culturas, em personagens, em toda a esp\u00e9cie de experi\u00eancias.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u00c9 f\u00e1cil ou dif\u00edcil viver na Louisiana, no meio dos jacar\u00e9s, dos mosquitos e do \u201cvoodoo\u201d?&#8230;<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 bastante f\u00e1cil. Temos boa comida, mulheres maravilhosas e m\u00fasica excelente. \u00c9 quase como viver em Portugal\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Mas nas notas do disco escreve coisas como \u201co perigo \u00e9 beleza\u201d e \u201ca beleza \u00e9 perigosa\u201d\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Tem tudo a ver com o tema de \u201cSnake Bite Love\u201d. Quando algu\u00e9m, na Louisiana, \u00e9 mordido por uma cobra, isso quer dizer m\u00e1 sorte. H\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o entre o amor e a m\u00e1sorte. Mas, num certo sentido, o amor \u00e9 como um veneno. Por outro lado \u00e9 como passear pelos p\u00e2ntanos. Ao mesmo tempo belo e perigoso. Pode-se ser morto l\u00e1, pelos jacar\u00e9s, por cobras venenosas, por mosquitos\u2026 \u00c9 assim que sinto o amor, a paix\u00e3o. O amor de uma mulher crioula \u00e9 algo muito excitante mas ao mesmo tempo perigoso\u2026 H\u00e1 sempre o perigo de se enlouquecer. De ser possu\u00eddo pelos encantamentos do \u201cvoodoo\u201d ou do amor. De se perder tudo, at\u00e9 a pr\u00f3pria identidade.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Por falar em \u201cvoodoo\u201d, como aconteceu a presen\u00e7a, na can\u00e7\u00e3o \u201cDown in Congo Square\u201d, de Dr. John, \u201co viajante da noite\u201d?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Essa alcunhya vem dos tempos em que ele se pintava, a fase \u201cglitter\u201d. Conheci-o por volta de 1972 em Nova-Iorque, onde ele tocava nessa altura. Eu era seu admirador. Torn\u00e1mo-nos amigos desde ent\u00e3o. Nessa can\u00e7\u00e3o quis dar-lhe o estilo de New Orleans e Dr. John era a pessoa ideal para o fazer. Ele vive num bairro franc\u00eas da cidade. Telefonei-lhe e ele apareceu.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Tamb\u00e9m viveu no Canad\u00e1. Quais s\u00e3o as principais diferen\u00e7as entre as culturas \u201ccajun\u201d de uma e outra regi\u00e3o?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Uma das diferen\u00e7as \u00e9 que no Canad\u00e1 faz mais frio. No Canad\u00e1 existe uma comunidade pequena na Nova Esc\u00f3cia, de canadianos, de onde os acadianos da Louisiana s\u00e3o origin\u00e1rios, depois de terem sido deportados em 1755, pelos ingleses. H\u00e1 semelhan\u00e7as entre os acadianos da Nova Esc\u00f3cia e os acadianos da Louisiana: a l\u00edngua e o sotaque, ou a m\u00fasica de violino. Por outro lado na Louisiana h\u00e1 as influ\u00eancias africanas, do jazz, dos \u201cblues\u201d, do \u201czydeko\u201d, que no Canad\u00e1 n\u00e3o existem de todo.<br \/>\n<strong>P. \u2013 A influ\u00eancia irlandesa \u00e9 comum\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Sim, essa decerto que a partilhamos. Os tocadores de rabeca irlandeses tiveram uma grande influ\u00eancia tanto na Louisiana como no Canad\u00e1.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00c0 Pop<\/strong><\/p>\n<p><strong>P. \u2013 Antes do seu primeiro \u00e1lbum em ingl\u00eas, \u201cZach Attack\u201d, afirmou que n\u00e3o queria ser um \u201cfrench pop singer\u201d. O que quer dizer com isso?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Sempre vendi bem em Fran\u00e7a, mas nunca me estabelecia a\u00ed. Nessa \u00e9poca conheci Claude Michel Schoenberg. Em 1980 resolvi voltar para a Louisiana e estive dois anos praticamente sem tocar. Constru\u00ed uma casa e sentia-me feliz apenas por estar l\u00e1. Em 1984 o Claude Michel veio visitar-me e convenceu-me a gravarmos juntos um disco em Fran\u00e7a. O estilo de produ\u00e7\u00e3o de Claude Michel \u00e9 muito voltado para a pop. Escrevemos algumas can\u00e7\u00f5es para \u201cZach Attack\u201d, boas can\u00e7\u00f5es mas que tinham, penso eu, umm toque esquizofr\u00e9nico. Umas totalmente pop e outras muito ao estilo de Louisiana. Havia duas direc\u00e7\u00f5es num mesmo \u00e1lbum. Quando acabei a grava\u00e7\u00e3o senti-me confuso. Cheguei por fim \u00e0 conclus\u00e3o que tinha de regressar de novo ao Louisiana e gravar dentro do seu estilo. E queria voltar a tocar para audi\u00eancias americanas.<br \/>\n<strong>P. &#8211; \u2026 e ser uma estrela de rock \u2018n\u2019 rol\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 O rock sempre fez parte do meu estilo. Apenas passei a definir a minha m\u00fasica de uma forma mais clara.<br \/>\n<strong>P. \u2013 No entanto nunca renegou as suas origens. Pensa que o trabalho de fus\u00e3o, digamos assim, a que se tem dedicado, \u00e9 a melhor forma de divulga\u00e7\u00e3o da m\u00fasica \u201ccajun\u201d?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o sou nem mission\u00e1rio, nem pol\u00edtico. N\u00e3o fa\u00e7o m\u00fasica como forma de propaganda. Fa\u00e7o a m\u00fasica de que gosto. E de uma forma cada vez mais pessoal. N\u00e3o considero haver uma contradi\u00e7\u00e3o em ser absolutamente fiel \u00e0 ideia de preservar a l\u00edngua francesa e a cultura \u201ccajun\u201d na Louisiana e ser ao mesmo tempo um m\u00fasico de rock.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> Quarta-Feira, 14.10.1992 Zachary Richard Lan\u00e7a Novo \u00c1lbum \u201cCajun Around The Clock\u201d \u00c9 americano mas cantou durante anos em franc\u00eas. 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