{"id":8515,"date":"2020-11-10T14:34:46","date_gmt":"2020-11-10T21:34:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8515"},"modified":"2020-11-10T14:34:46","modified_gmt":"2020-11-10T21:34:46","slug":"mathilde-santing-ensemble-carried-away","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/11\/10\/mathilde-santing-ensemble-carried-away\/","title":{"rendered":"Mathilde Santing Ensemble &#8211; &#8220;Carried Away&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 14.10.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>E A BANDA TOCOU \u201cWALTZING MATHILDA\u201d<\/p>\n<p>MATHILDE SANTING ENSEMBLE<br \/>\nCarried Away<br \/>\nCD, Solid, import. Contraverso<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8516\" rel=\"attachment wp-att-8516\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ms.jpg\" alt=\"\" width=\"392\" height=\"575\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8516\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ms.jpg 392w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ms-205x300.jpg 205w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ms-68x100.jpg 68w\" sizes=\"auto, (max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nCan\u00e7\u00f5es. T\u00e3o simples como isto. E t\u00e3o complicado. A uma can\u00e7\u00e3o digna desse nome exige-se que conte uma hist\u00f3ria, seja ela qual for. E que essa hist\u00f3ria fa\u00e7a mossa, deixe marcas, n\u00e3o se deixe cair no esquecimento. H\u00e1 can\u00e7\u00f5es que dizem tudo de uma vez. E can\u00e7\u00f5es que v\u00e3o dizendo. A v\u00e1rios tempos, a v\u00e1rias vozes sobrepostas, consoante o g\u00e9nio ou os acasos da inspira\u00e7\u00e3o que visitaram o autor. Depois h\u00e1 quem pegue nas can\u00e7\u00f5es e lhes tire ou acrescente algo. Os ossos ou o sumo. S\u00e3o os int\u00e9rpretes, porta-vozes dessas hist\u00f3rias paralelas que se escrevem em versos e se trauteiam num refr\u00e3o. Mathilde Santing \u00e9 uma int\u00e9rprete. Das maiores. Uma cantora de sensibilidade, com a capacidade de se adapatar a uma diversidade de registos, de maneira a vestir cada can\u00e7\u00e3o como uma segunda pele. Mathilde n\u00e3o comp\u00f5e, como Suzanne Veja, Rickie Lee Jones, Joni Mitchell, as grandes cantoras americanas da m\u00fasica popular. Est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea das chamas de composi\u00e7\u00f5es alheias. A ela compete-lhe dar vida, animar, retocar, chamar a aten\u00e7\u00e3o para uma emo\u00e7\u00e3o particular que n\u00e3o se suspeitava existir nas palavras, numa melodia. A ela compete ainda tornar novo o antigo, diferente o conhyecido, pessoal o que \u00e9 alheio. Mathilde Santing, de naturalidade holandesa, inclui-se no mesmo de que fazem parte, entre outras, Mary Coughlan ou Marianne Faithfull, mas habita um nicho separado. Ao contr\u00e1rio destas duas int\u00e9rpretes, Santing possui uma qualidade intrinsecamente continental, uma nostalgia espec\u00edfica que pesa menos, que solta fragr\u00e2ncias, como se a tristeza pudesse fazer sorrir e esse riso fosse natural. Em Marianne Faithfull h\u00e1 drama, pris\u00e3o, dor. Coughlan, por seu lado, refugia-se na dist\u00e2ncia de uma Irlanda segura pelos mitos. A holandesa ergue a sua obra na brisa, sem grandes alardes mas com a seguran\u00e7a e a convic\u00e7\u00e3o que lhe adv\u00e9m de pertencer a uma linha vinculada \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o europeia de cantores de variedades, dos casinos e cabar\u00e9s, ao crep\u00fasculo das valsas espectrais de Marienbad.<br \/>\nA Am\u00e9rica, na voz de Mathilde Santing, soa com tonalidades europeias. Os arranjos, assinados por si e por Rolf Hermsen, sugerem uma frieza que acaba por ser aparente. Na Europa vive-se \u00e0 dist\u00e2ncia, longe dos \u201cn\u00e9ons\u201d da rua. Sofre-se menos na carne e mais na imagina\u00e7\u00e3o. Sente-se uma nostalgia que vem de s\u00e9culos. Foge-se-lhe por onde se pode e cobre-se a fuga com as roupagens da sofistica\u00e7\u00e3o. Em \u201cCarried Away\u201d a cantora foi buscar can\u00e7\u00f5es de Todd Rundgren (\u201cReal man\u201d e Pretending to care\u201d), como j\u00e1 o havia feito nos anteriores \u201cOut of This Dream\u201d e \u201cBreast and Brow\u201d, Roddy Frame, dos Aztec Camera (\u201cOblivious\u201d), Robert Cray (\u201cBad Influence\u201d) e Doors (\u201cYes the river knows\u201d), bem como das duplas Gartside &#038; Gamson (\u201cOvernite\u201d, \u201cThe word girl\u201d), Van Hausen &#038; Burke (\u201cPolkadots and moonbeams\u201d), Gordon Mills &#038; Les Reed (It\u00b4s not unusual\u201d).<br \/>\nSem atingir o sublime dos contos surrealistas de \u201cWater under the Bridge\u201d, \u201cCarried Away\u201d consegue ultrapassar os outros dois \u00e1lbuns citados, no bom gosto evidenciado na escolha de temas, na eleg\u00e2ncia que caracteriza o estilo da cantora e, em grande medida, nos arranjos luxuriantes. Pr\u00f3xima, no tema de abertura, \u201cReal man\u201d, de um registo \u201cmainstream\u201d que n\u00e3o permite grandes inova\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas, Mathilde Santing corrige a m\u00e3o e enceta uma viagem sem grandes colis\u00f5es dram\u00e1ticas por entre marimbas, naipes de cordas e poderosas respira\u00e7\u00f5es de baixo, alinhando um conjunto heter\u00f3clito de can\u00e7\u00f5es (quatro delas ostentam uma beleza que n\u00e3o \u00e9 dete mundo: \u201cOvernite\u201d, \u201cThe word girl\u201d, \u201cOnly a motion\u201d e \u201cYes the river knows\u201d) que de comum nada mais t\u00eam sen\u00e3o o elo oculto que a int\u00e9rprete lhes descobriu. Um elo que passa pelas recorda\u00e7\u00f5es dos tempos de inf\u00e2ncia e juventude, por aprendizagens de amor, por sonhos desfiados na bruma. Mathilde vai com as can\u00e7\u00f5es, ao ritmo de um calipso, de um blues europeizado, de sussurros \u201cjazzy\u201d, da sua sensibilidade pr\u00f3pria, at\u00e9 encontrar portos de abrigo. Na foz do rio. Onde as \u00e1guas deixam de correr e come\u00e7a o mar. <strong>(8)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 14.10.1992 E A BANDA TOCOU \u201cWALTZING MATHILDA\u201d MATHILDE SANTING ENSEMBLE Carried Away CD, Solid, import. Contraverso Can\u00e7\u00f5es. T\u00e3o simples como isto. E t\u00e3o complicado. A uma can\u00e7\u00e3o digna desse nome exige-se que conte uma hist\u00f3ria, seja ela qual for. 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