{"id":8497,"date":"2020-11-02T05:47:24","date_gmt":"2020-11-02T12:47:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8497"},"modified":"2020-11-02T05:47:24","modified_gmt":"2020-11-02T12:47:24","slug":"joao-bosco-joao-bosco-tocou-ontem-em-lisboa-cantos-do-imprevisto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/11\/02\/joao-bosco-joao-bosco-tocou-ontem-em-lisboa-cantos-do-imprevisto\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Bosco &#8211; &#8220;Jo\u00e3o Bosco Tocou Ontem Em Lisboa &#8211; Cantos Do Imprevisto&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Cultura >> Sexta-Feira, 09.10.1992<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Bosco Tocou Ontem Em Lisboa<br \/>\nCantos Do Imprevisto<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>M\u00fasica brasileira n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a que vem aos Coliseus dar-nos telenovelas e carnaval. M\u00fasica brasileira pode ser sem fronteiras e viajar at\u00e9 ao imprevisto. Jo\u00e3o Bosco assim o disse e cantou. Num dos poucos espect\u00e1culos realizados este ano em Portugal em que fez sentido o termo \u201cao vivo\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8498\" rel=\"attachment wp-att-8498\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/JB.jpg\" alt=\"\" width=\"628\" height=\"466\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8498\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/JB.jpg 628w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/JB-300x223.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/JB-624x463.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/JB-100x74.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 628px) 100vw, 628px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Devia haver mais brasileiros que portugueses, quarta-feira \u00c0 noite, no Teatro Maria Matos, a assistir \u00e0 estreia portuguesa de Jo\u00e3o Bosco. Foi um concerto not\u00e1vel, principalmente do lado direito da sala, mesmo junto \u00e0 parede, que foi o local julgado ideal pela organiza\u00e7\u00e3o para situar o jornalista. Este, empolgado pela m\u00fasica, l\u00e1 foi esticando e entortando o pesco\u00e7o, como o homem dos colch\u00f5es Pikolin, at\u00e9 ficar mais ou menos a meio. Valeu a pena.<br \/>\nJo\u00e3o Bosco n\u00e3o \u00e9 muito conhecido por c\u00e1. Escutando-se a sua m\u00fasica percebe-se porqu\u00ea. Bosco n\u00e3o \u00e9 um m\u00fasico brasileiro parecido com os outros, que de cinco em cinco minutos v\u00eam c\u00e1 dar-nos beijinhos ao Coliseu dos Recreios, embora tamb\u00e9m j\u00e1 tenha composto temas para telenovelas, como \u201cTieta\u201d e \u201cPantanal\u201d. Ele pr\u00f3prio se define como um \u201cartista inquieto, em constante del\u00edrio\u201d que n\u00e3o deixa que as \u201cbarreiras impe\u00e7am a livre cria\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 \u00f3bvio que est\u00e1 a falar verdade. Jo\u00e3o Bosco n\u00e3o \u00e9 tanto um compositor de can\u00e7\u00f5es, na acep\u00e7\u00e3o tradicional, mas um m\u00fasico total, um \u201cjongleur\u201d de palavras e sons, um equilibrista no arame que rompe com os esquemas convencionais do canto. O seu \u00faltimo \u00e1lbum tem por t\u00edtulo \u201cZona de Fronteira\u201d, com o selo Sony Music. Uma fronteira que existe para ser ultrapassada.<\/p>\n<p><strong>Voz De Comando<\/strong><\/p>\n<p>Uma guitarra ac\u00fastica, um banco, uma garrafa de \u00e1gua do Luso sem poiso certo, eram os \u00fanicos artefactos em cena. Chegaram para ajudar o artista em cena, na primeira parte do espect\u00e1culo, a mostrar tudo o que vale. A voz de Jo\u00e3o Bosco recusa amarras. As can\u00e7\u00f5es s\u00e3o-lhe ponto de partida para uma divaga\u00e7\u00e3o constante. A voz \u00e9 quem comanda, a can\u00e7\u00e3o vai atr\u00e1s. O artista brasileiro arriscou tudo, libertando-se da seguran\u00e7a de arranjos fixos que n\u00e3o passariam de espartilhos. \u00c9 em casos como este que faz sentido falar da voz como um instrumento de possibilidades infinitas. Logo no primeiro tema, em que imitou a gaguez de um homem apaixonado, o ritmo brotou como que por magia das palavras, das onomatopeias, das s\u00edncopes cheias de \u201cswing\u201d, da plasticidade de uma voz que a cada instante se reinventou. \u201cObrigado gente!\u201d, repetiu invariavelmente ap\u00f3s cada \u201ccan\u00e7\u00e3o\u201d. Em jeito humilde de quem vai pesquisando as emo\u00e7\u00f5es alheias e as conquistas para o seu territ\u00f3rio. Bosco \u00e9 um louco, no bom sentido. A \u201cgrande confus\u00e3o musical\u201d \u2013 como define, com humor, a sua m\u00fasica \u2013 \u00e9 a confus\u00e3o de mundos, coabitando em simult\u00e2neo, de sons libertos em dan\u00e7a perp\u00e9tua. Samba, bossa nova, os \u201cblues\u201d, o flamenco, \u00c1frica, Milton, Chico Buarque, Tom Jobim, Jo\u00e3o Gilberto, cruzam-se e encontram-se com os pap\u00e9is trocados, no canto e no viol\u00e3o. O \u201clouco\u201d \u00e9 afinal quem, como ele, se deixa tocar pela m\u00fasica, pelas m\u00fasicas, e lhes d\u00e1 voz pr\u00f3pria.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m-Fronteira<\/strong><\/p>\n<p>Na segunda parte juntaram-se a Jo\u00e3o Bosco, Ricardo Silveira, na guitarra el\u00e9ctrica, e Armand Sabal Lecco, que j\u00e1 tocara anteriormente em Portugal, integrado na banda de Paul Simon, no baixo. Bosco, por sua vez, trocou a guitarra ac\u00fastica por uma el\u00e9ctrica. Loucura completa. Os tr\u00eas entusiasmaram-se e entusiasmaram a assist\u00eancia. N\u00e3o havia instrumentos de percuss\u00e3o nem se deu por falta deles. Duas guitarras e um baixo criaram ritmos intricados, dialogaram de forma imprevis\u00edvel e improvisaram a cada momento, desmultiplicaram-se em cad\u00eancias que misturavam o rock, ritmos brasileiros e fus\u00f5es de \u00edndole jazz\u00edstica.<br \/>\nOs m\u00fasicos levantaram-se, riram, brilharam. Jo\u00e3o Bosco dan\u00e7ou pelo palco e fez gestos de agarrar as vibra\u00e7\u00f5es que pairavam no ar. E agarrou-as mesmo. M\u00fasica sem fronteiras que no final foi aplaudida em p\u00e9, por uma plateia em del\u00edrio. O trio regressou ao palco para uma \u201cjam session\u201d admir\u00e1vel, carburando como uma m\u00e1quina no m\u00e1ximo da afina\u00e7\u00e3o. Na zona al\u00e9m-fronteira. Zona livre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> Sexta-Feira, 09.10.1992 Jo\u00e3o Bosco Tocou Ontem Em Lisboa Cantos Do Imprevisto M\u00fasica brasileira n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a que vem aos Coliseus dar-nos telenovelas e carnaval. 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