{"id":8458,"date":"2020-10-25T12:36:07","date_gmt":"2020-10-25T19:36:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8458"},"modified":"2020-10-25T12:36:07","modified_gmt":"2020-10-25T19:36:07","slug":"peter-gabriel-peter-gabriel-peter-gabriel-2-peter-gabriel-3-peter-gabriel-4-so-passion-us-dossier","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/10\/25\/peter-gabriel-peter-gabriel-peter-gabriel-2-peter-gabriel-3-peter-gabriel-4-so-passion-us-dossier\/","title":{"rendered":"Peter Gabriel &#8211; &#8220;Peter Gabriel&#8221; + &#8220;Peter Gabriel 2&#8221; + &#8220;Peter Gabriel 3&#8221; + &#8220;Peter Gabriel 4&#8221; + &#8220;So&#8221; + &#8220;Passion&#8221; + &#8220;Us&#8221; (dossier)"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 23.09.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>PERDER O MEDO AOS MONSTROS<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8459\" rel=\"attachment wp-att-8459\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/1-2.jpg\" alt=\"\" width=\"165\" height=\"623\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8459\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nEm Peter Gabriel tudo se mistura num cadinho em constante ebuli\u00e7\u00e3o: os sons que aprendeu a escutar do mundo, a tecnologia sofisticada, as suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es. Entre os temas tratados em \u201cUs\u201d, o seu mais recente \u00e1lbum, editado em Portugal, contam-se o medo, as virtudes do vapor e a domestica\u00e7\u00e3o de monstros. Mais uma gama razo\u00e1vel de rela\u00e7\u00f5es amorosas. Enquanto n\u00e3o nasce a \u201cGabrieland\u201d, uma Disneyl\u00e2ndia futurista para os artistas brincarem. O mundo real funde-se com a realidade virtual.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8460\" rel=\"attachment wp-att-8460\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/2-2.jpg\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"326\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8460\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/2-2.jpg 235w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/2-2-216x300.jpg 216w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/2-2-72x100.jpg 72w\" sizes=\"auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>H\u00e1 uma inquieta\u00e7\u00e3o constante em Peter Gabriel, que determina cada um dos seus passos e serve de motor a cada novo projecto. Antigamente, chamavam a este tipo de homens \u201cidealistas\u201d \u2013 os que procuravam ver a realidade atrav\u00e9s do maior n\u00famero poss\u00edvel de perspectivas e que acreditavam que qualquer sonho podia e devia ser posto em pr\u00e1tica. Peter Gabriel \u00e9 um destes homens. Desde os tempos em que, nos Genesis, procurou alargar as fronteiras do rock, at\u00e9 a mistura pancultural do seu novo \u00e1lbum, \u201cUs\u201d, passando pela cria\u00e7\u00e3o da editora Real World e pela organiza\u00e7\u00e3o do primeiro festival WOMAD, acreditou sempre que poderia ir mais longe, e que era poss\u00edvel transformar o sonho em realidade.<br \/>\nDurante os \u00faltimos cinco anos, Peter Gabriel submeteu-se ao crivo da terapia psicol\u00f3gica. Por culpa de um div\u00f3rcio e das confus\u00f5es sentimentais arranjadas com a actriz Rosanna Arquette. A terapia \u00e9 uma esp\u00e9cie de escava\u00e7\u00e3o nos terrenos baldios da alma, que permite encontrar, presos \u00e0 terra, j\u00f3ias e esterco. Peter Gabriel escavou at\u00e9 libertar o monstro que hiberna em todos n\u00f3s. Numa das faixas de \u201cUs\u201d, intitulada, \u201cDigging the Dirt\u201d, ele explica todo o processo e, ao mesmo tempo, sossega-nos quanto \u00e0s consequ\u00eancias. Os monstros ou dem\u00f3nios, diz ele, perdem o seu poder, quando s\u00e3o trazidos das profundezas para a luz do dia.<br \/>\nO v\u00eddeo deste tema, realizado por John Downer, parece, no entanto, n\u00e3o confirmar esta opini\u00e3o, e mostra o paciente num estranho desempenho, entre fruta podre, cad\u00e1veres em decomposi\u00e7\u00e3o e larvas de borboleta. De resto, Peter Gabriel passara por um per\u00edodo mais desequilibrado, no qual manifestara a inten\u00e7\u00e3o de compor um \u00e1lbum sobre temas como a morte, o assass\u00ednio e a pena capital.<br \/>\nAcabou por inflectir na direc\u00e7\u00e3o oposta e assinar um disco, \u201cUs\u201d, que ele define como de \u201ccan\u00e7\u00f5es de amor\u201d. Estranhas formas de amor e estranhas can\u00e7\u00f5es. A uni\u00e3o de sangue entre Ad\u00e3o e Eva no para\u00edso (\u201cBlood of Eden\u201d); a influ\u00eancia do vapor (\u201cSteam, definida pelo seu autor como uma can\u00e7\u00e3o \u201cquente e h\u00famida\u201d); o desejo de purifica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua (\u201cWashing of the water\u201d); princesas que beijam sapos na esperan\u00e7a de encontrarem pr\u00edncipes mais ou menos encantados (2Kiss that frog\u201d); o mundo secreto dos objectos (\u201cSecret world\u201d), entre outras experi\u00eancias religiosas, sexuais e emocionais, integram a lista de temas que tornam \u201cUs\u201d uma am\u00e1lgama, por vezes confusa, de est\u00edmulos provenientes do mundo real (por vezes, demasiado real).<br \/>\nO som \u00e9 fruto da ressaca \u2013 ainda n\u00e3o curada \u2013 dos excessos de \u201cworld music\u201d cometidos em \u201cPassion\u201d, ou seja, instrumentos \u00e9tnicos \u00e0s centenas, convidados \u00e0s dezenas, muitos ritmos electr\u00f3nicos como condimento, e can\u00e7\u00f5es que reatam a tradi\u00e7\u00e3o dos \u00e1lbuns antigos de Peter Gabriel at\u00e9 \u201cSo\u201d. Daniel Lanois, o produtor, porque suportou sobre os ombros a tarefa de evitar excessos em que o cantor tenderia por vezes a incorrer, mas francamente, n\u00e3o se nota.<br \/>\nEnquanto \u201cUs\u201d j\u00e1 iguala iu ultrapassa o n\u00famero de vendas de \u201cSo\u201d \u2013 e muito ajudaram a saldar d\u00edvidas contra\u00eddas com a organiza\u00e7\u00e3o do primeiro WOMAD, uma ideia pioneira que, na \u00e9poca, n\u00e3o encontrou grande aceita\u00e7\u00e3o \u2013 Peter Gabriel vai sonhando com a companhia de Laurie Anderson e Brian Eno, com a Gabrieland. Uma esp\u00e9cie de Disneyl\u00e2ndia tecnol\u00f3gica de futuro, laborat\u00f3rio, igualmente galeria de arte e campo de ensaios \u2013 onde n\u00e3o faltariam m\u00e1quinas indutoras de realidade virtual, o mais recente fasc\u00ednio de Gabriel, para artistas, psic\u00f3logos e toda a esp\u00e9cie de \u201cloucos\u201d poderem concretizar as suas ideias ou simplesmente se divertirem. O local j\u00e1 existe: 12 hectares de terrenos em Barcelona esperam a chegada do novo mundo. Seja real ou virtual.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>PORTAS E JANELAS<\/strong><\/p>\n<p>Pode dividir-se a discografia completa de Peter Gabriel em tr\u00eas fases: a primeira, partilhada com os restantes elementos dos Genesis, constitui um dos cap\u00edtulos mais brilhantes da m\u00fasica progressiva dos anos 70. \u00c9 a fase da valoriza\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, do sonho e das grandes encena\u00e7\u00f5es, vocais e teatrais. A segunda, que vai do disco hom\u00f3nimo de 1977 at\u00e9 \u201cSo\u201d, corresponde \u00e0 vis\u00e3o solit\u00e1ria de um poeta que trocou, como fonte de inspira\u00e7\u00e3o, as fantasmagorias vitorianas pelo pesadelo urbano. Uma fase de dilacera\u00e7\u00e3o e, em simult\u00e2neo, de constru\u00e7\u00e3o de uma personalidade nova. A terceira, com pre\u00e2mbulo nos festivais WOMAD e na cria\u00e7\u00e3o da editora Real World, mostra um Peter Gabriel liberto de si pr\u00f3prio e com o cora\u00e7\u00e3o, os olhos e os ouvidos voltados para as m\u00fasicas do mundo. Come\u00e7ou com \u201cPassion\u201d e encontrou um ponto de equil\u00edbrio prec\u00e1rio no novo \u201cus\u201d. Resta saber se tudo permanece em aberto ou se, pelo contr\u00e1rio, Peter Gabriel foi dar a um beco enfeitado de exotismos. Ele que um dia afirmou ser perito em abrir portas e janelas.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Peter Gabriel (1977)<\/strong><\/br\/><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8461\" rel=\"attachment wp-att-8461\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/3-2.jpg\" alt=\"\" width=\"158\" height=\"162\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8461\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/3-2.jpg 158w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/3-2-98x100.jpg 98w\" sizes=\"auto, (max-width: 158px) 100vw, 158px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nOs Genesis tinham ficado para tr\u00e1s, mas as feridas n\u00e3o estavam totalmente saradas. \u201cThe Lamb Lies down on Broadway\u201d, derradeira obra do quinteto, sa\u00edra na quase totalidade da pena do seu actor \/ vocalista. Era chegado o tempo de afirma\u00e7\u00e3o de uma personalidade\u2026 tamb\u00e9m de mudan\u00e7a para outras latitudes. O primeiro trabalho a solo marca a ruptura de Peter Gabriel com a viagem de contador de f\u00e1bulas que os discos da banda punham em relevo. \u00c0 poesia de can\u00e7\u00f5es como \u201cSolsbury Hill\u201d , \u201cHumdrum\u201d e \u201cDown the dolce vita\u201d, ainda n\u00e3o totalmente afastadas do veio Genesis, Gabriel contrap\u00f5e a viol\u00eancia ainda bastante controlada e sobretudo tem\u00e1tica, de \u201cModern Love\u201d e \u201cWaiting for the big one\u201d. \u201cMoribund the Burguermeister\u201d prenuncia, \u00e0 dist\u00e2ncia de mais de uma d\u00e9cada, o mergulho nas sonoridades world. \u201cHere comes flood\u201d \u00e9 um hino apocal\u00edptico que at\u00e9 hoje continua a queimar a mem\u00f3ria. A guitarra de Robert Fripp ateia os primeiros inc\u00eandios.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Peter Gabriel 2 (1978)<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8462\" rel=\"attachment wp-att-8462\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/4-2.jpg\" alt=\"\" width=\"162\" height=\"205\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8462\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/4-2.jpg 162w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/4-2-79x100.jpg 79w\" sizes=\"auto, (max-width: 162px) 100vw, 162px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nO som torna-se mais agressivo. A magia do mundo de hist\u00f3rias e da Inglaterra vitoriana apaga-se em definitivo. Ficam as sombras e as amea\u00e7as. Peter Gabriel aprende cada vez mais depressa a tirar partido da paranoia. As capas dos discos acompanham o processo que em breve se mostraria ser de desagrega\u00e7\u00e3o. Na do primeiro, o cantor parece fechado no interior de um autom\u00f3vel, ao abrigo da chuva (do dil\u00favio). A imagem \u00e9 de tristeza e abandono. Agora passa a ser de f\u00faria. As m\u00e3os \u201crasgam\u201d, do interior, a fotografia. O ar \u00e9 demon\u00edaco. Na contracapa, Peter Gabriel atravessa uma paisagem de lixo urbano. Tudo a preto e branco, como conv\u00e9m. \u201cMother of violence\u201d e \u201cAnimal Magic\u201d d\u00e3o express\u00e3o a esse fogo. A essa quase luta pela sobreviv\u00eancia. \u201cExposure\u201d, recuperado posteriormente para o \u00e1lbum do mesmo nome de Robert Fripp, e \u201cWhite Shadow\u201d, o tema mais perturbante, em que se torna n\u00edtida a influ\u00eancia das concep\u00e7\u00f5es musicais do antigo guitarrista dos King Crimson, balizam o caminho que viria a ser percorrido no \u00e1lbum seguinte.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Peter Gabriel 3 (1980)<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8463\" rel=\"attachment wp-att-8463\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/5-1.jpg\" alt=\"\" width=\"152\" height=\"209\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8463\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/5-1.jpg 152w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/5-1-73x100.jpg 73w\" sizes=\"auto, (max-width: 152px) 100vw, 152px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nAt\u00e9 \u00e0 data, o disco onde melhor se expressam as diversas divaga\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas exploradas pelo ex-Genesis. Passando inc\u00f3lume pela avalancha punk, Peter Gabriel afirma orgulhosamente que sabe \u201cqualquer coisa sobre abrir portas e janeasl\u201d. \u201cNo self control\u201d, \u201cI don\u2019t remember\u201d, \u201cAnd through the wire\u201d, \u201cFamily snapsot\u201d confirmam na verdade as suas reais capacidades de serralheiro. O som torna-se mais complexo, a par da viol\u00eancia, sempre crescente, e da teia intricada de sentidos sugerida pelos textos. Aproxima-se o ponto de combust\u00e3o. E do n\u00e3o retorno. As preocupa\u00e7\u00f5es sociais, que nos Genesis se ocultavam por detr\u00e1s do humor \u201cnonsense\u201d e da simbologia surrealista, como acontecia em \u201cHarold the barrel\u201d (de \u201cNursery Cryme\u201d) ou, de forma mais directa e interveniente, em \u201cGet \u2018em out by Friday\u201d (\u201cFoxtrot\u201d), s\u00e3o atiradas para a primeira linha das inquieta\u00e7\u00f5es do autor, na par\u00f3dia ao eurovazio de \u201cGames without frontiers\u201d ou no manifesto anti-\u201capartheid\u201d, \u201cBiko\u201d. O poder do batuque aumenta a intensidade \u2013 Gabriel dispensa a utiliza\u00e7\u00e3o de outros instrumentos de percuss\u00e3o para al\u00e9m dos tambores que aqui rivalizam com os prod\u00edgios do rec\u00e9m-descoberto Fairlight CMI, pai de todos os samplers. A capa apresenta o rosto do artista corr\u00eddo e deformado por \u00e1cidos. O processo alqu\u00edmico passava pela fase do \u201cputrefacto\u201d.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Peter Gabriel 4 (1982)<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8464\" rel=\"attachment wp-att-8464\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/6.jpg\" alt=\"\" width=\"159\" height=\"213\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8464\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/6.jpg 159w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/6-75x100.jpg 75w\" sizes=\"auto, (max-width: 159px) 100vw, 159px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nRegresso a casa, por \u00ednvios caminhos. N\u00e3o parece, mas \u00e9 o \u00e1lbum mais pr\u00f3ximo dos Genesis, da primeira fase, evidentemente. M\u00fasica progressiva, camuflada por uma utiliza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de electr\u00f3nica, em registo barroco e sobrexposi\u00e7\u00e3o de imagens. Capa colorida por filtros e efeitos v\u00eddeo. Dentes que rangem. Dor. Poderia ser a continua\u00e7\u00e3o da \u201ctrip\u201d de \u00e1cido de \u201cThe Lamb Lies down on Broadway\u201d. \u201cThe family and the fishing net\u201d, \u201cLay your hands on me\u201d e, sobretudo, \u201cWallflower\u201d n\u00e3o destoariam ao lado das boas can\u00e7\u00f5es dos Genesis. \u201cI have the touch\u201d e \u201cShock the monkey\u201d usam e abusam dos ritmos electr\u00f3nicos. \u201cRhythm of the heat\u201d, \u201cSan Jacinto\u201d e \u201cKiss of life\u201d dos ritmos tribais. Faltava apenas ultrapassar a barreira do rock e do sucesso \u2013 o que Peter Gabriel conseguiu, no \u00e1lbum seguinte \u2013 para se abrir de par em par a porta de acesso aos mundos do \u201cmundo real\u201d.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>So (1986)<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8465\" rel=\"attachment wp-att-8465\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/7.jpg\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"209\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8465\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/7.jpg 204w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/7-98x100.jpg 98w\" sizes=\"auto, (max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nEntre os dois \u00e1lbuns de est\u00fadio, Peter Gabriel deixou registado o duplo \u201cPlays live\u201d, em cuja capa curiosamente aparece fotografado com o rosto pintado, ao estilo caracter\u00edstico das antigas encena\u00e7\u00f5es nos Genesis. \u201cSo\u201d \u00e9 conciso, no t\u00edtulo e nos sons. Mais directo e acess\u00edvel do que qualquer dos discos anteriores, recupera a energia depurada do rock \u2018n\u2019 rol. \u201cSo\u201d representa para Peter Gabriel o mesmo que \u201cNadir\u2019s Big Chance\u201d para Peter Hammill \u2013 a liberta\u00e7\u00e3o e o exorcismo da tens\u00e3o acumulada ao longo de v\u00e1rios anos de busca constante de novas formas musicais, a par de novos meios de express\u00e3o, po\u00e9tica e conceptual. O descanso do guerreiro. O disco alcan\u00e7a um sucesso sem precedentes. Nos Estados Unidos atinge o primeiro lugar do \u201ctop\u201d de vendas, no Reino Unido sobe ao n\u00famero quatro. \u201cSledgehammer\u201d, editado em single, \u00e9 ao mesmo tempo a s\u00edntese perfeita da nova orienta\u00e7\u00e3o seguida por Gabriel e um dos v\u00eddeos mais inovadores da hist\u00f3ria do rock. Resultados compensadores para um trabalho cujo or\u00e7amento rondou as 120 mil libras e que demorou perto de 100 horas a gravar. Rentabilizam-no as presen\u00e7as, entre outros convidados, do senegal\u00eas Youssou N\u00b4Dour e de Kate Bush, que ao lado de Gabriel contribui com a sua voz para um dos piores (e mais divulgados) temas do disco, \u201cDon\u2019t Give Up\u201d.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Passion (1989)<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8466\" rel=\"attachment wp-att-8466\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/8.jpg\" alt=\"\" width=\"208\" height=\"205\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8466\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/8.jpg 208w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/8-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 208px) 100vw, 208px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nBanda sonora da \u201cPaix\u00e3o\u201d filmada por Scorceses. Primeiro volume da s\u00e9rie Real World. O termo \u201cworld music\u201d come\u00e7ou aqui. A m\u00fasica propriamente dita j\u00e1 existia h\u00e1 alguns mil\u00e9nios. N\u00e3o havia era produtores interessados. \u201cPassion\u201d \u00e9 tudo o que imaginamos a respeito de flautas de bambu, tambores do Mali e c\u00e2nticos rituais das mais rec\u00f4nditas regi\u00f5es do globo. Os sintetizadores s\u00e3o o catalisador que evita o choque de sensibilidades entre o Ocidente e o terceiro, quarto, quinto mundo e seguintes. \u201cPassion\u201d \u00e9 um desfile de lugares-comuns onde a beleza \u00e9 tudo menos natural. Bem mais genu\u00edno, e sem a participa\u00e7\u00e3o directa de Gabriel, \u00e9 \u201cPassion Sources\u201d, o objecto intacto, n\u00e3o polido, o verdadeiro, o \u00fanico, o inimit\u00e1vel \u201cmundo real\u201d. O \u00e1lbum \u00e9 tamb\u00e9m um galarim de m\u00fasicos n\u00e3o ocidentais: Hosam Ramzy, Manu Katch\u00e9, Shankar, Vatche Housepian, Mustafa Abded Aziz, Baaba Maal, Youssou N\u2019Dour, Nusrat Fateh Ali Khan. E Jon Hassell que tem um p\u00e9 de cada lado. Paix\u00e3o, da que inflama sem rem\u00e9dio, \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 muita.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<strong>\u201cUNITED COLOURS OF GABRIEL\u201d<br \/>\nPETER GABRIEL<br \/>\nCD \/ MC \/ 2xLP, Real World, distri. Edisom<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8467\" rel=\"attachment wp-att-8467\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/9.jpg\" alt=\"\" width=\"530\" height=\"545\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8467\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/9.jpg 530w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/9-292x300.jpg 292w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/9-97x100.jpg 97w\" sizes=\"auto, (max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nEm termos conceptuais \u201cUs\u201d apresenta diversas pistas e coincid\u00eancia interessantes. Peter Gabriel \u00e9, antes de mais, um homem de ideias, de projectos. A m\u00fasica vem depois, como complemento. \u201cUs\u201d aborda, segundo o seu autor, o problema da \u201cuni\u00e3o\u201d \u2013 de dois seres, dos sexos, de culturas afastadas, das rela\u00e7\u00f5es humanas em geral \u2013 a diferentes profundidades e com \u00edndices de \u00eaxito vari\u00e1veis. Isto numa altura em que o ex-Genesis se libertara do fantasma do div\u00f3rcio com Jill Moore, com quem mantivera uma rela\u00e7\u00e3o de v\u00e1riosa anos, e da rela\u00e7\u00e3o extra-conjugal com a actriz Rosanne Arquette. O tema da uni\u00e3o aparece logo mencionado, de forma obl\u00edqua, na capa, com a imagem de um Petr Gabriel azul perseguindo uma figura fantasmag\u00f3rica de mulher. A \u201coutra\u201d ou a sua pr\u00f3pria polaridade feminina, que os antigos fil\u00f3sofos herm\u00e9ticos desiganavam por \u201calma\u201d e os latinos por \u201canima\u201d? O fundo aparece pintado de vermelho-rubi, cor que em termos simb\u00f3licos, alqu\u00edmicos, simboliza a \u00faltima fase da obra, correspondente \u00e0 uni\u00e3o final, \u00e0s n\u00fapcias e ao renascimento do andr\u00f3gino original.<br \/>\n\u201cUs\u201d \u00e9 \u201cn\u00f3s\u201d ou sigla acidental de \u201cUnited states\u201d? Estados Unidos, estados de uni\u00e3o, com qu\u00ea e com quem? A m\u00fasica, os textos, as pr\u00f3prias explica\u00e7\u00f5es do autor permitem algumas respostas.<br \/>\nEm termos musicais \u201cUs\u201d pode definir-se como um compromisso entre a vis\u00e3o \u201cpersonalista\u201d de toda a discografia de Gabriel at\u00e9 \u201cSo\u201d e a \u201coverdose\u201d de sonoridaees \u201cworld\u201d de \u201cPassion\u201d: ritmos tribais, instrumentos ex\u00f3ticos rebuscados de v\u00e1rios pontos do globo, electr\u00f3nica em dil\u00favio constante e as vocaliza\u00e7\u00f5es inconfund\u00edveis de um Peter Gabriel que parece ter ficado ref\u00e9m de um n\u00famero restrito de f\u00f3rmulas j\u00e1 antes exploradas. Temas h\u00e1 que remetem para outros mais antigos: \u201cCome talk to me\u201d est\u00e1 na mesma linha de \u201cI have the touch\u201d (do \u00e1lbum n\u00ba 4), \u201cSteam\u201d \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o de \u201cSledgehammer\u201d (de \u201cSo\u201d), \u201cOnly us\u201d entronca no grupo de \u201cFamily &#038; the snapshot\u201d (do terceiro \u00e1lbum) e assim sucessivamente, num repisar de esquemas conhecidos.<br \/>\nOutro esquema que se repete \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de uma convidada feminina. Depois de Kate Bush chegou a vez de Sinead O\u2019Connor acrescentar um pouco de sal vocal a temas como \u201cCome talk to me\u201d e \u201cBlood of Eden\u201d. S\u00e3o poss\u00edveis aproxima\u00e7\u00f5es divertidas. \u201cBlood of Eden\u201d junta o violino de Shankar, a voz da vocalista careca e versos como \u201cI feel the man in the woman and the woman in the man\u201d (for\u00e7a, uni\u00e3o!) numa esp\u00e9cie de \u201cworld gospel\u201d com sabor a Paul Simon e a meninos de Deus, num registo id\u00eantico ao dos piores horrores vocais de \u201cPassion\u201d. Tamb\u00e9m n\u00e3o deixam de ser engra\u00e7ados os ocasionais pontos de encontro, ao n\u00edvel das vocaliza\u00e7\u00f5es, de Gabriel com Phil Collins, em \u201cLove to be loved\u201d num arranjo et\u00e9reo a que n\u00e3o \u00e9 alheia a presen\u00e7a de Brian Eno, ou com Roger Waters (de \u201cThe Wall\u201d), em \u201cWashing off the water\u201d, tema n\u00e3o muito distante de \u201cHere comes the flood\u201d.<br \/>\n\u201cDigging in the dirt\u201d, single lan\u00e7ado previamente no mercado, explora o lado negro da personalidade e l\u00e1 est\u00e1 Peter Hammill dando o seu apoio vocal sob a forma discreta de um eco gutural, ele que sempre foi pale\u00f3logo e escafandrista das regi\u00f5es interiores. \u201cSteam\u201d, o tal prolongamento de \u201cSledgehammer\u201d \u00e9 violento q.b., entre falsetos de ang\u00fastica e uma sec\u00e7\u00e3o de metais que recria os bons velhos tempos em que a Stax tinha \u201csoul\u201d. Neste e noutros temas, David Rhodes mostra-se um ex\u00edmio guitarrista. \u201cOnly us\u201d pisca o olho ao psicadelismo. \u201cFouteen black paintings\u201d \u00e9 \u00e9tnico at\u00e9 \u00e0 satura\u00e7\u00e3o e \u201cKiss that frog\u201d, efabula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica sobre a puberdade feminina, inclui alus\u00f5es (Gabriel chama-lhe \u201csubtexto\u201d) sexuais. Finalmente, \u201cSecret world\u201d \u00e9 maquinal \u00e0 maneira dos Kraftwerk, mel\u00f3dico \u00e0 maneira de Eno dos tempos de \u201cTaking Tiger Mountain\u201d e t\u00e3o secreto como uma \u201ccan\u00e7\u00e3o de amor\u201d. \u201cUs\u201d pode considerar-se, todo ele, de resto, um disco de can\u00e7\u00f5es de amor.<br \/>\nRegiste-se por \u00faltimo \u2013 entre a mir\u00edade de m\u00fasicos convidados dos quatro cantos do \u201cmundo real\u201d, os ilustres Sinead O\u2019Connor, Eno, Peter Hammill e Shankar, ou os \u201csession men\u201d de nomeada que s\u00e3o Manu Katche, David Rhodes, Richard Blair, David Botrill e Tony Levin \u2013 as presen\u00e7as inesperadas de Caroline Lavelle, no violoncelo, do grupo irland\u00eas Touchstone, do mago das misturas William Orbit, mentor do projecto The Orb, ou do ex-Led Zeppelin John Paul Jones que depois da participa\u00e7\u00e3o no novo trabalho de Brian Eno, \u201cNerve Net\u201d, volta a figurar numa ficha t\u00e9cnica de prest\u00edgio.<br \/>\n\u201cUs\u201d \u00e9 um por todos e todos por um. A uni\u00e3o faz a for\u00e7a. <strong>(7)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 23.09.1992 PERDER O MEDO AOS MONSTROS Em Peter Gabriel tudo se mistura num cadinho em constante ebuli\u00e7\u00e3o: os sons que aprendeu a escutar do mundo, a tecnologia sofisticada, as suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es. 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