{"id":8455,"date":"2020-10-23T10:03:21","date_gmt":"2020-10-23T17:03:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8455"},"modified":"2020-10-23T10:03:21","modified_gmt":"2020-10-23T17:03:21","slug":"balanescu-quartet-possessed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/10\/23\/balanescu-quartet-possessed\/","title":{"rendered":"Balanescu Quartet &#8211; &#8220;Possessed&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 23.09.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>M\u00c1QUINA HUMANAS<\/p>\n<p>BALANESCU QUARTET<br \/>\nPossessed<br \/>\nCD, Mute, Distri. Edisom<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8456\" rel=\"attachment wp-att-8456\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/balanescu.jpg\" alt=\"\" width=\"494\" height=\"485\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8456\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/balanescu.jpg 494w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/balanescu-300x295.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/balanescu-100x98.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 494px) 100vw, 494px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nAlexander Balanescu \u00e9 um violinista de forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, conhecido sobretudo pela presen\u00e7a ass\u00eddua em obras de Michael Nyman, como \u201cThe Draughtsman\u2019s Contract\u201d, \u201cA Zed and Two Naughts\u201d, \u201cThe Kiss and Other Movements\u201d, \u201cThe Cook, the Thief, his Wife and her Lover\u201d ou \u201cDrowning by Numbers\u201d. \u201cVirtuose\u201d do instrumentos (not\u00e1vel a sua presta\u00e7\u00e3o a solo no segundo lado de \u201cZoo Caprice\u201d), Balanescu formou o seu pr\u00f3prio quarteto de cordas, com Claire Connors, no violino, Bill Hawkes, viola, e Caroline Dale, violoncelo. Um projecto que encontra paralelo nos Kronos Quartet e na execu\u00e7\u00e3o de um report\u00f3rio baseado em autores contempor\u00e2neos j\u00e1 consagrados ou, deste modo, elevados \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de \u201ccl\u00e1ssicos\u201d. Tal pr\u00e1tica se, por um lado, n\u00e3o faz mais que prolongar a tradi\u00e7\u00e3o do quarteto de c\u00e2mara \u2013 mesmo quando, no caso dos Kronos Quartet, essa tradi\u00e7\u00e3o radica num tipo de sensibilidade, digamos, experimental -, por outro, eleva a m\u00fasica rock (ou ser\u00e1 melhor dizer \u201ccultura\u201d?), e alguns dos seus principais autores, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de \u201ceruditos\u201d, e reconhece a esta linguagem musical o estatuto, em termos medi\u00e1ticos, da mais importante da segunda metade do s\u00e9culo.<br \/>\nOs Balanescu Quartet foram um pouco mais longe nesse nivelamento, quando em \u201cPossessed\u201d optaram por escolher cinco temas dos Kraftwerk. A tradu\u00e7\u00e3o da linguagem computorizada dos alem\u00e3es por um quarteto de cordas \u201climpo\u201d \u2013 n\u00e3o submetido a qualquer tipo de distor\u00e7\u00e3o electr\u00f3nica \u2013 poderia, \u201ca priori\u201d, parecer uma tarefa imposs\u00edvel. Ao faz\u00ea-lo, ainda por cima, com sucesso, Alexander Balanescu e os seus pares assumiram que toda e qualquer mat\u00e9ria musical cont\u00e9m em si potencialidades infinitas de transforma\u00e7\u00e3o, independentemente (e aqui radica o fundamental da quest\u00e3o) da forma temporal e, mais importante ainda, do contexto cultural e est\u00e9tico em que se insere. S\u00f3 assim se pode compreender (e aceitar) o desvio de 180 graus a que foram submetidos a tem\u00e1tica e o som futuristas dos Kraftwerk. H\u00e1 em \u201cPossessed\u201d uma forma de provoca\u00e7\u00e3o subtil, acentuada pela selec\u00e7\u00e3o de temas da banda de D\u00fcsseldorf que, de forma mais expl\u00edcita, abordam a desumaniza\u00e7\u00e3o: \u201cThe Robots\u201d, \u201cThe Model\u201d, \u201cAutobahn\u201d, \u201cComputer love\u201d e \u201cPocket Calculator\u201d, qualquer deles alusivo \u00e0 m\u00e1quina: o \u201crobot\u201d, o manequim (r\u00e9plica redutora do humano a um maquinismo), o autom\u00f3vel, o computador, a calculadora. M\u00fasica de c\u00e3mara, supra-sumo da interioriza\u00e7\u00e3o humanista, instrumento da aus\u00eancia de emo\u00e7\u00f5es?<br \/>\nA execu\u00e7\u00e3o instrumental corrobora e desmente, ao mesmo tempo, esta asser\u00e7\u00e3o. Joga-se na reprodu\u00e7\u00e3o quase nota a nota de cada can\u00e7\u00e3o e, impressionante, dos efeitos electr\u00f3nicos (os motores de autom\u00f3vel em \u201cAutobahn\u201d, os \u201cblips\u201d da calculadora em \u201cPocket Calculator\u201d) que, afinal, nunca foram secund\u00e1rios na m\u00fasica dos Kraftwerk. Ao decalque da forma junta-se noutras ocasi\u00f5es o poder da sugest\u00e3o e da mem\u00f3ria: em \u201cAutobahn\u201d, julgamos ouvir na \u201cfala\u201d do violoncelo as vozes computorizadas do original; em todos os temas os sintetizadores \u201cest\u00e3o\u201d l\u00e1. Tal perfei\u00e7\u00e3o apenas \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as ao excepcional virtuosismo dos m\u00fasicos que aqui conseguem, ao n\u00edvel da inven\u00e7\u00e3o t\u00edmbrica, uma proeza a todos os t\u00edtulos not\u00e1vel. Sintomaticamente, \u00e9 ao n\u00edvel r\u00edtmico que os Balanescu Quartet n\u00e3o conseguem (se era essa a inten\u00e7\u00e3o) como \u00e9 \u00f3bvio, repetir os padr\u00f5es e a precis\u00e3o da tecnologia digital.<br \/>\nVai mais longe a ironia e o mimetismo, est\u00e9tico e conceptual, de \u201cPossessed\u201d: o \u201cletterinh\u201d da capa reproduz o estilo de Lissitzkyu, como acontecia com \u201cThe Man Machine\u201d, dos Kraftwerk. Os Balanescu Quartet \u201cpossu\u00eddos\u201d pelo esp\u00edrito do outro quarteto, o alem\u00e3o? Eles pr\u00f3prios os \u201crobots\u201d de que fala a can\u00e7\u00e3o (nas fotos da acpa h\u00e1 estranhos ind\u00edcios\u2026) funcionando a um n\u00edvel subliminar \u2013 \u201cthe mechine men\u201d? J\u00e1 agora, refira-se que na editora do disco, a Mute, milita um lote numeroso de \u201cindustriais\u201d e outros terroristas da electr\u00f3nica\u2026 Depois, golpe final, os Miranda Sex Garden surgem nos apoios vocais de um dos tr\u00eas temas compostos por Balanescu, aos quais se junta uma bateria ao mais puro estilo de Glenn Branca. Andrew Poppy cruza-se com Michael Nyman, em batida marcial. Para finalizar, a \u00faltima faixa \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o de David Byrne, \u201cHanging Upside Down\u201d, nos ant\u00edpodas da frieza dos alem\u00e3es. Um objec to \u00fanico.<strong> (8)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 23.09.1992 M\u00c1QUINA HUMANAS BALANESCU QUARTET Possessed CD, Mute, Distri. 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