{"id":8422,"date":"2020-10-13T11:58:47","date_gmt":"2020-10-13T18:58:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8422"},"modified":"2020-10-13T11:58:59","modified_gmt":"2020-10-13T18:58:59","slug":"tom-jobim-tom-jobim-nos-jeronimos-silencio-lento-dos-trovadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/10\/13\/tom-jobim-tom-jobim-nos-jeronimos-silencio-lento-dos-trovadores\/","title":{"rendered":"Tom Jobim &#8211; &#8220;Tom Jobim Nos Jer\u00f3nimos &#8211; Sil\u00eancio Lento Dos Trovadores&#8221; (concerto)"},"content":{"rendered":"<p>Cultura >> Domingo, 13.09.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Tom Jobim Nos Jer\u00f3nimos<br \/>\nSil\u00eancio Lento Dos Trovadores<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Tom Jobim foi, nos claustros do Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, sexta-feira \u00e0 noite, mestre de cerim\u00f3nias de um Brasil diferente. Trouxe consigo a fam\u00edlia, a bossa-nova, a nostalgia de can\u00e7\u00f5es que fazem parte da Hist\u00f3ria. E uma ironia fina que causou arrepios.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8423\" rel=\"attachment wp-att-8423\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/tj.jpg\" alt=\"\" width=\"627\" height=\"386\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8423\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/tj.jpg 627w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/tj-300x185.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/tj-624x384.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/tj-100x62.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 627px) 100vw, 627px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Claustros apinhados de gente desejosa de ouvir e sentir a presen\u00e7a carism\u00e1tica do mito Ant\u00f3nio Carlos Jobim, Tom Jobim, como \u00e9 mais conhecido. Trovador do Brasil triste, das praias de Ipanema ao entardecer, de areia fina e gente que o pretende ser. T\u00e3o fina como a ironia do cantor.<br \/>\nApresentado pela popular actriz brasileira, Christiane Torloni, sob uma luz vermelha quer transfigurava a fisionomia habitual dos claustros do Mosteiro, Tom Jobim deixou claro porque \u00e9 considerado um dos maiores vultos de sempre da m\u00fasica popular brasileira. Veio acompanhado da sua Banda Nova, cinco instrumentistas mais outras tantas meninas a cantar. Em palco, tr\u00eas Jobins e dois Caymmi, cada um apresentado pelo compositor com um coment\u00b4rio jocoso ou po\u00e9tico: ele pr\u00f3prio Tom Jobim, a mulher, Ana Jobim (\u201cesposa n\u00e3o \u00e9 parente\u201d) e o filho, Paulo Jobim, na guitarra (\u201ctem sangue portugu\u00eas misturado com o de um macaco das florestas da Amaz\u00f3nia\u2026\u201d), e dois Caymmi, \u201ca \u00e1gua da fonte\u201d.<br \/>\nA m\u00fasica foi como um feiti\u00e7o, uma longa trova de amor que ardeu em fogo lento. As cinco vozes femininas juntaram-se ao piano do mestre e elevaram-se, a\u00e9reas, a cantar o Brasil da bossa-nova, essa mistura de samba, jazz, tristeza e um sol que n\u00e3o chega a queimar nunca. Tom Jobim n\u00e3o \u00e9 um grande cantor \u2013 deixou que fossem as vozes femininas a encher o espa\u00e7o -, mas possui um talento imenso que deixou marcas em toda a m\u00fasica brasileira e n\u00e3o s\u00f3 (recorde-se por exemplo, na Europa, herdeiros como os Hatfield and the North e, de forma indirecta, toda a escola de Canterbury, Everything But The Girl, Weekend ou Isabel Antenna).<br \/>\nNa m\u00fasica de Ant\u00f3nio Carlos Jobim, na m\u00fasica que fez descer as estrelas at\u00e9 ao jardim dos claustros em noite de Bel\u00e9m, o amor serve de porta e praia a todas as imagens onde desagua um rio sem margens, o Rio, cidade oculta que n\u00e3o passa pela televis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Um Sonho<\/strong><\/p>\n<p>Cena de carnaval. \u201cSlow Motion\u201d. A imagem revela pormenores. O homem que toca pandeiro, perdido, olha para o lado. Sem ver. A mulher, na fileira das sambistas, solta uma l\u00e1grima em que ningu\u00e9m repara. As serpentes n\u00e3o chegam a desenrolar-se. Os p\u00e9s demoram a chegar ao ch\u00e3o. Cena de praia: O sol, parado, reflecte-se nos vidros dos apartamentos luxuosos do Leblond, em frente. A garota de Ipanema para de sorrir e sente uma nostalgia onde n\u00e3o v\u00ea motivo nem sentido.<br \/>\nO tempo volta ao normal, \u00e0 cor do carnaval. L\u00e1 v\u00e3o os arlequins e colombinas a acenar, na correnteza. Regresso aos Jer\u00f3nimos. Tom Jobim sorri com os olhos. Do sonho, nosso e brasileiro. Fala pausadamente, solta pequenas frases que dizem mais do que dizem. Sobre ecologia e o \u201cmundo paradis\u00edaco\u201d em que vivemos, sobre essa \u201cl\u00edngua maravilhosa que \u00e9 o portugu\u00eas\u201d e o sangue luso presente em tudo o que \u00e9 Brasil. Lugares-comuns ditos de uma maneira que provoca, sem querer, um arrepio muito ligeiro.<\/p>\n<p><strong>Sozinho<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o para de fluir a bossa-nova na cascata de meios-tons e melodias soltas pelo piano e pela flauta de Danilo Caymmi. As meninas atraem o olhar com a sua inoc\u00eancia estudada. O violoncelo de Marcio Mallard introduz a nota de ang\u00fastica. A certa altura, elas abandonam o palco. Depois os m\u00fasicos. Tom Jobim fica s\u00f3: \u201cCom a idade, primeiro v\u00e3o-se as mo\u00e7as, depois os rapazes, at\u00e9 que a gente fica sozinho\u201d. O fundamental \u00e9 mesmo o amor, \u00e9 imposs\u00edvel ser feliz sozinho. \u201cLu\u00edsa\u201d abre um cora\u00e7\u00e3o em chaga e pela primeira vez o cantor grita, \u201cpobre amador apaixonado\u201d, \u201caprendiz do amor\u201d. \u201cDesafinado\u201d, \u201cSamba de uma nota s\u00f3\u201d, \u201c\u00c1guas de Mar\u00e7o\u201d, can\u00e7\u00f5es conhecidas de cor s\u00e3o murmuradas com devo\u00e7\u00e3o pela assist\u00eancia. Jobim, senhor de uma ironia evanescente, canta um tema em ingl\u00eas, encomendado pela ECO 92 (\u201cessa l\u00edngua t\u00e3o latina\u2026 \u00e9 tudo igual: flor \u00e9 \u2018flower\u2019, hora \u00e9 \u2018hour\u2019, informa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u2018information\u2019\u201d). Talvez d\u00ea para salvar um pouquinho, talvez sobrem algumas \u00e1rvores\u201d\u2026<br \/>\nAnt\u00f3nio Carlos Jobim sai do palco como entrou, em sil\u00eancio, o \u201csil\u00eancio lento dos trovadores\u201d senhor de uma calma profunda de quem conhece o mundo e as pessoas. O p\u00fablico pede mais e ele anui. Despede-se finalmente com \u201cChega de saudade\u201d. Um bom t\u00edtulo para encerrar um concerto perfeito.<br \/>\nPerfeita n\u00e3o esteve a organiza\u00e7\u00e3o, a Propalco. 1500 escudos custavam os bilhetes para a geral, situada nos claustros superiores, a fazerem de balc\u00e3o. 1500 escudos que, para quem n\u00e3o teve a sorte de se colocar na fila da frente, deram direito a ver cabe\u00e7as. \u00c0 sa\u00edda n\u00e3o foram poucos o s que se queixavam de n\u00e3o ter conseguido ver nada. Em baixo, entre os canteiros de flores, acomodavam-se os ilustres. Assim de mem\u00f3ria cont\u00e1mos, para al\u00e9m do Ppresidente da Rep\u00fablica e esposa, por ordem alfab\u00e9tica: Raul Solnado, o par Paulo de Carvalho-Helena Isabel, Carlos do Carmo, Jos\u00e9 Nuno Martins, Proen\u00e7a de Carvalho, Al\u00e7ada Baptista, Maluda e, principalmente, Roberto Leal, muito notado no seu fato azul turquesa claro, da cor do mar. Todos igualmente satisfeitos numa noite para recordar. Olha que coisa mais linda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> Domingo, 13.09.1992 Tom Jobim Nos Jer\u00f3nimos Sil\u00eancio Lento Dos Trovadores Tom Jobim foi, nos claustros do Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, sexta-feira \u00e0 noite, mestre de cerim\u00f3nias de um Brasil diferente. Trouxe consigo a fam\u00edlia, a bossa-nova, a nostalgia de can\u00e7\u00f5es que fazem parte da Hist\u00f3ria. E uma ironia fina que causou arrepios. 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