{"id":8394,"date":"2020-10-01T10:04:10","date_gmt":"2020-10-01T17:04:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8394"},"modified":"2020-10-01T10:04:10","modified_gmt":"2020-10-01T17:04:10","slug":"yellow-magic-orchestra-orquestra-de-automatos-artigo-a-proposito-da-reedicao-em-cd-de-naughty-boys-service-e-technodelic","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/10\/01\/yellow-magic-orchestra-orquestra-de-automatos-artigo-a-proposito-da-reedicao-em-cd-de-naughty-boys-service-e-technodelic\/","title":{"rendered":"Yellow Magic Orchestra &#8211; &#8220;Orquestra De Aut\u00f3matos&#8221; (artigo a prop\u00f3sito da reedi\u00e7\u00e3o em CD de \u201cNaughty boys\u201d, \u201cService\u201d e \u201cTechnodelic\u201d&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 05.08.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>ORQUESTRA DE AUT\u00d3MATOS<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>As reedi\u00e7\u00f5es de \u201cNaughty boys\u201d, \u201cService\u201d e \u201cTechnodelic\u201d, \u00e1lbuns at\u00e9 agora dispon\u00edveis apenas nas terras do Sol Nascente, juntamente com a colect\u00e2nea \u201cThe besto f YMO\u201d, comp\u00f5em o lote de CD dos Yellow Magic Orchestra a partir de agora distribu\u00eddos em Portugal pela Variodisc. Techno-pop pelos disc\u00edpulos dos Kraftwerk, da \u00e9poca em que Ryuichi Sakamoto ainda n\u00e3o era \u201csuperstar\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8395\" rel=\"attachment wp-att-8395\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ymo.jpg\" alt=\"\" width=\"564\" height=\"512\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8395\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ymo.jpg 564w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ymo-300x272.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ymo-100x91.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Uma das in\u00fameras bandas que fizeram discipulado na Academia Kraftwerk, os Yllow Magic Orchestra nunca deixaram de apresentar caracter\u00edsticas muito pessoais que lhes permitiram distinguir-se da cacofonia de \u201cbips\u201d e \u201cploinks\u201d que \u00e0 entrada dos anos 80 se fazia ouvir um pouco por todo o mundo.<br \/>\n\u201cTechno-pop\u201d era como ent\u00e3o se chamava \u00e0 resposta da electr\u00f3nica ao imp\u00e9rio dos tr\u00eas acordes de guitarra, que durante escassos mas explosivos anos dominou a cena musical sob a designa\u00e7\u00e3o de \u201cpunk\u201d.<br \/>\nHouve, de certo modo, uma transi\u00e7\u00e3o entre a sujidade e as rugosidades da selvajaria punk e o brilho anti-s\u00e9ptico dos sintetizadores. Essa ponter encontra-se na chamada \u201cm\u00fasica industrial\u201d que transpunha o lixo e o horror para um contexto tecnol\u00f3gico, das grandes urbes em decad\u00eancia. Em Inglaterra, onde o movimento teve origem, encarnaram-no grupos como os Throbbing Gristle, Cabaret Voltaire ou Human League, entre outros, com estas ou outras designa\u00e7\u00f5es (Psychic TV, no caso dos Throbbing Gristle ou Heaven 17, uma deriva\u00e7\u00e3o dos Human League), que acabaram por vir desembocar tamb\u00e9m no techno-pop. Claro que os Kraftwerk desde 1976, ou seja, na mesma altura em que o punk eclodia, j\u00e1 anunciavam claramente com o \u00e1lbum \u201cRadio Activity\u201d as linhas do futuro.<br \/>\nNo Jap\u00e3o os Yellow Magic Orchestra dforam dos primeiros a compreend\u00ea-lo. Oriundos de uma na\u00e7\u00e3o especializada no fabrico de tecnologia electr\u00f3nica de ponta, os YMO passaram por cima do \u201cindustrial\u201d (conceito que nunca fez muito sentido num cen\u00e1rio mais pr\u00f3ximo de um \u201csillicon valley\u201d global do que da fuligem de f\u00e1bricas monstruosoas em labora\u00e7\u00e3o) e entrara por via directa no universo das pistas de dan\u00e7a cibern\u00e9ticas. A dan\u00e7a, criada pelos sequenciadores, caixas-de-ritmo e computadores deixados em liberdade, \u00e9 afinal uma das caracter\u00edsticas fundamentais que distingue a techno das rumina\u00e7\u00f5es niilistas dos pesos-pesados da m\u00fasica industrial.<br \/>\nNo caso da banda japonesa h\u00e1 ainda uma diferen\u00e7a extra. Ao contr\u00e1rio da maioria dos seus cong\u00e9neres europeus (Orchestral Manoeuvres in the Dark, Depeche Mode, Telex, Yello, Yazoo, etc.), que \u201cinventaram\u201d um universo digital virgem que fez t\u00e1bua rasa do passado anterior \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o industrial inglesa, os YMO mantiveram-se, \u00e0 boa maneira nip\u00f3nica, fi\u00e9is \u00e0 cultura e m\u00fasica tradicionais do seu pa\u00eds.<br \/>\nN\u00e3o por acaso, Ryuichi Sakamoto, membro carism\u00e1tico da banda, assinou a solo, em \u201cThe End of Asia\u201d, uma obra que junta a \u201cnova ordem\u201d ditada pelos computadores \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos medievais e renascentistas japoneses, o que lhe valeu ter sido considerado a reencarna\u00e7\u00e3o nip\u00f3nica do compositor franc\u00eas do s\u00e9culo XIII, Tribaut de Navarre\u2026<br \/>\nNestes tr\u00eas \u00e1lbuns de originais nunca antes dispon\u00edveis no mercado europeu e agora lan\u00e7ados por c\u00e1, e na compila\u00e7\u00e3o que re\u00fane a face mais facilmente assimil\u00e1vel da YMO, \u00e9 toda uma nova linguagem elaborada a partir da assimila\u00e7\u00e3o de mil\u00e9nios de cultura oriental, aliada a um novo tipo de sensibilidade, caracter\u00edstica da \u201cnova era\u201d, que se autonomiza em objectos musicais de dif\u00edcil defini\u00e7\u00e3o. Melodias tradicionais japonesas, m\u00fasica de sal\u00e3o, ru\u00eddos de \u201cvideo games\u201d, del\u00edrios \u201cdisco\u201d, maquina\u00e7\u00f5es Kraftwerk, \u201cmuzak ambiental\u201d, piscadelas vocais a David Bowie e David Sylvian, enovelam-se em dan\u00e7a intermin\u00e1vel, como se uma orquestra de aut\u00f3matos tivesse de s\u00fabito acordado para a luz de uma civiliza\u00e7\u00e3o nova.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 05.08.1992 ORQUESTRA DE AUT\u00d3MATOS As reedi\u00e7\u00f5es de \u201cNaughty boys\u201d, \u201cService\u201d e \u201cTechnodelic\u201d, \u00e1lbuns at\u00e9 agora dispon\u00edveis apenas nas terras do Sol Nascente, juntamente com a colect\u00e2nea \u201cThe besto f YMO\u201d, comp\u00f5em o lote de CD dos Yellow Magic Orchestra a partir de agora distribu\u00eddos em Portugal pela Variodisc. 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