{"id":8360,"date":"2020-09-19T10:34:49","date_gmt":"2020-09-19T17:34:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8360"},"modified":"2020-09-20T11:23:49","modified_gmt":"2020-09-20T18:23:49","slug":"genesis-da-genese-a-revolucao-dossier","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/09\/19\/genesis-da-genese-a-revolucao-dossier\/","title":{"rendered":"Genesis &#8211; &#8220;Da G\u00e9nese \u00c0 Revela\u00e7\u00e3o&#8221; (Dossier)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 22.07.1992<\/p>\n<p><strong>DA G\u00c9NESE \u00c0 REVELA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os Genesis merecem o m\u00e1ximo respeito e considera\u00e7\u00e3o. Por tudo o que de bom fizeram pela m\u00fasica rock, pela beleza com que aqueceram os nossos cora\u00e7\u00f5es. Devemos agradecer-lhes e paga-lhes. Mas n\u00e3o namesma moeda, que essa eles n\u00e3o aceitam. Dizem que j\u00e1 n\u00e3o sabem dan\u00e7ar.<\/strong><\/p>\n<p>V\u00eam a Portugal pela segunda vez, mas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o a mesma banda que eram em 1975, quando estiveram em Cascais. Nessa altura, quem os viu e ouviu jamais os esquecer\u00e1. Dezassete anos volvidos, os Genesis regressam, desta vez ao est\u00e1dio de Alvalade, num espect\u00e1culo que se diz ser portentoso. N\u00e3o j\u00e1 o espect\u00e1culo po\u00e9tico, mas de ostenta\u00e7\u00e3o e de n\u00fameros. \u201c666 [o n\u00famero da besta do Apocalipse] is no longer alone\u201d, como diz o texto de \u201cSupper\u2019s ready\u201d, eis a revela\u00e7\u00e3o.<br \/>\nHoje, a palavra \u201cGenesis\u201d n\u00e3o passa de um carimbo ferrado na careca da banda de Phil Collins. \u00c9 esta a banda que vai estar hoje \u00e0 noite no Est\u00e1dio de Alvalade \u2013 uma m\u00e1quina de facturar implac\u00e1vel dirigida por u homem de neg\u00f3cios que canta, toca bateria e tem como principal virtude parecer \u201cum gajo porreiro\u201d.<br \/>\nMas n\u00e3o foi sempre assim e \u00e9 importante recordar o passado e a import\u00e2ncia que de facto teve uma das bandas mais originais da primeira metade dos anos 70. Ao lado dos Van Der Graaf Generator, King Crimsom, Yes e Gentle Giant, eles foram uma das entidades inteligentes da \u201cm\u00fasica progressiva\u201d que vingou em Inglaterra at\u00e9 ao dia em que uns rapazes de cabe\u00e7a rapada e alfinetes espetados na pele decidiram destruir aquilo que com tanto amor e carinho tinha sido edificado. Sim, n\u00e3o se estejam a rir, com muito amor e carinho, bom gosto e imagina\u00e7\u00e3o. H\u00e1 l\u00e1 coisa mais bela que ver algu\u00e9m como Peter Gabriel vestido de malmequer ou de monstro verde com borbulhas? \u00c9 dif\u00edcil. S\u00f3 talvez Elton John vestido de freira.<\/p>\n<p><strong>Ser Progressivo<\/strong><\/p>\n<p>Eram assim os Genesis, nessa \u00e9poca esplendorosa em que tudo era permitido, mesmo as cal\u00e7as de boca de sino e as camisas \u00e0s flores de colarinho gigante. Os \u201cprogressivos\u201d pretendiam dotar a m\u00fasica popular da majestade e integridade da \u201ccl\u00e1ssica\u201d. E por que n\u00e3o? Era tudo uma quest\u00e3o de utilizar n\u00fameros \u00edmpares no compasso, estender as composi\u00e7\u00f5es at\u00e9 aos 30 minutos e fazer aparecer na ficha t\u00e9cnica um \u201cmellotron\u201d e um sintetizador (Moog para os mais sinf\u00f3nicos, A. R. P. para os \u201cvanguardistas\u201d e VCS3 para os pobrezinhos), ou v\u00e1rios, quantos mais melhor, para dar uma imagem mais eficaz de complexidade. Tamb\u00e9m era conveniente ter lido Tolkien ou Lewis Carroll, se se pretendia ser \u201csoft\u201d, ou H. P. Lovecraft, se a op\u00e7\u00e3o incidia no \u201chard\u201d. E principalmente gravar para alguma destas quatro editoras: Island, Harvest, Vertigo e Charisma. A Virgin viria depois devor\u00e1-las todas, mas antes do repasto, havia uma saud\u00e1vel competi\u00e7\u00e3o, a ver quem fazia capas mais desdobr\u00e1veis e faixas de maior dura\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAntes de ser comprada pelo futuro bilion\u00e1rio Richard Bronson, a Charisma representava na perfei\u00e7\u00e3o o imagin\u00e1rio e os ideais de quantos viam no rock o ponto culminante da arte musical desde que se seguisse \u00e0 risca a m\u00e1xima \u201cquanto mais complicado melhor\u201d. Era neste selo que militavam os Genesis, passado o est\u00e1gio inicial na Decca, com \u201cFrom Genesis To Revelation\u201d. O logotipo da editora \u2013 uma imagem do chapeleiro maluco retirada de \u201cAlice no Pa\u00eds das Maravilhas\u201d \u2013 n\u00e3o podia ter sido melhor escolhido, parecendo feito de prop\u00f3sito para as hist\u00f3rias e imagens que a banda ent\u00e3o liderada por Peter Gabriel tinha para apresentar.<\/p>\n<p><strong>Del\u00edrios<\/strong><\/p>\n<p>Hist\u00f3ria que se conta em cinco cap\u00edtulos magistrais correspondentes \u00e0s obras \u201cTrespass\u201d, \u201cNursery Crime\u201d, \u201cFoxtrot\u201d, \u201cSelling England by the Pound\u201d e o duplo \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d, tantos quantos os Genesis gravaram antes da sa\u00edda do arcanjo. Consumado o abandono de Peter Gabriel, Phil Collins ficou com o terreno livre e aproveitou a deixa, desviando o grupo para objectivos bem mais pr\u00e1ticos que os del\u00edrios surrealistas do antigo vocalista. Para a \u201cPhil Collins Band\u201d, que era como devia ter passado a chamar-se a banda, a \u00fanica finalidade passaria a ser a angaria\u00e7\u00e3o de divisas, opera\u00e7\u00e3o na qual, diga-se de passagem, foi bastante bem sucedida. A participa\u00e7\u00e3o de Phil Collins em tudo o que \u00e9 \u201cconcerto de solidariedade\u201d trataria de o p\u00f4r em paz com a sua consci\u00eancia. S\u00e3o assim as almas boas de gente de bem.<br \/>\nCumpriu-se deste modo a profecia enunciada no t\u00edtulo do primeiro \u00e1lbum, \u201cFrom Genesis To Revelation\u201d e a \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d foi de ordem divina. Explicada no novo \u201cclip\u201d da banda, \u201cJesus He knows me\u201d, can\u00e7\u00e3o do \u00faltimo \u00e1lbum, \u201cWe Can\u2019t Dance\u201d, em que Deus revela, a um Phil Collins desopilante na figura de evangelista da TV bom pai de fam\u00edlia, o segredo, o man\u00e1 dos d\u00f3lares que tombam do c\u00e9u.<br \/>\nCuriosamente, ap\u00f3s o abandono de Peter Gabriel e, dois \u00e1lbuns mais tarde, de Steve Hackett, seria um outro elemento da banda original, apenas presente em \u201cTrespass\u201d, Anthony Philips, o portador do esp\u00edrito original dos Genesis. De longe o mais prol\u00edfico de todos os elementos que passaram pelo grupo, Philips assinou \u00e1lbuns como \u201cThe Geese and the Ghost\u201d, \u201cWide after the present\u201d, \u201cAntiques\u201d, \u201cA Batch at the Tables\u201d ou \u201cSlow Dance\u201d que em nada diferem da filosofia e dos ambientes musicais da fase inicial do quinteto.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8361\" rel=\"attachment wp-att-8361\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"158\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8361\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G1.jpg 600w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G1-300x79.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G1-100x26.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><strong>F\u00e1bulas Perversas<\/strong><\/p>\n<p>Aos Genesis se deve, al\u00e9m da revolu\u00e7\u00e3o no vestu\u00e1rio, o terem trazido o teatro para o rock. Claro que Dacid Bowie j\u00e1 era um Major Tom em odisseias no espa\u00e7o, e depois Ziggy e Alladin Sane e muitos outros. E os Velvet Underground j\u00e1 h\u00e1 algum tempo que davam e levavam chicotadas no cabar\u00e9 da morte que era a \u201cExploding Plastic Inevitable\u201d, criada por Andy Warhol. Mas, em qualquer dos casos, explorava-se o lado da decad\u00eancia e do excesso, enquanto os Genesis e o seu actor principal, Peter Gabriel, privilegiavam e encenavam o imagin\u00e1rio vitoriano ingl\u00eas, a um tempo sedutor e cruel. Nenhum \u00e1lbum se aproxima tanto deste conceito como \u201cNursery Crime\u201d, em faixas como \u201cThe Musica Box\u201d, \u201cThe Return of the giant Hogweed\u201d ou \u201cThe fountain of Salmacis\u201d, repleta de anjos e dem\u00f3nios, hermafroditas e esp\u00edritos barbudos, gigantes e arlequins. Peter Gabriel inventa e incarna novas personagens chamadas Henry Hamilton-Smythe ou Cynthia Jane de Blaise-William, em f\u00e1bulas perversas, como eram as aventuras de Alice.<br \/>\nTodo um universo que se esfumou quando Peter Gabriel se decidiu pelo rompimento e por uma vers\u00e3o mais \u201crealista\u201d para os seus devaneios po\u00e9tico-musicais. \u201cA Trick of the Tail\u201d e \u201cWind and Wuthering\u201d ainda procuram uma solu\u00e7\u00e3o de compromisso, com Phil Collins a procurar imitar as entoa\u00e7\u00f5es vocais de Gabriel, o que lhe valeu do produtor Tony Stratton-Smith o seguinte coment\u00e1rio: \u201cSoa mais a Peter Gabriel que o pr\u00f3prio Peter Gabriel.\u201d A parte \u201cs\u00e9ria\u201d ficou durante alguns tempos reservada para a banda de jazz-rock Brand X, que serviu para o m\u00fasico se exercitar na bateria, j\u00e1 que nos Genesis passou a assumir-se totalmente como cantor.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8362\" rel=\"attachment wp-att-8362\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G2.jpg\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"543\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8362\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G2.jpg 425w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G2-235x300.jpg 235w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G2-78x100.jpg 78w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Pode dizer-se que os antigos admiradores dos Genesis optaram por seguir o percurso a solo de Peter Gabriel, em vez de condescenderem com as proezas mim\u00e9ticas do novo vocalista. Op\u00e7\u00e3o certa, recompensada sobretudo pelos quatro primeiros discos a solo, qualquer deles intitulado simplesmente \u201cPeter Gabriel\u201d, nos quais participaram, entre outros, Brian Eno e Robert Fripp. A seguir seria a viagem sem retorno at\u00e9 \u00e0s \u201cm\u00fasicas do mundo\u201d, concretizada na banda sonora de \u201cPassion\u201d, realizada por Scorcese, no envolvimento nos festivais \u201cWOMAD\u201d e na cria\u00e7\u00e3o da editora \u201cReal World\u201d, tornada rapidamente numa das mais prestigiadas no campo da \u201cworld music\u201d.<\/p>\n<p><strong>Jesus Ajuda<\/strong><\/p>\n<p>Do outro lado, Phil Collins, Mike Rutherford e Tony Banks prosseguiam sem desfalecimentos na senda do \u00eaxito \u00e0 escala planet\u00e1ria, acumulando discos de ouro e platina e atraindo aos seus espect\u00e1culos um n\u00famero sempre crescente de p\u00fablico, \u00e0 medida que iam simplificando a forma e a mensagem da sua m\u00fasica. A partir de certa altura, Phil Collins deixou mesmo de sentir necessidade de gravar discos a solo (gravou quatro: \u201cFace Value\u201d, \u201cHello I must be Going\u201d, \u201cNo Jacket Required\u201d e \u201cBut Seriously\u201d), j\u00e1 que os Genesis se tinham transformado no seu ve\u00edculo pessoal.<br \/>\n\u201c\u2026 And The There Were Three\u201d, \u201cDuke\u201d, \u201cAbacab\u201d, \u201cThree Sides Live\u201d, \u201cGenesis\u201d, \u201cInvisible Touch\u201d e \u201cWe Can\u2019t Dance\u201d foram fil\u00f5es de uma mina que parece inesgot\u00e1vel. E cada vez mais, \u00e0 medida que Phil Collins foi carregando na tecla do romantismo de pacotilha, de efeito certo quando se trata de apelar \u00e0 faceta mais prim\u00e1ria das multid\u00f5es. Ainda aqui, o j\u00e1 referido v\u00eddeo \u201cJesus He knows me\u201d funciona como cartada da hipocrisia levada ao grau extremo, a fingir de inteligente. Nele, os Genesis pretendem dar a imagem do artista que est\u00e1 para al\u00e9m das v\u00e3s preocupa\u00e7\u00f5es materiais (por isso o \u201cclip\u201d insiste em mostrar precisamente o oposto, \u00e9 a ironia, topam?), que pode brincar com o estatuto pr\u00f3prio porque chegou \u00e0quele ponto em que o dinheiro n\u00e3o passa de uma abstrac\u00e7\u00e3o, de algo distante que jamais conseguir\u00e1 abalar a integridade e apagar a chama da cria\u00e7\u00e3o. Na realidade, o que eles querem dizer \u00e9: \u201cVenha mais!\u201d<br \/>\nVamos todos a Alvalade fazer-lhes a vontade.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8363\" rel=\"attachment wp-att-8363\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G3.jpg\" alt=\"\" width=\"587\" height=\"205\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8363\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G3.jpg 587w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G3-300x105.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/G3-100x35.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 587px) 100vw, 587px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br \/>\n<strong>CAIXA<\/strong><br \/>\n&#8212;&#8212;&#8212;<br \/>\n<strong>OS CINCO MAGN\u00cdFICOS<\/strong><\/p>\n<p><strong>TRESPASS (1970)<\/strong><br \/>\nPr\u00edncipes e princesas \u00e0 janela do castelo. O \u00e1lbum medieval dos Genesis, a que n\u00e3o \u00e9 alheia a presen\u00e7a de Anthony Phillips, cuja tem\u00e1tica de grande parte dos seus \u00e1lbuns a solo confirmaria esta tend\u00eancia. Disco de contrastes, suave em \u201cVisions of angels\u201d e \u201cDusk\u201d, violento, \u00e0 beira da histeria, em \u201cThe Knife\u201d, rasgado pela guitarra el\u00e9ctrica de Phillips. \u201cLooking for someone\u201d, um dos primeiros cl\u00e1ssicos da banda, revela as enormes potencialidades expressivas do vocalista, aqui ainda preso \u00e0 imagem angelical.<\/p>\n<p><strong>NURSERY CRIME (1971)<\/strong><br \/>\nPrimeira obra-prima, desde a gravura da capa \u2013 uma partida de cr\u00edquete jogada com cabe\u00e7as humanas, numa paisagem geom\u00e9trica e vitoriana em \u201ctrompe l\u2019oeil\u201d, sobre a qual est\u00e3o poisadas moscas em tamanho real \u2013 at\u00e1 \u00e0s can\u00e7\u00f5es ins\u00f3litas sobre gigantes vegetais e amores de hermafroditas. \u201cThe musical box\u201d \u00e9 uma das melhores can\u00e7\u00f5es de toda a discografia dos Genesis, narrando uma bizarria \u00e0 volta de uma caixa de m\u00fasica de onde brota uma terr\u00edvel entidade. \u201cHarold the barrel\u201d poderia ser um quadro de Ensor. E Phil Collins deveria voltar a ouvir pelo menos dois temas, \u201cFor absent friends\u201d e \u201cHarlequin\u201d, para aprender como se constr\u00f3i uma balada. Sem pieguice.<\/p>\n<p><strong>\u201cFOXTROT\u201d (1972)<\/strong><br \/>\nGravado a seguir ao disco ao vivo \u201cGenesis Live\u201d, \u201cFoxtrot\u201d \u00e9 por muitos considerado o melhor \u00e1lbum da banda. O fabuloso \u201ctour de force\u201d que \u00e9 \u201cSupper\u2019s ready\u201d, viagem de \u00e1cido dividida em sete partes, com bilhete de ida e volta at\u00e9 ao inferno \u2013 e o inferno de Gabriel est\u00e1 povoado de criaturas semelhantes \u00e0s de um Lewis Carroll numa \u201cbad trip\u201d -, em que Peter Gabriel d\u00e1 um \u201cshow\u201d vocal de vinte e tal minutos, desdobrando-se pelos registos mais incr\u00edveis, da marioneta, \u00e0s afecta\u00e7\u00f5es \u201ccockney\u201d e a toda a esp\u00e9cie de gritos, murm\u00farios e onomatopeias, esconde alguns desequil\u00edbrios histri\u00f3nicos do primeiro lado, not\u00f3rios em \u201cWatcher of the skies\u201d ou \u201cTime table\u201d. \u201cGet \u2018em out by Friday\u201d estreia os Genesis na s\u00e1tira social.<\/p>\n<p><strong>\u201cSELLING ENGLAND BY THE POUND\u201d (1973)<\/strong><br \/>\nAo contr\u00e1rio do \u00e1lbum anterior, aqui tudo \u00e9 equil\u00edbrio e sentido de propor\u00e7\u00e3o. Banks, Hackett, Rutherford e Collins t\u00eam espa\u00e7o alargado para mostrar que os Genesis n\u00e3o eram s\u00f3 Peter Gabriel, com destaque para Tony Banks, um teclista not\u00e1vel que, na segunda fase da banda, viria a ser completamente subaproveitado, e Steve Hackett, um dos melhores guitarristas ingleses da escola progressiva, ent\u00e3o ao n\u00edvel de Robert Fripp, dos King Crimson e Steve Howe, dos Yes. Uma das melhores, sen\u00e3o mesmo a melhor de todas as interpreta\u00e7\u00f5es vocais da sua carreira, consegue-a Peter Gabriel em \u201cThe battle of Epping Forest\u201d, um aut\u00eantico solo de m\u00fasica e teatro, em que praticamente cada frase do poema \u00e9 cantada de modo diferente e que colocaria o vocalista ao lado de Peter Hammill, como um dos maiores int\u00e9rpretes dessa \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY (1974)<\/strong><br \/>\nO \u00e1lbum duplo da disc\u00f3rdia que levou \u00e0 separa\u00e7\u00e3o de Peter Gabriel dos restantes elementos dos Genesis. Considerado como que um disco a solo do vocalista, de tal modo a sua personalidade se imp\u00f4s na feitura desta obra, \u201cThe Lamb\u201d corta de forma abrupta com o estilo e a imag\u00e9tica habituais da banda, narrando a inicia\u00e7\u00e3o de um jovem porto-riquenho, Rael, perdido no meio do pesadelo americano e no seu pr\u00f3prio labirinto interior. Como em \u201cSupper\u2019s ready\u201d \u00e9 poss\u00edvel descortinar, desta feita na sequ\u00eancia total, as v\u00e1rias fases de uma \u201cviagem de \u00e1cido\u201d, neste caso, decididamente uma \u201cm\u00e1 viagem\u201d, at\u00e9 ao centro da paranoia. Chegados a este ponto, os restantes Genesis assustaram-se e devem ter feito sinal de \u201cstop\u201d ao antigo arcanjo, aqui transformado em dem\u00f3nio. Os trabalhos posteriores de Peter Gabriel confirmariam o caminho que este viria a seguir, feito de transforma\u00e7\u00f5es sucessivas (o rosto aparece representado de forma sistem\u00e1tica nas capas, sujeito a diversas deforma\u00e7\u00f5es), num percurso semelhante ao de Bowie, assumido embora na direc\u00e7\u00e3o de um certo tribalismo que, em \u00faltima an\u00e1lise, viria a desembocar no territ\u00f3rio infinito da \u201cworld music\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 22.07.1992 DA G\u00c9NESE \u00c0 REVELA\u00c7\u00c3O Os Genesis merecem o m\u00e1ximo respeito e considera\u00e7\u00e3o. Por tudo o que de bom fizeram pela m\u00fasica rock, pela beleza com que aqueceram os nossos cora\u00e7\u00f5es. Devemos agradecer-lhes e paga-lhes. Mas n\u00e3o namesma moeda, que essa eles n\u00e3o aceitam. Dizem que j\u00e1 n\u00e3o sabem dan\u00e7ar. 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