{"id":8330,"date":"2020-09-03T10:55:43","date_gmt":"2020-09-03T17:55:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8330"},"modified":"2020-09-03T10:55:43","modified_gmt":"2020-09-03T17:55:43","slug":"loreena-mckennitt-loreena-mckennitt-em-lisboa-paozinho-sem-sal-concerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/09\/03\/loreena-mckennitt-loreena-mckennitt-em-lisboa-paozinho-sem-sal-concerto\/","title":{"rendered":"Loreena McKennitt &#8211; &#8220;Loreena McKennitt Em Lisboa &#8211; P\u00e3ozinho Sem Sal&#8221; (concerto)"},"content":{"rendered":"<p>Cultura >> Domingo, 05.07.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Loreena McKennitt Em Lisboa<br \/>\nP\u00e3ozinho Sem Sal<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Sem sal mas com muito a\u00e7\u00facar. \u00c9 assim a m\u00fasica de Loreena McKennitt, a loira canadiana da harpa que em Lisboa deu \u201cno\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de mitologia celta\u201d \u00e0s gentes a quem faz alguma confus\u00e3o essa coisa da \u201cm\u00fasica tradicional\u201d Foi bonito. Foi pedag\u00f3gico. Foi insonso.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8331\" rel=\"attachment wp-att-8331\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/loreena.jpg\" alt=\"\" width=\"623\" height=\"697\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8331\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/loreena.jpg 623w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/loreena-268x300.jpg 268w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/loreena-89x100.jpg 89w\" sizes=\"auto, (max-width: 623px) 100vw, 623px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Dividiu-se em duas partes a actua\u00e7\u00e3o de Loreena McKennitt com a sua banda, na sexta-feira \u00e0 noite, no teatro S. Luiz, em Lisboa, perante uma audi\u00eancia curiosa em conhecer os segredos de um povo lend\u00e1rio e mist\u00e9rios que ainda por cima deixou marcas na matriz an\u00edmica dos lusitanos. A essa \u00e2nsia de saber desinteressada e despida de preconceitos (bastante despida at\u00e9, em certos casos limite, na turma feminina) respondeu Loreena com a sapi\u00eancia de quem come\u00e7ou a ler os primeiros livros e a profundidade de um postal ilustrado.<br \/>\nA primeira parte incidiu em temas do mais recente \u00e1lbum \u201cThe Visit\u201d, que Loreena associa \u00e0 \u201cvinda da inspira\u00e7\u00e3o\u201d, enfim, a um afrontamento m\u00edstico. De resto, toda ela \u00e9 m\u00edstica da cabe\u00e7a aos p\u00e9s. Uma farta cabeleira loura flamejante que na noite do concerto contrastava com um longo vestido negro d\u00e1-lhe o ar de uma princesa medieval, acentuado pela candura da pose e a suavidade das inflex\u00f5es vocais. Loreena \u00e9 Lady de Shalott e Guinevere, entre as brumas de Avalon. Loreena canta com uma voz sem m\u00e1cula nem r\u00e9stia de pecado e tece na harpa lindas e ass\u00e9pticas melodias que decerto embalariam o cora\u00e7\u00e3o de todas as donas de casa onde se alberga uma alma de celta e o desejo inconfessado de viver as grandes sagas, depois da lida da casa. Loreena \u00e9 a fada do lar.<br \/>\n\u201cLady of Shallot\u201d, \u201cAll Souls\u201d, \u201cGreensleeves\u201d, \u201cBonnie Portmore\u201d e \u201cBetween the Shadows\u201d foram alguns temas de \u201cThe Visit\u201d, com que, na harpa ou ao piano, Loreena embeveceu os presentes que, desde as primeiras notas, ascenderam aos prazeres inef\u00e1veis do para\u00edso. Em todos os rostos um sorriso ser\u00e1fico e a sensa\u00e7\u00e3o que, afinal de contas, o mundo \u00e9 belo. \u00c9 isto a \u201cnew age\u201d. Aqui reside a salva\u00e7\u00e3o. O apocalipse termina no cuidado de uma \u201ctoilette\u201d.<\/p>\n<p><strong>Celtas Somos Todos<\/strong><\/p>\n<p>Nos intervalos das can\u00e7\u00f5es, Loreena McKennitt falou da impress\u00e3o que lhe causa Portugal, sempre que aqui vem de visita (e vem muitas vezes, e confessou que n\u00e3o se importaria de viver neste cantinho seis meses por ano \u2013 ah, rapariga que n\u00e3o sabes o que dizes!), de Yeats e de carvalhos, entre outros temas de interesse hist\u00f3rico. E ensinou que os celtas n\u00e3o se encontravam s\u00f3 na Irlanda e na Esc\u00f3cia, n\u00e3o senhor, que os havia por todo o lado, na \u00cdndia, nos Balc\u00e3s, qui\u00e7\u00e1 na CIA e no KGB. Exemplificou a teoria (que at\u00e9 \u00e9 verdadeira, vem nos comp\u00eandios) auxiliada por m\u00fasicos competentes: Hugh Marsh, um violinista que sabe disfar\u00e7ar as debilidades t\u00e9cnicas com a electricidade, Richard Lazar, percussionista com a subtileza dos bombos de Lavacolhos (sem desprimor para os de Lavacolhos), mas muito \u201cworld\u201d, Brian Hughes guitarrista engra\u00e7ado (muito engra\u00e7ado mesmo, enfiado numas cal\u00e7as largueironas e enfunadas que lhe davam um ligeiro toque de palha\u00e7o) que trazia uma \u201csitar\u201d indiana onde n\u00e3o chegou a tocar, Anne Bourne, uma loirinha (diferente de \u201cloura\u00e7a\u201d) \u00e0s voltas com o violoncelo, acorde\u00e3o e \u201ctampura\u201d que n\u00e3o destoou e um contrabaixista discreto mas bastante eficaz no suporte r\u00edtmico da banda.<br \/>\nDepois, na segunda parte, Loreena enveredou a fundo \u2013 e nela mesmo no fundo h\u00e1 sempre p\u00e9 \u2013 pelas m\u00fasicas celtas, arruinando de passagem um tema bret\u00e3o dos Na Triskell e acabando numa estiliza\u00e7\u00e3o vocal colectiva de um c\u00e2ntico dos \u00edndios americanos dos Apalaches. Regressou solit\u00e1ria ao palco, trazendo consigo apenas a harpa, para um \u201cencore\u201d no qual interpretou, a pedido da assist\u00eancia, o que n\u00e3o estava no programa, uma vers\u00e3o semi-improvisada de \u201cTango to Evora\u201d \u2013 \u00fanico momento m\u00e1gico de um concerto pautado pelo t\u00e9dio e por uma sequ\u00eancia ininterrupta de lugares-comuns. Loreena actua hoje em Dublin, na Irlanda, com as suas li\u00e7\u00f5es de \u201cser celta sem perder peso, no fim leva uma lembran\u00e7a\u201d. L\u00e1, devem linch\u00e1-la.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> Domingo, 05.07.1992 Loreena McKennitt Em Lisboa P\u00e3ozinho Sem Sal Sem sal mas com muito a\u00e7\u00facar. \u00c9 assim a m\u00fasica de Loreena McKennitt, a loira canadiana da harpa que em Lisboa deu \u201cno\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de mitologia celta\u201d \u00e0s gentes a quem faz alguma confus\u00e3o essa coisa da \u201cm\u00fasica tradicional\u201d Foi bonito. 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