{"id":8289,"date":"2020-08-19T10:48:20","date_gmt":"2020-08-19T17:48:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8289"},"modified":"2020-08-19T10:48:20","modified_gmt":"2020-08-19T17:48:20","slug":"peter-hammill-o-dom-da-palavra-entrevista-a-proposito-do-lancamento-do-album-fireships","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/08\/19\/peter-hammill-o-dom-da-palavra-entrevista-a-proposito-do-lancamento-do-album-fireships\/","title":{"rendered":"Peter Hammill &#8211; O Dom Da Palavra&#8221; (entrevista a prop\u00f3sito do lan\u00e7amento do \u00e1lbum &#8220;Fireships&#8221;)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 17.06.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>O DOM DA PALAVRA<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Peter Hammill \u00e9 um mago das palavras. Com elas \u2013 e com uma m\u00fasica que desde os Van der Graaf Generator at\u00e9 ao recente \u00e1lbum a solo, \u201cFireships\u201d, se afirmou sempre como orgulhosamente diferente -, crious uma obra \u00edmpar na m\u00fasica popular das duas \u00faltimas d\u00e9cadas. Sem fazer ondas. Mas ainda aqui, como ele diz, as palavras ocultam o paradoxo.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8290\" rel=\"attachment wp-att-8290\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/ph.jpg\" alt=\"\" width=\"504\" height=\"789\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8290\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/ph.jpg 504w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/ph-192x300.jpg 192w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/ph-64x100.jpg 64w\" sizes=\"auto, (max-width: 504px) 100vw, 504px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u00c9 o poeta por excel\u00eancia. Muitos viveram a sua odisseia como se a obra po\u00e9tico-musical deste autor, mais do que uma vis\u00e3o pessoal, pertencesse ao dom\u00ednio p\u00fablico, partilhado embora por um n\u00famero restrito de iniciados. Para Peter Hammill, que hoje e amanh\u00e3 actua em Portugal, no Teatro S. Luiz, integrado nas Festas da Cidade de Lisboa, \u201cFireships\u201d \u00e9 o repouso do guerreiro. Can\u00e7\u00f5es que acabam por ser sempre de amor. \u201cNeobaladas calmas\u201d, como ele as define. Ultrapassada a viol\u00eancia sonora de revoltas passadas, sobra a voz inconfund\u00edvel, os poemas que retratam o casamento entre o mundo e o \u201ceu\u201d. O futuro, eternamente por cumprir. E o imperativo, implac\u00e1vel, da consci\u00eancia e da lucidez extremas.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 A consci\u00eancia pode ser dolorosa?<\/strong><br \/>\nPETER HAMMILL \u2013 Decerto que sim. Tanto em termos de culpa como de reconcilia\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s pr\u00f3prios e ao mundo. A consci\u00eancia tem, evidentemente, outras qualidades\u2026 Neste aspecto, sou de certa forma um est\u00f3ico\u2026 O sofrimento, seja ele qual for, faz parte da experi\u00eancia humana.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O casamento entre masculino e feminino. O Sol e a Lua. A raz\u00e3o e a intui\u00e7\u00e3o. Pode considerar-se a sua obra como um trabalho de alquimia?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Talvez esteja envolvido numa luta, num trabalho de transformar a minha pr\u00f3pria mat\u00e9ria-prima (em termos de experi\u00eancia, consci\u00eancia e intui\u00e7\u00e3o) num rel\u00e2mpago de ouro, embora tempor\u00e1rio, numa resolu\u00e7\u00e3o sempre em aberto. Por outro lado, \u00e9 poss\u00edvel que eu afinal apenas consiga \u201cinventar algumas hist\u00f3rias em dias de sorte\u201d.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Pode dizer-se que desde \u201cA Black Box\u201d abandonou a experimenta\u00e7\u00e3o. Por um desejo de seguran\u00e7a? Cansa\u00e7o? Ou por outra raz\u00e3o?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o acredito na experimenta\u00e7\u00e3o por si s\u00f3, como um objectivo ou um fim, mas simplesmente em diferentes fases de interesse. Concordo com a sua avalia\u00e7\u00e3o apenas de uma perspectiva exterior. Cada can\u00e7\u00e3o \u00e9, \u00e0 sua maneira, uma experi\u00eancia. A um n\u00edvel t\u00e9cnico \u00e9, hoje em dia, muito mais dif\u00edcil conseguir essa experimenta\u00e7\u00e3o, precisamente devido aos meios cada vez mais sofisticados e poderosos postos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. Dito isto, no meu caso a \u201cexperimenta\u00e7\u00e3o\u201d tem incidido, ao longo dos anos, muito mais em aspectos pessoais, interiores, e nunca de uma forma aberta e premeditada. Um bom exemplo do que considero um \u00e1lbum \u201cexperimental\u201d \u00e9 \u201cAnd Close as This\u201d, embora na apar\u00eancia soe bastante normal. Mas n\u00e3o fa\u00e7o ideia do tipo de experi\u00eancias, ou da aus\u00eancia delas, que ele possa encerrar\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 A famigerada \u00f3pera [\u201cThe Fall of the House of Usher\u201d, inspirada no conto hom\u00f3nimo de Edgar Allen Poe] demorou cerca de 20 anos a fazer, mas acaba por soar a Meat Loaf\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Meat Loaf? Quer com essa compara\u00e7\u00e3o dizer que se parece com uma \u201c\u00f3pera rock\u201d? \u201cPshaw!\u201d [Exclama\u00e7\u00e3o de rep\u00fadio tipicamente inglesa. Intraduz\u00edvel.] Desses 20 anos, 12 foram gastos a escrev\u00ea-la; seis, nos arranjos e na grava\u00e7\u00e3o final; dois, a escolher as vozes finais, nas misturas e na substitui\u00e7\u00e3o de alguns arranjos.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u201cFireships\u201d soa um pouco como uma recapitula\u00e7\u00e3o de \u00e1lbuns anteriores. Quase uma solu\u00e7\u00e3o de compromisso\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Penso que \u201cFireships\u201d traz algo de novo, em, em termos de \u201carranjos\u201d, orquestra\u00e7\u00f5es, som e, acima de tudo, coer\u00eancia de ambiente. \u00c9 natural que existam semelhan\u00e7as no estilo de escrita, embora at\u00e9 aqui nunca tivesse alinhado uma sequ\u00eancia de neobaladas t\u00e3o calmas, como \u00e9 o caso.<br \/>\n<strong>P. \u2013 A sua m\u00fasica passou sempre ao lado da aceita\u00e7\u00e3o das massas. Tal deve-se a uma atitude volunt\u00e1ria da sua parte? H\u00e1 ainda uma obra a completar? Uma vida?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 A atitude volunt\u00e1ria que refere tem sido sempre a de realizar um trabalho que em primeiro lugar fa\u00e7a sentido para mim, em vez de apelar \u00e0s massas. Dito isto, gostaria que ele fizesse sentido tamb\u00e9m para um n\u00famero cada vez maior de pessoas que acedem \u00e0 minha m\u00fasica. Mas n\u00e3o quero ser apanhado na armadilha da personalidade auto-fabricada. N\u00e3o gosto de rebuscar nem de ser avaliado pelos meus trabalhos passados. Prefiro seguir sempre em frente, guiado pelas minhas pr\u00f3prias luzes.<br \/>\nPela mesma raz\u00e3o, existe, de facto, um trabalho desconhecido e em curso, como sugere. Permanece, al\u00e9m disso, em mim, como escritor, algo que rejeita de forma activa a celebridade. Sei que parece estranho e paradoxal, dito por algu\u00e9m com uma tal parcela de ego envolvida na vida de \u201cperformer\u201d\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Afinal, em \u00faltima an\u00e1lise, o que \u00e9 que procura?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Se pudesse traduzir essa procura em palavras, tenho a certeza de que a resposta se pereria algures nos espa\u00e7os e nos paradoxos que existem entre elas, nas can\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Vivemos em pleno Apocalipse. \u201cGaia\u201d [designa\u00e7\u00e3o do planeta Terra, como entidade viva; t\u00edtulo de uma can\u00e7\u00e3o de \u201cFireships\u201d] aproxima-se do fim. V\u00ea alguma solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 sempre, tem sido sempre, ser\u00e1 sempre o Apocalipse. A diferen\u00e7a \u00e9 que agora, de forma inc\u00f3moda, sabemos mais acerca dele. Acredito que a \u00fanica resposta poss\u00edvel seja afirmar a vida, enquanto ela ainda existe.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Continua a acreditar que \u201cThe Least We Can Do Is Wave to Each Other\u201d [t\u00edtulo de um \u00e1lbum dos Van Der Graaf Generator]?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Continua a parecer-me uma ideia aceit\u00e1vel!&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 17.06.1992 O DOM DA PALAVRA Peter Hammill \u00e9 um mago das palavras. Com elas \u2013 e com uma m\u00fasica que desde os Van der Graaf Generator at\u00e9 ao recente \u00e1lbum a solo, \u201cFireships\u201d, se afirmou sempre como orgulhosamente diferente -, crious uma obra \u00edmpar na m\u00fasica popular das duas \u00faltimas d\u00e9cadas. 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