{"id":8272,"date":"2020-07-28T03:54:57","date_gmt":"2020-07-28T10:54:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8272"},"modified":"2020-07-28T03:54:57","modified_gmt":"2020-07-28T10:54:57","slug":"mari-boine-persen-concerto-de-mari-boine-persen-domingo-em-lisboa-a-laponia-nao-e-uma-parvonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/07\/28\/mari-boine-persen-concerto-de-mari-boine-persen-domingo-em-lisboa-a-laponia-nao-e-uma-parvonia\/","title":{"rendered":"Mari Boine Persen &#8211; &#8220;Concerto De Mari Boine Persen, Domingo, Em Lisboa &#8211; A Lap\u00f3nia N\u00e3o \u00c9 Uma Parv\u00f3nia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Cultura >> Quarta-Feira, 10.06.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Concerto De Mari Boine Persen, Domingo, Em Lisboa<br \/>\nA Lap\u00f3nia N\u00e3o \u00c9 Uma Parv\u00f3nia<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>Os apreciadores de folk deveriam ficar de vig\u00edlia e em jejum at\u00e9 ao pr\u00f3ximo domingo, dia em que Mari Boine Persen actua em Lisboa. Em Bel\u00e9m, \u00e0s 21h00, no relvado em frente dos Jer\u00f3nimos e dos past\u00e9is. Num concerto \u201cPela Terra e pela gente\u201d com mais nomes mas em que ela \u00e9 a estrela principal \u2013 a estrela de Bel\u00e9m. Como prepara\u00e7\u00e3o espiritual, \u00e9 o m\u00ednimo que se pode exigir.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8273\" rel=\"attachment wp-att-8273\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/mari.jpg\" alt=\"\" width=\"496\" height=\"782\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8273\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/mari.jpg 496w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/mari-190x300.jpg 190w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/mari-63x100.jpg 63w\" sizes=\"auto, (max-width: 496px) 100vw, 496px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Mari Boine Persen \u00e9 a representante de uma cultura estranha que traz como credenciais uma voz fabulosa (o jornal londrino \u201cThe Guardian\u201d chamou \u00e0 cantora a \u201cPiaf do Norte\u201d) e uma m\u00fasica diferente de todas as outras. Vem cantar a Portugal no concerto \u201cPela Terra e pela gente\u201d, a convite da Etnia, em colabora\u00e7\u00e3o com a Oikos, uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental com um projecto de educa\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento em v\u00e1rias regi\u00f5es europeias.<br \/>\nQuem j\u00e1 ouviu o seu \u00e1lbum \u201cGula Gula\u201d, gravado para a Real World, sabe o que o espera e nesta altura o mais prov\u00e1vel \u00e9 j\u00e1 estar a caminho de Bel\u00e9m, gemendo de ansiedade e expectativa. Ainda por cima o espect\u00e1culo \u00e9 gratuito. De referir que Mari Boine Persen, para al\u00e9m do concerto lisboeta, actuar\u00e1 noutras quatro cidades, em mais uma ronda dos Circuitos da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia. No Porto, dia 13, no Cais da Estiva (\u00e0 Ribeira), em Guimar\u00e3es, dia 15, no Pa\u00e7o dos Duques, na Guarda, dia 16, na Alameda de S. Andr\u00e9 e em Viana do Castelo, dia 17, no Teatro S\u00e1 de Miranda. Todos os espect\u00e1culos com in\u00edcio \u00e0s 21h30.<br \/>\nAl\u00e9m dos aspectos musicais propriamente ditos, que por si s\u00f3 justificam todos os louvores, a obra da cantora reveste-se de um significado pol\u00edtico. Mari Boine Persen vem registada no bilhete de identidade como cidad\u00e3 norueguesa o que, para ela, deve querer dizer pouco. A Lap\u00f3nia existe, n\u00e3o \u00e9 uma parv\u00f3nia, foi l\u00e1 que Mari nasceu e por esse motivo tem de lutar contra a segrega\u00e7\u00e3o a que geralmente s\u00e3o votadas as minorias. Mari \u00e9 norueguesa da mesma maneira que um galego \u00e9 espanhol, o que desde logo d\u00e1 origem a confus\u00f5es. O povo lap\u00e3o suportou, na sua hist\u00f3ria recente, a opress\u00e3o dos mais fortes. Os fortes \u2013 neste caso noruegueses de cabelos louros, olhos azuis e cora\u00e7\u00f5es de gelo \u2013 procederam como procedem sempre que se lhes deparam casos de rebeldia e a vontade de afirma\u00e7\u00e3o de uma identidade cultural aut\u00f3noma: oprimiram primeiro, como forma de desgaste, e assimilaram depois, como se a diferen\u00e7a n\u00e3o passasse de uma ilus\u00e3o ou de um capricho de ind\u00edgenas pouco civilizados. A \u00fanica can\u00e7\u00e3o que Mari Boine canta em noruegu\u00eas tem por t\u00edtulo \u201cReceita para criar uma ra\u00e7a superior\u201d\u2026<br \/>\nNa m\u00fasica de Mari Boine Persen afirma-se a identidade de um povo e a vitalidade da tradi\u00e7\u00e3o \u201cSami\u201d. A l\u00edngua utilizada \u00e9 o lap\u00e3o. Os ritmos assentam nas pulsa\u00e7\u00f5es ancestrais. Quando Mari canta, sentimo-nos todos lap\u00f5es e apetece cortar rela\u00e7\u00f5es com os noruegueses (com as norueguesas, n\u00e3o). Mas esta firmeza e este enraizamento na tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o implicam a recusa dos tempos actuais. Provam-no a presen\u00e7a da electr\u00f3nica, em \u201cGula Gula\u201d, ou o anunciado projecto de um novo disco, com edi\u00e7\u00e3o prevista para o Outono, de parceria com o seu compatriota Jan Garbarek, sucedendo deste modo a Agnes Buen Garnas, na lista das cantoras \u201cnorueguesas\u201d a quem o saxofonista emprestou o seu talento de arranjador.<br \/>\nAcompanham Mari Boine Persen, no concerto de Bel\u00e9m, Roger Ludvigasen (guitarras e percuss\u00e3o), Gjermund Silset (baixo), Carlos Zamata Quispe (flautas e charango) e Helge Nordbakken (percuss\u00f5es).<br \/>\nDos Andes, das grandes altitudes onde voa o condor, sopram as flautas de P\u00e3 e os chap\u00e9us s\u00e3o arrancados das cabe\u00e7as pelo vento, chegam os Caliche, com a sua m\u00fasica de inspira\u00e7\u00e3o pr\u00e9-colombiana e as suas t\u00edpicas mantas de l\u00e3 \u00e0s riscas. N\u00e3o ser\u00e1 bem assim mas n\u00e3o deixa de ser po\u00e9tico. Por acaso o nome da banda at\u00e9 \u00e9 inspirado nas minas de nitrato das montanhas do Norte do Chile. M\u00fasica do interior da montanha e n\u00e3o tanto dos seus cumes \u2013 o primeiro \u00e1lbum dos Caliche tem por t\u00edtulo \u201cDeep from the Earth\u201d e faz lembrar os sete an\u00f5es da Branca de Neve. Gravaram outros: \u201cWinds from the South\u201d e \u201cDance of the Llamas\u201d. Na sua terra natal, alinham na \u201cAlerce\u201d, editora chilena em cujo cat\u00e1logo figuram os nomes m\u00edticos de Victor Jara, Quilapayun, Inti-Illimani e Violeta Parra.<\/p>\n<p><strong>Uma Frui\u00e7\u00e3o N\u00e3o PREC<\/strong><\/p>\n<p>Em 1974, a r\u00e1dio portuguesa n\u00e3o passava outra coisa. Um enjoo. Passados todos estes anos de merecido descanso, a distancia\u00e7\u00e3o j\u00e1 permite fruir sem preconceitos \u2013 uma frui\u00e7\u00e3o n\u00e3o PREC \u2013 estas sonoridades com sabor a vento e terra.<br \/>\nSeckou e Ramata representam o continente africano. O primeiro \u00e9 oriundo da G\u00e2mbia, descendente de um cl\u00e3 de feiticeiros (\u201cgritos\u201d). A G\u00e2mbia fica situada entre o Oceano Atl\u00e2ntico e o Senegal, entre as regi\u00f5es des\u00e9rticas do Norte e a selva tropical, a Sul. Terra de uma cultura que permaneceu inviol\u00e1vel, das tribos dos mandingos e do \u201ckora\u201d, instrumento musical popularizado no Ocidente por Mory Kant\u00e9 ou Foday Musa Suso. Mist\u00e9rio e melopeias encantat\u00f3rias, cerne da tradi\u00e7\u00e3o oral deste pa\u00eds, s\u00e3o transportados na voz de Diely Seckou, cantor de casamentos, baptismos e outras cerim\u00f3nias de inica\u00e7\u00e3o. Seckou traz consigo a sua mulher Ramata Kouyat\u00e9, maliniana, cantora, tamb\u00e9m ela herdeira da tradi\u00e7\u00e3o dos feiticeiros e portadora do segredo negro, cuja decifra\u00e7\u00e3o passa pela aten\u00e7\u00e3o constante aos \u201cmenores estrmecimentos do cora\u00e7\u00e3o\u201d africano. O duo ser\u00e1 acompanhado por Lansine Kouyate (balafone), Ali Wage (flauta vocal) e Djeli Moussa Cissoko (percuss\u00f5es).<br \/>\nPortugal faz-se representar pelos Toque de Caixa que at\u00e9 agora t\u00eam andado um pouco na sombra dos Vai de Roda, em particular por Ant\u00f3nio Tent\u00fagal ter sido, h\u00e1 anos, o seu director musical. S\u00e3o sete, tocam uma quantidade de instrumentos \u2013 das guitarras, percuss\u00f5es e teclados ao violino, concertina e gaita-de-foles \u2013 e defendem que \u201cpara se saber o caminho em frente \u00e9 bom n\u00e3o esquecer o caminho que est\u00e1 para tr\u00e1s, o caminho de regresso\u201d.<\/p>\n<p><strong>Caixa<br \/>\nAd Vielle Que Pourra E Ex-Planxty<\/strong><br \/>\nOS TERCEIROS Encontros da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia j\u00e1 t\u00eam o programa deste ano. \u00c0 semelhan\u00e7a das duas primeiras edi\u00e7\u00f5es, a Etnia n\u00e3o brinca e traz a Portugal os melhores. Este ano, ent\u00e3o, \u00e9 caso para dizer que por nada deste mundo se poder\u00e1 perder a m\u00fasica que a\u00ed vem. Atente-se nos nomes: Lyam O\u2019 Flynn em duo com Donnal Lunny. O primeiro, um dos maiores tocadores de gaita-de-foles da Irlanda, o segundo, mestre dos instrumentos de corda dedilhada. Ex-membros dos Planxty (Lunny tamb\u00e9m passou pelos Bothy Band), trazem consigo a Portugal \u201camigos\u201d por enquanto inc\u00f3gnitos, mas que devem ser do mesmo quilate. Da Esc\u00f3cia, os Capercaillie, cujo \u00e1lbum recente, \u201cDelerium\u201d, foi incensado nas p\u00e1ginas da \u201cFolk Roots\u201d. Elena Ledda &#038; Suonoficina e o grupo Vasmalon representam respectivamente a Sardenha e a Hungria.<br \/>\nRegressam a Portugal os espanh\u00f3is La Musgana, que h\u00e1 dois anos rubricaram uma actua\u00e7\u00e3o memor\u00e1vel, no castelo de Palmela. O seu \u00e1lbum \u201cEl Paso de La Estantigua\u201d deve andar esquecido por uma ou outra discoteca. Finalmente (prenda-se a respira\u00e7\u00e3o), do Canad\u00e1, os Ad Vielle Que Pourra, uma das maiores forma\u00e7\u00f5es Folk da actualidade que, nos \u201cEncontros\u201d, decerto confirmar\u00e1 a expectativa criada pelos \u00e1lbuns \u201cNew French Folk Music\u201d e \u201cCome What May\u201d, ambos dispon\u00edveis no mercado nacional, via importa\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 ainda prevista a inclus\u00e3o no programa de dois grupos portugueses, a definir, ou, em alternativa, um grupo estrangeiro, da Bretanha ou da Gr\u00e9cia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> Quarta-Feira, 10.06.1992 Concerto De Mari Boine Persen, Domingo, Em Lisboa A Lap\u00f3nia N\u00e3o \u00c9 Uma Parv\u00f3nia Os apreciadores de folk deveriam ficar de vig\u00edlia e em jejum at\u00e9 ao pr\u00f3ximo domingo, dia em que Mari Boine Persen actua em Lisboa. Em Bel\u00e9m, \u00e0s 21h00, no relvado em frente dos Jer\u00f3nimos e dos past\u00e9is. 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