{"id":8256,"date":"2020-07-21T03:50:52","date_gmt":"2020-07-21T10:50:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8256"},"modified":"2020-07-21T03:50:52","modified_gmt":"2020-07-21T10:50:52","slug":"varios-folk-tejo-sexta-e-sabado-no-teatro-sao-luiz-em-lisboa-o-ultimo-metro-festivais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/07\/21\/varios-folk-tejo-sexta-e-sabado-no-teatro-sao-luiz-em-lisboa-o-ultimo-metro-festivais\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;Folk Tejo, Sexta E S\u00e1bado, No Teatro S\u00e3o Luiz, Em Lisboa &#8211; O \u00daltimo Metro&#8221; (festivais)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Cultura >> Segunda-Feira, 08.06.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Folk Tejo, Sexta E S\u00e1bado, No Teatro S\u00e3o Luiz, Em Lisboa<br \/>\nO \u00daltimo Metro<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8257\" rel=\"attachment wp-att-8257\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/rom.jpg\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"436\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8257\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/rom.jpg 625w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/rom-300x209.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/rom-624x435.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/rom-100x70.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nDUAS NOITES de Folk integradas nas Festas da Cidade de Lisboa n\u00e3o foram suficientes para levantar o \u00e2nimo de quantos n\u00e3o puderam ou n\u00e3o quiseram ir \u00e0s Antas ver o Sinatra. Em Lisboa, ao contr\u00e1rio do Porto, vai-se \u201c\u00e0 Folk\u201d trajado a rigor, sem entusiasmos excessivos nem paix\u00f5es exarcebadas. Como \u00e0 \u00f3pera, ao Aqu\u00e1rio Vasco da Gama ou \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o de mobili\u00e1rio de casa de banho da F.I.L.<br \/>\nEste ano n\u00e3o houve as falhas de organiza\u00e7\u00e3o do ano passado. O S\u00e3o Luiz foi op\u00e7\u00e3o acertada, o som esteve bom. A m\u00fasica, sem ter sido brilhante, entreteve. Abriu o primeiro dia do Folk Tejo um grupo de cantores alentejanos do Barreiro. Parece que n\u00e3o \u00e9 no Alentejo mas sim na cintura industrial da margem Sul do Tejo que se encontram os melhores representantes desta modalidade vocal. Homens que vieram do Sul trabalhar para as f\u00e1bricas e que, deste modo, at\u00e9 cantam melhor, empurrados pela saudade e pela m\u00e1goa. Assim foi no S. Luiz e ningu\u00e9m adormeceu.<br \/>\nAbed Azri\u00e9, um s\u00edrio com aspecto de Leo Ferr\u00e9, veio a seguir cantar os poetas m\u00edsticos do mundo \u00e1rabe, com arranjos musicais modernizados mas que n\u00e3o eliminaram de todo a vertente asc\u00e9tica original. Abed cantou o amor divino do \u201chomem que se deve tornar um deus e de Deus que se deve tornar humano\u201d, segundo a \u00f3ptica dos soufis da Idade M\u00e9dia, que corresponde, no Ocidente, \u00e0s concep\u00e7\u00f5es gn\u00f3sticas dos trovadores proven\u00e7ais. Vestido de negro, Abed mostrou, pelo canto serpentiforme, a matriz feminina do Oriente. Houve mesmo uma can\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 Mulher. Quando Abed Azri\u00e9 perguntou \u00e0 assist\u00eancia como se diz \u201cfemme\u201d em portugu\u00eas, algu\u00e9m na sala respondeu: \u201cChata!\u201d Excelentes os m\u00fasicos acompanhantes, com destaque para Abdulkader Ghourani, tocador de \u201ckanoun\u201d, uma variante do salt\u00e9rio.<br \/>\nBarbudo e extrovertido, Bem Zimet abriu as portas do cabar\u00e9 e misturou tudo: o canto \u201cyiddish\u201d dos judeus do Leste com Piaf, os ritmos ciganos com o jazz. Freud com Schoenberg, Treblinka com a Bielor\u00fassia, as hist\u00f3rias divertidas com a dor. Ficou a recorda\u00e7\u00e3o obsessiva dos anos do mart\u00edrio, do \u201cghetto\u201d de Vars\u00f3via e daquela crian\u00e7a que \u201cvendia f\u00f3sforos a dois c\u00eantimos numa \u00e9poca em que a vida humana valia menos que isso\u201d. A embriaguez de querer, sem que se consiga esquecer o horror e a nostalgia de uma Pol\u00f3nia de hoje, \u201ccom as mesmas \u00e1rvores, mas sem judeus\u201d.<br \/>\nCabar\u00e9 de dan\u00e7as macabras mas tamb\u00e9m da ternura e do humor, e do encontro com a Am\u00e9rica do jazz e de Gershwin. Endiabrado esteve Teddy Lasry, no clarinete, curiosamente um m\u00fasico que em in\u00edcio de carreira alinhou ao lado das tend\u00eancias wagnerianas de Christian Vander, nos Magma\u2026 Zimet e os seus pares tocaram e tocaram, espevitados pela presen\u00e7a, nas primeiras filas da plateia, de elementos da comunidade judaica radicada no nosso pa\u00eds. Zimet s\u00f3 parou de tocar, como o pr\u00f3prio disse, para n\u00e3o perder o \u00faltimo Metro. Faltavam dez minutos para a uma da manh\u00e3.<br \/>\nNa noite de s\u00e1bado os Roman\u00e7as quiseram mostrar mais do que na realidade s\u00e3o. Em vez de se ficarem pela melhor m\u00fasica do \u00e1lbum \u201cMonte da Lua\u201d optaram pelo exibicionismo de solos, apenas competentes e por can\u00e7\u00f5es novas com falta de rodagem. O melhor esteve nas vozes de Pedro d\u2019Orey e Fernando Pereira, na balada interpretada pela vocalista convidada Filomena Pereira, acompanhada por Pedro d\u2019Orey na harpa c\u00e9ltica (a primeira vez que este instrumento foi tocado ao vivo em Portugal) e Jos\u00e9 Pedro Gil nos teclados.<br \/>\nChris Wood (violino) e Andy Cutting (concertina) foram o oposto dos Roman\u00e7as. Aut\u00eanticos tecnicistas, n\u00e3o se preocuparam com exibicionismos gratuitos, antes teceram um manto musical envolvente, de forma discreta, que pouco a pouco, sem alardes, conquistou de forma subtil a assist\u00eancia, atrav\u00e9s de instrumentais de resson\u00e2ncias renascentistas, valsas do Quebec e outras cad\u00eancias da tradi\u00e7\u00e3o rural da Inglaterra. Para quem n\u00e3o os conhecia, a revela\u00e7\u00e3o do festival.<br \/>\nHappy e Artie Traum fecharam o Folk Tejo com uma nota de boa disposi\u00e7\u00e3o e \u201cgood time music\u201d. Com can\u00e7\u00f5es de The Band, Woody Guthrie, Dylan (tentaram, sem sucesso, que o p\u00fablico cantasse-em-coro \u201cI shall be released\u201d) e refer\u00eancias constantes \u00e0 \u201cWoodstock nation\u201d que parece encher-lhes o cora\u00e7\u00e3o. Convidaram Chris Wood para tocar em dois temas, brincaram com Sinatra, disseram \u201cobrigado\u201d em portugu\u00eas (fruto de seis meses de aprendizagem intensiva, como disse Robbie Dupree) e mostraram dois grandes m\u00fasicos em palco: Dupree, na harm\u00f3nica, e Cindy Cashdollar, na \u201clap slow guitar\u201d e no \u201cdobro\u201d, por vezes triplo. Tamb\u00e9m pararam para apanhar o metro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> Segunda-Feira, 08.06.1992 Folk Tejo, Sexta E S\u00e1bado, No Teatro S\u00e3o Luiz, Em Lisboa O \u00daltimo Metro DUAS NOITES de Folk integradas nas Festas da Cidade de Lisboa n\u00e3o foram suficientes para levantar o \u00e2nimo de quantos n\u00e3o puderam ou n\u00e3o quiseram ir \u00e0s Antas ver o Sinatra. 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