{"id":8253,"date":"2020-07-20T03:39:09","date_gmt":"2020-07-20T10:39:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8253"},"modified":"2020-07-20T03:39:09","modified_gmt":"2020-07-20T10:39:09","slug":"urban-sax-concerto-no-rossio-abre-festas-na-cidade-de-lisboa-safe-sax","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/07\/20\/urban-sax-concerto-no-rossio-abre-festas-na-cidade-de-lisboa-safe-sax\/","title":{"rendered":"Urban Sax &#8211; &#8220;Concerto No Rossio Abre Festas Na Cidade De Lisboa &#8211; &#8216;Safe Sax'&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Cultura >> Quarta-Feira, 03.06.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Concerto No Rossio Abre Festas Na Cidade De Lisboa<br \/>\n\u201cSafe Sax\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Afinal n\u00e3o houve gritos nem apertos. Esperava-se agita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o chegou sequer a haver confus\u00e3o. Os Urban Sax, talvez por receio das consequ\u00eancias que poderiam ter movimenta\u00e7\u00f5es mais precipitadas da multid\u00e3o que acorreu na noite de anteontem ao Rossio, optaram por um espect\u00e1culo mais calmo que o habitual. Quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Algo falhou, entretanto.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8254\" rel=\"attachment wp-att-8254\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/us.jpg\" alt=\"\" width=\"623\" height=\"412\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8254\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/us.jpg 623w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/us-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/us-100x66.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 623px) 100vw, 623px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>No Rossio estariam cerca de dez mil pessoas, entre turistas, \u201chabitu\u00e9s\u201d da zona, curiosos e, a toda a volta, vendedores de pipocas, manjericos, ou aquela senhora atarefada a montar a barraca durante todo o tempo que durou o concerto e que, finalmente, conseguiu soltar na noite o seu preg\u00e3o \u2013 \u201ca minha cerveja est\u00e1 mais gelada que as outras\u201d \u2013 para seu desespero, no momento em que o espect\u00e1culo acabou e as pessoas come\u00e7aram a debandada para outras paragens. Falhou, portanto, a vendedora.<br \/>\nMais rid\u00edculo foi o preg\u00e3o da C\u00e2mara Municipal de Lisboa, momentos antes do in\u00edcio do espect\u00e1culo, com uma voz a repetir ao microfone que os Urban Sax iriam tocar \u201choje, aqui e agora\u201d. Para os milhares de pessoas que encheram a pra\u00e7a do Rossio, foi bom saberem que tinham acertado no dia, no local e na hora do concerto. O p\u00fablico n\u00e3o falhou, portanto.<br \/>\nDez minutos depois da hora anunciada, ouviu-se o som do primeiro saxofone, vindo do telhado do Teatro Nacional, ao qual respondeu um segundo, algures para os lados da Baixa. Aos poucos foi chegando o resto da troupe, com um lote a surgir de tr\u00e1s, aos solavancos num ve\u00edculo motorizado, num dos \u201cgags\u201d j\u00e1 tornados habituais da banda. Os cinquenta e tal saxofonistas l\u00e1 se amontoaram como puderam no palco montado diante da fachada do Teatro. Alguns ficaram em p\u00e9 sobre o parapeito da fonte mais pr\u00f3xima. Uns quantos sobre um estrado, do lado direito. Envergavam todos uns fatos brancos com ap\u00eandices transparentes, ao estilo \u201cinsecto\u201d, entre Gaultier, o monstro de Alien e o boneco da Michelin.<br \/>\nDepois foi tudo uma quest\u00e3o de escala e esrros estrat\u00e9gicos. Quer dizer: at\u00e9 50 metros de dist\u00e2ncia do palco principal (onde afinal tudo acabou por concentrar-se), para quem esteve situado no meio das opera\u00e7\u00f5es, ter\u00e1 sido um espect\u00e1culo fabuloso de cor e luz, de envolvimento visual completo. Entre os 50 e os 100 metros funcionou mais a sugest\u00e3o, nos intervalos em que os pesco\u00e7os eram for\u00e7ados a descansar do esfor\u00e7o de estica constante para ver por cima da cabe\u00e7a do vizinho da frente. A partir dos 100 metros, mais ou menos ao n\u00edvel da est\u00e1tua de Maximiliano I, imperador do M\u00e9xico (que l\u00e1 no alto, de costas, se esteve marimbando para os Urban Sax), foi um bocado como nos Dire Straits em Alvalade mas sem os ecr\u00e3s gigantes.<br \/>\nAs cores e umas vagas luzes ainda eram percept\u00edveis ao longe. O som \u00e9 que n\u00e3o. Porque, sem que se perceba a raz\u00e3o, as colunas de amplifica\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m da reduzida pot\u00eancia \u2013 o que por si s\u00f3 subtraiu grande parte do impacto sonoro que as actua\u00e7\u00f5es da banda costumam ter \u2013 estavam voltadas para o palco, de costas para a maioria do p\u00fablico que deste modo apenas teve direito a ouvir uns ligeiros zumbidos, arredado que esteve do ponto nevr\u00e1lgico do concerto. O que suscitou alguns coment\u00e1rios de desagrado (l\u00e1 mais para tr\u00e1s, nem por isso, porque n\u00e3o se percebia sequer o que estava a acontecer, at\u00e9 podia ser um com\u00edcio pol\u00edtico), entre os quais um \u201cparece um vel\u00f3rio\u201d, n\u00e3o sem que antes a mesma pessoa, desagradada da estranheza que manifestamente o incomodava, tivesse avan\u00e7ado uma leitura filos\u00f3fica sobre os Urban Sax: \u201cs\u00e3o todos malucos\u201d. O som falhou, portanto.<\/p>\n<p><strong>Teatro<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00fasica continua a mesma a ser a que a banda vem criando de forma infatig\u00e1vel desde meados dos anos 70: Saxofones em un\u00edssono, desmultiplicados por diversas sec\u00e7\u00f5es, \u201criffs\u201d poderosos, ciclos repetitivos, apoiados num baixo el\u00e9ctrico (por sinal, mal tocado), as pontua\u00e7\u00f5es ocasionais de um gongo e o ritmo de tr\u00eas vibrafones, aos quais se acrescentaram na ocasi\u00e3o as vozes femininas dos Cramol que emprestaram \u00e0 m\u00fasica acentos dos Pink Floyd, de \u201cAtom Heart Mother\u201d.<br \/>\nEm termos de adere\u00e7os visuais, a apresenta\u00e7\u00e3o dos Urban Sax ficou-se pelo trivial: Comedores de fogo, empanturraram-se de chamas. Trapezistas baloi\u00e7aram-se nos trap\u00e9zios. Dignos membros do Grupo de Espeleologia de Lisboa treparam, mascarados, pelas paredes do teatro e, sobre o front\u00e3o, \u00e0 beira do precip\u00edcio, fizeram de dan\u00e7arinos, levantando \u00e0 vez uma perna e outra, com muito cuidado.<br \/>\nNo tema final, duas gruas suspenderam, cada uma, um molho de tr\u00eas figurantes Urban Sax \u2013 foi engra\u00e7ado, pareciam baratas a dar, muito aflitas, \u00e0 patita \u2013 e um jorro branco inundou de espuma o palco e as filas da frente, numa op\u00e7\u00e3o discut\u00edvel que mentes mais maliciosas poderiam associar a \u201cbanhada\u201d. Fora o folclore, os Urban Sax s\u00e3o de facto um prod\u00edgio de teatralidade, na encena\u00e7\u00e3o de um ritual de apocalipse urbano que, no Rossio, de luzes acesas, incluindo a do an\u00fancio da BP a piscar mesmo em frente, se perdeu de forma ingl\u00f3ria.<br \/>\nFica-se a pensar se n\u00e3o teria sido prefer\u00edvel a realiza\u00e7\u00e3o do espect\u00e1culo noutro local mais adequado, talvez a Fonte Luminosa, ou o \u201cHot Clube\u201d, porque n\u00e3o? Algo falhado, portanto, que poderia n\u00e3o ter falhado: a c\u00e2mara, os Urban Sax e a vendedeira de cerveja. \u201cSafe Sax\u201d \u00e9 mais seguro mas n\u00e3o sabe t\u00e3o bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> Quarta-Feira, 03.06.1992 Concerto No Rossio Abre Festas Na Cidade De Lisboa \u201cSafe Sax\u201d Afinal n\u00e3o houve gritos nem apertos. Esperava-se agita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o chegou sequer a haver confus\u00e3o. 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