{"id":8228,"date":"2020-07-07T08:58:44","date_gmt":"2020-07-07T15:58:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8228"},"modified":"2020-07-07T08:58:44","modified_gmt":"2020-07-07T15:58:44","slug":"mafalda-veiga-mafalda-veiga-edita-terceiro-album-este-disco-fala-imenso-de-pessoas-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/07\/07\/mafalda-veiga-mafalda-veiga-edita-terceiro-album-este-disco-fala-imenso-de-pessoas-entrevista\/","title":{"rendered":"Mafalda Veiga &#8211; &#8220;Mafalda Veiga Edita Terceiro \u00c1lbum &#8211; &#8216;Este Disco Fala Imenso De Pessoas'&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 20.05.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Mafalda Veiga Edita Terceiro \u00c1lbum<br \/>\n\u201cESTE DISCO FALA IMENSO DE PESSOAS\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Quatro anos depois de \u201cCantar\u201d, Mafalda Veiga regressa com um novo \u00e1lbum, \u201cNada Se Repete\u201d, um disco de hist\u00f3rias sobre pessoas reais, de aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0s gentes e \u00e0s palavras, mesmo quando em espanhol. Nada se repete e tudo se transforma?<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8229\" rel=\"attachment wp-att-8229\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/mf.jpg\" alt=\"\" width=\"358\" height=\"350\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8229\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/mf.jpg 358w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/mf-300x293.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/mf-100x98.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Mafalda Veiga fala com entusiasmo do novo disco, um disco que retoma a \u201cverve\u201d encontrada com \u201cP\u00e1ssaros do Sul\u201d e perdida em \u201cCantar\u201d. Um reencontro, ent\u00e3o, consigo pr\u00f3pria, com o gozo de tocar e com a \u201cfor\u00e7a das imagens\u201d.<br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2013 Embora menos que os anteriores \u201cP\u00e1ssaros do Sul\u201d e \u201cCantar\u201d, este \u201cNada se Repete\u201d n\u00e3o deixa de recordar ao n\u00edvel dos arranjos e de certas inflex\u00f5es vocais, os Trovante\u2026<\/strong><br \/>\nMAFALDA VEIGA \u2013 N\u00e3o concordo. Primeiro, porque sei que isso foi e \u00e9 uma das preocupa\u00e7\u00f5es do Manuel [Manuel Faria, dos Trovante], conseguir dist\u00e2ncia do grupo. Uma das coisas que fizemos agora precisamente para evitar a compara\u00e7\u00e3o foi chamar outros m\u00fasicos para fazer os arranjos: o Lu\u00eds Fernando, o Richard Walton e o Jos\u00e9 Peixoto, que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com os Trovante. Em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros \u00e1lbuns, isso \u00e9 verdade. Acontece que outra pessoa agarra no tema, d\u00e1-lhe determinado som, tira-lhe caracter\u00edsticas e acrescenta outras. \u00c0s vezes, a balan\u00e7a pesa de mais para um s\u00f3 lado. Ao n\u00edvel de est\u00fadio, ent\u00e3o, eu era perfeitamente inexperiente, de maneira que aquilo que fiz foi discutido e n\u00e3o sei qu\u00ea porque eu n\u00e3o sabia exactamente o que queria.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Por falar em nomes, o de M\u00e1rio Resende, dos Duplex Longa, no violino, \u00e9 inesperado\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Eu queria imenso que houvesse um violino. Tinha-o imaginado a improvisar. Falei com o Carlos Z\u00edngaro, s\u00f3 que ele n\u00e3o podia porque estava em viagem. Foi ele que me aconselhou o M\u00e1rio Resende.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O t\u00edtulo do \u00e1lbum sugere mudan\u00e7a, evolu\u00e7\u00e3o. Essa mudan\u00e7a estende-se ao seu pr\u00f3prio estilo?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Foi um t\u00edtulo muito pensado. Um t\u00edtulo que, por um lado, significa que h\u00e1 uma evolu\u00e7\u00e3o, que as coisas n\u00e3o s\u00e3o iguais e nada se repete, e que, por outro, tudo se repete. O t\u00edtulo fala precisamente do que vem, que n\u00e3o tem a ver com o passado, mas sim com o futuro. A capa mostra duas crian\u00e7as de um lado e duas cria\u00e7as do outro, a fazer a mesma coisa: empurrar-se dentro de \u00e1gua. Foi por isso que a fotografia foi escolhida. Poque aquele momento n\u00e3o se repete mas a imagem sim \u2013 \u00e9 esse o paradoxo que acho interessante.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Acabou por n\u00e3o responder \u00e0 quest\u00e3o. Houve evolu\u00e7\u00e3o em termos pessoais?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Estou a cantar de uma maneira diferente, ligada a uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e1 linguagem, \u00e0 maneira como comecei a perceber a for\u00e7a das palavras. Cantar, pelo menos na \u00e1rea em que me situo, tem muito a ver com dizer. As letras s\u00e3o super-importantes.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Uma evolu\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria, j\u00e1 que n\u00e3o tem actuado muito ao vivo, no s\u00faltimos tempos\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Estive tr\u00eas anos sem fazer nada, dois sem tocar. N\u00e3o estava a gostar, n\u00e3o me dava gozo nenhum. Foi uma fase um bocado negativa, a seguir ao segundo disco. Primeiro, porque o disco n\u00e3o correu como eu estava \u00e0 espera \u2013 foi muito precipitado \u2013 e depois porque me ressenti disso. O primeiro \u00e1lbum foi um sucesso s\u00fabito e no segundo disco teria que haver uma continuidade. Senti que, neste aspecto, algo correra mal, que n\u00e3o tinha chegado \u00e0s pessoas.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O que \u00e9 que correu mal?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Foi um disco feito sem muita energia, por uma equipa cansada. Tinha sido um ano de estrada e entr\u00e1mos em est\u00fadio sem conseguir criar dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao que se havia de passar \u2013 um erro perfeitamente assumido, que aconteceu. Por isso, durante um ano decidi n\u00e3o tocar. N\u00e3o me sentia bem comigo mesma.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Um trauma?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o foi trauma nenhum. Simplesmente, quando n\u00e3o se est\u00e1 a gostar do que se faz, tem que se optar por outras coisas. Nessa altura estudei pintura e m\u00fasica, compus\u2026 Andei a preparar a composi\u00e7\u00e3o do novo disco durante dois anos.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u201cNada se Repete\u201d d\u00e1 grande import\u00e2ncia aos textos. A tal \u201caproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem\u201d de que falava h\u00e1 pouco?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Para quem conhece os meus primeiros trabalhos, a diferen\u00e7a entre as letras dessa altura e as de agora \u00e9 evidente. A princ\u00edpio compunha de uma maneira intuitiva. Era mais o prazer de tocar, de dizer coisas. A dada altura, se calhar, eram s\u00f3 imagens correspondentes a sensa\u00e7\u00f5es de gozo, o gozo de tocar, de criar melodias e junt\u00e1-las \u00e0s palavras. Mas depois comecei a ganhar consci\u00eancia da for\u00e7a dessas imagens, da for\u00e7a que essas imagens podem ter na descri\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es. Essa consci\u00eancia permitiu-me uma linguagem mais directa.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Mais directa em que aspecto?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Este disco fala imenso de pessoas. Cada tema conta hist\u00f3rias reais de pessoas. S\u00f3 que, em certos casos, como no \u201cSaltimbanco Louco\u201d, a hist\u00f3ria acaba por ter pouco ou nada a ver com a pessoa, que se transforma numa imagem, numa personagem. Mas as bases s\u00e3o sempre reais. O disco est\u00e1 cheio de gente que fui conhecendo durante este per\u00edodo e que foi importante para mim.<br \/>\n<strong>P. \u2013 A hist\u00f3ria de \u201cO b\u00eabado pintor\u201d \u00e9 \u201csui generis\u201d\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 A can\u00e7\u00e3o foi inspirada num fado do Alfredo Marceneiro com o mesmo t\u00edtulo. Aqui a hist\u00f3ria tornou-se irreal, aquela vis\u00e3o do personagem quando diz que \u00e9 o \u201crei do mundo\u201d e de repente surgem por detr\u00e1s um monte de coisinhas, de irrealidades, de frustra\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Considera-se ent\u00e3o uma \u201cescritora de can\u00e7\u00f5es\u201d, \u00e0 maneira de um S\u00e9rgio Godinho?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Se o S\u00e9rgio Godinho n\u00e3o se importar que eu use o termo\u2026 Sim, considero-me uma escritora de can\u00e7\u00f5es, mais at\u00e9 do que m\u00fasico.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Mais at\u00e9 do que cantora?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o, porque uma das coisas que acho importante na maneira como componho \u00e9 a maneira como depois vou cantar.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Conte como surgiu \u201cPris\u00e3o\u201d, um tema bastante pesado, com toda aquela electr\u00f3nica sombria no in\u00edcio\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Fui tocar uma vez a uma pris\u00e3o, numa festa de Natal, e conheci uma rapariga espanhola que estava presa e escrevia. Tinah consigo imensos textos. Era uma pessoa supersens\u00edvel, a festa tinha sido feita por ela, os cartazes, tudo. Vi um texto seu numa parede e achei-o muito bonito, embora estivesse escrito em espanhol. Mas fiquei ligada \u00e1s palavras. Acabei por pedir ao Lu\u00eds [Lu\u00eds Represas] para fazer uma letra inspirada no texto.<br \/>\n<strong>P. \u2013 \u201cPor tu amor\u201d \u00e9 cantada em espanhol\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Componho ocasionalmente em espanhol por causa da musicalidade das palavras. Falo espanhol t\u00e3o bem como portugu\u00eas. Por vezes sai assim. Se o tema fosse escrito em portugu\u00eas diria decerto coisas diferentes.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Alguma vez pensou gravar um \u00e1lbum s\u00f3 de guitarra e voz, sem rede?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Era giro. Tens que ir l\u00e1 falar com a editora. Gostava de o fazer, de facto, s\u00f3 que normalmente quando imagino as composi\u00e7\u00f5es, tecnicamente n\u00e3o as sei tocar depois na guitarra. Prefiro chamar outro m\u00fasico. Num disco desse tipo teria de compor de uma maneira mais simplificada.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Como se sentiu quando Herman Jos\u00e9 fez aquela par\u00f3dia, na passagem do ano, sobre os \u201cP\u00e1ssaros do Sul\u201d?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Acho sempre piada ao Herman Jos\u00e9. Tamb\u00e9m lhe achei piada nessa ocasi\u00e3o. Estive com ele dois dias depois. Ele perguntou-me se eu tinha ficado chateada e eu disse-lhe que n\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 20.05.1992 Mafalda Veiga Edita Terceiro \u00c1lbum \u201cESTE DISCO FALA IMENSO DE PESSOAS\u201d Quatro anos depois de \u201cCantar\u201d, Mafalda Veiga regressa com um novo \u00e1lbum, \u201cNada Se Repete\u201d, um disco de hist\u00f3rias sobre pessoas reais, de aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0s gentes e \u00e0s palavras, mesmo quando em espanhol. 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