{"id":8150,"date":"2020-05-27T02:07:24","date_gmt":"2020-05-27T09:07:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8150"},"modified":"2020-05-27T02:07:24","modified_gmt":"2020-05-27T09:07:24","slug":"bleizi-ruz-de-danann-irlandeses-de-danann-dao-festival-de-virtuosismo-no-ultimo-dia-do-interceltico-a-alegria-e-a-furia-vieram-do-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/05\/27\/bleizi-ruz-de-danann-irlandeses-de-danann-dao-festival-de-virtuosismo-no-ultimo-dia-do-interceltico-a-alegria-e-a-furia-vieram-do-mar\/","title":{"rendered":"Bleizi Ruz, De Danann &#8211; &#8220;Irlandeses De Danann D\u00e3o Festival De Virtuosismo No \u00daltimo Dia Do Interc\u00e9ltico &#8211; A Alegria E A F\u00faria Vieram Do Mar&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Cultura >> Segunda-Feira, 06.04.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Irlandeses De Danann D\u00e3o Festival De Virtuosismo No \u00daltimo Dia Do Interc\u00e9ltico<br \/>\nA Alegria E A F\u00faria Vieram Do Mar<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Bleizi Ruz e De Danann fecharam em for\u00e7a e com virtuosismo o Festival Interc\u00e9ltico que durante tr\u00eas dias decorreu na cidade do Porto. Portugal, Galiza, Ast\u00farias, Bretanha, Inglaterra e Portugal foram os p\u00f3los de um mundo nascido do mar e de um tempo que teimam em permanecer vivos. Cumpriu-se o ritual.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8151\" rel=\"attachment wp-att-8151\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/dd.jpg\" alt=\"\" width=\"467\" height=\"786\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8151\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/dd.jpg 467w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/dd-178x300.jpg 178w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/dd-59x100.jpg 59w\" sizes=\"auto, (max-width: 467px) 100vw, 467px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>S\u00e1bado, derradeira noite do Interc\u00e9ltico. \u00daltimos folguedos. Festa em que estiveram presentes os sons do mar, as pulsa\u00e7\u00f5es da Natureza que firma os corpos e os sonhos que rompem o futuro. Lota\u00e7\u00e3o esgotada. Que chamamento ou chama atrai o homem para estas m\u00fasicas que o tempo poliu? Entusiasmo. Celebra\u00e7\u00e3o. Ritual. Os Bleizi Ruz vieram da Bretanha e da chuva. Os Beleizi Ruz gostam e desejam a chuva \u2013 disseram-no em palco. Eric Liorzou, Loic LeBorgne, Bernard Quillien e Philippe-Janvier deram in\u00edcio \u00e0 fun\u00e7\u00e3o com um \u201clarid\u00e9\u201d e nunca mais pararam. Mantiveram-se mais fi\u00e9is \u00e0 Bretanha do que o seu \u00e1lbum ao vivo, \u201cEn Concert\u201d, deixava adivinhar. As passagens, esperadas, pelo \u201ccajun\u201d e pela m\u00fasica dos Balc\u00e3s enriqueceram um concerto do qual o m\u00ednimo que se poder\u00e1 dizer \u00e9 que foi vibrante.<br \/>\nPhilippe Janvier e Bernard Quillien dialogaram, lutaram e quase rebentaram as bochechas na estrid\u00eancia das bombardas. Luc Lierzou cruzou-se com elas em ritmos e s\u00edncopes imposs\u00edveis arrancadas da guitarra. Loic Leborgne deu \u201cshow\u201d no acorde\u00e3o diat\u00f3nico com liga\u00e7\u00e3o MIDI, o que lhe permitiu, por exemplo, imitar o som de uma harpa. Quillien, sempre bem-humorado, contou hist\u00f3rias \u2013 sobre ciclistas ecol\u00f3gicos, casamentos regados com Ricard e cabe\u00e7as cortadas servidas em Jerusal\u00e9m. Houve espa\u00e7o para \u201cmensonges\u201d intimistas e para os del\u00edrios de um saxofone bar\u00edotono soprado por Janvier. Respirou-se chuva e sol. Subiu-se \u00e0s montanhas da Bulg\u00e1ria e da Rom\u00e9nia. No final, os quatro m\u00fasicos improvisaram sobre cad\u00eancias bret\u00e3s. A gaita-de-foles irrompeu, um pouco fora de tom, em di\u00e1logo com a bombarda. O \u201ckan h\u00e1 Diskan\u201d, de canto e resposta, tamb\u00e9m fez a sua apari\u00e7\u00e3o, extrovertido, vibrante, afirmativo da individualidade lingu\u00edstica e cultural da Bretanha.<\/p>\n<p><strong>Irlanda Em Ritmo De Loucura<\/strong><\/p>\n<p>Sobre os De Dannan \u00e9 dif\u00edcil transcrever o virtuosismo instrumental e a \u201cf\u00faria\u201d criativa de todos os seus elementos. Frank Gavin faz do violino um brinquedo cujas cordas parecem n\u00e3o conhecer limites. O violino arde literalmente nas suas m\u00e3os, e salta, mergulha, esgueira-se e incendeia o resto da m\u00fasica. Frank disse piadas, riu-se e gozou com os guinchos de \u201cyeahouyupiuoiu\u201d da assist\u00eancia. Nota de apre\u00e7o ao p\u00fablico que, desta vez, esteve muito bem. Riu nas alturas certas e n\u00e3o bateu escusadas palmas (fora de) compasso. Apenas os guinchos \u201cyeahouyupiuoiu\u201d n\u00e3o ter\u00e3o tido a pron\u00fancia correcta, como, de resto, os m\u00fasicos foram os primeiros a assinalar. Mas, na generalidade, n\u00e3o desiludiu.<br \/>\nRegresso aos De Dannan para mais um pouco de entusiasmo cr\u00edtico: espantosa a \u201cconversa\u201d rendilhada mantida entre o bouzouki de Alec Finn e a guitarra desse grande senhor que \u00e9 Arty McGlynn. E que dizer do solo de \u201cbodhran\u201d (instrumento de percuss\u00e3o) de Colin Murphy? O melhor \u00e9 nem dizer nada, s\u00f3 visto e ouvido, para perceber como \u00e9 poss\u00edvel criar melodias com um osso a bater numa pele. Frankie Gavin juntou-se-lhe num solo de \u201ctin whistle\u201d de cortar a respira\u00e7\u00e3o (principalmente a do pr\u00f3prio m\u00fasico que, exagerando um pouco, n\u00e3o ter\u00e1 afastado os l\u00e1bios do pequeno tudo met\u00e1lico durante quase cinco minutos). Mais discreto mas n\u00e3o menos eficaz, Aidan Coffey manteve a m\u00e1quina em andamento com o seu acorde\u00e3o, embora neste caso, n\u00e3o fosse poss\u00edvel afastar o fantasma de mestre Mairt\u00edn O\u2019Connor.<br \/>\nClaro que houve uma cantora. Os De Danann jamais dispensaram uma voz feminina, nos j\u00e1 longos anos que levam de carreira. Eleanor Shanley n\u00e3o ter\u00e1 feito esquecer a profundidade de uma Dolores Keane (ainda \u00e9 novita, com os anos vai l\u00e1) mas saiu-se bem. Cantou sem f\u00edfias um dif\u00edcil tema a solo, outro de Dylan e as tradicionais baladas de descanso entre a vertigem dos \u201creels\u201d, \u201cjigs\u201d e \u201chornpipes\u201d, (escolhidos na maioria do \u00e1lbum recente \u201c1\/2 Set in Harlem\u201d) que para qualquer cantora irlandesa que se preze s\u00e3o canja.<br \/>\nFechou com loucura o Interc\u00e9ltico: no \u201cencore\u201d, ao som de \u201cHey Jude\u201d dos Beatles que deu lugar a nova sequ\u00eancia endiabrada de dan\u00e7as. O p\u00fablico pediu mais mas j\u00e1 se fazia tarde. O ciclo c\u00e9ltico dava a volta completa e de novo se abria em espiral. At\u00e9 ao pr\u00f3ximo ano, com a promessa de uma semana irlandesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> Segunda-Feira, 06.04.1992 Irlandeses De Danann D\u00e3o Festival De Virtuosismo No \u00daltimo Dia Do Interc\u00e9ltico A Alegria E A F\u00faria Vieram Do Mar Bleizi Ruz e De Danann fecharam em for\u00e7a e com virtuosismo o Festival Interc\u00e9ltico que durante tr\u00eas dias decorreu na cidade do Porto. 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