{"id":8126,"date":"2020-05-18T07:32:44","date_gmt":"2020-05-18T14:32:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8126"},"modified":"2020-05-18T07:32:44","modified_gmt":"2020-05-18T14:32:44","slug":"carlos-paredes-recital-de-carlos-paredes-no-s-luiz-em-lisboa-o-silencio-convulsivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/05\/18\/carlos-paredes-recital-de-carlos-paredes-no-s-luiz-em-lisboa-o-silencio-convulsivo\/","title":{"rendered":"Carlos Paredes &#8211; &#8220;Recital De Carlos Paredes, No S. Luiz, Em Lisboa &#8211; O Sil\u00eancio Convulsivo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Cultura >> Domingo, 22.03.1992<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Recital De Carlos Paredes, No S. Luiz, Em Lisboa<br \/>\nO Sil\u00eancio Convulsivo<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Lisboa homenageou ontem, no Teatro S. Luiz, o mestre da guitarra portuguesa. Carlos Paredes, como de costume, quase n\u00e3o deu por isso. N\u00e3o vale a pena insistir, mas \u00e9 verdade: a guitarra de Paredes somos todos n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8127\" rel=\"attachment wp-att-8127\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/cparedes.jpg\" alt=\"\" width=\"626\" height=\"526\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8127\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/cparedes.jpg 626w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/cparedes-300x252.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/cparedes-624x524.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/cparedes-100x84.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 626px) 100vw, 626px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Um concerto de Carlos Paredes \u00e9 sempre motivo de j\u00fabilo e de uma certa vergonha. O j\u00fabilo de nos deixarmos levar pelo sonho que temos de n\u00f3s pr\u00f3prios, de sermos portugueses de verdade e n\u00e3o os \u201ccad\u00e1veres adiados\u201d de que falava o poeta. E a vergonha de nos termos acomodado e habituado a que ele, Paredes, estivesse sempre \u00e0 nossa m\u00e3o, dispon\u00edvel, com a sua guitarra e com uma mod\u00e9stia que nos convinha, para nos confortar da nossa mediocridade.<br \/>\nA m\u00fasica de Paredes vem de longe e do fundo, da Hist\u00f3ria e das cordas de uma guitarra que, nos seus dedos, se transforma no instrumento mais completo do mundo. Assim foi nas noites de sexta-feira e s\u00e1bado, no Teatro S. Luiz em Lisboa. Assim ser\u00e1 a 25 no Rivoli do Porto.<br \/>\nNa sexta-feira, numa esp\u00e9cie de gala tardia, nem sequer faltaram M\u00e1rio Soares, o hino nacional e convidados especiais. E a televis\u00e3o, que gravou o acontecimento em sistema de alta defini\u00e7\u00e3o para posterior emiss\u00e3o europeia.<br \/>\nAcompanhado por Lu\u00edsa Amaro, Paredes arrancou com \u201cSede\u201d para uma primeira sequ\u00eancia que incluiu os in\u00e9ditos \u201cArcos de jardim\u201d e \u201cCantiga para minha m\u00e3e\u201d.<\/p>\n<p><strong>A Perna Esquerda<\/strong><\/p>\n<p>Primeira convidada da noite, Nat\u00e1lia Casanova surgiu deslumbrante, sobretudo a sua perna esquerda, emergindo gloriosa da longa racha aberta no vestido negro. Pena foi que a voz da cantora dos Diva ter entrado antes de tempo na \u201cCantiga de Maio\u201d, de Jos\u00e9 Afonso. Apoiada por um contra-tenor n\u00e3o identificado, de figura andr\u00f3gina mas possuidor de excelentes recursos vocais, Nat\u00e1lia acabou por emprestar \u00e0 can\u00e7\u00e3o uma razo\u00e1vel dose de emo\u00e7\u00e3o e sensualidade.<br \/>\nFernando Alvim, antigo companheiro de Paredes, secundou o guitarrista em \u201cVaria\u00e7\u00f5es em R\u00e9 menor\u201d e \u201cDivertimento\u201d, antes do regresso de Lu\u00edsa Amaro numa inesquec\u00edvel \u201cDan\u00e7a de Camponeses\u201d. A primeira parte do recital encerrou com um \u201cpas de deux\u201d coreografado pelos bailarinos Of\u00e9lia Cardoso e Francisco Pedro segundo a est\u00e9tica do \u201cpulinho a compasso\u201d: um pulinho por cada sem\u00ednima, dois por colcheia e assim por diante, em progress\u00e3o geom\u00e9trica, n\u00e3o h\u00e1 que enganar.<br \/>\nCumpridos os rituais de exposi\u00e7\u00e3o social do intervalo (muito actor e m\u00fasico presente, muita sociedade, muito vestido curto), de novo a m\u00fasica, com Paredes a dar o mote de \u201cPorto Santo\u201d para o pianista M\u00e1rio Laginha improvisar no que foi um dos momentos mais altos do espect\u00e1culo.<br \/>\nDepois, de novo Lu\u00edsa Amaro como acompanhante, em mais dois in\u00e9ditos, \u201cMar Go\u00eas\u201d e \u201cTiti\u201d e nas notas por todos ansiadas de \u201cVerdes Anos\u201d, as que melhor traduzem o sil\u00eancio convulsivo que vai na nossa maneira de sermos portugueses.<br \/>\nFracassado, foi o encontro com Rui Veloso, a quem Carlos Paredes pediu desculpa por alguma eventual \u201casneira\u201d. O di\u00e1logo instrumental n\u00e3o chegou a acontecer. As duas guitarras pouco tinham a dizer uma \u00e0 outra. Carlos Paredes apagou-se, dando lugar a Rui Veloso que, sozinho, interpretou \u201cPorto Sentido\u201d.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, a participa\u00e7\u00e3o de Paulo Curado, na flauta, em \u201cMudar de Vida\u201d, resultou em pleno, talvez porque o tema, gravado para o filme de Paulo Rocha e inclu\u00eddo no \u00e1lbum \u201cMovimento Perp\u00e9tuo\u201d, fora escrito para este instrumento.<br \/>\nAs \u201cVaria\u00e7\u00f5es de Artur Paredes\u201d fecharam a sequ\u00eancia oficial do programa. A sala aplaudiu de p\u00e9. Carlos Paredes levantou-se, esbarrou contra uma c\u00e2mara de televis\u00e3o, vagueou perdido pelo palco e agradeceu de forma desajeitada. O p\u00fablico pediu mais e Paredes, como sempre, fez-lhe a vontade. Pela primeira vez ficou completamente s\u00f3, no centro do palco, dobrado sobre a guitarra, a confundir-nos, a emocionar-nos. Mas o guitarrista surpreendeu tudo e todos em alguns segundos de uma \u201cbrincadeira\u201d (\u201cos meus amigos v\u00e3o-se rir de certeza\u201d), antes de se despedir com uma nota de ironia \u2013 numa pe\u00e7a, inspirada em Camilo, que traduz em m\u00fasica os \u201cdiscursos vazios e balofos com que certos senhores nos pretendem enganar\u201d e assinada com um \u201ctenho dito\u201d bem-humorado.<br \/>\nPara todos, para cada um diferentemente, a m\u00fasica e a vida de Carlos Paredes servem de li\u00e7\u00e3o. Que poucos souberam ou quiseram estudar e aprender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> Domingo, 22.03.1992 Recital De Carlos Paredes, No S. Luiz, Em Lisboa O Sil\u00eancio Convulsivo Lisboa homenageou ontem, no Teatro S. Luiz, o mestre da guitarra portuguesa. Carlos Paredes, como de costume, quase n\u00e3o deu por isso. N\u00e3o vale a pena insistir, mas \u00e9 verdade: a guitarra de Paredes somos todos n\u00f3s. 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