{"id":8094,"date":"2020-05-04T08:14:48","date_gmt":"2020-05-04T15:14:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8094"},"modified":"2020-05-04T08:14:48","modified_gmt":"2020-05-04T15:14:48","slug":"varios-criadores-jornalistas-e-radialistas-discutem-producao-nacional-em-lisboa-o-imperio-sem-patria-da-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/05\/04\/varios-criadores-jornalistas-e-radialistas-discutem-producao-nacional-em-lisboa-o-imperio-sem-patria-da-musica\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;Criadores, Jornalistas E Radialistas Discutem Produ\u00e7\u00e3o Nacional Em Lisboa &#8211; &#8216;O Imp\u00e9rio Sem P\u00e1tria&#8217; Da M\u00fasica&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Cultura >> Domingo, 02.02.1992<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>Criadores, Jornalistas E Radialistas Discutem Produ\u00e7\u00e3o Nacional Em Lisboa<br \/>\n\u201cO Imp\u00e9rio Sem P\u00e1tria\u201d Da M\u00fasica<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00fasica portuguesa: \u201cconfec\u00e7\u00e3o, costura e corte\u201d. O tema foi debatido no clube de Jornalistas, em Lisboa. Que h\u00e1 crise, ningu\u00e9m duvida. Multinacionais, corrup\u00e7\u00e3o nos \u201cmedia\u201d e estrat\u00e9gias de distribui\u00e7\u00e3o pouco l\u00edmpidas foram apontados como principais culpados. Acusa\u00e7\u00f5es a que as multinacionais, que se recusaram a comparecer, ter\u00e3o de dar resposta.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8095\" rel=\"attachment wp-att-8095\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/jmb.jpg\" alt=\"\" width=\"416\" height=\"661\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8095\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/jmb.jpg 416w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/jmb-189x300.jpg 189w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/jmb-63x100.jpg 63w\" sizes=\"auto, (max-width: 416px) 100vw, 416px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cNos anos 70, a seguir ao 25 de Abril, 65 por cento dos discos vendidos no nosso pa\u00eds eram fabricados em Portugal. Em 1989 a percentagem baixou para 8 por cento\u201d. Para Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, m\u00fasico e s\u00f3cio da UPAV \u2013 Uni\u00e3o Portuguesa de Artistas de variedades, tais estat\u00edsticas revestem-se de \u201cum significado, n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f3mico como cultural, assustador\u201d. A m\u00fasica portuguesa, e em especial a de teor mais intervencionista, sofre por tabela.<br \/>\nConta Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, logo no in\u00edcio deste debate levado a cabo sexta-feira \u00e0 noite pelo Clube dos Jornalistas e com a promessa de continua\u00e7\u00e3o, que no final de um concerto seu, realizado h\u00e1 pouco tempo nos jardins da Guarda, dois jovens exaltados, \u201ccom as l\u00e1grimas a escorrer pela cara abaixo\u201d, o abordaram com a seguinte pergunta: \u201cquem s\u00e3o os cabr\u00f5es que nos impediram at\u00e9 hoje de conhecer estas coisas?\u201d Uma boa pergunta. \u201cO p\u00fablico quer ouvir a nossa m\u00fasica, h\u00e1 artistas que querem dar a ouvir a sua m\u00fasica ao p\u00fablico e h\u00e1 uma coisa, um pesadelo ali no meio, que impede a circula\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 diz Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, segundo o qual as multinacionais s\u00e3o as principais respons\u00e1veis por este estado de coisas: \u201cSomos um pa\u00eds pequeno onde as multinacionais entraram totalmente \u00e0 balda, sem quaisquer regras que limitassem e condicionassem a sua actua\u00e7\u00e3o no mercado. As chamadas \u2018editoras portuguesas\u2019 n\u00e3o passam de escrit\u00f3rios em Lisboa de empresas estrangeiras. Quem manda na m\u00fasica em Portugal n\u00e3o \u00e9 Lisboa nem o Porto, mas Londres, Nova Iorque, Amesterd\u00e3o\u2026\u201d Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco segue o racioc\u00ednio das multinacionais: \u201cNa l\u00f3gica da Sony ou da EMI, o nosso mercado n\u00e3o passa de um quintal para onde se torna f\u00e1cil escoar os restos de armaz\u00e9m. \u00c9 esta a l\u00f3gica do sistema\u201d.<\/p>\n<p><strong>Editoras \/ Distribuidoras<\/strong><\/p>\n<p>Citam-se casos relativos a determinados processos seguidos, neste caso pelas \u201cdistribuidoras\u201d que, na quase totalidade dos casos, s\u00e3o ao mesmo tempo editoras. Uma conversa de neg\u00f3cios entre o representante de uma \u201cdistribuidora\u201d e um retalhista n\u00e3o andar\u00e1 longe dos seguintes termos: o retalhista pretende por exemplo comprar para a sua loja 200 discos de Michael Jackson, cuja venda lhe garantir\u00e1 sem dificuldade os 48 por cento de margem de lucro que a lei lhe faculta sobre o pre\u00e7o de revenda. O distribuidor (e editor\u2026) argumentar\u00e1 ent\u00e3o: \u201cQueres o Michael Jackson? Por acaso tenho aqui uma outra coisa que est\u00e1vamos tamb\u00e9m interessados em vender (os tais restos)\u201d. Se o retalhista insiste que essa \u2018outra coisa\u2019 n\u00e3o lhe interessa, receber\u00e1 um franzir ofendido de sobrancelhas acompanhado da tirada: \u201cPois \u00e9, mas esses 200 discos do Michael Jackson n\u00e3o sei se lhos vou poder arranjar, sabe, h\u00e1 umas dificuldades no armaz\u00e9m\u2026\u201d. O infeliz retalhista, que apenas pretende enriquecer de forma honesta e de prefer\u00eancia r\u00e1pida, percebe e resigna-se \u00e0 continua\u00e7\u00e3o: \u201c\u2026 mas se me comprar 50 destes tenho a impress\u00e3o que afinal talvez lhe consiga arranjar os tais 200 do Michael Jackson!\u201d.<br \/>\nOs \u201cmedia\u201d, alguns \u201cmedia\u201d, tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o poupados. Mesmo sem ter provas concretas (\u201csei de saber\u201d) \u2013 diz Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco) o autor de \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d n\u00e3o duvida que o sistema esteja \u201cprofundamente corrompido, com cheques mensais passados por debaixo da mesa, com opera\u00e7\u00f5es que significam dinheiro e chantagem ao lucro\u201d. Na televis\u00e3o \u2013 \u201co meio dos meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 \u201cpaga-se em escudos para se passar a faixa tal de um disco, segundo as imposi\u00e7\u00f5es de programa\u00e7\u00e3o vindas de Londres ou Amsterd\u00e3o\u201d.<br \/>\nO poder fecha os olhos e deixa andar. \u201cOs canais de informa\u00e7\u00e3o t\u00eam muitas rela\u00e7\u00f5es com o poder pol\u00edtico e com o poder econ\u00f3mico. H\u00e1 muitos interesses no meio disto tudo. Interessa \u00e9 adormecer as pessoas e n\u00e3o levantar problemas\u201d \u2013 diz Pedro Pyrrait, cr\u00edtico de m\u00fasica, radialista e um dos convidados do debate, para quem este facto \u201cteve influ\u00eancia no afastamento de uma larga faixa de m\u00fasica da nossa r\u00e1dio\u201d. \u201cH\u00e1 uma censura indirecta no sentido de n\u00e3o passar artistas como o Fausto, os Vai de Roda, o Jos\u00e9 Afonso, sob o pretexto de n\u00e3o ser m\u00fasica para FM\u201d. Censura que nalguns casos pode passar por um \u201ctelefonema de algum secret\u00e1rio de Estado ou de um ministro, a protestar contra a passagem de \u2018m\u00fasica revolucion\u00e1ria\u2019, m\u00fasica \u2018revolucion\u00e1ria\u2019 que at\u00e9 pode ser uma can\u00e7\u00e3o perfeitamente inocente, mas que s\u00f3 por ser cantada pelo Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco ou pelo S\u00e9rgio Godinho pode prejudicar a ascens\u00e3o de pessoas como o Jo\u00e3o David Nunes ou o Jaime Fernandes, que se calhar ambicionam chegar um dia a ministros. \u00c9 bom o Jo\u00e3o David Nunes vir \u00e0 televis\u00e3o [em edi\u00e7\u00e3o recente de \u201cConversa Afiada\u201d] dizer que gosta de m\u00fasica portuguesa e do Jos\u00e9 Afonso. Dif\u00edcil era ouvir essa m\u00fasica na R\u00e1dio Comercial, quando ele era director.<\/p>\n<p><strong>O Capital Contra O Capitalismo<\/strong><\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, todo este panorama muito pouco claro que parece minar por dentro a \u201ccostura\u201d e \u201ccorte\u201d da m\u00fasica portuguesa insere-se numa perspectiva mais vasta, de permissividade e \u201cdecad\u00eancia\u201d de \u201cuma classe dominante pirosa e sect\u00e1ria (por inseguran\u00e7a, por ser muito recente e por nunca ter podido exercer nem exercer-se)\u201d e, como consequ\u00eancia, \u201cde uma classe pol\u00edtica impreparada e altamente corrupta\u201d. Corrup\u00e7\u00e3o que vinda das c\u00fapulas ter\u00e1 por for\u00e7a que se reflectir nos \u201cv\u00e1rios n\u00edveis da vida nacional, passando pelas diversas estruturas do Estado, pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e pelo pr\u00f3prio meio empresarial\u201d.<br \/>\nViriato Teles, outro representante da fac\u00e7\u00e3o do \u201ccorte\u201d presente no debate, que teve Eduardo Guerra Carneiro, da Direc\u00e7\u00e3o do Clube de Jornalistas, como moderador, tem raz\u00e3o quando afirma que \u201csem se conhecer as coisas n\u00e3o se pode gostar delas\u201d. De facto, algo n\u00e3o bate certo quando o tal jovem da Guarda grita contra os \u201ccabr\u00f5es\u201d que lhe dificultam e impedem o acesso ao produto musical. S\u00e3o as pr\u00f3prias leis da oferta e da procura que s\u00e3o impedidas de funcionar. \u201cH\u00e1 aqui qualquer coisa que n\u00e3o tem sequer j\u00e1 a ver com a economia keinesyana e com o capitalismo \u2013 a pervers\u00e3o do pr\u00f3prio capitalismo\u201d. Quando os meios de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica se rendem aos \u201ctrusts\u201d, o assunto ultrapassa os limites da \u201cnacionalidade\u201d para constituir \u201cuma quest\u00e3o de dinheiro, de um imp\u00e9rio sem p\u00e1tria\u201d. N\u00e3o deixa de ser perturbante que hoje se acuse o comunista Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco de \u201csubversivo no sistema\u201d apenas por defender o cumprimento da lei de oferta e procura, afinal um dos princ\u00edpios b\u00e1sicos do \u201ccatecismo capitalista\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> Domingo, 02.02.1992 Criadores, Jornalistas E Radialistas Discutem Produ\u00e7\u00e3o Nacional Em Lisboa \u201cO Imp\u00e9rio Sem P\u00e1tria\u201d Da M\u00fasica M\u00fasica portuguesa: \u201cconfec\u00e7\u00e3o, costura e corte\u201d. O tema foi debatido no clube de Jornalistas, em Lisboa. Que h\u00e1 crise, ningu\u00e9m duvida. Multinacionais, corrup\u00e7\u00e3o nos \u201cmedia\u201d e estrat\u00e9gias de distribui\u00e7\u00e3o pouco l\u00edmpidas foram apontados como principais culpados. 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